{"id":178352,"date":"2020-06-12T23:15:06","date_gmt":"2020-06-12T22:15:06","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=178352"},"modified":"2020-06-15T11:00:17","modified_gmt":"2020-06-15T10:00:17","slug":"obito-faleceu-o-paroco-da-se-de-lisboa-conego-luis-manuel-pereira-da-silva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/obito-faleceu-o-paroco-da-se-de-lisboa-conego-luis-manuel-pereira-da-silva\/","title":{"rendered":"\u00d3bito: Faleceu o p\u00e1roco da S\u00e9 de Lisboa, c\u00f3nego Lu\u00eds Manuel Pereira da Silva"},"content":{"rendered":"<p>O corpo do sacerdote chega este domingo \u00e0 S\u00e9 de Lisboa, onde o cardeal-patriarca preside \u00e0 Missa \u00e0s 15h30; o funeral realiza-se segunda-feira<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_178397\" aria-describedby=\"caption-attachment-178397\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Luis-Manuel_Lisboa_Arlindo-Homem.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-178397 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Luis-Manuel_Lisboa_Arlindo-Homem-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Luis-Manuel_Lisboa_Arlindo-Homem-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Luis-Manuel_Lisboa_Arlindo-Homem-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Luis-Manuel_Lisboa_Arlindo-Homem-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Luis-Manuel_Lisboa_Arlindo-Homem-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Luis-Manuel_Lisboa_Arlindo-Homem-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Luis-Manuel_Lisboa_Arlindo-Homem-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Luis-Manuel_Lisboa_Arlindo-Homem-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Luis-Manuel_Lisboa_Arlindo-Homem.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-178397\" class=\"wp-caption-text\">Foto Arlindo Homem, C\u00f3nego Lu\u00eds Manuel Pereira da Silva<\/figcaption><\/figure>\n<p>Lisboa, 12 jun 2020 (Ecclesia) &#8211; O Patriarcado de Lisboa informa que faleceu hoje o c\u00f3nego Lu\u00eds Manuel Pereira da Silva, p\u00e1roco da S\u00e9 de Lisboa desde 1996 e especialista em Liturgia, &#8220;devido a doen\u00e7a oncol\u00f3gica&#8221;.<\/p>\n<p>\u201cO corpo do sacerdote chegar\u00e1 domingo, pelas 13h30, \u00e0 S\u00e9 de Lisboa, onde, pelas 15h30, o Cardeal-Patriarca, D. Manuel Clemente, vai presidir \u00e0 Missa exequial. \u00c0s 21h30, decorrer\u00e1 uma Vig\u00edlia, orientada pelo Semin\u00e1rio dos Olivais. Na segunda-feira, \u00e0s 9h30, no mesmo local, a missa ser\u00e1 presidida pelo Bispo Auxiliar de Lisboa D. Am\u00e9rico Aguiar. De seguida, o corpo do c\u00f3nego Lu\u00eds Manuel seguir\u00e1 para a terra natal dos pais, onde ser\u00e1 sepultado\u201d, indica um comunicado enviado \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA.<\/p>\n<p>O patriarcado de Lisboa <a href=\"http:\/\/www.patriarcado-lisboa.pt\/site\/index.php?id=10547&amp;fbclid=IwAR1WOceIOkMbUCfBkMYZ0c3fSaSHwQ_wNFyb7_5jllsY4w7WtAOc4DI3bWY\">lembra<\/a> que a participa\u00e7\u00e3o nas celebra\u00e7\u00f5es exequiais, na S\u00e9, \u201cest\u00e1 limitada ao n\u00famero de lugares dispon\u00edveis, de acordo com as orienta\u00e7\u00f5es das autoridades de sa\u00fade\u201d, mas as celebra\u00e7\u00f5es v\u00e3o ser transmitidas online e em direto a partir do site e redes sociais do Patriarcado de Lisboa (Facebook e Youtube) e do MeoKanal (210021).<\/p>\n<p>Nascido a 2 de setembro de 1956, em S\u00e3o Jos\u00e9, no centro da cidade de Lisboa, e ordenado a 28 de novembro de 1993, nos Jer\u00f3nimos, pelo cardeal Ribeiro, este sacerdote era diretor do Departamento de Liturgia do Patriarcado, colaborador do Secretariado Nacional de Liturgia e professor na Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa.<\/p>\n<p>Mestre das Cerim\u00f3nias Patriarcais, desde 1998, Lu\u00eds Manuel Pereira da Silva foi criado c\u00f3nego do Cabido da S\u00e9 em 8 de dezembro de 2003, era professor de Liturgia na Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa e assistente da Associa\u00e7\u00e3o de Professores Cat\u00f3licos.<\/p>\n<p>Em 2018, o c\u00f3nego Lu\u00eds Manuel Pereira da Silva celebrou 25 anos de ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal, e afirmou ao jornal \u00a0jornal Voz da Verdade, do Patriarcado de Lisboa, a &#8220;profunda gratid\u00e3o&#8221; pela voca\u00e7\u00e3o e o trabalho pastoral, nomeadamente na Par\u00f3quia da S\u00e9 de Lisboa, que colocou \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do cardeal-patriarca por causa dos problemas oncol\u00f3gicos que vivia, acrescentando que recebeu sempre &#8220;grande alento&#8221; por parte de D. Manuel Clemente.<\/p>\n<p><em>PR<\/em><\/p>\n<p><em>Not\u00edcia atualizada a 13.06.2020<\/em><\/p>\n<table style=\"width: 100%; border-collapse: collapse; background-color: #ebebeb;\" cellpadding=\"7\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"width: 100%;\">\n<h1>\u201cDeus n\u00e3o desiste de mim\u201d<\/h1>\n<p>(Jornal Voz da Verdade, 25 de novembro de 2018)<\/p>\n<p>P\u00e1roco da S\u00e9 de Lisboa desde 1996, o c\u00f3nego Lu\u00eds Manuel foi ordenado h\u00e1 25 anos e tem dedicado a vida tamb\u00e9m \u00e0 liturgia. Foi professor, mas Deus falou mais alto e, hoje, sente-se agradecido por ter arriscado entrar no semin\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u201cUma profunda gratid\u00e3o a Deus\u201d. Foi este o sentimento do c\u00f3nego Lu\u00eds Manuel no dia da sua ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal, a 28 de novembro de 1993. Foi h\u00e1 25 anos. \u201cTinha o desejo enorme, apesar das minhas fragilidades, de O amar e servir na Igreja\u201d, recorda o sacerdote, ao Jornal VOZ DA VERDADE. A S\u00e9 de Lisboa \u00e9 a \u00fanica par\u00f3quia que conheceu enquanto p\u00e1roco. O seu nome est\u00e1 tamb\u00e9m intimamente ligado \u00e0 liturgia. \u201cLembro-me que no meu retiro de ordena\u00e7\u00e3o, o padre que pregou nos dizia, de uma maneira muito simples: \u2018Para onde o Bispo vos mandar, fazei disso a vossa China\u2019. Isto \u00e9, fazer do lugar onde o Bispo nos coloca o lugar onde temos que dar o nosso melhor, evangelizar, caminhar, dar a vida. Eu nunca me esqueci disso, por isso nunca pedi para mudar. Pedi, sim, nesta fase da minha doen\u00e7a. Por tr\u00eas vezes disse ao senhor Patriarca que tinha o lugar \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, que ele decidisse o que fosse melhor para a Igreja e para a diocese. O senhor Patriarca foi sempre de um grande alento. Recordo a determina\u00e7\u00e3o com que, no primeiro dia, me disse: \u2018N\u00e3o! Tu vais curar-te. Portanto, ficas onde est\u00e1s e algu\u00e9m te h\u00e1-de ajudar\u2019. Fiquei impressionado e tem sido, de facto, um alento\u201d, partilha o c\u00f3nego Lu\u00eds Manuel.<\/p>\n<p><strong>Pelo exemplo<\/strong><\/p>\n<p>Nascido numa par\u00f3quia da cidade de Lisboa, este sacerdote \u00e9 o irm\u00e3o do meio de tr\u00eas filhos. \u201cNasci numa fam\u00edlia crist\u00e3, com pr\u00e1tica dominical, e fui criado na freguesia de S\u00e3o Jos\u00e9, no centro de Lisboa, na Avenida da Liberdade. Na par\u00f3quia, fiz todos os sacramentos da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e frequentei a catequese, como era normal\u201d, lembra. Desde pequeno, confessa, \u201ca ideia da voca\u00e7\u00e3o pairava\u201d. \u201cAt\u00e9, por vezes, fazia brincadeiras de celebrar a Missa ou fazer a casula com jornais. Aquelas coisas de mi\u00fado&#8230;\u201d, conta, destacando a figura e import\u00e2ncia do seu p\u00e1roco, c\u00f3nego Joaquim Saraiva Abrantes. \u201cEsses desejos deviam-se \u00e0 figura do meu prior, que teve um papel muito importante mais pelo exemplo do que por palavras. O meu prior falou muitas vezes de voca\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o era uma pessoa nada insistente. Pelo contr\u00e1rio, o seu exemplo, o seu modo de vida, a sua forma de amar a Igreja, de servir a Igreja, foi sempre muito interpelante para mim\u201d, assume.<\/p>\n<p>Quando terminou a ent\u00e3o 4\u00aa classe, com cerca de 10 anos, o pequeno Lu\u00eds Manuel disse que queria ir para o semin\u00e1rio e o p\u00e1roco \u201cencaminhou as coisas\u201d. Foi para o Semin\u00e1rio de Santar\u00e9m, onde esteve tr\u00eas anos. \u201cFoi naquela fase entre 1967 e 1969, em que os semin\u00e1rios menores estavam a fechar. Foi no p\u00f3s-Conc\u00edlio, em que se considerava que haveria outras formas de pastoral vocacional, e assim foi, eu sa\u00ed no terceiro ano, tinha 13 anos, e o pr\u00f3prio semin\u00e1rio fechou, um ou dois anos depois\u201d. Regressou a Lisboa e&#8230; a casa. \u201cFiz os meus liceus, andei no Passos Manuel um ano, depois fui para o Liceu Cam\u00f5es. Comecei a dar catequese, com 14-15 anos, mas durante uns anos a quest\u00e3o vocacional esteve um pouco adormecida\u201d, manifesta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u2018Se Deus quiser, tu \u00e9s padre\u2019<\/strong><\/p>\n<p>Com 17-18 anos, a quest\u00e3o vocacional \u201cvinha sempre, como hip\u00f3tese\u201d. \u201cSentia que Deus me tocava. E tocava principalmente pelo an\u00fancio do Evangelho e pela liturgia. As celebra\u00e7\u00f5es eram momentos altos, em que eu me sentia mesmo interpelado\u201d, refere.<\/p>\n<p>Quando estava a fazer a Filosofia, deu aulas de Moral na escola prim\u00e1ria onde andou, na freguesia de S\u00e3o Jos\u00e9, a convite do p\u00e1roco. Terminado o curso, em 1982, come\u00e7ou a leciona\u00e7\u00e3o nos liceus, primeiro em Loures, depois em Lisboa, na antiga Escola Machado de Castro. Nessa altura, quando se estava a aproximar da casa dos 30 anos, as quest\u00f5es vocacionais come\u00e7aram a acentuar-se bastante. \u201cOs fins dos anos letivos eram sempre per\u00edodos de grande tens\u00e3o interior, porque achava que devia dar um passo, mas tinha receio. Eu emagrecia, vivia numa grande tens\u00e3o, e procurava falar um pouco com o meu prior, que Deus Nosso Senhor j\u00e1 chamou a si e de quem tenho bastantes, muit\u00edssimas, saudades\u201d, recorda.<\/p>\n<p>Nesta fase, o futuro sacerdote foi \u201cmuito ajudado\u201d pelo padre Jos\u00e9 Craveiro, da Companhia de Jesus, que vivia em Coimbra. \u201cRegressava dos encontros sempre com uma paz interior e uma alegria de que era poss\u00edvel, que Deus me chamava. Eu expunha coisas muito simples, da vida, do medo da solid\u00e3o, o medo de n\u00e3o ser capaz, o medo de ser algu\u00e9m que depois n\u00e3o servia a Igreja, ou que servia mal, e o padre Z\u00e9 Craveiro dava-me sempre muita seguran\u00e7a, muita paz, muita confian\u00e7a, dizendo-me sempre esta verdade que depois, em mim, foi crescendo: \u2018Se Deus quiser, tu \u00e9s padre\u2019\u201d. A 13 de maio de 1989, ap\u00f3s nova conversa com o jesu\u00edta, a decis\u00e3o. Tinha ent\u00e3o 32 anos. \u201cA\u00ed tomei consci\u00eancia que tinha mesmo de avan\u00e7ar, quanto mais n\u00e3o seja para tirar a limpo, para acabar com os receios e medos que tinha. O m\u00ednimo que podia fazer por mim era entrar no semin\u00e1rio, experimentar e depois o tempo, a vida de semin\u00e1rio e os superiores iriam ajudar-me a discernir\u201d, frisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Abrir horizontes em Roma<\/strong><\/p>\n<p>O contacto com o Semin\u00e1rio dos Olivais, em julho desse ano, foi feito atrav\u00e9s do ent\u00e3o vice-reitor, c\u00f3nego Carlos Paes, hoje p\u00e1roco de S\u00e3o Jo\u00e3o de Deus. \u201cSa\u00ed do encontro com a mesma sensa\u00e7\u00e3o de paz, dessa interioridade\u201d, lembra. No dia seguinte, contou \u00e0 fam\u00edlia. \u201cApareci sem dizer nada e, \u00e0 refei\u00e7\u00e3o, disse que tinha pedido para entrar no semin\u00e1rio. Os meus pais ficaram calados, porque j\u00e1 esperavam qualquer coisa, a minha irm\u00e3 mais nova, que \u00e9 mais impulsiva, disse: \u2018Agora, Lu\u00eds?\u2019. O meu cunhado, seu marido, disse uma coisa que nunca esqueci: \u2018O teu irm\u00e3o vai para onde for feliz e \u00e9 a\u00ed que n\u00f3s estamos, com ele\u2019\u201d, recorda, emocionado.<\/p>\n<p>A entrada no semin\u00e1rio deu-se a 1 de outubro de 1989. \u201cFoi um tempo muito feliz, de forma\u00e7\u00e3o intelectual, humana, espiritual e, ao mesmo tempo, o exemplo dos meus superiores, que foi marcante, nesse amor \u00e0 Igreja e na dimens\u00e3o e forma de viver o sacerd\u00f3cio como padre diocesano\u201d, aponta, lembrando que manteve \u201ca leciona\u00e7\u00e3o de Filosofia ao mesmo tempo que estava no semin\u00e1rio e a fazer o curso de Teologia\u201d.<\/p>\n<p>No final do curso, em junho de 1992, o ent\u00e3o Cardeal-Patriarca, D. Ant\u00f3nio Ribeiro, prop\u00f4s que fosse estudar Liturgia para Roma. Durante o ver\u00e3o n\u00e3o teve f\u00e9rias, mas terminou a tese e, em outubro, j\u00e1 estava em Roma. \u201cForam anos de muita felicidade, de grat\u00edssima felicidade, tendo em conta que foram anos de estudo. Roma abre os horizontes, mesmo ao n\u00edvel do estudo, e tem bibliotecas \u00f3timas. Foram quatro anos, fiz a licenciatura em Liturgia e todo o programa letivo do doutoramento. A partir do segundo ano em Roma, iniciei tamb\u00e9m o diploma de Patrologia, de conhecimento da vida e obra dos padres da Igreja\u201d, conta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Anos \u201cmuito felizes\u201d na S\u00e9<\/strong><\/p>\n<p>Em dezembro de 1995, no \u00faltimo ano em Roma, D. Ant\u00f3nio Ribeiro revela ao ent\u00e3o padre Lu\u00eds Manuel que o estava a pensar nomear para a S\u00e9 de Lisboa, em substitui\u00e7\u00e3o do c\u00f3nego Teodoro Marques da Silva. No ano seguinte, acontece o regresso a Lisboa e a confirma\u00e7\u00e3o da nomea\u00e7\u00e3o. \u201cAqui estou, na S\u00e9, h\u00e1 23 anos, como p\u00e1roco da Catedral. T\u00eam sido anos muito felizes\u201d, assegura o c\u00f3nego Lu\u00eds Manuel, agradecendo a Deus a sua vida: \u201cUm dos textos que marcou a minha caminhada para o semin\u00e1rio, e que escolhi para o convite da ordena\u00e7\u00e3o de di\u00e1cono, \u00e9 Isa\u00edas 43: \u2018Escuta Israel, tu \u00e9s meu. Por ti, darei reinos, por ti, farei tudo, porque te amo, porque te quero, porque \u00e9s precioso aos meus olhos\u2019. Nos momentos de mais abatimento, mesmo nesta \u00faltima fase da minha vida, com a doen\u00e7a, todos os dias recordo este texto. \u00c9 essa certeza que Deus me ama, com aquilo que eu sou, com as minhas limita\u00e7\u00f5es, com as minhas virtudes. Deus n\u00e3o desiste de mim, como n\u00e3o desiste de ningu\u00e9m. Isso \u00e9 o alento para a gente vencer todas as coisas, no bom sentido. N\u00e3o \u00e9 para ficar por cima, mas para vencer, mesmo as contrariedades, as dificuldades e o que \u00e9 mau, a gente saber tirar da\u00ed o bom e tudo isso ofertar a Deus, e tudo isso perceber que \u00e9 essa a hist\u00f3ria de amor que Deus escreve com cada um de n\u00f3s, que \u00e9 a hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Perfil<\/strong><\/p>\n<p>O c\u00f3nego Lu\u00eds Manuel \u00e9 p\u00e1roco de Santa Maria Maior da S\u00e9 Patriarcal h\u00e1 22 anos. Nascido a 2 de setembro de 1956, em S\u00e3o Jos\u00e9, uma freguesia no centro da cidade de Lisboa, foi ordenado a 28 de novembro de 1993, nos Jer\u00f3nimos, pelo Cardeal Ribeiro, e celebra, por estes dias, os 25 anos da ordena\u00e7\u00e3o. Mestre das Cerim\u00f3nias Patriarcais desde 1998, este sacerdote \u00e9 diretor do Departamento de Liturgia do Patriarcado desde 2001 e foi criado c\u00f3nego dois anos depois, em 2003.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>S\u00e9 de Lisboa: par\u00f3quia, Catedral e monumento nacional<\/strong><\/p>\n<p>P\u00e1roco da S\u00e9 desde 1996, o c\u00f3nego Lu\u00eds Manuel salienta que esta igreja da cidade de Lisboa \u201ctem tr\u00eas inst\u00e2ncias: ser par\u00f3quia, ser a Catedral, portanto a igreja do Bispo, e, ao mesmo tempo, ser monumento nacional\u201d. Quanto \u00e0 par\u00f3quia, o sacerdote frisa ser \u201cuma comunidade pequena \u2013 no \u00faltimo Censo antes da unifica\u00e7\u00e3o das freguesias da Baixa, a Par\u00f3quia da S\u00e9 j\u00e1 n\u00e3o tinha sequer 1000 eleitores \u2013\u201d, e \u201ca maioria idosos ou pessoas de meia-idade\u201d, mas que \u201cfaz tudo o que as outras par\u00f3quias fazem\u201d. \u201cTenho procurado manter a comunidade. Fazemos tudo o que os outros fazem, temos a catequese, temos coros, temos forma\u00e7\u00f5es. Claro que juntamos \u00e9 tudo, porque reunindo todos os grupos e forma\u00e7\u00f5es temos cerca de 40 a 50 pessoas. Os retiros s\u00e3o para todos, as forma\u00e7\u00f5es s\u00e3o para todos e assim vamos caminhando e mantendo a comunidade crist\u00e3, celebrando\u201d, salienta, sublinhando ser \u201cuma par\u00f3quia com caracter\u00edsticas pr\u00f3prias, metida no meio da cidade, numa zona envelhecida, mas que vai mantendo a chama\u201d.<\/p>\n<p>Sobre a S\u00e9 como Catedral, o c\u00f3nego Lu\u00eds Manuel destaca: \u201cComo igreja do Bispo, temos todo um outro ritmo, que s\u00e3o os pontificais, o perceber que \u00e9 a Catedral, o que implica toda uma presen\u00e7a e um outro tipo de trabalho que tamb\u00e9m surge ciclicamente. Recebemos grupos que v\u00eam para celebrar, recebemos Bispos que v\u00eam com uma peregrina\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Sendo a S\u00e9 Patriarcal de Lisboa um monumento nacional \u201ccom uma certa implanta\u00e7\u00e3o da cidade\u201d, isso obriga o p\u00e1roco a \u201creceber grupos oficiais\u201d, e \u201cuma vez ou outra a receber as esposas de primeiros-ministros ou de presidentes, quando est\u00e3o de visita a Portugal e normalmente t\u00eam um programa paralelo ao do marido e passam pela S\u00e9\u201d. \u201cH\u00e1 todo um trabalho que implica, ocupa e requer de n\u00f3s uma aten\u00e7\u00e3o e um cuidado bastante grande\u201d, aponta o c\u00f3nego Lu\u00eds Manuel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u201cEstou a ver este ano pastoral com muita esperan\u00e7a\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m da Par\u00f3quia da S\u00e9, a vida sacerdotal do c\u00f3nego Lu\u00eds Manuel tem sido dedicada ao Departamento de Liturgia do Patriarcado de Lisboa. \u201cEstou a ver este ano pastoral dedicado \u00e0 liturgia com muita esperan\u00e7a\u201d, refere o sacerdote, destacando a import\u00e2ncia dos encontros de liturgia que est\u00e3o a decorrer pela diocese. \u201cA pedido do senhor Patriarca, foi preparada uma forma\u00e7\u00e3o b\u00e1sica sobre liturgia, que consta de cinco encontros que se repetem em todas as vigararias do Patriarcado. Come\u00e7\u00e1mos no dia 1 outubro, na Vigararia de Alcoba\u00e7a, e temos tido uma grande ades\u00e3o. H\u00e1 vigararias onde estiveram 450 pessoas, outras 320-340, a m\u00e9dia andar\u00e1 nas 200, com tend\u00eancia para aumentar\u201d, revela, garantindo que \u201cas pessoas est\u00e3o \u00e1vidas de saber e de perceber o que \u00e9 a celebra\u00e7\u00e3o, como fazer bem e aprofundar o mist\u00e9rio\u201d. \u201cTenho constatado aquilo que era uma intui\u00e7\u00e3o minha, e que vi confirmado em v\u00e1rios liturgistas internacionais: a reforma lit\u00fargica do Conc\u00edlio Vaticano II, ao n\u00edvel material, j\u00e1 est\u00e1 feita. O \u00faltimo livro a ser editado foi o Martirol\u00f3gio, de resto, os pontificais, o missal, os lecion\u00e1rios, os rituais, tudo foi publicado. Portanto, a primeira fase de aplica\u00e7\u00e3o, nos anos 80 e 90, foi um pouco o fazer, o saber fazer, o explicar como, porque houve alguma mudan\u00e7a nalguns ritos e h\u00e1 toda uma postura da tradi\u00e7\u00e3o que \u00e9 preciso assumir e que \u00e9 preciso dar continuidade. Agora estamos noutra fase, que \u00e9 aprofundar a espiritualidade que brota dessa reforma. \u00c9 preciso viver o \u00e2mago do mist\u00e9rio que celebramos, o que \u00e9 cada rito, o que \u00e9 cada ora\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 cada gesto, o que \u00e9 que cada atitude corporal significa e porqu\u00ea, e como nos ajudam a fazer essa comunh\u00e3o com Deus na ora\u00e7\u00e3o e na liturgia\u201d, salienta, sublinhando que \u201cos encontros de forma\u00e7\u00e3o lit\u00fargica t\u00eam ajudado nesta perce\u00e7\u00e3o\u201d.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>C\u00f3nego Lu\u00eds Manuel Pereira da Silva no programa Ecclesia, em julho de 2019, a apresentar o 45\u00ba Encontro Nacional de Pastoral Lit\u00fargica<\/p>\n<div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe  id=\"_ytid_61211\"  width=\"480\" height=\"270\"  data-origwidth=\"480\" data-origheight=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/jeKhmbVA2iI?enablejsapi=1&#038;autoplay=0&#038;cc_load_policy=0&#038;cc_lang_pref=pt&#038;iv_load_policy=1&#038;loop=0&#038;rel=0&#038;fs=1&#038;playsinline=1&#038;autohide=2&#038;theme=dark&#038;color=red&#038;controls=1&#038;disablekb=0&#038;\" class=\"__youtube_prefs__  epyt-is-override  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen data-no-lazy=\"1\" data-skipgform_ajax_framebjll=\"\"><\/iframe><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O corpo do sacerdote chega este domingo \u00e0 S\u00e9 de Lisboa, onde o cardeal-patriarca preside \u00e0 Missa \u00e0s 15h30; o funeral realiza-se segunda-feira<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":178397,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[72],"tags":[343],"class_list":["post-178352","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-obituario","tag-diocese-de-lisboa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/178352","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=178352"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/178352\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/178397"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=178352"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=178352"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=178352"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}