{"id":175298,"date":"2020-05-18T10:08:14","date_gmt":"2020-05-18T09:08:14","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=175298"},"modified":"2020-05-18T10:49:05","modified_gmt":"2020-05-18T09:49:05","slug":"centenario-de-joao-paulo-ii-o-papa-dos-meus-verdes-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/centenario-de-joao-paulo-ii-o-papa-dos-meus-verdes-anos\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; Centen\u00e1rio de Jo\u00e3o Paulo II &#8211; O Papa dos meus verdes anos"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves, em Roma<strong>\u00a0<\/strong><\/em><!--more--><\/p>\n<p>O meu primeiro encontro com Jo\u00e3o Paulo II aconteceu em dia de tempestade. Estava eu no Est\u00e1dio de Coimbra \u00e0 espera dele quando todos ouvimos, pelos altifalantes, que o nevoeiro era tanto que o helic\u00f3ptero n\u00e3o viria. Sobrava como alternativa o comboio e, assim, a multid\u00e3o passou uma noite fria e molhada nas bancadas do velho est\u00e1dio. O Papa chegaria pela manh\u00e3 do dia seguinte e nunca mais este momento se me apagou da mem\u00f3ria. Foi em 1982!<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/joaoPauloII-1992-angola_tonyNeves.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-175310\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/joaoPauloII-1992-angola_tonyNeves.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"907\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/joaoPauloII-1992-angola_tonyNeves.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/joaoPauloII-1992-angola_tonyNeves-344x260.jpg 344w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/joaoPauloII-1992-angola_tonyNeves-1024x774.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/joaoPauloII-1992-angola_tonyNeves-768x580.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/joaoPauloII-1992-angola_tonyNeves-1080x816.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/joaoPauloII-1992-angola_tonyNeves-980x741.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/joaoPauloII-1992-angola_tonyNeves-480x363.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A Paz para Angola foi assinada em 1991 e o Papa visitou o pa\u00eds logo no ano seguinte, com o grande objectivo de cimentar uma paz que se sabia ser fr\u00e1gil. Para meu espanto, a R\u00e1dio Nacional de Angola, a \u00fanica oficialmente a emitir no pa\u00eds, convidou-me para comentador permanente, devendo acompanhar todas as desloca\u00e7\u00f5es do Papa e comentar, em directo, toda as celebra\u00e7\u00f5es e encontros que constavam de um programa chei\u00edssimo: Luanda, Mbanza Congo, Lubango, Benguela, Cabinda, Huambo, S. Tom\u00e9\u2026 Foi memor\u00e1vel a festa africana feita em cada lugar por onde o Papa passava, num tempo em que Jo\u00e3o Paulo II era jovem e aguentava um ritmo acelerado como este que se lhe exigia por terras africanas.<\/p>\n<p>J\u00e1 de regresso \u00e0 Europa, acompanhei um grupo de Jovens Sem Fronteiras de Portugal e Cabo Verde a Paris para as Jornadas Mundiais da Juventude. Est\u00e1vamos no ano de 1997 e j\u00e1 l\u00e1 encontrei um Papa fragilizado pela idade e pela doen\u00e7a que resultou, entre outras coisas, da bala que apanhou no peito. Foram umas JMJ fant\u00e1sticas e tive uma enorme alegria em voltar a vibrar com este Papa polaco.<\/p>\n<p>Depois, em 2000, acompanhei-o em F\u00e1tima. A sua debilidade extrema j\u00e1 incomodava, mas causava uma admira\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria. Nunca mais o vi pessoalmente, mas acompanhei, como todo o mundo, os seus dias finais e a sua morte, naquele inesquec\u00edvel 2 de abril de 2005. Tamb\u00e9m vivi intensamente a sua canoniza\u00e7\u00e3o, juntamente com a do Papa Jo\u00e3o XXIII, em 2014.<\/p>\n<p>J. Paulo II construiu uma ponte entre a Europa do sil\u00eancio (esmagada e oprimida do outro lado da cortina de ferro) e a Europa ocidental (abafada nas suas convic\u00e7\u00f5es ancestrais pelo indiferentismo religioso). Deu um empurr\u00e3o e ajudou a deitar abaixo o Muro de Berlim e, com ele, acabou a guerra fria que opunha o capitalismo ao socialismo, impondo ao mundo o equil\u00edbrio do terror, assente na corrida aos armamentos. Com J. Paulo II, o mundo respirou de al\u00edvio, mas o capitalismo liberal, gerador de enormes desigualdades sociais, imp\u00f4s-se como sistema \u00fanico. O Papa que \u2018veio de longe\u2019 lan\u00e7ou-se na aventura de percorrer os caminhos do mundo para falar de Cristo, apostando forte nas \u2018Viagens apost\u00f3licas\u2019. Criou as \u2018Jornadas Mundiais da Juventude\u2019 que congregam milh\u00f5es de jovens, refor\u00e7ando a sua miss\u00e3o. Promoveu em Assis o Encontro dos l\u00edderes Religiosos de todo o mundo para rezar pela Paz, ideia refor\u00e7ada por Bento XVI e Francisco.<\/p>\n<p>Foi canonizado com o Papa Jo\u00e3o XXIII, o grande homem que intuiu e convocou o Conc\u00edlio Vaticano II. S\u00e3o dois Papas que marcaram o fim do segundo mil\u00e9nio. A canoniza\u00e7\u00e3o conjunta mostrou \u00e0 Igreja e ao mundo a riqueza da pluralidade. S\u00e3o dois estilos completamente diferentes, mas com algo de essencial em comum: o amor \u00e0 Igreja, a fidelidade ao Evangelho e a abertura da Igreja com aten\u00e7\u00e3o aos sinais dos tempos.<\/p>\n<p>Se tivesse que eleger uma \u2018obra\u2019 de cada um deles, diria que me marcaram a \u2018Pacem in Terris\u2019 de Jo\u00e3o XXIII e a \u2018Redemptoris Missio\u2019 de J. Paulo II. Duas enc\u00edclicas em que a Miss\u00e3o, num sentido muito alargado do termo, joga um papel decisivo na vida da Igreja, na sua rela\u00e7\u00e3o com o mundo.<\/p>\n<p>Cem anos depois de ter vindo ao mundo, S. Jo\u00e3o Paulo II ver\u00e1 a celebra\u00e7\u00e3o do seu centen\u00e1rio de nascimento coincidir com a re-abertura da Bas\u00edlica de S. Pedro e de todas as Igrejas de It\u00e1lia, a marcar o regresso das celebra\u00e7\u00f5es das Eucaristias com a participa\u00e7\u00e3o do povo. Ele, a partir de l\u00e1 de cima, deve ter dado um jeitinho para acontecer esta coincid\u00eancia no calend\u00e1rio da Igreja e do Governo em It\u00e1lia!<\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-175298-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/lusofonias-cemanos-jpauloII.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/lusofonias-cemanos-jpauloII.mp3\">https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/lusofonias-cemanos-jpauloII.mp3<\/a><\/audio>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/joaoPauloII-1992-angola_tonyNeves1.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-175311\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/joaoPauloII-1992-angola_tonyNeves1.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" 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