{"id":178569,"date":"2020-06-15T15:16:34","date_gmt":"2020-06-15T14:16:34","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=178569"},"modified":"2020-06-15T15:16:34","modified_gmt":"2020-06-15T14:16:34","slug":"lusofonias-grande-viagem-grande-amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-grande-viagem-grande-amor\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; Grande viagem, grande Amor"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves, em Roma<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/tony_tolentino.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-178570\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/tony_tolentino.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/tony_tolentino.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/tony_tolentino-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/tony_tolentino-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/tony_tolentino-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/tony_tolentino-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/tony_tolentino-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/tony_tolentino-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><\/p>\n<p>10 de junho, Mosteiro dos Jer\u00f3nimos, Lisboa. O Cardeal Tolentino come\u00e7ou o seu discurso em Dia de Portugal. Queria tomar notas e comecei a escrever. Depressa desisti, pois cada frase tinha de ser anotada. Decidi ouvir. Ouvir e meditar. Extraordin\u00e1rio. Depois, como sempre, h\u00e1 que pegar no texto e ler v\u00e1rias vezes, como acontece com o que o Cardeal Poeta e Biblista escreve. \u00c9 um exerc\u00edcio que nos faz crescer por dentro, pois os poetas s\u00e3o assim.<\/p>\n<p>D. Tolentino insiste em tr\u00eas pactos urgentes: o comunit\u00e1rio, o intergeracional e o ambiental.<\/p>\n<p>Belo \u00e9 o elogio a Cam\u00f5es que nos \u2018deixou em heran\u00e7a a poesia\u2019. Bela e profunda \u00e9 a sua reflex\u00e3o sobre a poesia: \u2018um guia n\u00e1utico perp\u00e9tuo; um tratado de marinhagem para a experi\u00eancia oce\u00e2nica que fazemos da vida; uma cosmografia da alma\u2019. Assim se compreende como \u2018Cam\u00f5es desconfinou Portugal\u2019 e como os Lus\u00edadas s\u00e3o, \u2018ao mesmo tempo, um livro que nos leva por mar at\u00e9 \u00e0 \u00cdndia, mas que nos conduz por terra ainda mais longe: conduz-nos a n\u00f3s pr\u00f3prios\u2019.<\/p>\n<p>E, claro, a crise provocada pela pandemia esteve no cora\u00e7\u00e3o do discurso. D. Tolentino recorreu ao Canto VI dos Lus\u00edadas para explicar que, ontem como hoje, os grandes sonhos, as grandes viagens da vida, s\u00f3 se concretizam ap\u00f3s duras experi\u00eancias de tempestade, depois de profundas crises. Mas h\u00e1 algo decisivo neste caminho: \u2018o importante a salvaguardar \u00e9 que, como comunidade, nos encontremos unidos em torno \u00e0 actualiza\u00e7\u00e3o dos valores humanos essenciais e capazes de lutar por eles\u2019.<\/p>\n<p>Amar um pa\u00eds implica praticar a compaix\u00e3o como \u2018exerc\u00edcio efectivo da fraternidade\u2019. Vitimados por esta pandemia (uma \u2018tempestade global\u2019), devemos saber, como sociedade, estando no mesmo barco, para onde queremos ir. Precisamos de reabilitar o pacto comunit\u00e1rio, pois \u2018a raiz da civiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 a comunidade\u2019, como t\u00e3o bem explica a par\u00e1bola do f\u00e9mur cicatrizado, primeiro sinal de civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A primeira miss\u00e3o de uma comunidade \u00e9 \u2018cuidar da vida\u2019, de todas as vidas, do nascer ao p\u00f4r do sol da vida, colocando sempre a pessoa humano no centro da hist\u00f3ria, \u2018ultrapassando a cultura da indiferen\u00e7a e do descarte\u2019. O Cardeal madeirense apelou \u00e0 solidariedade, referindo dados belos como \u2018a regulariza\u00e7\u00e3o dos imigrantes com pedidos de autoriza\u00e7\u00e3o de resid\u00eancia pendentes no Servi\u00e7o de Estrangeiros e Fronteiras. E conclui: \u2018sem compaix\u00e3o e fraternidade fortalecem-se apenas os muros e aliena-se a possibilidade de lan\u00e7ar ra\u00edzes\u2019.<\/p>\n<p>O pacto intergeracional \u00e9 outra urg\u00eancia, exigindo uma reflex\u00e3o e tomada de medidas sobre o abandono a que s\u00e3o votados muitos idosos e a gera\u00e7\u00e3o mais jovem, a quem se lhes rouba o futuro, n\u00e3o lhes dando vez nem voz. Para D. Tolentino, \u2018a vida \u00e9 um valor sem varia\u00e7\u00f5es\u2019. Por isso \u00e9 necess\u00e1rio \u2018aprofundar a contribui\u00e7\u00e3o dos seus idosos, ajuda-los a viver e a assumir-se como mediadores de vida para as novas gera\u00e7\u00f5es\u2019, como foi a av\u00f3 materna do Cardeal para ele, irm\u00e3os e primos. E h\u00e1 que olhar tamb\u00e9m para os jovens adultos (menos de 35 anos), \u2018uma gera\u00e7\u00e3o que, praticamente numa d\u00e9cada, v\u00ea abater-se sobre as suas aspira\u00e7\u00f5es, uma segunda crise econ\u00f3mica grave\u2019.<\/p>\n<p>O Papa Francisco tamb\u00e9m foi chamado ao Mosteiro de Jer\u00f3nimos, por causa da urg\u00eancia de um novo pacto ambiental. D. Tolentino chamou \u00e0 enc\u00edclica \u2018Laudato Si\u2019 \u2018um dos textos centrais do s\u00e9culo XXI\u2019 e lembrou a necessidade de uma \u2018ecologia integral, onde o presente e o futuro da nossa humanidade se pense a par do presente e do futuro da grande casa comum\u2019. De facto, tudo est\u00e1 interligado, precisamos de \u2018cuidadores sensatos, praticando uma \u00e9tica da cria\u00e7\u00e3o, que tenha express\u00e3o jur\u00eddica efectiva nos tratados transnacionais, mas tamb\u00e9m nos estilos de vida, nas escolhas e nas express\u00f5es mais dom\u00e9sticas do nosso quotidiano\u2019.<\/p>\n<p>E termina com uma afirma\u00e7\u00e3o que rasga caminhos de futuro. Estamos em viagem e \u2018uma grande viagem \u00e9 como uma grande amor\u2019. \u00c9 tempo de desconfinar, levantarmos as \u00e2ncoras e de nos fazermos ao largo! S\u00e3o estas as exig\u00eancias do exerc\u00edcio de uma cidadania culta e respons\u00e1vel.<\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-178569-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/lusofonias.viagemeamor-15-06-2020.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/lusofonias.viagemeamor-15-06-2020.mp3\">https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/lusofonias.viagemeamor-15-06-2020.mp3<\/a><\/audio>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony Neves, em Roma<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":114253,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-178569","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/178569","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=178569"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/178569\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/114253"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=178569"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=178569"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=178569"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}