{"id":178108,"date":"2020-06-10T12:01:13","date_gmt":"2020-06-10T11:01:13","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=178108"},"modified":"2020-06-10T12:16:33","modified_gmt":"2020-06-10T11:16:33","slug":"uma-memoria-de-santo-antonio-1195-1231","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/uma-memoria-de-santo-antonio-1195-1231\/","title":{"rendered":"Uma mem\u00f3ria de Santo Ant\u00f3nio (1195?-1231)"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Manuel Correia Fernandes, Diocese do Porto<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_178111\" aria-describedby=\"caption-attachment-178111\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/santo-antonio-congregados-porto.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-178111\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/santo-antonio-congregados-porto.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/santo-antonio-congregados-porto.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/santo-antonio-congregados-porto-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/santo-antonio-congregados-porto-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/santo-antonio-congregados-porto-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/santo-antonio-congregados-porto-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/santo-antonio-congregados-porto-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/santo-antonio-congregados-porto-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/santo-antonio-congregados-porto-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-178111\" class=\"wp-caption-text\">A Bela imagem de Santo Ant\u00f3nio no alto da frontaria da igreja dos Congregados, no Porto<\/figcaption><\/figure>\n<p>Santo Ant\u00f3nio \u00e9 de Lisboa (porque l\u00e1 nasceu, em data n\u00e3o bem conhecida, em torno de 1191-95). \u00c9 de P\u00e1dua porque l\u00e1 perto morreu e l\u00e1 foi sepultado (na data conhecida de 1231, 13 de junho, dia em que \u00e9 celebrada a sua festa lit\u00fargica). Mas \u00e9 tamb\u00e9m de Coimbra, porque ali ingressou nos C\u00f3negos Regrantes da igreja de Santa Cruz, tendo depois assumido o h\u00e1bito dos franciscanos. \u00c9 portanto homem de tr\u00eas origens: a natal, a da sua forma\u00e7\u00e3o e voca\u00e7\u00e3o e a da sua morte e nascimento da devo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas Santo Ant\u00f3nio \u00e9 tamb\u00e9m santo do Porto. De facto, sendo S. Jo\u00e3o Batista, o das festas populares referenciais que lhe s\u00e3o dedicadas (e diga-se que n\u00e3o \u00e9 o padroeiro do Porto e se celebra tamb\u00e9m noutras cidades), \u00e9 da figura de Santo \u00a0Ant\u00f3nio que se encontram mais elementos e refer\u00eancias devocionais: basta entrar nas casas comerciais da cidade para verificar que em numerosas delas, das mais diversas atividades, se encontra uma imagem ou \u00edcone devocional de Santo Ant\u00f3nio. Muitas podem ser as raz\u00f5es para isso, mas em tempo de pandemia a sua prote\u00e7\u00e3o certamente acumula com a da padroeira, Nossa Senhora \u2013 da Assun\u00e7\u00e3o ou de Vandoma \u2013 ou a de S. Jo\u00e3o, mesmo que n\u00e3o popularmente celebrado este ano.<\/p>\n<p>Mas, se temos no Porto S. Jo\u00e3o da Foz e S. Jo\u00e3o Novo, temos Santo Ant\u00f3nio dos Congregados e Santo Ant\u00f3nio das Antas, sendo que a mem\u00f3ria do primeiro \u00e9 mais antiga que a de S. Jo\u00e3o, dado que a igreja atual foi edificada entre 1690 e 1703, em local onde havia outra mais antiga; e a segunda mem\u00f3ria, da igreja das Antas, datada de 1937, \u00e9 um revivescer da express\u00e3o da sua devo\u00e7\u00e3o. A igreja de Santo Ant\u00f3nio dos Congregados lembra o s\u00e9culo XVII e a de S. Ant\u00f3nio das Antas os meados do s\u00e9culo XX, e ambas s\u00e3o monumentos emblem\u00e1ticos da cidade.<\/p>\n<p>Deve lembrar-se que na diocese do Porto existem tr\u00eas par\u00f3quias cujo padroeiro \u00e9 Santo Ant\u00f3nio: Lomba (Gondomar), Corim (\u00c1guas Santas, vigararia da Maia) e Ribadouro (Bai\u00e3o), bem como o moderno santu\u00e1rio de Santo Ant\u00f3nio, na cidade de Vale de Cambra, o qual recentemente celebrou 25 anos da sua funda\u00e7\u00e3o, e onde floresce uma escultura de Jos\u00e9 Rodrigues.<\/p>\n<p>Permitam-me que saliente a imagem do santo na fachada da igreja dos Congregados, em que quase ningu\u00e9m repara, porque est\u00e1 l\u00e1 no alto, mas que \u00e9 de uma constru\u00e7\u00e3o t\u00e3o hier\u00e1tica e meditativa que ter\u00e1 influenciado as mais populares que pululam nos estabelecimentos comerciais. Convido o leitor a lan\u00e7ar um olhar consp\u00edcuo e bem atento sobre a imagem que publicamos neste n\u00famero.<\/p>\n<p>Por esse pa\u00eds fora numerosos s\u00e3o mos templos dedicados e grande \u00e9 a devo\u00e7\u00e3o a Santo Ant\u00f3nio, que mereceu mesmo substituir o Santo Ant\u00e3o do Egipto, como protector dos animais, o que evidencia a venera\u00e7\u00e3o que por ele nutre o povo. Evidentemente que o grande centro \u00e9 Lisboa, o seu ber\u00e7o e o seu padroado.<\/p>\n<p>A diocese de Coimbra anunciou um \u201cAno Santo\u201d jubilar, comemorativo dos 800 anos do mart\u00edrio dos cinco disc\u00edpulos enviados por Francisco de Assis para anunciarem o evangelho no territ\u00f3rio de Marrocos. O seu mart\u00edrio, em 16 de janeiro de 1220, impressionou tanto o jovem Fernando de Bulh\u00f5es, entretanto ordenado sacerdote, que se decidiu tornar-se disc\u00edpulo de Francisco de Assis, seguindo o seu ideal de simplicidade e pobreza. Tendo depois\u00a0 rumado a It\u00e1lia, foi o pr\u00f3prio Francisco que tanto admirou as suas qualidades de sabedoria e sentido mission\u00e1rio que quis que fosse ele o seu sucessor na orienta\u00e7\u00e3o da congrega\u00e7\u00e3o a que prop\u00f4s chamar \u201cFrades Menores\u201d. Esta admira\u00e7\u00e3o pelo estilo de vida de Francisco influenciou tamb\u00e9m a nossa literatura medieval, de tal forma que cedo inspirou e originou uma \u201cCr\u00f3nica da Ordem dos Frades Menores, 1209-1285\u201d, cujo manuscrito do s\u00e9culo XV foi publicado por Jos\u00e9 Joaquim Nunes, na qual se cont\u00e9m o c\u00e9lebre epis\u00f3dio de Frei Jun\u00edpero, que deu origem ao conhecido conto de E\u00e7a de Queiroz \u201cFrei Genebro\u201d.<\/p>\n<p>Este Jubileu conimbricense originou duas exposi\u00e7\u00f5es: uma na igreja de Santo Ant\u00f3nio dos Olivais e outra na igreja de Santa Cruz. Em ambas s\u00e3o recordados os epis\u00f3dios mais relevantes da hist\u00f3ria de Santo Ant\u00f3nio e dos M\u00e1rtires de Marrocos, com muitas imagens e esculturas que representam os cinco m\u00e1rtires e recordam de forma benevolente a sua hist\u00f3ria, bem como outros quadros relacionados, entre os quais obras de Vasco Fernandes (Gr\u00e3o Vasco) e da sua escola. A exposi\u00e7\u00e3o integra imagens dos santu\u00e1rios de Santo Ant\u00f3nio em v\u00e1rios locais da Europa, com realce natural para a grandiosa bas\u00edlica de P\u00e1dua.<\/p>\n<p>Os actos previstos integravam peregrina\u00e7\u00f5es, celebra\u00e7\u00f5es festivas, confer\u00eancias e numerosas a\u00e7\u00f5es culturais, incluindo a pr\u00f3pria festa de S. Ant\u00f3nio, com uma prociss\u00e3o hist\u00f3rica e integra\u00e7\u00e3o nas festas da Rainha Santa Isabel. Grande parte destes projetos foram impedidos pelas circunst\u00e2ncias da pandemia, mas \u00e9 poss\u00edvel que alguns ainda possam ter lugar nos pr\u00f3ximos meses, uma vez que o programa previsto se desenrola at\u00e9 janeiro de 2021, incluindo um Congresso cient\u00edfico sobre \u201cOs M\u00e1rtires de Marrocos e Santo Ant\u00f3nio\u201d e um Concerto de encerramento com a orat\u00f3ria \u201cDe Fern\u00e3o de fez Ant\u00f3nio\u201d, que \u00e9 tamb\u00e9m o t\u00edtulo da exposi\u00e7\u00e3o que lhe \u00e9 dedicada. Entre as propostas encontrava-se tamb\u00e9m uma \u201cMissa de Santo Ant\u00f3nio\u201d, de Ant\u00f3nio Victorino de Almeida, apresentada em estreia no grande audit\u00f3rio do Convento de S. Francisco, a 19 de julho. Ser\u00e1 ainda poss\u00edvel?<\/p>\n<p>\u00c9 esta uma boa oportunidade para recordar os tr\u00eas serm\u00f5es a Santo Ant\u00f3nio, do Padre Ant\u00f3nio Vieira, pregados em Roma na igreja de Santo Ant\u00f3nio dos portugueses. No primeiro desses serm\u00f5es, encontramos este in\u00edcio, inspirado pela evang\u00e9lica palavra <em>V\u00f3s sois a luz do mundo:<\/em><\/p>\n<p><strong>A um portugu\u00eas italiano, e a um italiano portugu\u00eas, celebra hoje It\u00e1lia e Portugal. Portugal a Santo Ant\u00f3nio de Lisboa, It\u00e1lia a Santo Ant\u00f3nio de P\u00e1dua. De Lisboa, porque lhe deu o nascimento; de P\u00e1dua, porque lhe deu a sepultura\u2026 Reparai, diz o evangelista, que Ant\u00f3nio foi luz do mundo. Foi luz do mundo? N\u00e3o tem logo que se queixar Portugal. Se Ant\u00f3nio n\u00e3o nascera para o Sol, tivera a sepultura onde teve o nascimento; mas como Deus o criou para luz do mundo, nascer numa parte e sepultar-se noutra \u00e9 obriga\u00e7\u00e3o do Sol. Profetizando Malaquias o nascimento de Cristo, diz que nasceria como <em>sol de justi\u00e7a<\/em>. E que fez Cristo como sol, e como justo? Como sol mudou os horizontes, como justo deu a cada um o seu. Como sol mudou os horizontes, porque nasceu num lugar e morreu noutro: como justo deu a cada um o seu, porque a Bel\u00e9m honrou com o ber\u00e7o, a Jerusal\u00e9m com o sepulcro. Assim tamb\u00e9m Santo Ant\u00f3nio. Se Lisboa foi a aurora do seu oriente, seja P\u00e1dua a sepultura do seu ocaso\u201d.<\/strong> (<em>Serm\u00f5es de Roma<\/em>, ed. Difel, 2009, p. 189-190).<\/p>\n<p>A beleza desta argumenta\u00e7\u00e3o e a sua similitude podem ser est\u00edmulo para ler o resto dos serm\u00f5es (ou ao menos um pouco). E se agora \u00e9 Coimbra que lhe celebra um jubileu, que seja um foco de luz para toda a sociedade humana.<\/p>\n<p>Legenda<\/p>\n<p><em>A Bela imagem de Santo Ant\u00f3nio no alto da frontaria da igreja dos Congregados, no Porto<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Manuel Correia Fernandes, Diocese do Porto<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":178115,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-178108","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/178108","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=178108"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/178108\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/178115"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=178108"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=178108"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=178108"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}