{"id":17505,"date":"2006-04-16T19:48:51","date_gmt":"2006-04-16T19:48:51","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/16\/acreditar-no-ressuscitado\/"},"modified":"2006-04-16T19:48:51","modified_gmt":"2006-04-16T19:48:51","slug":"acreditar-no-ressuscitado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/acreditar-no-ressuscitado\/","title":{"rendered":"Acreditar no Ressuscitado"},"content":{"rendered":"<p>Homilia do Bispo do Porto na Missa do Domingo de P\u00e1scoa <!--more--> Celebramos a P\u00e1scoa da Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, que \u00e9 a verdade fundamental da nossa f\u00e9 (crist\u00e3). De fora (e prouvera a Deus que n\u00e3o de dentro) pensar-se-\u00e1 que o Cristianismo consiste num comp\u00eandio de imposi\u00e7\u00f5es e preceitos morais, e que a ressurrei\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o tem lugar na Ci\u00eancia, \u00e9 um elemento secund\u00e1rio e vago da f\u00e9 cat\u00f3lica. Acreditar ou admitir que Deus em Cristo derrotou a morte \u00e9 constitutivo da nossa f\u00e9, mas n\u00e3o passa como mensagem para o mundo e para a cultura que nos envolvem.  Apesar da aten\u00e7\u00e3o que se volta hoje para o tema da Paix\u00e3o de Cristo, e mesmo com tentativas de releitura dos factos e reinterpreta\u00e7\u00e3o dos seus protagonistas, e apesar das atitudes correntes do magist\u00e9rio da Igreja sobre a ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo enquanto acontecimento da nossa f\u00e9 e n\u00e3o como conclus\u00e3o e afirma\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria propriamente dita, um autor cat\u00f3lico actual, familiar da Casa Pontif\u00edcia, escreveu: \u201cMorreu\u201d e \u201cressuscitou\u201d indicam factos; s\u00e3o afirma\u00e7\u00f5es, a seu modo, hist\u00f3ricas; \u201cpelos nossos pecados\u201d e \u201cpela nossa justifica\u00e7\u00e3o\u201d n\u00e3o s\u00e3o afirma\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, mas de f\u00e9; indicam o sentido m\u00edstico ou, para n\u00f3s, factos&#8230; \u00c9 justamente este significado de f\u00e9 que, noutro sentido, faz da morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo acontecimentos \u201chist\u00f3ricos\u201d, se por facto \u201chist\u00f3rico\u201d n\u00e3o entendermos somente o facto de cr\u00f3nica, nu e cru, mas o facto mais o significado dele&#8230; Um acontecimento \u00e9 hist\u00f3rico quando re\u00fane, em si, dois requisitos: \u201caconteceu\u201d e, a mais, assumiu um relevo significativo determinante para as pessoas que nele estiveram envolvidas e dele fizeram a narra\u00e7\u00e3o\u201d (Raniero Cantalamessa, P\u00e1scoa&#8230;, Paulinas, pg. 30-31, cf. Dodd, D.H., Storia ed Evangelo, Brescia, 1976, pg. 23). (A Teologia cat\u00f3lica, ao estilo da Historiologia, costumava falar do \u201cacontecimento\u201d que continuava como \u201cfacto hist\u00f3rico\u201d).  O que para a f\u00e9 crist\u00e3 realmente aconteceu foi que Jesus Cristo passou da morte para a vida, o que acontecer\u00e1 tamb\u00e9m a n\u00f3s: \u201cSe ressuscitastes com Cristo, aspirai \u00e0s coisas do alto&#8230; afei\u00e7oai-vos \u00e0s coisas do alto e n\u00e3o \u00e0s da terra, porque v\u00f3s morrestes e a vossa vida est\u00e1 escondida com Cristo em Deus\u201d (Cf. Col. 3,1-4). Falando da P\u00e1scoa de Cristo, que \u00e9 a nossa P\u00e1scoa, um autor medieval escrevia: \u201cHistoricamente, a P\u00e1scoa acontece quando o anjo exterminador passou pelo Egipto; alegoricamente, quando a Igreja, no Baptismo, passa da infidelidade para a f\u00e9; moralmente, quando a alma, atrav\u00e9s da confiss\u00e3o e da contri\u00e7\u00e3o, passa do v\u00edcio para a virtude; anagogicamente, quando passamos da mis\u00e9ria desta vida para as alegrias eternas\u201d (Cf. Cantalamessa, pg.46).  Esta vis\u00e3o da f\u00e9 e de compreens\u00e3o tem como fundamento o acontecimento da Ressurrei\u00e7\u00e3o, o impacto provocado naquele lugar e naquele tempo, a hist\u00f3ria do Cristianismo e da Comunidade crist\u00e3 em Igreja, e tamb\u00e9m a diversidade dos ambientes e das culturas onde o testemunho crist\u00e3o de f\u00e9 se fez ouvir.  O Evangelho fala-nos exactamente do primeiro impacto e das primeiras testemunhas: Maria Madalena, Pedro e o disc\u00edpulo que Jesus amava. Madalena, enquanto mulher, pertencia \u00e0 categoria de pessoas discriminadas, sem credibilidade oficial para os seus testemunhos. Foi a primeira pessoa que Deus escolheu para dar a not\u00edcia a Pedro e ao outro disc\u00edpulo: \u201cLevaram o Senhor do sepulcro e n\u00e3o sabemos onde O puseram\u201d (Jo. 20, 2). Pedro e o outro disc\u00edpulo dirigiram-se ao sepulcro. Jo\u00e3o (assim interpreta a tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3) chegou primeiro: \u201cviu e acreditou\u201d (Jo, 20, 8).  Mais tarde, Pedro tomou a palavra para resumir em discurso solene de an\u00fancio e testemunho, em nome dos Ap\u00f3stolos: \u201cV\u00f3s sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a come\u00e7ar pela Galileia&#8230; N\u00f3s somos testemunhas de tudo o que Ele fez&#8230; e mataram-nO&#8230; Deus ressuscitou-O ao terceiro dia&#8230; Jesus mandou-nos pregar ao povo e testemunhar que Ele foi constitu\u00eddo por Deus juiz dos vivos e dos mortos. \u00c9 d\u2019Ele que todos os profetas d\u00e3o o seguinte testemunho: \u201cquem acredita n\u2019Ele recebe pelo seu nome a remiss\u00e3o dos pecados\u201d (Cf. Act. 10, 34 ss.).  Madalena, Pedro e Jo\u00e3o. Este, o disc\u00edpulo que Jesus amava, representa-nos a todos n\u00f3s no anonimato discreto do Evangelho que escreveu. Ele viu (o sepulcro vazio) e acreditou.  Perante e por entre situa\u00e7\u00f5es passadas e presentes, culturas favor\u00e1veis ou adversas, cren\u00e7as ou descren\u00e7as, hostilidades ou indiferen\u00e7as, teremos agilidade para correr&#8230; e disposi\u00e7\u00e3o para acreditar?  Acreditar exige testemunho, por palavras e sobretudo na coer\u00eancia de uma vida renovada e em tens\u00e3o para uma mais perfeita identifica\u00e7\u00e3o com Cristo, nossa P\u00e1scoa. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia do Bispo do Porto na Missa do Domingo de P\u00e1scoa<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[187,275],"class_list":["post-17505","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-do-porto","tag-pascoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17505","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17505"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17505\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17505"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17505"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17505"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}