{"id":17832,"date":"2006-05-06T10:37:59","date_gmt":"2006-05-06T10:37:59","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/05\/06\/cuidados-paliativos-ainda-na-pre-historia\/"},"modified":"2006-05-06T10:37:59","modified_gmt":"2006-05-06T10:37:59","slug":"cuidados-paliativos-ainda-na-pre-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cuidados-paliativos-ainda-na-pre-historia\/","title":{"rendered":"Cuidados paliativos ainda \u00abna pr\u00e9-hist\u00f3ria\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>Jornadas de Bio\u00e9tica em Braga debateram ainda estado vegetativo e eutan\u00e1sia <!--more--> Apesar de concordarem que tem havido melhorias na assist\u00eancia aos doentes terminais e em estado vegetativo persistente, os especialistas consideram que os cuidados paliativos em Portugal est\u00e3o ainda \u00abna pr\u00e9-Hist\u00f3ria\u00bb. Uma opini\u00e3o expressa ontem, no decorrer das II Jornadas de Bio\u00e9tica, este ano sob o tema \u201cO fim da vida\u201d, que se realizaram na Faculdade de Filosofia de Braga. Margarida Vieira, coordenadora dos programas de enfermagem da UCP, desde a licenciatura ao doutoramento, concorda que o tratamento nos cuidados intensivos est\u00e1 muito atrasado, o que n\u00e3o significa falta de assist\u00eancia. E considera que faltam projectos e pessoas formadas na \u00e1rea de cuidados paliativos.  Define-se cuidados paliativos, os cuidados e especialidades que se prestam aos doentes com doen\u00e7as avan\u00e7adas e progressivas que j\u00e1 n\u00e3o respondem aos tratamentos curativos. Os cuidados paliativos s\u00e3o feitos atrav\u00e9s de tratamentos dos sintomas f\u00edsicos e psicol\u00f3gicos, do apoio social, apoio \u00e0 fam\u00edlia. \u00abA finalidade \u00e9 ajudar as pessoas a viver da melhor forma poss\u00edvel a sua vida. \u00c9 preciso centrar-se na vida e n\u00e3o na morte\u00bb, afirmou Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Ferraz Gon\u00e7alves.  Margarida Vieira concorda que o tratamento nos cuidados intensivos estejam ainda na pr\u00e9-hist\u00f3ria, o que n\u00e3o significa falta de assist\u00eancia. \u00abO movimento dos cuidados paliativos \u00e9 uma coisa recente, que se identifica com uma \u00e1rea de especializa\u00e7\u00e3o m\u00e9dica. Deste ponto de vista estamos na pr\u00e9-hist\u00f3ria. Mas sempre se fez algo para que no fim da vida as pessoas tivessem algum conforto e bem-estar. Quando as pessoas est\u00e3o a morrer est\u00e3o acompanhadas, independentemente do nome que damos aos tratamentos. Antigamente fazia-se forma\u00e7\u00e3o de enfermeiros para assistir aos moribundos \u00bb, disse. Segundo esta respons\u00e1vel, faltam projectos e pessoas formadas na \u00e1rea de cuidados paliativos. \u00abH\u00e1 pouca gente a enveredar-se para esta \u00e1rea e \u00e9 preciso dizer que n\u00e3o basta fazer o curso\u00bb, afirmou.  Por sua vez, Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Ferraz Gon\u00e7alves, especialista na \u00e1rea de oncologia, concorda que Portugal est\u00e1 ainda na \u201cpr\u00e9-hist\u00f3ria\u201d e aponta o dedo aos pol\u00edticos. \u00abEm medicina, saber \u00e9 saber fazer, n\u00e3o basta ter conhecimentos. A car\u00eancia nesta \u00e1rea \u00e9 evidente. H\u00e1 casos mais complicados em que as pessoas podiam ser mais ajudadas. Falta vontade pol\u00edtica em resolver as coisas. \u00c9 necess\u00e1rio dar passos para se poder evoluir porque as coisas n\u00e3o se fazem de uma s\u00f3 vez\u00bb, aconselhou.   <b>Viver a vida com sentido faz morrer pacificamente<\/b> Questionados se a f\u00e9 ajuda a superar os momentos dif\u00edceis, os palestrantes divergem em alguns aspectos. Margarida Vieira citou uma frase de uma m\u00e9dica americana que diz que \u00abcada um de n\u00f3s morre conforme viveu e cada um de n\u00f3s vive conforme a ideia que tem da morte\u00bb. A docente concorda e explicou porque: \u00abquando se chega ao fim da vida, a pessoa olha para o percurso da sua vida para o sentido que a vida faz para ela. A religi\u00e3o pode fazer a diferen\u00e7a na forma como se encara essa fase. Os estudos t\u00eam demonstrado que para quem a vida depois da morte faz sentido vivem mais pacificamente o fim da vida. Tamb\u00e9m para aqueles, mesmo n\u00e3o acreditando em nada para al\u00e9m da morte mas a vida teve sentido, morrem de forma mais pacificamente \u00bb.  Segundo Margarida Vieira os cuidados de enfermagem t\u00eam no nosso mundo uma inspira\u00e7\u00e3o crist\u00e3, referindo- se que o cristianismo \u00e9 uma cultura e n\u00e3o apenas uma religi\u00e3o. \u00abFomos criados, a ouvir dizer que se deve preocupar com o nosso pr\u00f3ximo, por isso, \u00e9 para n\u00f3s uma quest\u00e3o mais que cultural quase gen\u00e9tica\u00bb. Por isso, considera que se o profissional se identifica com as cren\u00e7as pode ajudar o doente. \u00abSe o doente \u00e9 cat\u00f3lico e precisa de orar, e se eu tamb\u00e9m sou, posso rezar com ele. Se n\u00e3o, n\u00e3o posso nem vou sentir a necessidade que ele tem de rezar\u00bb. Jos\u00e9 Ferraz Gon\u00e7alves diz as pessoas reagem de forma diferente. \u00abPode-se pensar que um crist\u00e3o aceitar\u00e1 melhor a doen\u00e7a e a morte. Mas h\u00e1 o outro lado da moeda, que s\u00e3o os doentes que se revolvem, questionando o seu destino, achando que foi injustamente atingido pela doen\u00e7a, uma vez que sempre cumpriu os seus deveres como crist\u00e3o. Por isso, depende mais da personalidade de cada um do que da religi\u00e3o \u00bb, entende.  Em Portugal morrem anualmente mais de 100 mil doentes com cancro, sida e outras doen\u00e7as neuro-degenerativas. O m\u00e9dico lembrou que nos doentes com cancro, cerca de 75 por cento dos custos de uma vida inteira s\u00e3o referentes aos \u00faltimos 12 meses.   <b>Estado vegetativo e eutan\u00e1sia<\/b> As II Jornadas de Bio\u00e9tica trataram \u201cO fim da vida\u201d, com subtemas como a \u201cEutan\u00e1sia\u201d e o estado vegetativo permanente\u201d. Assuntos longe de gerar consensos entre a classe m\u00e9dica e entre esta e a sociedade civil. Envolvem quest\u00f5es jur\u00eddicas, pol\u00edticas, religiosas, \u00e9ticas, sociais, econ\u00f3micas, entre outras. Da\u00ed ser sempre muito dif\u00edcil atingir consensos.  Daniel Serr\u00e3o enviou um texto que foi lido por Jos\u00e9 Henriques Silveira de Brito. No documento, Daniel Serr\u00e3o mostrou como evoluiu a posi\u00e7\u00e3o da classe m\u00e9dica holandesa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 eutan\u00e1sia, apresentando dados estat\u00edsticos que mostram quantas pessoas foram assistidos na morte, volunt\u00e1ria ou voluntariamente, sem que nenhum m\u00e9dico tenha sido condenado.  Por sua vez, o m\u00e9dico Ant\u00f3nio Vaz Carneiro, da Faculdade de Medicina de Lisboa e membro do Conselho Nacional de \u00c9tica para as Ci\u00eancias da Vida\u201d (CNECV), exp\u00f4s o tema \u201cA morte e o estado vegetativo permanente\u201d. Para ilustrar a sua exposi\u00e7\u00e3o, apresentou o caso da jovem americana Terry Schiavo que aos 26 anos, depois de um acidente, passou a viver em estado vegetativo. Muitos anos depois, o marido pediu aos m\u00e9dicos que retirassem o tubo de alimenta\u00e7\u00e3o \u00e0 mulher para lhe provocar a morte. Em Mar\u00e7o de 2005, conseguiu as suas pretens\u00f5es. O caso mexeu com a sociedade americana. A luta nos tribunais envolveu os pais da rapariga e o marido, os movimentos pr\u00f3-vita, o Congresso e o pr\u00f3prio Presidente da Rep\u00fablica. O m\u00e9dico come\u00e7ou por explicar que o doente em estado vegetativo persistente n\u00e3o \u00e9 um doente terminal. \u00abN\u00e3o s\u00e3o doentes em coma e cada caso \u00e9 um caso\u00bb. E quando se constata que a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 irrevers\u00edvel, surge o debate e as noites longas dos m\u00e9dicos sobre o que fazer. Isto porque, a decis\u00e3o de n\u00e3o alimentar o doente, de desligar o ventilador ou o outra m\u00e1quina que liga o doente \u00e0 vida n\u00e3o \u00e9 uma decis\u00e3o meramente m\u00e9dica. Envolve quest\u00f5es \u00e9ticas, familiares, jur\u00eddicas e religiosas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jornadas de Bio\u00e9tica em Braga debateram ainda estado vegetativo e eutan\u00e1sia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[172,201,206,321],"class_list":["post-17832","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-diocese-de-braga","tag-etica","tag-familia","tag-ucp"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17832","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17832"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17832\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17832"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17832"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17832"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}