{"id":17520,"date":"2006-04-18T14:52:25","date_gmt":"2006-04-18T14:52:25","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/18\/portugal-tem-fraca-tradicao-de-voluntariado\/"},"modified":"2006-04-18T14:52:25","modified_gmt":"2006-04-18T14:52:25","slug":"portugal-tem-fraca-tradicao-de-voluntariado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/portugal-tem-fraca-tradicao-de-voluntariado\/","title":{"rendered":"Portugal tem fraca tradi\u00e7\u00e3o de voluntariado"},"content":{"rendered":"<p>Pe. Ant\u00f3nio Vaz Pinto, o mentor dos Leigos para o Desenvolvimento, espera uma consci\u00eancia colectiva da necessidade de apoio aos pa\u00edses em vias de desenvolvimento <!--more--> Movimento mission\u00e1rio, claramente crist\u00e3o e cat\u00f3lico, os \u00abLeigos para o Desenvolvimento\u00bb comemoraram recentemente 20 anos de funda\u00e7\u00e3o. Nascido para ir ao encontro de popula\u00e7\u00f5es e povos em vias de desenvolvimento, foi novidade no pa\u00eds. Em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA, o sacerdote Jesu\u00edta Ant\u00f3nio Vaz Pinto, recorda as origens e avalia o presente.   <i>Ag\u00eancia ECCLESIA \u2013 Como \u00e9 que nasceram os \u00abLeigos para o Desenvolvimento\u00bb? Pe. Ant\u00f3nio Vaz Pinto \u2013 <\/i>Eu estava em Coimbra a dirigir o Centro Universit\u00e1rio Manuel da N\u00f3brega (CUMN), quando em contacto com alunos dos \u00faltimos anos, de v\u00e1rias faculdades, eles se questionavam: o que vamos fazer a seguir? Curiosamente, quando fui para Lisboa fundar o Centro Universit\u00e1rio Pe. Ant\u00f3nio Vieira (CUPAV), encontrei um grupo de pessoas com a mesma preocupa\u00e7\u00e3o. \u201cVamos apenas ganhar dinheiro, fazer carreira? N\u00e3o poderemos n\u00f3s usar os nossos talentos ao servi\u00e7o de uma causa mais nobre e, provavelmente, em rela\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses de l\u00edngua portuguesa?\u201d A ideia foi germinando&#8230; come\u00e7aram a fazer-se os estatutos para obter personalidade jur\u00eddica e a dar a forma\u00e7\u00e3o adequada.  Foi um processo lento. Nessa altura, em Angola e Mo\u00e7ambique, havia guerras tremendas, e por isso n\u00e3o valia a pena pensar ir para esses pa\u00edses. Pareceu-nos que,  ideal seria partir para S\u00e3o Tom\u00e9 e Principe, com o acordo dos bispos locais. Foi ent\u00e3o que partiu o primeiro grupo de seis volunt\u00e1rios, iniciando uma longa caminhada. Hoje, vinte anos depois, j\u00e1 s\u00e3o cerca de 250, os que partiram e voltaram.  <i>AE \u2013 Na \u00e9poca em que foram fundados os \u00abLeigos para o Desenvolvimento\u00bb, em Portugal, n\u00e3o era normal um movimento deste g\u00e9nero, nomeadamente de cariz cat\u00f3lico&#8230;  AVP \u2013 <\/i>N\u00e3o havia nada de semelhante, pelo menos que eu saiba, com uma certa visibilidade e estrutura. Por vezes acontecia uma pessoa ou outra associar-se a uma congrega\u00e7\u00e3o ou ordem religiosa. Havia tamb\u00e9m, com grandes defici\u00eancias de estrutura e de forma\u00e7\u00e3o, os chamados cooperantes. Mas uma coisa destas, com caracter claramente eclesial, mas de leigos, foi uma novidade absoluta. Sobretudo, porque estas n\u00e3o s\u00e3o pessoas para miss\u00f5es de emerg\u00eancia. Isto \u00e9 desenvolvimento, exige continuidade e que as pessoas estejam pelo menos um ano, ou, muito recomendavelmente, dois. Muitos estiveram at\u00e9 tr\u00eas e quatro anos, para uma continua\u00e7\u00e3o do trabalho.    <i>AE \u2013 Passados 20 anos, que evolu\u00e7\u00e3o se verifica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s origens desta Organiza\u00e7\u00e3o N\u00e3o Governamental (ONGD)? AVP \u2013 <\/i>Primeiro diversific\u00e1mos a nossa presen\u00e7a. Neste momento estamos numa miss\u00e3o em D\u00edli, tr\u00eas em Mo\u00e7ambique, duas em Angola e uma S\u00e3o Tom\u00e9. A forma\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m melhorou muito. Hoje em dia, o candidato a volunt\u00e1rio tem de ser uma pessoa com o curso finalizado, ou que tenha uma significativa experi\u00eancia profissional. Na forma\u00e7\u00e3o tem um ano inteiro, com variados m\u00f3dulos, com acompanhamento pessoal, exerc\u00edcios espirituais e trabalho no terreno. O movimento alargou-se e hoje est\u00e1 ligado aos Centros Universit\u00e1rios da Companhia de Jesus, em Braga, Porto, Coimbra e Lisboa. A forma\u00e7\u00e3o \u00e9 dada localmente e h\u00e1 para isso h\u00e1 uma equipa composta por leigos e com um assistente eclesi\u00e1stico, Jesu\u00edta, em cada um destes locais. H\u00e1, tamb\u00e9m, v\u00e1rios momentos durante esta forma\u00e7\u00e3o anual em que todos os candidatos se encontram para se conhecerem e partilharem experi\u00eancias.  Portanto, pode-se dizer que houve uma diversifica\u00e7\u00e3o, um alargamento da forma\u00e7\u00e3o e da base de recrutamento, que \u00e9 uma maior profissionaliza\u00e7\u00e3o.   <i>AE \u2013 Que desafios se colocam agora, passados 20 anos?  AVP \u2013 <\/i>Continuar e melhorar a forma\u00e7\u00e3o, e tamb\u00e9m a profissionaliza\u00e7\u00e3o dos trabalhos no local. Criar uma consci\u00eancia colectiva em Portugal acerca da problem\u00e1tica e da necessidade de apoio aos pa\u00edses em vias de desenvolvimento, e dar uma marca muito crist\u00e3  porque o servi\u00e7o da f\u00e9 passa pela promo\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a. Por outro lado \u00e9 necess\u00e1rio aprofundar e a melhorar o di\u00e1logo cultural e o desenvolvimento integral do homem.  <i>AE \u2013 H\u00e1 cerca de 20 anos, como j\u00e1 disse, isto era uma novidade em Portugal. E actualmente, como v\u00ea o panorama do voluntariado no pa\u00eds? AVP \u2013 <\/i>Eu acho que n\u00f3s temos uma tradi\u00e7\u00e3o muito fraca de voluntariado. Quando comparamos o voluntariado portugu\u00eas com Espanha, Fran\u00e7a ou It\u00e1lia, verificamos que temos, de facto, um voluntariado em quantidade e qualidade muito enfraquecido. Mesmo ao n\u00edvel da coopera\u00e7\u00e3o, permanece a concep\u00e7\u00e3o desta, entre empresas ou entre estados, esquecendo-se que as Organiza\u00e7\u00f5es N\u00e3o Governamentais, como \u00e9 o caso dos Leigos, t\u00eam muito menos meios materiais, mas est\u00e3o muito mais inseridas no terreno, e muito mais pr\u00f3ximas das pessoas. E at\u00e9 a canaliza\u00e7\u00e3o de meios financeiros para elas pode dar muito mais fruto. No entanto, h\u00e1 todo um \u201cmar\u201d de coisas a fazer e a melhorar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pe. 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