{"id":177952,"date":"2020-06-09T12:37:57","date_gmt":"2020-06-09T11:37:57","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=177952"},"modified":"2020-06-09T12:37:57","modified_gmt":"2020-06-09T11:37:57","slug":"a-cruz-escondida-103","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-escondida-103\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p><em>A hist\u00f3ria de um pedit\u00f3rio que tinha tudo para correr mal\u2026<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/PeWerenfried.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-177953\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/PeWerenfried.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/PeWerenfried.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/PeWerenfried-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/PeWerenfried-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/PeWerenfried-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/PeWerenfried-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/PeWerenfried-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/PeWerenfried-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><\/h3>\n<h3>O serm\u00e3o mais dif\u00edcil<\/h3>\n<p>Foi h\u00e1 80 anos. Em 1940, os nazis cometem uma das maiores atrocidades de toda a II Guerra Mundial. Na localidade de Vinkt, na B\u00e9lgica, 86 civis foram executados pelas tropas alem\u00e3s, provocando um enorme sentimento de \u00f3dio. Dez anos mais tarde, um padre decide ir a essa vila pedir ajuda para os alem\u00e3es, entretanto derrotados e que deambulavam como mendigos pela Europa. O que aconteceu foi incr\u00edvel, foi quase um milagre\u2026<\/p>\n<p>A pequena localidade de Vinkt, situada perto da cidade de Gantes, na B\u00e9lgica, foi palco de um dos mais horr\u00edveis crimes em toda a II Guerra Mundial. As tropas alem\u00e3s viram-se confrontadas com uma invulgar resist\u00eancia e retaliaram contra os civis. Numa tarde, que ficou para a posteridade como um dia de inf\u00e2mia, 86 pessoas foram executados a tiro pelos soldados nazis. Sem piedade. Foi no dia 27 de Maio de 1940. O fim do conflito, cinco anos mais tarde, n\u00e3o significou o fim do sofrimento para milhares de pessoas. Vencedores e vencidos partilhavam quase o mesmo infort\u00fanio. Os alem\u00e3es, derrotados nos campos de batalha, viviam ent\u00e3o tempos particularmente duros. Consequ\u00eancia da derrota militar, a pr\u00f3pria Alemanha foi dividida e passou a simbolizar a fronteira entre dois mundos, numa guerra fria que, durante d\u00e9cadas, manteve o mundo suspenso do holocausto nuclear. Do lado de l\u00e1 dessa fronteira que se chamou de \u2018cortina de ferro\u2019, ficaram milh\u00f5es de crist\u00e3os que passaram a ser olhados como inimigos de um regime que queria um mundo sem Deus. Essa realidade estaria na base do nascimento da Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre. O Padre Werenfried van Straaten, o fundador da AIS, j\u00e1 revelava por esses dias a energia, dinamismo e coragem que iriam ser marcas de identidade de uma vida entregue \u00e0 Igreja perseguida. Regressemos a Vickt. Logo ap\u00f3s o fim da II Guerra Mundial, o Pe. Werenfried desdobrava-se em encontros, missas e palestras, sempre com o objectivo de reunir ajuda para a multid\u00e3o de famintos, de pessoas sem eira nem beira que deambulavam pela Europa. Muitos eram alem\u00e3es. O Pe. Werenfried olhava para eles e condo\u00eda-se. Eram pessoas de m\u00e3os vazias, sem casa, sem futuro, sem nada. Para muitos, eram ainda o inimigo. Para o Pe. Werenfried, eram apenas pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Amor e reconcilia\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>Dez anos depois do massacre de Vickt, o Pe. Werenfried encontrou-se com o p\u00e1roco local e disse-lhe que gostaria de falar \u00e0 comunidade no final da Missa de domingo, precisamente para pedir ajuda para os alem\u00e3es. O padre deitou as m\u00e3os \u00e0 cabe\u00e7a e tentou demov\u00ea-lo, garantindo que ningu\u00e9m o iria escutar e s\u00f3 n\u00e3o seria escorra\u00e7ado a murro e pontap\u00e9s por ser um homem da Igreja. Nas suas mem\u00f3rias, o padre Werenfried haveria de recordar este epis\u00f3dio. \u201cN\u00e3o era medroso, mas naquele momento tive medo.\u201d \u00c0 sua frente, na igreja, estavam praticamente todas as pessoas de Vinkt. \u201cFoi o serm\u00e3o mais dif\u00edcil da minha vida\u201d, escreveu o fundador da AIS. Falou apenas em amor e reconcilia\u00e7\u00e3o. Depois da b\u00ean\u00e7\u00e3o, no final da Missa, quando a igreja j\u00e1 estava vazia, uma mulher aproximou-se do Pe. Werenfried e, em sil\u00eancio, entregou-lhe um envelope com dinheiro. E partiu sem dizer nada. O p\u00e1roco de Vinkt ficou perplexo. Aquela mulher era vi\u00fava. O seu marido, um filho e um irm\u00e3o estiveram no pelot\u00e3o de fuzilamento dos nazis. As palavras do Pe. Werenfried tinham-na comovido a ponto de querer ajudar os alem\u00e3es. \u201cEla foi a primeira\u201d, escreveu o padre. Nessa noite, o Pe. Werenfried voltou a falar. A sala estava cheia. Durante duas horas, o Pe. Werenfried falou da situa\u00e7\u00e3o desesperada em que se encontravam os sacerdotes que tinham ficado do lado de l\u00e1 da \u2018cortina de ferro\u2019. N\u00e3o havia tempo a perder. Mas, naquela noite, o Pe. Werenfried pediu apenas as ora\u00e7\u00f5es da comunidade cat\u00f3lica de Vinkt. Apenas isso. \u201cEles rezaram com l\u00e1grimas nos olhos\u201d, escreveu o sacerdote nas suas mem\u00f3rias. E o milagre aconteceu. \u201cNaquela noite, por volta das 23h00, quando estava escuro e ningu\u00e9m os poderia reconhecer, eles vieram. Um depois do outro, at\u00e9 \u00e0 casa paroquial, para entregar os seus envelopes\u2026 uns com 100 francos, outros com 500\u2026\u201d As palavras do Pe. Werenfried transformaram aquela comunidade. Foram palavras ditas do fundo do cora\u00e7\u00e3o que ajudaram a fazer da Funda\u00e7\u00e3o AIS uma das mais importantes obras de miseric\u00f3rdia da Igreja Cat\u00f3lica, sempre ao servi\u00e7o dos Crist\u00e3os que sofrem, que s\u00e3o perseguidos, que vivem na mais absoluta pobreza.<\/p>\n<p><em>Paulo Aido | www.fundacao-ais.pt<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria de um pedit\u00f3rio que tinha tudo para correr mal\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":177693,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-177952","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/177952","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=177952"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/177952\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/177693"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=177952"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=177952"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=177952"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}