{"id":177445,"date":"2020-06-03T11:24:00","date_gmt":"2020-06-03T10:24:00","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=177445"},"modified":"2020-06-03T11:24:00","modified_gmt":"2020-06-03T10:24:00","slug":"lento-recomeco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lento-recomeco\/","title":{"rendered":"Lento recome\u00e7o"},"content":{"rendered":"<p>Padre V\u00edtor Carreira, Diocese de Lamego<!--more--><\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/portas-abertas-igreja.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-177447 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/portas-abertas-igreja.jpg\" alt=\"\" width=\"311\" height=\"415\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/portas-abertas-igreja.jpg 540w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/portas-abertas-igreja-195x260.jpg 195w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/portas-abertas-igreja-480x640.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 311px) 100vw, 311px\" \/><\/a>\u00abPara tudo h\u00e1 um momento e um tempo para cada coisa que se deseja debaixo do c\u00e9u\u00bb<\/em> (Ecl 3,1).<\/p>\n<p>Este s\u00e1bio pensamento de Qoh\u00e9let ou Eclesiastes, presum\u00edvel autor desta express\u00e3o, recorda-nos a import\u00e2ncia do tempo na exist\u00eancia humana. Este \u00e9 o momento e o tempo da hist\u00f3ria para curar, edificar, plantar, para rir e dan\u00e7ar, para juntar e abra\u00e7ar, para procurar e guardar, para falar e amar. \u00c9 ent\u00e3o, o tempo de renascer.<\/p>\n<p>No passado ficam mem\u00f3rias, que ainda s\u00e3o presentes e que inevitavelmente nos acompanhar\u00e3o pelo futuro. Para tr\u00e1s ficaram as l\u00e1grimas da dor, da perda, da ang\u00fastia, da revolta. Para tr\u00e1s ficaram tamb\u00e9m os exemplos extraordin\u00e1rios dos <em>\u201csem nome\u201d,<\/em> apelidados de <em>\u201cos que est\u00e3o na linha da frente\u201d,<\/em> que apoiaram, ajudaram, lutaram, rezaram\u2026e que continuar\u00e3o certamente ao lado de todos n\u00f3s. A hist\u00f3ria, a cada dia que passa, recorda-nos isto mesmo: o percurso humano \u00e9 marcado por alegrias e dores, conquistas e perdas, paragens e recome\u00e7os.<\/p>\n<p>Num mundo em que a tecnologia impera, num mundo em que o \u201ceu\u201d tende a ser superior ao \u201ctu\u201d, \u00e9 de facto a COVID-19, um v\u00edrus na altura desconhecido, que nos faz parar e pensar na fragilidade e na finitude. Um v\u00edrus que nos faz rever as prioridades e inverter as imagin\u00e1rias pir\u00e2mides que t\u00ednhamos formuladas na nossa mente. Um v\u00edrus que mata, infeta, isola, impede, cancela ou adia\u2026<\/p>\n<p>O medo e o p\u00e2nico instalaram-se no nosso modo de estar. Das ruas desertas, \u00e0s igrejas, est\u00e1dios, escolas e centros comerciais encerrados, passamos a ter casas cheias. Parece ir\u00f3nico. De facto, podemos notar, que compreender o comportamento humano \u00e9 cada vez mais desafiante. Da correria ao supermercado, os passeios pelas avenidas mais movimentadas, festejos com grande participa\u00e7\u00e3o, ao fim de semana na praia\u2026n\u00e3o faltaram iniciativas, pouco felizes, \u00e9 verdade.<\/p>\n<p>Como falar, nessa altura, de recome\u00e7o? Alguns nem chegaram a parar. Se \u00e9 verdade que a pandemia gerou pobreza a n\u00edvel econ\u00f3mico, social ou cultural, tamb\u00e9m n\u00e3o deixa de ser verdade que demonstrou alguma pobreza no comportamento humano. Perdemos a no\u00e7\u00e3o das vezes em que nos deparamos com a express\u00e3o <em>\u201cvai tudo ficar bem\u201d<\/em>, o que revelou inconsci\u00eancia, insensibilidade, confus\u00e3o e possivelmente alguma revolta possa ter surgido por parte dos que pensavam seriamente na gravidade da situa\u00e7\u00e3o epidemiol\u00f3gica. Os mais confiantes ainda apontavam que, mesmo nas situa\u00e7\u00f5es mais dram\u00e1ticas, h\u00e1 sempre algo de favor\u00e1vel a recolher. \u00c9 poss\u00edvel.<\/p>\n<p>De facto, este foi e continua a ser um dos momentos mais dram\u00e1ticos da hist\u00f3ria: pela morte, que tanto tememos, e que assombrou o globo; pela quantidade enorme de infetados; por um conjunto de fatores psicol\u00f3gicos que a todos afetaram.<\/p>\n<p>Contudo, agora \u00e9 tempo de recuperar alguma normalidade, aquela que \u00e9 poss\u00edvel. Com as igrejas quase cheias e centros comerciais a reabrirem, voltamos ao espa\u00e7o vazio das casas. Afinal, o que modificar\u00e1 na nossa rela\u00e7\u00e3o familiar? O que aprendemos de novo neste tempo de pandemia?<\/p>\n<p>Recome\u00e7ar deve fazer-nos pensar e avaliar, para posteriormente caminhar. \u00c9 certo que o tempo atual ainda \u00e9 de incertezas. De um lado, assistimos a not\u00edcias que nos informam da improbabilidade de uma segunda vaga da doen\u00e7a, por outro garantem-nos que o v\u00edrus veio para ficar e que a segunda vaga \u00e9 certa. Apesar da d\u00favida, importa alertar para o perigo de vivermos j\u00e1 um relaxamento imprudente nas medidas de distanciamento social.<\/p>\n<p>Despertemos! Se at\u00e9 aqui o sentido de responsabilidade era fundamental, tendo sempre como horizonte a seguran\u00e7a de todos, no presente e futuro n\u00e3o poder\u00e1 ser diferente. Mais do que nunca, liberdade e responsabilidade devem caminhar juntas, t\u00eam de ser assumidas e vividas de forma ainda mais eficiente.<\/p>\n<p>\u00c9 tempo de um lento recome\u00e7o. \u00c9 um tempo novo que temos diante de n\u00f3s, pela forma como nos relacionamos socialmente, na vida familiar, a n\u00edvel profissional e at\u00e9 na viv\u00eancia eclesial. Retomamos as nossas celebra\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias nos \u00faltimos dias de maio, fim de semana que assinalava liturgicamente a Solenidade de Pentecostes, bem como o encerramento do m\u00eas dedicado a Maria. O apelo foi feito: abrir, sem medo, as portas do cora\u00e7\u00e3o ao sopro do Esp\u00edrito de Deus, deixando-nos preencher pela novidade que traz \u00e0 nossa exist\u00eancia. Apesar das restri\u00e7\u00f5es e de todas as normas de seguran\u00e7a implementadas, os rostos (mesmo escondidos) e os cora\u00e7\u00f5es dos fi\u00e9is n\u00e3o deixaram de transparecer a alegria e a emo\u00e7\u00e3o do reencontro.<\/p>\n<p>\u00c9 tempo de retomar o caminho. Pelo menos por agora. H\u00e1 quem recomece da mesma forma que parou. H\u00e1 quem recomece caminhando de uma forma nova. Os passos que agora damos sejam mais seguros, persistentes e confiantes. O medo que naturalmente possa existir, n\u00e3o nos fa\u00e7a cair ou vacilar e sobretudo que n\u00e3o nos leve a recuar. Sabemos qual \u00e9 a nossa meta. Corramos para a alcan\u00e7ar.<\/p>\n<p>O recome\u00e7o, mesmo que seja lento, pode ser sin\u00f3nimo de oportunidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre V\u00edtor Carreira, Diocese de Lamego<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":177446,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-177445","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/177445","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=177445"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/177445\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/177446"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=177445"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=177445"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=177445"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}