{"id":17857,"date":"2006-05-08T11:14:57","date_gmt":"2006-05-08T11:14:57","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/05\/08\/juventude-deve-inserir-se-na-igreja\/"},"modified":"2006-05-08T11:14:57","modified_gmt":"2006-05-08T11:14:57","slug":"juventude-deve-inserir-se-na-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/juventude-deve-inserir-se-na-igreja\/","title":{"rendered":"Juventude deve inserir-se na Igreja"},"content":{"rendered":"<p>Homilia do Bispo do Porto na B\u00ean\u00e7\u00e3o das pastas <!--more--> Porque o ano civil e o ano acad\u00e9mico acompanham habitualmente o ritmo e programa do ano lit\u00fargico, mais uma vez esta celebra\u00e7\u00e3o da B\u00ean\u00e7\u00e3o das Pastas, inserida na Eucaristia, traz \u00e0 nossa considera\u00e7\u00e3o a alegoria do Bom Pastor. O Profeta Ezequiel, voz muito escutada nas assembleias religiosas do seu tempo, apresentou Deus na figura de um Pastor, imagem corrente e acess\u00edvel para quem pretendia ensinar e para quem desejava aprender. E Jesus Cristo parece ter privilegiado esta imagem e este t\u00edtulo para se afirmar como Deus: \u201cEu sou o Bom Pastor; sou Eu o Bom Pastor\u201d (Jo.10,11). Identificando-se como Deus, descreve as fun\u00e7\u00f5es de um bom pastor, que conhece as ovelhas, \u00e9 por elas conhecido, e por elas d\u00e1 a vida, em contraste com o comportamento de qualquer mercen\u00e1rio, que nem d\u00e1 a vida nem \u00e9 capaz de se sacrificar, mas apenas explora, para fugir covardemente e deixar abandonados e em dispers\u00e3o os que nele confiam. H\u00e1 por\u00e9m nesta alegoria um dado particularmente significativo. Cristo diz: \u201cTenho ainda outras ovelhas que n\u00e3o s\u00e3o deste redil e preciso de as reunir; elas ouvir\u00e3o a minha voz e haver\u00e1 um s\u00f3 rebanho e um s\u00f3 Pastor\u201d (Jo.10,16). O Senhor n\u00e3o diz que h\u00e1 outras ovelhas, mas que tem outras ovelhas, que precisa de reunir para ouvirem a sua voz e se integrarem na unidade de um s\u00f3 rebanho. S\u00e3o palavras que fundamentam as convic\u00e7\u00f5es e a f\u00e9 dos crist\u00e3os, que significam a universalidade da reden\u00e7\u00e3o e a catolicidade da Igreja e que, na perspectiva dos crentes, v\u00e3o contra a exclus\u00e3o. Sendo embora palavras e conceitos assumidos explicitamente pelos crentes-crist\u00e3os, estas palavras s\u00e3o da Escritura Sagrada e merecem, mesmo nesta circunst\u00e2ncia e neste contexto lato e vasto, uma profunda reflex\u00e3o. Est\u00e1 em causa a Palavra de Deus, que n\u00e3o \u00e9 do mesmo n\u00edvel de qualquer palavra escrita, de qualquer autor humano consagrado, de qualquer interpreta\u00e7\u00e3o individual e meramente pessoal. \u00c9 importante ler a Palavra de Deus em companhia de outros, contando com o saber dos mestres, com a solicitude dos amigos, e com o esp\u00edrito da Igreja. \u00c9 isto que afirmam os te\u00f3logos quando falam de \u201csinergia\u201d para significar esta colabora\u00e7\u00e3o de Deus com o homem. Esta \u201csinergia\u201d torna-se mais acess\u00edvel a partir do Pentecostes, segundo o testemunho dos Actos dos Ap\u00f3stolos: \u201cPedro, cheio do Esp\u00edrito Santo\u201d (Act. 4,1) dirige-se aos chefes e aos respons\u00e1veis do povo para dar testemunho da ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo (o Cristo que eles tinham crucificado) e conclui: \u201cJesus \u00e9 a pedra que v\u00f3s, os construtores, desprezastes e que veio a tornar-se pedra angular. E em nenhum outro h\u00e1 salva\u00e7\u00e3o\u201d (Act. 4,11-12). A Palavra de Deus foi-nos dita ou proferida em momentos diversos e sucessivos da Hist\u00f3ria que, \u00e0 luz da f\u00e9, chamamos Hist\u00f3ria da Salva\u00e7\u00e3o. A releitura e reescritura desta Palavra fundamentam uma continuidade profunda, mas com a vinda de Cristo e com a experi\u00eancia dos Ap\u00f3stolos ap\u00f3s o Pentecostes a Palavra tornou-se definitiva. Assim, n\u00e3o pode haver mais reescrituras, mas continua a haver obviamente a necessidade de aprofundarmos sempre mais a nossa compreens\u00e3o. Ler, aprofundar e assimilar a Palavra de Deus na Sagrada Escritura comporta aceitar e reconhecer a indispens\u00e1vel companhia da Igreja, em cuja comunh\u00e3o encontramos ambiente para o di\u00e1logo com Deus, que define a Revela\u00e7\u00e3o divina e a correspond\u00eancia humana. Estas clarifica\u00e7\u00f5es assumem o valor de resposta que \u00e9 preciso ouvir do mundo da verdadeira cultura que v\u00f3s, universit\u00e1rios, tendes o dever de representar. Porque todos certamente temos conhecimento de escrituras que recentemente t\u00eam sido descobertas e que se recebem como revolucionadoras da Sagrada Escritura reconhecida formalmente pela Igreja, que contrariam acontecimentos que a pr\u00f3pria Hist\u00f3ria admite como incontest\u00e1veis, que reinterpretam figuras e comportamentos que a cultura universal reconheceu e consagrou como emblem\u00e1ticas. O gnosticismo do s\u00e9culo II da era crist\u00e3, combatido e vencido por autores crist\u00e3os de nome registado na Hist\u00f3ria do Cristianismo e da cultura dos primeiros s\u00e9culos, e os livros ap\u00f3crifos relegados para o \u00e2mbito da literatura menor, aparecem hoje por a\u00ed a alimentar fantasias liter\u00e1rias e a satisfazer curiosidades sempre \u00e1vidas da novidade e do contradit\u00f3rio&#8230; Como se fossem verdades novas, quando n\u00e3o s\u00e3o sen\u00e3o sombras a ofuscar a Verdade e tentativas de perturbar a paz do conhecimento alcan\u00e7ado.  Meus caros jovens estudantes: Se vos falei tanto da Igreja e da necessidade de estar inserido nela foi por causa dos ventos que sopram e impressionam na nossa cultura e na mentalidade que se vai forjando. Hoje quase nos sentimos aqui refugiados para celebrar o mist\u00e9rio da f\u00e9 e para benzermos as vossas pastas e os s\u00edmbolos que representam. Daqui podeis levar a ideia de que h\u00e1, tamb\u00e9m em sentido simb\u00f3lico, um Pastor que \u00e9 sol\u00edcito convosco, tanto que at\u00e9 deu a vida por todos n\u00f3s; e que esse Pastor se encontra na comunh\u00e3o da Igreja, manifestada pela efus\u00e3o do Esp\u00edrito do Pentecostes (L.G. 2). Cristo, o Bom Pastor, e a Igreja, s\u00e3o a defesa contra o isolamento perigoso, contra o individualismo e o ego\u00edsmo que amea\u00e7am. Contra a solid\u00e3o presun\u00e7osa e enganadora, contra a competitividade e a competi\u00e7\u00e3o que sepultam a solidariedade e a amizade. De facto, estes sinais negativos da sociedade que constru\u00edmos levam \u00e0 exclus\u00e3o social, que a todos afecta porque todos somos v\u00edtimas, praticando, sofrendo ou sendo testemunhas. Estamos convosco nas preocupa\u00e7\u00f5es pelo futuro: pelo emprego, pelas condi\u00e7\u00f5es de vida e de trabalho, pela seguran\u00e7a, pela fam\u00edlia, pela alegria transparente e justificada, pelo optimismo, pela esperan\u00e7a. Estamos convosco num esfor\u00e7o para vencer os medos: do terrorismo que se generaliza, da guerra que espreita, das injusti\u00e7as e opress\u00f5es que conhecemos, da sa\u00fade que nos interroga, das regalias sociais que n\u00e3o s\u00e3o garantidas, das desigualdades sociais que aumentam, das fam\u00edlias que esperam por habita\u00e7\u00e3o condigna, da fome que nos envergonha pelas multid\u00f5es e na\u00e7\u00f5es afectadas, em demonstra\u00e7\u00e3o de falta de solidariedade, de caridade, de organiza\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria em favor de uma paz que essa vergonha impede e anula. Est\u00e1 a chegar ao fim a peregrina\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica de muitos de v\u00f3s: apesar de tudo, os anos da Universidade foram sem d\u00favida um tempo de alegria e de optimismo, de trabalhos e estudo mas de satisfa\u00e7\u00e3o cultural, cient\u00edfica, social. Constitu\u00edstes uma franja especial da sociedade, como agora, na festa acad\u00e9mica, decretais uma esp\u00e9cie de interregno que esquece ou arreda sacrif\u00edcios, fracassos, tristezas e frustra\u00e7\u00f5es. Tendes naturalmente associados aqueles que convosco sentem e vivem a Festa: as fam\u00edlias, os amigos, os professores, os colegas, os funcion\u00e1rios e o pessoal administrativo das respectivas Faculdades de cada Universidade. Por direito pr\u00f3prio e por solidariedade merit\u00f3ria sois nestes dias a Academia do Porto em festa. A sociedade civil celebra hoje o Dia da M\u00e3e. Interessa, apenas relativamente, ler ou interpretar o significado dessa evoca\u00e7\u00e3o. Sabemos que este significado \u00e9 vari\u00e1vel e suscita leituras diferentes. Gostaria de vos recomendar e desejar, em s\u00edntese, que Cristo seja a pedra angular na constru\u00e7\u00e3o dos projectos e modelo de vida, que a Igreja seja a p\u00e1tria da vossa conviv\u00eancia fraterna e que a M\u00e3e de Jesus e da Igreja, nossa M\u00e3e na ordem da gra\u00e7a, seja M\u00e3e sol\u00edcita de cada um de v\u00f3s, ao lado da m\u00e3e natural de sangue, ou para a substituir e n\u00e3o deixar nenhum de v\u00f3s em situa\u00e7\u00e3o de orfandade. Este meu voto pessoal, como Bispo do Porto, traduz os meus sentimentos de congratula\u00e7\u00e3o e parab\u00e9ns e os melhores votos de felicidades para todos v\u00f3s.  Est\u00e1dio do Drag\u00e3o, 7 de Maio de 2006 <i>D. Armindo Lopes Coelho, Bispo do Porto<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia do Bispo do Porto na B\u00ean\u00e7\u00e3o das pastas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[295,160,163,187,206,291,314],"class_list":["post-17857","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-biblia","tag-d-armindo-lopes-coelho","tag-dia-da-mae","tag-diocese-do-porto","tag-familia","tag-refugiados","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17857","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17857"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17857\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17857"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17857"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17857"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}