{"id":17492,"date":"2006-04-16T10:14:16","date_gmt":"2006-04-16T10:14:16","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/16\/noite-pascal-vigilia-da-vida\/"},"modified":"2006-04-16T10:14:16","modified_gmt":"2006-04-16T10:14:16","slug":"noite-pascal-vigilia-da-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/noite-pascal-vigilia-da-vida\/","title":{"rendered":"\u201cNoite Pascal, Vig\u00edlia da Vida\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Homilia do Patriarca de Lisboa na Vig\u00edlia Pascal <!--more--> \t1. Esta solene Vig\u00edlia da P\u00e1scoa foi restaurada no contexto da reforma lit\u00fargica, da qual \u00e9 o verdadeiro \u201cex-libris\u201d. A reforma lit\u00fargica foi um dos movimentos que antecedeu o Conc\u00edlio Vaticano II e que significou a compreens\u00e3o da Liturgia como a express\u00e3o mais completa da Igreja como realidade pascal, Povo que nasceu da P\u00e1scoa, cujos membros se deixaram, pelo baptismo, sepultar com Cristo na morte, para poderem partilhar, com Ele, a vida nova da ressurrei\u00e7\u00e3o. O Povo da Alian\u00e7a deu lugar ao Povo dos baptizados, que encetou a etapa definitiva da Hist\u00f3ria da Salva\u00e7\u00e3o, onde a fecundidade recriadora da P\u00e1scoa de Cristo h\u00e1-de dar os seus frutos, transformando a humanidade \u00e0 imagem da plenitude de Cristo. \tA Vig\u00edlia significa a atitude mais profunda e permanente deste Povo: est\u00e1 na expectativa de que se cumpra a gloriosa esperan\u00e7a, conduzida pelo Esp\u00edrito, n\u00e3o desanima com a longa dura\u00e7\u00e3o desta transforma\u00e7\u00e3o pascal da humanidade, sabe que o triunfo definitivo de Jesus Cristo ficou garantido na Sua ressurrei\u00e7\u00e3o e que os males e as ambiguidades do tempo presente ser\u00e3o assumidos e purificados nessa lenta matura\u00e7\u00e3o da \u201cnova cria\u00e7\u00e3o\u201d. Uma Igreja que celebra a P\u00e1scoa espera o triunfo definitivo de Jesus Cristo, na cria\u00e7\u00e3o e na hist\u00f3ria. \u00c9 essa esperan\u00e7a s\u00f3lida que nos comunica o Ap\u00f3stolo Paulo: \u201cPenso que os sofrimentos do tempo presente n\u00e3o se comparam com a gl\u00f3ria futura que dever\u00e1 ser revelada em n\u00f3s. A pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o espera com impaci\u00eancia a manifesta\u00e7\u00e3o dos filhos de Deus (\u2026). A cria\u00e7\u00e3o abriga a esperan\u00e7a, pois ela tamb\u00e9m ser\u00e1 libertada da escravid\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o, para participar da liberdade e da gl\u00f3ria dos filhos de Deus\u201d (Rom. 8,18-21). \tDepois da P\u00e1scoa de Jesus, n\u00e3o apenas a Igreja, Povo nascido da vida nova do ressuscitado, mas tamb\u00e9m a cria\u00e7\u00e3o e a humanidade inteira est\u00e3o em Vig\u00edlia. A dura\u00e7\u00e3o e o tempo s\u00e3o elemento importante na pedagogia de Deus. A pressa \u00e9 atitude daqueles que, na exiguidade da sua dura\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00e3o capazes de se abandonar \u00e0 dimens\u00e3o do tempo de Deus que \u00e9 sin\u00f3nimo de eternidade. Deus n\u00e3o tem pressa. A plenitude da cria\u00e7\u00e3o est\u00e1 garantida no mist\u00e9rio do acto criador retomado, na humanidade pecadora, no acto redentor. Num como noutro, a plenitude do fim est\u00e1 contida, garantida e anunciada no mist\u00e9rio do in\u00edcio. S\u00f3 podem viver o \u201ctempo humano\u201d com esperan\u00e7a aqueles que se abandonam \u00e0 largueza de horizonte do \u201ctempo divino\u201d. E isso \u00e9 estar em estado de Vig\u00edlia. Esta \u00e9 mais do que uma expectativa. \u00c9 a confian\u00e7a de quem espera que se manifeste um pouco mais, na nossa hist\u00f3ria e na nossa carne, essa plenitude j\u00e1 iniciada e que est\u00e1 a germinar, em sil\u00eancio, como o fermento na massa. Esta Vig\u00edlia fundamenta a nossa esperan\u00e7a no destino positivo da cria\u00e7\u00e3o e da hist\u00f3ria.   \t2. A estrutura lit\u00fargica desta Vig\u00edlia exprime a certeza da Igreja de que Cristo ressuscitado recapitula em Si todas as coisas, a cria\u00e7\u00e3o, o homem e a hist\u00f3ria. E recapitular quer dizer que todas as coisas encontram n\u2019Ele a sua verdade, do caminho andado e do que ainda h\u00e1 para andar. Que interessa o tempo que ainda falta at\u00e9 \u00e0 manifesta\u00e7\u00e3o definitiva do Seu triunfo, se n\u00f3s, os membros do Seu corpo, podemos viver desse triunfo no tempo presente? Ele \u00e9 o centro da hist\u00f3ria humana, encerra em Si mesmo a promessa da vit\u00f3ria sobre todas as fragilidades e vicissitudes do nosso peregrinar humano. Ele \u00e9 o Alfa e o \u00d3mega, o princ\u00edpio e o fim. \tEsta \u00e9 a Vig\u00edlia entre todas as vig\u00edlias. Fazendo uma unidade com a do Pentecostes, exprime a grande perspectiva da salva\u00e7\u00e3o a acontecer. Contempla-a em tr\u00eas planos convergentes: a da cria\u00e7\u00e3o que, apesar de marcada pelo pecado, continua \u00e0 procura da sua verdade; a da humanidade que, apesar de ate\u00edsmos e idolatrias, continua a gravar no \u00edntimo do seu ser o rosto de Deus; a da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, vivida pelo Povo escolhido, a quem foi revelado o mist\u00e9rio, e que, hoje, na Igreja, tem consci\u00eancia do segredo da cria\u00e7\u00e3o e da hist\u00f3ria: Jesus Cristo ressuscitado e o Seu Esp\u00edrito que Ele nos comunica. Pela nossa medita\u00e7\u00e3o, nesta noite, passam todas estas aventuras, a da cria\u00e7\u00e3o, a da hist\u00f3ria, a do Povo de Deus, todos \u00e0 procura do seu sentido e verdade definitivos. Detenhamo-nos um pouco na aventura da Igreja.  \t3. Para a Igreja o in\u00edcio da longa peregrina\u00e7\u00e3o \u00e9 o baptismo. A sua qualidade de \u201cnovo nascimento\u201d define-o como um in\u00edcio. Toda a sua peregrina\u00e7\u00e3o \u00e9 o tempo de matura\u00e7\u00e3o desse come\u00e7o de vida, com as vicissitudes pr\u00f3prias de toda a vida que nasce, cresce, vence etapas e dificuldades, at\u00e9 \u00e0 sua plenitude. A exist\u00eancia crist\u00e3 \u00e9 uma vida que recapitula a vida, lhe desvela o mist\u00e9rio e lhe garante a plenitude. Como Cristo recapitula em Si todas as coisas, a Igreja recapitula, no seu mist\u00e9rio, a humanidade inteira. Sacramento de salva\u00e7\u00e3o, esse \u00e9 o sentido profundo da sua presen\u00e7a no mundo: ser sinal da plenitude de vida em Jesus Cristo. \tO desabrochar da vida baptismal consiste na descoberta de Jesus Cristo, pois esse novo in\u00edcio acontece, porque a nossa vida se uniu \u00e0 de Jesus Cristo. A partir desse momento, \u00e9 imposs\u00edvel viver sem Ele, experimentar o mist\u00e9rio da Sua vida, assumir a radicalidade do Seu dom e a grandeza da Sua fidelidade, fruir j\u00e1 do seu triunfo e confiar n\u2019Ele, nas vicissitudes de quem come\u00e7a. Isso gerar\u00e1 uma intimidade crescente com Ele, numa rela\u00e7\u00e3o com a profundidade do amor. O crist\u00e3o sabe que Ele \u00e9 o seu alimento, a sua for\u00e7a, aquele que indica o caminho e o percorre connosco. S\u00e3o Paulo tinha raz\u00e3o quando dizia: \u201cpara mim viver \u00e9 Cristo\u201d. \tUnir-se \u00e0 vida de Jesus Cristo, no baptismo, tem o realismo e o mist\u00e9rio de toda a verdadeira vida. Identificar-se com a vida de Cristo, significa deixar-se sepultar, com Ele, na morte, deixar morrer o homem velho, aceitar a radicalidade da convers\u00e3o. \u00c9 que a frescura dessa vida nova \u00e9 enxertada na nossa vida humana, \u201chomem velho\u201d na linguagem de S\u00e3o Paulo. \u00c9 do sacrif\u00edcio generoso dessa morte que brotar\u00e1 a participa\u00e7\u00e3o no triunfo da ressurrei\u00e7\u00e3o, que frutificar\u00e1 nos frutos pr\u00f3prios de uma vida segundo o Esp\u00edrito: a intimidade com Deus, o amor dos irm\u00e3os, a pureza de um cora\u00e7\u00e3o novo, o assumirmo-nos como correspons\u00e1veis, com Cristo, pela salva\u00e7\u00e3o do mundo. \tA fidelidade baptismal \u00e9 uma longa caminhada, uma longa vig\u00edlia, \u00e9 o caminho dos disc\u00edpulos de Cristo que consiste em seguir o Senhor. Ele pr\u00f3prio nos disse: quem quiser ser Meu disc\u00edpulo, tome a sua cruz e siga-Me. A Eucaristia, como sacramento da P\u00e1scoa, \u00e9 o alimento para essa caminhada. Ela \u00e9 sempre ponto de chegada e ponto de partida. Quem celebra a Eucaristia, oferece sempre a vida vivida, e percebe que n\u00e3o pode parar, que o momento do repouso ainda n\u00e3o chegou, pois nos resta um longo caminho at\u00e9 vivermos plenamente de Jesus Cristo. O baptismo faz-nos perceber, de forma definitiva, que viver \u00e9 caminhar, n\u00e3o ter medo do caminho, vencer dificuldades e cansa\u00e7os. E porque a nossa nova vida \u00e9 uma vida em Cristo, perceber que essa caminhada s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel com Ele.  \t4. Trata-se de uma caminhada festiva, tem a alegria das n\u00fapcias e por isso, do princ\u00edpio ao fim, podemos cantar aleluia. No baptismo, Cristo purifica a Igreja para se unir a ela na festa das n\u00fapcias, como ensina S\u00e3o Paulo: \u201cCristo amou a Igreja e entregou-Se por ela. Purificou-a com o banho de \u00e1gua e santificou-a pela palavra, para apresentar a Si Mesmo, uma Igreja gloriosa, sem mancha, nem ruga, sem defeito algum, mas santa e imaculada\u201d. Esta festa das n\u00fapcias \u00e9 a alegria crist\u00e3, fruto da intimidade do amor de Cristo ressuscitado, que pode inundar o nosso cora\u00e7\u00e3o mesmo nos momentos mais dif\u00edceis e duros da caminhada. Esta festa das n\u00fapcias \u00e9 a alegria pascal. Deixemos que ela inunde o nosso cora\u00e7\u00e3o, os que s\u00e3o hoje baptizados e iniciam a caminhada, os que concluem o caminho de coer\u00eancia baptismal, todos n\u00f3s que o Senhor chamou e regenerou pelo baptismo e estamos dispostos a assumir, nesta noite, a frescura do entusiasmo inicial.  \u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia do Patriarca de Lisboa na Vig\u00edlia Pascal<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[144,246,275],"class_list":["post-17492","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-concilio-vaticano-ii","tag-liturgia","tag-pascoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17492","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17492"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17492\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17492"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17492"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17492"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}