{"id":17737,"date":"2006-05-02T11:16:45","date_gmt":"2006-05-02T11:16:45","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/05\/02\/para-uma-pastoral-dos-ciganos\/"},"modified":"2006-05-02T11:16:45","modified_gmt":"2006-05-02T11:16:45","slug":"para-uma-pastoral-dos-ciganos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/para-uma-pastoral-dos-ciganos\/","title":{"rendered":"Para uma pastoral dos ciganos"},"content":{"rendered":"<p>D. Teodoro de Faria, Bispo do Funchal <!--more--> O Conselho da Pastoral dos Migrantes publicou em Dezembro passado \u00abOrienta\u00e7\u00f5es\u00bb para o cuidado pastoral dos ciganos, tais como o desejo de instruir-se e obter uma forma\u00e7\u00e3o profissional, maior consci\u00eancia social e pol\u00edtica atrav\u00e9s de associa\u00e7\u00f5es, participa\u00e7\u00e3o da mulher na vida social e civil, n\u00famero crescente de voca\u00e7\u00f5es ao diaconado, ao presbiterado e vida religiosa.  1. A Igreja sempre se preocupou com o povo cigano. O povo crist\u00e3o nem sempre os recebeu da melhor forma, pela sua maneira de viver como n\u00f3madas, embora muitos j\u00e1 sejam sedent\u00e1rios, pela sua diversidade \u00e9tnica, cultura e antigas tradi\u00e7\u00f5es. Sofreram muito ao longo da hist\u00f3ria e de uma forma desumana com o nazismo que os encerrou em campos de concentra\u00e7\u00e3o e os exterminou em massa.  O Papa Jo\u00e3o Paulo II confiou ao Pontif\u00edcio Conselho Pastoral para os Migrantes e os Itinerantes a miss\u00e3o de levar e empenhar as Igrejas particulares a oferecerem uma assist\u00eancia espiritual apropriada aos pr\u00f3fugos, exilados, migrantes, n\u00f3madas e \u00e0s pessoas que exercem a arte circense. A Constitui\u00e7\u00e3o \u00abPastor Bonnus\u00bb chamou a aten\u00e7\u00e3o das dioceses para o estudo e aplica\u00e7\u00e3o de uma pastoral pr\u00f3pria dirigida \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o humana do povo cigano.  O Conselho da Pastoral dos Migrantes publicou em Dezembro passado \u00abOrienta\u00e7\u00f5es\u00bb para o cuidado pastoral dos ciganos, tais como o desejo de instruir-se e obter uma forma\u00e7\u00e3o profissional, maior consci\u00eancia social e pol\u00edtica atrav\u00e9s de associa\u00e7\u00f5es, participa\u00e7\u00e3o da mulher na vida social e civil, n\u00famero crescente de voca\u00e7\u00f5es ao diaconado, ao presbiterado e vida religiosa.  Foi com grande satisfa\u00e7\u00e3o que o povo cigano e toda a Igreja assistiram \u00e0 beatifica\u00e7\u00e3o do m\u00e1rtir espanhol Ceferino Jim\u00e9nez Malla (1861-1938), considerado o primeiro cigano na hist\u00f3ria da Igreja a ser elevado \u00e0s honras dos altares.   Promo\u00e7\u00e3o humana \u00e9 papel do Estado  2 \u2013 Com as \u00abOrienta\u00e7\u00f5es\u00bb a Igreja preocupa-se com a particularidade que deve ser dada \u00e0 pastoral dos n\u00f3madas, atendendo \u00e0 sua cultura que, nalguns casos, deve ser purificada, nunca esvaziada, mas integrada na cultura ambiente onde residem.  A comunidade cigana que vive nesta Diocese, n\u00e3o causa problemas especiais \u00e0 sociedade, embora n\u00e3o seja ainda aceite, ajudada e respeitada como \u00e9 dever de todos os crist\u00e3os. N\u00e3o temos, felizmente, situa\u00e7\u00f5es de ruptura e rejei\u00e7\u00e3o como acontece algumas vezes no continente.  A promo\u00e7\u00e3o humana dos ciganos \u00e9 da responsabilidade do Estado, mas a Igreja deve tamb\u00e9m envolver-se em iniciativas concretas neste sentido, dando-lhe mais protagonismo e alertando os governos sobre as condi\u00e7\u00f5es dif\u00edceis desta popula\u00e7\u00e3o. Devemos ter em conta, como afirmou a Carta Enc\u00edclica de Jo\u00e3o Paulo II \u00abRedemptoris missio\u00bb, que o desenvolvimento de um povo n\u00e3o depende primeiramente do dinheiro nem das ajudas materiais, mas da forma\u00e7\u00e3o das consci\u00eancias, da maturidade das mentalidades e dos costumes. \u00abE o homem \u00e9 o protagonista do desenvolvimento, n\u00e3o o dinheiro ou a t\u00e9cnica\u00bb.   Evangelizar \u00e9 miss\u00e3o da Igreja 3. \u2013 A evangeliza\u00e7\u00e3o dos ciganos \u00e9 miss\u00e3o da Igreja. Ningu\u00e9m pode  ficar indiferente perante a situa\u00e7\u00e3o de marginaliza\u00e7\u00e3o desta comunidade nem da ignor\u00e2ncia das coisas de Deus. A catequese tem de usar uma linguagem que permita aos ciganos se exprimirem como eles entendem e vivem a sua rela\u00e7\u00e3o com Deus. Do mesmo modo a m\u00fasica, muito praticada e apreciada por eles, \u00e9 um instrumento v\u00e1lido para os encontros e liturgia. O fundador do Movimento Neo-Catecumenal, Kiko Arguelo, ap\u00f3s a sua convers\u00e3o e pastoral com os ciganos, procurou compor m\u00fasicas que eles apreciaram e que hoje s\u00e3o cantadas com sucesso, nos encontros e liturgias da Igreja Cat\u00f3lica.  Os ciganos amam muito as peregrina\u00e7\u00f5es. Algumas delas s\u00e3o c\u00e9lebres como a que re\u00fane ciganos de toda a Europa no Sul da Fran\u00e7a, junto do porto donde saiu S\u00e3o Lu\u00eds para as cruzadas. A peregrina\u00e7\u00e3o \u00e9 importante para reuni\u00e3o de fam\u00edlias, para cumprir promessas, ser caminho de ora\u00e7\u00e3o, encontro com o \u00abSanto\u00bb ou a \u00abSanta\u00bb, para unir o grupo, e pode ser uma experi\u00eancia que conduz a Cristo e \u00e0 Igreja.  Os ciganos est\u00e3o a ser seduzidos pelas seitas, quando habitualmente eram cat\u00f3licos. Os novos movimentos eclesiais deviam desempenhar uma miss\u00e3o importante junto do povo cigano, tendo em conta o seu forte esp\u00edrito comunit\u00e1rio, cordialidade, alegria, abertura. Esta ac\u00e7\u00e3o pastoral ser\u00e1 mais eficiente se se desenvolver dentro de pequenos grupos, porque neles \u00e9 mais f\u00e1cil a partilha da experi\u00eancia de f\u00e9, a personaliza\u00e7\u00e3o, o encontro consigo pr\u00f3prios e com a sua cultura e a sua responsabilidade de leigos.  No an\u00fancio da catequese deve-se incluir sempre um di\u00e1logo que os permita exprimir como vivem a sua rela\u00e7\u00e3o com Deus, porque as situa\u00e7\u00f5es da vida dizem-lhes mais que ideias e conceitos redundantes, as suas reac\u00e7\u00f5es s\u00e3o mais instintivas do que fruto de um pensamento te\u00f3rico. As palavras utilizadas por um catequista podem ser incompreens\u00edveis para um cigano.  O sacramento mais pedido \u00e9 o baptismo, mas \u00e9 preciso assegurar um acompanhamento espiritual da fam\u00edlia e do baptizado de forma a n\u00e3o interromper o ciclo da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3. \u00c9 conveniente escolher com muito crit\u00e9rio o padrinho ou a madrinha, pois estes v\u00e3o iniciar uma rela\u00e7\u00e3o privilegiada e continuada com a fam\u00edlia.  O baptismo deve ser celebrado na presen\u00e7a da comunidade crist\u00e3 para se poder iniciar uma rela\u00e7\u00e3o com eles. A pastoral da confirma\u00e7\u00e3o \u00e9 pouco conhecida da comunidade cigana. Com base no modelo catecumenal, este sacramento permitiria recuperar as car\u00eancias da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3.  A Eucaristia, apesar de ser o v\u00e9rtice da Igreja, n\u00e3o \u00e9 aceite no seu pleno significado pelo povo cigano. Privilegiam os banquetes sagrados, celebrados em honra de um santo ou pela paz dos defuntos.  O matrim\u00f3nio tem na tradi\u00e7\u00e3o cigana muitos rituais, os noivos assumem os deveres conjugais perante a comunidade \u2013 liberdade, fidelidade, indissolubilidade e fecundidade. A uni\u00e3o matrimonial aproxima-se da vis\u00e3o cat\u00f3lica do matrim\u00f3nio e n\u00e3o \u00e9 uma simples uni\u00e3o sexual.  O n\u00famero de ciganos residentes na Diocese n\u00e3o \u00e9 muito grande, mas nem por isso deixam de ser importantes para a pastoral. \u00c9 preciso passar da suspeita \u00e0 confian\u00e7a, pois devemos ter em conta tantas injusti\u00e7as sofridas ao longo dos s\u00e9culos que os leva a desconfiar das iniciativas que procuram penetrar no seu mundo cultural e religioso.  No ano 2000, Jo\u00e3o Paulo II pediu perd\u00e3o pelos pecados cometidos nas desaven\u00e7as entre ciganos e crist\u00e3os ao longo da hist\u00f3ria.  Os novos movimentos eclesiais, que o Esp\u00edrito Santo suscitou na Igreja, poder\u00e3o criar rela\u00e7\u00f5es de abertura, cordialidade e disponibilidade que favore\u00e7am uma melhor evangeliza\u00e7\u00e3o do povo cigano, sem esquecer que eles ser\u00e3o os melhores ap\u00f3stolos de si pr\u00f3prios.   Funchal, 30 de Abril de 2006 <i>D. Teodoro de Faria, Bispo do Funchal<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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