{"id":17638,"date":"2006-04-25T19:40:01","date_gmt":"2006-04-25T19:40:01","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/25\/nova-geracao-de-politicos\/"},"modified":"2006-04-25T19:40:01","modified_gmt":"2006-04-25T19:40:01","slug":"nova-geracao-de-politicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/nova-geracao-de-politicos\/","title":{"rendered":"Nova gera\u00e7\u00e3o de pol\u00edticos"},"content":{"rendered":"<p>Implac\u00e1vel \u00e9 o tempo. Envelhece pessoas e factos, filtra hist\u00f3rias, reenqua-dra not\u00edcias, arrefece paix\u00f5es, altera \u00e2ngulos, abre panor\u00e2micas, projecta luz, atravessa neblinas, cria e evapora mitos. Ingrato, por vezes, com her\u00f3is elege, por uma esp\u00e9cie de capricho, quem lhe apetece, para ser lembrado com emo\u00e7\u00e3o ou odiado por dever c\u00edvico. Perde tempo quem anda a juntar pedras para o seu monumento.  A Revolu\u00e7\u00e3o de Abril j\u00e1 se esfuma, como experi\u00eancia, nas neblinas dos que n\u00e3o a imaginavam poss\u00edvel, foge aos afectos dos que estabeleceram directamente algumas sintonias com o seu esp\u00edrito, perde-se raivosamente naqueles que mais directamente se envolveram e se julgam os \u00fanicos actores numa cena de apar\u00eancia simples. Na realidade, ainda est\u00e1 por juntar e explicar a complexidade de factores que se conjugaram para que um acontecimento, ilusoriamente \u00f3bvio, cor-respondesse a uma fractura estrondosa das placas que sustentavam uma sociedade fr\u00e1gil e incerta face \u00e0s mudan\u00e7as que j\u00e1 se operavam no mundo. Poucos se aperceberam dessa correla\u00e7\u00e3o. Poucos sabiam alguma coisa e ningu\u00e9m sabia tudo. E os her\u00f3is, t\u00e3o vulgares como os cidad\u00e3os an\u00f3nimos, n\u00e3o perceberam na sua grande maioria, no que se estava a desconstruir e a edificar quando se aventuraram a uma revolu\u00e7\u00e3o com ferramentas entor-pecidas. Sabiam dizer n\u00e3o a duas ou tr\u00eas coisas mas pouco entendiam dos subterr\u00e2neos tel\u00faricos que mudam a hist\u00f3ria. Nem por isso Abril deixou de ser para n\u00f3s um marco decisivo do s\u00e9culo XX. Uma nova gera\u00e7\u00e3o recusa-se, de momento, a edificar o seu e nosso tempo, sobre esses dados. Acha, por isso, que os pol\u00edticos em vigor, s\u00e3o fragmentos desse estrondo de sonhos e poemas, dessas baladas de palavras fortes, ideias desconexas, sons improvisados em vozes cansadas do passado. H\u00e1 de facto uma nova gera\u00e7\u00e3o que nada quer saber dessas id\u00edlicas quimeras e das cartilhas exaltantes de certa liberdade. Quer partir do agora e reportar-se a uma hist\u00f3ria mais alargada que se n\u00e3o estrangule em formul\u00e1rios revolucion\u00e1rios.  A recente sequ\u00eancia de desaires parlamentares pode proporcionar uma reflex\u00e3o sobre o excesso de anci\u00e3os de esp\u00edrito que regem o nosso pequeno universo pol\u00edtico. N\u00e3o basta ter sabedoria, experi\u00eancia e idade. \u00c9 preciso energia interior renovada, mobiliza-dora e criativa. O protesto dos jovens tem raz\u00e3o de ser. Que sirva ao menos para refrescar os ideais e o entusiasmo dos mais velhos ou dos que continuam a partir dum passado cujos pressupostos pouco t\u00eam a ver com o mundo de hoje. S\u00f3 l\u00ea bem a hist\u00f3ria quem junta inteligentemente todas as pe\u00e7as que a comp\u00f5em. Homenagear Abril \u00e9 coloc\u00e1-lo na senda da evolu\u00e7\u00e3o. <i>Ant\u00f3nio Rego<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Implac\u00e1vel \u00e9 o tempo. 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