{"id":17501,"date":"2006-04-16T11:41:12","date_gmt":"2006-04-16T11:41:12","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/16\/pascoa-amor-como-transparencia-de-deus\/"},"modified":"2006-04-16T11:41:12","modified_gmt":"2006-04-16T11:41:12","slug":"pascoa-amor-como-transparencia-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/pascoa-amor-como-transparencia-de-deus\/","title":{"rendered":"P\u00e1scoa, amor como transpar\u00eancia de Deus"},"content":{"rendered":"<p>Homilia do Arcebispo de Braga na Vig\u00edlia Pascal <!--more--> A morte de Cristo, por amor, encontra na Ressurrei\u00e7\u00e3o a vida que cresce permanentemente e nesta prosseguimos a aventura do amor. N\u00e3o \u00e9 a morte que det\u00e9m o amor de Cristo. Torna-o mais consistente e esplendoroso pois proclama que o amor vive sempre. Hoje, quero, conscientemente repetir quanto fui sublinhando durante a Quaresma. 1 &#8211; Esta noite \u00e9, como conclus\u00e3o duma caminhada, um acto de f\u00e9 no valor imperec\u00edvel do amor como processo e itiner\u00e1rio. Teremos de o dignificar restituindo-lhe a originalidade de Cristo e o mundo acreditar\u00e1 em Deus-Vivo que \u00e9 amor. Da\u00ed que, mais uma vez recorremos \u00e0 enc\u00edclica \u201cDeus caritas est\u201d, e afirmamos: \u201co amor cresce atrav\u00e9s do amor\u201d e, deste modo, nunca podemos contentarmo-nos com o amor realizado. Temos necessidade de o colocar em tudo, fazendo com que o \u201camor a Deus e o amor ao pr\u00f3ximo sejam insepar\u00e1veis\u201d e constituam um \u00fanico mandamento. Se no meu quotidiano falta o contacto, permanente e persistente, com Deus, continuarei a ver o outro \u201csempre e apenas o outro\u201d nunca o reconhecendo como imagem de Cristo Ressuscitado a quem manifesto a minha fidelidade. Mas, se vou esquecendo e negligenciando o outro na sua concreta exist\u00eancia e me refugio em atitudes s\u00f3 de devo\u00e7\u00e3o, preocupando-me em ser \u201cpiedoso\u201d e cumpridor exim\u00ednio dos \u201cdeveres religiosos\u201d, fa\u00e7o com que tamb\u00e9m a minha rela\u00e7\u00e3o com Deus definhe ou se desfale\u00e7a. \u201cS\u00f3 a minha disponibilidade para ir ao encontro do pr\u00f3ximo e demonstrar-lhe amor \u00e9 que me torna sens\u00edvel tamb\u00e9m diante de Deus\u201d. A P\u00e1scoa como f\u00e9 no Ressuscitado \u00e9 esta experi\u00eancia de contacto com um Deus vivo que nos amou primeiro, derramando o Seu amor nos nossos cora\u00e7\u00f5es e permite que o amor \u201cdivino\u201d realize, o que parece milagre, \u201cum N\u00f3s\u201d que supra as nossas divis\u00f5es e nos faz ser um s\u00f3, at\u00e9 que, no fim, Deus seja \u201ctudo em todos\u201d (1 Cor. 15, 28). Por que Cristo est\u00e1 vivo e ressuscitado entre n\u00f3s, por que nos amamos com o Seu amor, Ele tocar\u00e1 o cora\u00e7\u00e3o dos incr\u00e9dulos que ver\u00e3o este seu rosto \u201cressuscitado\u201d atrav\u00e9s duma caridade verdadeiramente \u201csocial\u201d, ou seja, transformadora do mundo que nos rodeia. \u201cNingu\u00e9m jamais viu a Deus tal como Ele \u00e9 em si mesmo. E, contudo, Deus n\u00e3o nos \u00e9 totalmente invis\u00edvel, n\u00e3o se deixou ficar pura e simplesmente inacess\u00edvel a n\u00f3s\u201d. Em Jesus n\u00e3o podemos ver o Pai (cf. Jo 14, 9). Ele fez-se vis\u00edvel e hoje experimentamos uma \u201cm\u00faltipla visibilidade de Deus\u201d. Por um lado, \u00e9 Ele que vem ao nosso encontro e continua a querer conquistar o nosso cora\u00e7\u00e3o com variad\u00edssimos sinais como aconteceu outrora, na \u00faltima ceia, no Seu cora\u00e7\u00e3o trespassado, nas apari\u00e7\u00f5es como Ressuscitado; e hoje, numa hist\u00f3ria de amor que precisamos de discernir em acontecimentos que, se n\u00e3o fosse a nossa desaten\u00e7\u00e3o, falariam bem alto para O ouvirmos e acolher-nos. Ele est\u00e1 a\u00ed na Sua palavra, nos Sacramentos, na liturgia, na ora\u00e7\u00e3o, na comunidade dos crentes reunida em seu nome. Tudo \u00e9 gra\u00e7a onde poderemos experimentar o Seu amor, tocar a Sua presen\u00e7a e gostar de aprender e escutar as Suas palavras. A P\u00e1scoa deve levar-nos a esta verdade marcante da vida. N\u00e3o teremos de reconhecer tanta insensibilidade e n\u00e3o teremos necessidade de descortinar o Seu amor neste ordin\u00e1rio da nossa vida e concentrarmo-nos para que o \u201cvejamos\u201d como vivo e actual? Num tempo de pessimismo, derrotismo, desencanto, perplexidade perante o futuro, descobrir o amor de Deus em tantos recantos da nossa vida \u00e9 esperan\u00e7a e consola\u00e7\u00e3o. Ele n\u00e3o abandona o Seu povo. Pode parecer escondido detr\u00e1s da pedra dos sepulcros de dores. (A Sua for\u00e7a retirar\u00e1 o que impede a tranquilidade). \u201cOmnia vincit amor\u201d. (A mensagem da P\u00e1scoa est\u00e1 na esperan\u00e7a que ela \u00e9 capaz de dar aos nossos dias sombrios). \u201cO encontro com as manifesta\u00e7\u00f5es vis\u00edveis do amor de Deus pode suscitar em n\u00f3s o sentimento da alegria, que nasce da experi\u00eancia de ser amado\u201d (n. 17 \u2013 par\u00e1grafo 2\u00ba). Mas, \u201cacreditar\u201d neste amor presente na vida \u00e9 a liberta\u00e7\u00e3o de todos os males. Na verdade, o amor de Deus \u00e9 \u201cum processo que permanece continuamente em caminho: o amor nunca est\u00e1 conclu\u00eddo e completo\u201d. Deve chegar \u00e0 aventura de quem se entrega para dar amor como exig\u00eancia do ter sido amado primeiro. (Para o judeu a P\u00e1scoa recordava a liberta\u00e7\u00e3o das hostilidades e contrariedades vividas no ex\u00edlio. Tamb\u00e9m hoje somos convidados a identificar-se com as situa\u00e7\u00f5es de morte para as transformar em alegria de viver.) 2 &#8211; A P\u00e1scoa est\u00e1, deste modo, na capacidade de pegarmos nos problemas sociais, nos dramas das fam\u00edlias, nas amarguras das pessoas e, em nome do Ressuscitado, gastar as energias atrav\u00e9s duma caridade inventiva. Neste itiner\u00e1rio de amarmos o mundo no seu realismo, queremos privilegiar as fam\u00edlias dando-lhes o que lhes falta. Neste sentido, sabemos que as car\u00eancias materiais s\u00e3o imensas e tornam-se um grav\u00edssimo problema. S\u00f3 que, como crentes, reconhecemos que \u201ca morte de Deus\u201d, fruto duma propaganda subtil mas organizada com todos os pormenores, n\u00e3o nos pode deixar indiferentes. Na manh\u00e3 da Ressurrei\u00e7\u00e3o, Madalena queixava-se de que lhe \u201croubaram\u201d Jesus. Pode parecer exagerado afirmar ou reconhecer que este roubo vai crescendo na actualidade. Muitas circunst\u00e2ncias O procuram retirar e n\u00e3o s\u00f3 das paredes das escolas. H\u00e1 for\u00e7as que O afastam atrav\u00e9s de leis que deturpam o mist\u00e9rio da vida e a santidade do matrim\u00f3nio. N\u00e3o teremos de, como Igreja, percorrer, em primeiro lugar a estrada da coer\u00eancia e, depois, levantar a voz? 3 &#8211; Para a Quaresma procurei propor a mensagem do Papa. Nesta hora recordo uma passagem onde nos \u00e9 solicitado que, em nome da liberdade, coloquemos Cristo no mundo e na vida das institui\u00e7\u00f5es e das pessoas. \u201cCom a mesma compaix\u00e3o que Jesus tinha pelas multid\u00f5es, a Igreja sente hoje tamb\u00e9m como sua miss\u00e3o pedir, a quem tem responsabilidades pol\u00edticas e compet\u00eancias no poder econ\u00f3mico e financeiro, que promova um desenvolvimento baseado no respeito da dignidade de todo o homem. Um indicador importante deste esfor\u00e7o h\u00e1-de ser a liberdade religiosa efectiva, entendida como possibilidade n\u00e3o simplesmente de anunciar e celebrar Cristo, mas de contribuir tamb\u00e9m para a edifica\u00e7\u00e3o de um mundo animado pela caridade. H\u00e1 que incluir neste esfor\u00e7o tamb\u00e9m a efectiva considera\u00e7\u00e3o do papel central que desempenham os aut\u00eanticos valores religiosos na vida do homem enquanto resposta \u00e0s suas quest\u00f5es mais profundas e motiva\u00e7\u00e3o \u00e9tica para as suas responsabilidades pessoais e sociais\u201d (Mensagem 2006). A P\u00e1scoa tamb\u00e9m est\u00e1 aqui em nome da liberdade religiosa n\u00e3o se fechar nos templos mas contribuir para uma sociedade mais humana, onde os valores s\u00e3o a verdadeira resposta \u00e0s quest\u00f5es fracturantes. Que a P\u00e1scoa nos deixe tocar pelo amor de Cristo, mostrando-O e colocando-O numa sociedade de onde o querem erradicar. Ele n\u00e3o pode ficar no sepulcro da hist\u00f3ria. A sociedade \u00e9 o \u201clugar\u201d onde O colocar. Recordo S. Jo\u00e3o de Deus: \u201conde n\u00e3o h\u00e1 amor, coloca amor e encontrar\u00e1s amor\u201d. Onde n\u00e3o h\u00e1 Deus, coloquemos Deus e encontraremos Deus e a P\u00e1scoa permanecer\u00e1.  <i>+ Jorge Ferreira da Costa Ortiga, Arcebispo Primaz<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia do Arcebispo de Braga na Vig\u00edlia Pascal<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[172,206,246,275,91,294],"class_list":["post-17501","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-braga","tag-familia","tag-liturgia","tag-pascoa","tag-quaresma","tag-sacramentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17501","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17501"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17501\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17501"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17501"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17501"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}