{"id":17503,"date":"2006-04-16T12:30:53","date_gmt":"2006-04-16T12:30:53","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/16\/a-igreja-nasce-e-vive-do-anuncio-de-cristo-vivo\/"},"modified":"2006-04-16T12:30:53","modified_gmt":"2006-04-16T12:30:53","slug":"a-igreja-nasce-e-vive-do-anuncio-de-cristo-vivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-igreja-nasce-e-vive-do-anuncio-de-cristo-vivo\/","title":{"rendered":"\u201cA Igreja nasce e vive do an\u00fancio de \u00abCristo Vivo\u00bb\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Homilia de D. Jos\u00e9 Policarpo no Pontifical da Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor <!--more--> 1. Hoje, Solenidade da Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor, celebra o seu anivers\u00e1rio natal\u00edcio Sua Santidade Bento XVI. H\u00e1 precisamente um ano a Igreja toda recolhia-se em ora\u00e7\u00e3o, esperando a elei\u00e7\u00e3o do novo Papa. Na \u00faltima Assembleia Geral do Col\u00e9gio dos Cardeais, saud\u00e1vamos o ent\u00e3o Decano do Col\u00e9gio pelos seus 78 anos de vida. Tr\u00eas dias depois aclam\u00e1vamo-lo de novo, agora como Papa, Sucessor de Pedro. Entre esses dois momentos h\u00e1 um salto qualitativo na aclama\u00e7\u00e3o e no motivo da nossa alegria. A segunda foi uma manifesta\u00e7\u00e3o de f\u00e9 na Igreja, este novo Povo nascido da P\u00e1scoa de Jesus, que amamos e em que acreditamos, reconhecendo no Papa o garante da sua unidade e impulsionador da sua autenticidade. Um ano depois, o primeiro do novo tempo deste Servidor da Igreja, queremos viver esta P\u00e1scoa em profunda comunh\u00e3o com o Santo Padre, exprimindo o nosso j\u00fabilo pascal na alegria de pertencermos a esta Igreja a que ele preside. \tO Papa \u00e9 o Sucessor de Pedro no minist\u00e9rio de cabe\u00e7a do Col\u00e9gio Apost\u00f3lico. As leituras desta celebra\u00e7\u00e3o apresentam-nos, precisamente, o minist\u00e9rio do Ap\u00f3stolo Pedro no in\u00edcio da Igreja. Quando Maria Madalena lan\u00e7a o alarme do Sepulcro vazio \u2013 \u201clevaram o Senhor do Sepulcro e n\u00e3o sabemos onde O puseram\u201d \u2013 Pedro e Jo\u00e3o n\u00e3o hesitam, nem perdem tempo; correm para o Sepulcro. Entrou no Sepulcro, viu as ligaduras no ch\u00e3o e o sud\u00e1rio e como confessa Jo\u00e3o, \u201cviu e acreditou\u201d, compreendendo s\u00f3 ent\u00e3o o an\u00fancio das Escrituras, segundo o qual Jesus devia ressuscitar dos mortos. \tAqui come\u00e7a a Igreja, na f\u00e9 na ressurrei\u00e7\u00e3o. A f\u00e9 destes dois Ap\u00f3stolos, segundo a narra\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o, tem um duplo fundamento: a verifica\u00e7\u00e3o dos factos, iluminados pela Palavra da Escritura. Esse \u00e9 um ritmo conhecido dos verdadeiros crentes de Israel: o acontecimento e a Palavra fazem um s\u00f3 na comunica\u00e7\u00e3o da verdade revelada. A f\u00e9 pascal tem fundamento nos factos, mas n\u00e3o \u00e9 uma mera verifica\u00e7\u00e3o factual. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9, apenas, uma convic\u00e7\u00e3o transmitida de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o, porque a Palavra sem a densidade do acontecimento, torna-se insignificativa em termos de Hist\u00f3ria da Salva\u00e7\u00e3o. O an\u00fancio pascal \u00e9 o testemunho seguro de factos verificados, que a Palavra de Deus enquadrou no seu significado salv\u00edfico. H\u00e1 duas objectividades convergentes, a dos acontecimentos e a da Palavra, constituindo ambas a objectividade da verdade acreditada. \u00c9 essa objectividade da verdade que d\u00e1 densidade e perenidade ao testemunho apost\u00f3lico.  \t2. A Igreja come\u00e7a, como processo hist\u00f3rico, no testemunho de Pedro e dos Ap\u00f3stolos. Pedro reconhece que o Senhor ressuscitado \u201cos mandou pregar ao Povo e testemunhar que Ele foi constitu\u00eddo por Deus Juiz dos vivos e dos mortos\u201d. E qual \u00e9 o testemunho de Pedro? Dos factos por ele verificados: Jesus, a Quem os judeus deram a morte, Deus ressuscitou-O ao terceiro dia. Mas \u00e9 um acontecimento que encontra toda a sua verdade \u00e0 luz da Escritura: \u201c\u00c9 d\u2019Ele que todos os Profetas d\u00e3o o seguinte testemunho: quem acredita n\u2019Ele recebe, pelo Seu nome, a remiss\u00e3o dos pecados\u201d. \tA f\u00e9 da Igreja n\u00e3o se limita \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o de um facto hist\u00f3rico; \u00e9 tamb\u00e9m a sua plenitude de sentido, perene para todos os tempos, para a salva\u00e7\u00e3o de todos os homens. Isso sup\u00f5e a ousadia da sua aplica\u00e7\u00e3o concreta \u00e0s caracter\u00edsticas da humanidade em cada tempo, levando-a a reconhecer, apesar das altera\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias da evolu\u00e7\u00e3o do mundo e da variedade cultural, em Jesus Cristo ressuscitado a fonte da verdadeira salva\u00e7\u00e3o do homem. A Palavra de Deus, que iluminou o acontecimento, garante-lhe a sua perenidade em todos os tempos e contextos. \tEsta \u00e9 a beleza e a exig\u00eancia do Magist\u00e9rio Apost\u00f3lico da Igreja, a que preside o Sucessor do Ap\u00f3stolo Pedro: ser testemunha da ressurrei\u00e7\u00e3o, com a objectividade de um facto hist\u00f3rico e com a densidade da sua interpreta\u00e7\u00e3o vivencial para os homens de todos os tempos, comunicando-lhes a certeza de que Jesus ressuscitou e est\u00e1 vivo na Sua Igreja. A Igreja seria completamente diferente, se Cristo n\u00e3o estivesse vivo no meio dela, se a Sua mensagem n\u00e3o fosse o testemunho convincente, tamb\u00e9m ele radicado na experi\u00eancia indiscut\u00edvel, de que Jesus est\u00e1 vivo e ama a Sua Igreja. Cristo vivo define a Igreja como um Povo que Ele atrai, ama e re\u00fane, em cada momento da Hist\u00f3ria.  \t3. Sua Santidade Bento XVI \u00e9 hoje, para n\u00f3s, por for\u00e7a do seu minist\u00e9rio, a grande testemunha da ressurrei\u00e7\u00e3o, anunciada aos homens do nosso tempo. Prepararam-no para este minist\u00e9rio a sua s\u00f3lida caminhada teol\u00f3gica e espiritual, sempre repassadas de amor \u00e0 Igreja; consolidou-o na solidez do testemunho a gra\u00e7a pr\u00f3pria do minist\u00e9rio em que foi investido. N\u00f3s os Cardeais escolhemo-lo; mas foi o Esp\u00edrito de Deus que o constituiu neste minist\u00e9rio decisivo para a f\u00e9 da Igreja. Hoje podemos todos apoiar a nossa f\u00e9 na solidez da sua f\u00e9, e consider\u00e1-la a gra\u00e7a actual que Deus d\u00e1 ao Seu Povo. \tNa sua Carta Enc\u00edclica ele disse \u00e0 Igreja que a nossa f\u00e9, para ser testemunho, tem de se exprimir na caridade, pois s\u00f3 o amor infinito de Deus, em Jesus Cristo, continua a poder salvar o mundo. A caridade \u00e9 o motivo e a for\u00e7a dinamizadora da Igreja. \u00c9 ao ritmo da caridade que ela evangeliza, que celebra os sacramentos, que ama os irm\u00e3os. Porque vive de Cristo ressuscitado, a Igreja tem de ser, no mundo de cada tempo, a express\u00e3o do amor com que Deus abra\u00e7a a humanidade inteira. Era j\u00e1 essa a interpela\u00e7\u00e3o feita pelo Ap\u00f3stolo Paulo aos Colossenses: \u201cSe ressuscitastes com Cristo, aspirai \u00e0s coisas do alto, onde Cristo Se encontra, sentado \u00e0 direita de Deus. Afei\u00e7oai-vos \u00e0s coisas do alto e n\u00e3o \u00e0s da terra. Porque v\u00f3s morrestes e a vossa vida est\u00e1 escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que \u00e9 a nossa vida, Se manifestar, ent\u00e3o tamb\u00e9m v\u00f3s vos haveis de manifestar com Ele na gl\u00f3ria\u201d (Col. 3,1-4).  \t4. Neste Domingo de P\u00e1scoa, dia do seu anivers\u00e1rio, a Igreja de Lisboa sa\u00fada o Santo Padre, um ano depois do in\u00edcio do seu Pontificado e queremos dizer-lhe que temos muita alegria em pertencer a esta Igreja, que nos sentimos seguros com a sua palavra Apost\u00f3lica e que, coerentes com o an\u00fancio do Congresso, \u201cCristo Vivo\u201d, queremos fazer de toda a nossa ac\u00e7\u00e3o pastoral uma express\u00e3o da caridade, do infinito amor de Deus em Jesus Cristo. Desejamos muito que a presen\u00e7a da Igreja na nossa sociedade a fa\u00e7a sentir-se amada por Deus.  S\u00e9 Patriarcal, 16 de Abril de 2006 <i>\u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia de D. 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