{"id":17489,"date":"2006-04-14T19:51:53","date_gmt":"2006-04-14T19:51:53","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/14\/o-triduo-pascal\/"},"modified":"2006-04-14T19:51:53","modified_gmt":"2006-04-14T19:51:53","slug":"o-triduo-pascal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-triduo-pascal\/","title":{"rendered":"O Tr\u00edduo Pascal"},"content":{"rendered":"<p>Entrevista do C\u00f3nego Lu\u00eds Manuel Pereira da Silva, p\u00e1roco da S\u00e9 de Lisboa e director do Departamento de Liturgia, ao Seman\u00e1rio Voz da Verdade, sobre a celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa de Jesus.  VOZ DA VERDADE \u2013 Um dos grandes frutos do Conc\u00edlio Vaticano II foi a reforma lit\u00fargica. No documento de reflex\u00e3o sobre o per\u00edodo ap\u00f3s o Congresso Internacional para a Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o, a liturgia aparece como uma das prioridades pastorais de Lisboa. Quais s\u00e3o os principais pontos da renova\u00e7\u00e3o lit\u00fargica onde o Departamento da Liturgia sente que se deve fazer maior investimento? C\u00d3NEGO LU\u00cdS MANUEL \u2013 Em primeiro lugar, parece-me que \u00e9 necess\u00e1rio percebermos que a renova\u00e7\u00e3o da Igreja passa pela renova\u00e7\u00e3o da liturgia. Desta forma, \u00e9 fundamental a forma\u00e7\u00e3o de todos os crist\u00e3os \u2013 fi\u00e9is e ministros ordenados \u2013 para uma vida e uma viv\u00eancia lit\u00fargica em todas as suas dimens\u00f5es, n\u00e3o s\u00f3 de uma maneira t\u00e9cnica mas tamb\u00e9m de uma forma espiritual. Assim, os crist\u00e3os poder\u00e1 descobrir que a liturgia \u00e9 a fonte da nossa vida crist\u00e3, da nossa espiritualidade e que \u00e9 na liturgia que toda a Igreja se rev\u00ea e se alimenta. Por fim, \u00e9 fundamental que haja maior liga\u00e7\u00e3o entre a liturgia e a vida, para a santifica\u00e7\u00e3o do Homem e para a glorifica\u00e7\u00e3o de Deus, como ali\u00e1s nos diz a constitui\u00e7\u00e3o sobre a Sagrada Liturgia.   VOZ DA VERDADE \u2013 Na sua opini\u00e3o o que \u00e9 que marca esta espiritualidade lit\u00fargica que fala o Conc\u00edlio Vaticano II? C\u00d3NEGO LU\u00cdS MANUEL \u2013 A Constitui\u00e7\u00e3o Lit\u00fargica centra a liturgia no Mist\u00e9rio Pascal de Cristo. Poder\u00edamos quase dizer que a Igreja nada mais tem a celebrar sen\u00e3o a P\u00e1scoa do Senhor Jesus. Mesmo quando celebramos memorias de Santos ou de m\u00e1rtires n\u00e3o estamos a celebrar outra coisa sen\u00e3o o mist\u00e9rio de Cristo e da sua P\u00e1scoa. A primeira fonte da Liturgia \u00e9 a P\u00e1scoa do Senhor Jesus e tamb\u00e9m ter\u00e1 que ser essa a primeira fonte de toda a espiritualidade crist\u00e3. O exemplo claro disso \u00e9 import\u00e2ncia que a Igreja d\u00e1 \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o do Domingo. Toda a espiritualidade crist\u00e3 tem de ser uma espiritualidade que n\u00e3o pode por de lado a import\u00e2ncia e a viv\u00eancia do Domingo como P\u00e1scoa semanal, como celebra\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria do mist\u00e9rio da f\u00e9. O Ano Lit\u00fargico \u00e9 a celebra\u00e7\u00e3o n\u00e3o de datas mas de uma pessoa que \u00e9 o Senhor Jesus, nos diferentes mist\u00e9rios da sua vida e da sua morte, tornando-se uma fonte de espiritualidade, uma educa\u00e7\u00e3o para a f\u00e9 e, ao mesmo tempo, uma fonte de viv\u00eancia espiritual enriquecida pelas diferen\u00e7as do Ano Lit\u00fargico. O terceiro ponto essencial \u00e9 toda a import\u00e2ncia dada ao Tri\u00fado Pascal e \u00e0 Semana Santa. J\u00e1 Pio XII em 1951 tinha restaurado a Vig\u00edlia Pascal colocando-a como Vig\u00edlia, \u00e0 noite. O Conc\u00edlio continuou esta linha mas valorizou muito a celebra\u00e7\u00e3o do Tri\u00fado Pascal. Tudo para Ele conflui e tudo dele dimana. A celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa \u00e9 a celebra\u00e7\u00e3o central de todos n\u00f3s crist\u00e3os.  VOZ DA VERDADE \u2013 Quarenta anos depois do Conc\u00edlio muitos cat\u00f3licos continuam a participar apenas na celebra\u00e7\u00e3o do Domingo de P\u00e1scoa. Qual a import\u00e2ncia desse Tr\u00edduo Pascal?  C\u00d3NEGO LU\u00cdS MANUEL \u2013 Enquanto que para grandes sectores da Igreja a celebra\u00e7\u00e3o do Tri\u00fado Pascal foi assumida \u2013 muitas vezes pelo trabalho de sacerdotes e agentes de Pastoral \u2013 temos que reconhecer que para alguns crist\u00e3os a celebra\u00e7\u00e3o do Tri\u00fado Pascal passa despercebida. Isto tem a ver com uma certa cultura ambiente que liga muitas vezes a Palavra P\u00e1scoa \u00e0s F\u00e9rias da P\u00e1scoa. O Algarve enche-se de gente, muitos v\u00e3o para o estrangeiro e, para muitos, a P\u00e1scoa \u00e9 apenas isto.  Muitos reduzem a celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa \u00e0 viv\u00eancia do Domingo da P\u00e1scoa, no entanto, nunca assim foi na Igreja primitiva! Santo Agostinho nas explica\u00e7\u00f5es que faz aos crist\u00e3os de Hipona, lembra que a celebra\u00e7\u00e3o verdadeira da P\u00e1scoa deve ser a celebra\u00e7\u00e3o do Tri\u00fado Pascal.  Hoje, constatamos, ainda, que se est\u00e3o a reavivar algumas tradi\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 P\u00e1scoa que acabam, \u00e0s vezes, por ser mais atraentes para alguns crist\u00e3os, mas n\u00e3o nos centram no mist\u00e9rio Pascal. A Igreja prop\u00f5e a maneira de celebrar a P\u00e1scoa com o Tri\u00fado Santo da P\u00e1scoa. Come\u00e7a com a missa da Ceia do Senhor em Quinta-feira Santa e termina com a Eucaristia de Ressurrei\u00e7\u00e3o no Domingo de P\u00e1scoa.   VOZ DA VERDADE \u2013 Quais s\u00e3o os principais mist\u00e9rios que se celebram em Quinta-feira Santa, na Missa da Ceia do Senhor? C\u00d3NEGO LU\u00cdS MANUEL \u2013 A liturgia p\u00f5e-nos perante tr\u00eas grandes elementos. Por um lado, a Institui\u00e7\u00e3o da Eucaristia, onde celebramos o memorial da Paix\u00e3o, Morte e Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. Toda a Igreja celebra, com Cristo, este memorial do seu mist\u00e9rio redentor que Ele, historicamente, celebrou depois em Sexta-feira, S\u00e1bado e Domingo de P\u00e1scoa. Um segundo elemento que a Liturgia da Missa da Ceia do Senhor nos recorda \u00e9 a Institui\u00e7\u00e3o do Sacerd\u00f3cio Ministerial. \u00c8 tamb\u00e9m na e da Eucaristia que n\u00f3s vemos que o Senhor Jesus institui o sacerd\u00f3cio ministerial, n\u00e3o s\u00f3 no mandato \u201cfazei isto em mem\u00f3ria de Mim\u201d, mas em toda a ambi\u00eancia da Ceia do Senhor. O terceiro elemento que aparece \u00e9 o mandamento novo do amor, expresso naquilo que o Senhor Jesus faz quando se levanta da mesa e lava os p\u00e9s aos disc\u00edpulos. Interessante ver que o Senhor Jesus diz depois daquele gesto, quase as mesmas palavras que diz no que se refere \u00e0 Eucaristia \u201cassim como eu fiz v\u00f3s o deveis fazer tamb\u00e9m\u201d.  Na missa da Ceia do Senhor temos estes tr\u00eas grandes elementos e a pr\u00f3pria liturgia real\u00e7a isso. No caso da Eucaristia, toda a celebra\u00e7\u00e3o \u00e9 o memorial da Ceia do Senhor, continuada com a translada\u00e7\u00e3o do Sant\u00edssimo Sacramento \u2013 feita com uma pequena prociss\u00e3o \u2013 para um lugar digno e especial. Muitas comunidades re\u00fanem-se no sil\u00eancio da noite para uma ora\u00e7\u00e3o junto desta reserva eucar\u00edstica presente num lugar de destaque na Igreja.  Muitas das nossas Celebra\u00e7\u00f5es t\u00eam um sinal vis\u00edvel deste mandamento novo do amor, por exemplo, no vala-p\u00e9s. Existem comunidades que t\u00eam o cuidado de escolher os representantes das \u00e1reas, ou dimens\u00f5es da comunidade que fazem a experi\u00eancia da dor, do sofrimento. Muitas vezes estes doze que s\u00e3o convidados para o lava-p\u00e9s s\u00e3o idosos, doentes, pobres. Gente que faz uma experi\u00eancia da fragilidade humana.  VOZ DA VERDADE \u2013 Porque \u00e9 que em Sexta-feira Santa a Igreja n\u00e3o celebra Eucaristia concentrando a celebra\u00e7\u00e3o na adora\u00e7\u00e3o da Cruz do Senhor? C\u00d3NEGO LU\u00cdS MANUEL \u2013 De facto, a Sexta-feira Santa \u00e9 um dia em que n\u00e3o h\u00e1 celebra\u00e7\u00e3o da eucaristia. Todo o dia de Sexta-feira Santa est\u00e1 centrado na adora\u00e7\u00e3o da Cruz do Senhor. Ali\u00e1s, se h\u00e1 dia no ano lit\u00fargico em que a Cruz do Senhor como que \u201cimpera\u201d sobre toda a Igreja esse dia \u00e9 a sexta-feira Santa. A \u201cSolene Ac\u00e7\u00e3o Lit\u00fargica da Paix\u00e3o do Senhor\u201d \u00e9 composta de tr\u00eas grandes partes: A liturgia da Palavra, a liturgia da adora\u00e7\u00e3o da Cruz e a distribui\u00e7\u00e3o da Sagrada Comunh\u00e3o. A Liturgia da Palavra centra-se no mist\u00e9rio redentor de Jesus. A morte redentora de Jesus: O livro de Isa\u00edas, a Carta aos Hebreus e o Evangelho de S\u00e3o Jo\u00e3o. Mergulhamos no sentido mais profundo do mist\u00e9rio da Cruz do Senhor: a sua morte! O texto de Isa\u00edas d\u00e1-nos a imagem do que acontecer\u00e1 em Jesus com a imagem do \u201cServo Sofredor\u201d. Aqui vemos a imagem j\u00e1 da morte redentora do Senhor Jesus. O \u201cservo sofredor\u201d \u00e9 Cristo que assume a nossa condi\u00e7\u00e3o pecadora e tudo o que na nossa exist\u00eancia consideramos de \u201cinfeliz destino\u201d, o mal, o pecado. \u00c9 uma express\u00e3o pequena que o texto apresenta mas elucidativa disto mesmo: \u201cnas suas chagas fomos curados\u201d. A Carta aos Hebreus olha de novo este mist\u00e9rio redentor e leva-nos a entender que a verdadeira imola\u00e7\u00e3o de Jesus, e essa, esteve na sua obedi\u00eancia at\u00e9 \u00e0 morte e morte de Cruz. Jesus leva at\u00e9 ao fim o des\u00edgnio redentor de Deus. A morte na cruz \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o concreta do acto primeiro, que houve em Cristo e que foi o acto de se entregar voluntariamente. O verdadeiro sacrif\u00edcio do Senhor Jesus come\u00e7a com a decis\u00e3o e a vontade de acolher o des\u00edgnio do Pai. Aqui est\u00e1 o sacrif\u00edcio, ao assumir livremente redimir os homens e passar por aquilo que passou. A morte da Cruz \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica desta imola\u00e7\u00e3o que o Senhor Jesus j\u00e1 tinha feito de si pr\u00f3prio. O verdadeiro mart\u00edrio est\u00e1 na tomada de decis\u00e3o do Senhor Jesus. O evangelho \u00e9 a leitura da paix\u00e3o do Senhor Jesus, carregada de simbolismo e interpreta\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica. S\u00e3o Jo\u00e3o salienta todos os elementos, como o v\u00e9u do templo, todos os sinais ao longo do relato da paix\u00e3o, que nos centram na Cruz. A Liturgia da Palavra tem, depois, um dos elementos mais antigos da Sexta-feira Santa que \u00e9 a grande Ora\u00e7\u00e3o Universal, com a qual termina a Liturgia da Palavra. De facto, nas dez inten\u00e7\u00f5es propostas pelo missal est\u00e3o todas as necessidades e todas as realidades da Humanidade. \u00c8 a ora\u00e7\u00e3o mais antiga que serviu de inspira\u00e7\u00e3o \u00e0s nossas ora\u00e7\u00f5es dos fieis.  A liturgia da adora\u00e7\u00e3o da Cruz. Como sabemos depois de Quinta-feira Santa os templos ficaram sem cruzes, sem elementos de adorno, o pr\u00f3prio altar n\u00e3o tem toalha, neste sinal de completo despojamento. A tradi\u00e7\u00e3o v\u00ea nesse gesto o abandono de Jesus no jardim das Oliveiras em Quinta-feira Santa. Mas \u00e9 de facto um completo e total despojamento de tudo. A pr\u00f3pria celebra\u00e7\u00e3o come\u00e7a: sem anda. \u00c9 trazida a Cruz do Senhor, de forma solene, e apresentada \u00e0 comunidade. Existe um elemento comum nas duas formas de apresenta\u00e7\u00e3o da Cruz \u00e0 comunidade. S\u00e3o as palavras pronunciadas por aquele que a apresenta: \u201cEis o madeiro da cruz, na qual esteve suspensa a Salva\u00e7\u00e3o do mundo\u201d. A Igreja apresenta a Cruz olhando-a por \u201cdentro\u201d. N\u00e3o se fica pelo aspecto exterior do sangue e da morte, mas percebe que naquela Cruz esteve suspensa a Salva\u00e7\u00e3o do Mundo. A Cruz \u00e9 o lugar onde se deu o destino do Homem e do Mundo. Como nos diz a sequ\u00eancia da P\u00e1scoa \u201ca morte e a vida travaram duelo admir\u00e1vel\u201d. A Cruz \u00e9 o lugar desse duelo. A\u00ed Ele amou e lutou at\u00e9 ao fim no campo da pr\u00f3pria morte para nossa salva\u00e7\u00e3o. Neste dia os fi\u00e9is olham para a Cruz com intensidade e amor porque entendem que ali se jogou o nosso destino. Desde cedo os crist\u00e3os percebem isso mesmo! Basta ver as palavras de S\u00e3o Paulo \u201ctoda a nossa gloria est\u00e1 na cruz de Jesus\u201d.  VOZ DA VERDADE \u2013 De que forma se faz essa adora\u00e7\u00e3o? C\u00d3NEGO LU\u00cdS MANUEL &#8211; Somos todos convidados a venerar, adorar a Cruz do Senhor. Com um beijo, uma inclina\u00e7\u00e3o, uma reverencia ou uma prostra\u00e7\u00e3o. Depende das diferentes comunidades. H\u00e1 uma coisa que se poderia corrigir em alguns lugares. A Cruz levada \u00e0 adora\u00e7\u00e3o deve ser s\u00f3 uma. \u00c9 uma comunidade que venera a mesma Cruz. Terminada a venera\u00e7\u00e3o a cruz \u00e9 colocada num lugar de honra. Neste dia a Cruz tem a mesma venera\u00e7\u00e3o, ao n\u00edvel do gesto que o Sant\u00edssimo Sacramento. Por isso devemos ajoelhar perante a cruz. A terceira liturgia \u00e9 a da distribui\u00e7\u00e3o da Sagrada comunh\u00e3o, algo que o Papa Pio XII introduziu quando restaurou n\u00e3o s\u00f3 a Vig\u00edlia Pascal mas a Semana Santa. Os nossos irm\u00e3os ortodoxos n\u00e3o comungam neste dia. N\u00f3s comungamos mas retiramos a reserva eucar\u00edstica do templo recordando as palavras de Jesus \u201cdias viram em que o noivo lhes ser\u00e1 tirado e a\u00ed jejuar\u00e3o\u201d. Em sexta-feira \u00e9 importante que toda a Igreja medite na morte de Jesus.   VOZ DA VERDADE \u2013 Em S\u00e1bado Santo toda a Igreja repousa&#8230; C\u00d3NEGO LU\u00cdS MANUEL \u2013 Sim! Repousa no sil\u00eancio de quem espera o seu Senhor. Toda a Igreja est\u00e1 expectante \u00e0 porta do t\u00famulo para que o senhor Jesus ressuscite. No entanto, \u00e9 um dia marcado pela dimens\u00e3o da Cruz, da sua Morte e do seu Repouso no seio da terra.  VOZ DA VERDADE \u2013 A Vig\u00edlia Pascal \u00e9 a noite da Inicia\u00e7\u00e3o Crist\u00e3. Quais s\u00e3o os sinais da P\u00e1scoa que nos aparecem nessa celebra\u00e7\u00e3o? C\u00d3NEGO LU\u00cdS MANUEL \u2013 A Vig\u00edlia Pascal \u00e9 sempre uma vig\u00edlia baptismal para quem vai receber o baptismo ou, tamb\u00e9m, para quem j\u00e1 recebeu os sacramentos da Inicia\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 h\u00e1 a renova\u00e7\u00e3o das promessas baptismais. Mesmo que n\u00e3o haja baptismos a Vig\u00edlia Pascal celebra sempre a vig\u00edlia baptismal, quer com a b\u00ean\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, quer com a renova\u00e7\u00e3o das promessas baptismais e tamb\u00e9m com o rito de aspers\u00e3o. Em todo o caso deve haver b\u00ean\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, porque servir\u00e1 para os baptismos que s\u00e3o feitos durante o tempo pascal e tamb\u00e9m \u00e9 dessa \u00e1gua que se faz o rito da aspers\u00e3o da assembleia.  Quando h\u00e1 baptismos, as coisas ainda se real\u00e7am mais, porque toda a liturgia baptismal \u2013 depois das ladainhas \u2013 come\u00e7a com a b\u00ean\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, a ren\u00fancia dos eleitos e depois o baptismo e o crisma dos eleitos. Mas depois de se fazer isto h\u00e1 novamente a ren\u00fancia e a profiss\u00e3o de f\u00e9, porque o resto da assembleia faz a renova\u00e7\u00e3o das promessas do baptismo.  As ladainhas s\u00e3o outro dos elementos fundamentais. Antes das grandes ac\u00e7\u00f5es sacramentais (como o baptismo e a ordem, por exemplo) a Igreja canta as ladainhas porque na sua liturgia se realiza sempre a unidade entre Cristo e a Igreja. Isso est\u00e1 expresso na Constitui\u00e7\u00e3o sobre a Sagrada Liturgia, no n\u00famero sete quando diz que \u201cCristo associa a si a Igreja, sua esposa\u201d. Portanto, o Corpo M\u00edstico de Cristo \u2013 do qual Cristo \u00e9 a Cabe\u00e7a \u2013 \u00e9 a Igreja Peregrina e a Igreja da Gl\u00f3ria e todo este Corpo est\u00e1 presente na liturgia. A Igreja pede a intercess\u00e3o dos santos porque este Corpo M\u00edstico de Cristo \u00e9 um Corpo vivo que comunica entre si. Quando a Igreja canta as ladainhas associa a si toda a Igreja da Gl\u00f3ria e faz dela sua intercessora, por isso respondemos a cada invoca\u00e7\u00e3o, \u201crogai por n\u00f3s\u201d. Outra coisa interessante \u00e9 que depois de se fazer mem\u00f3ria da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o a Igreja tamb\u00e9m faz mem\u00f3ria da sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria, porque aqueles homens e mulheres fazem parte da vida da Igreja que, de diferentes maneiras e com diferentes carismas, foram vivendo a for\u00e7a redentora do Mist\u00e9rio Pascal de Cristo.   VOZ DA VERDADE \u2013 H\u00e1 alguns sinais pr\u00f3prios que devem ser real\u00e7ados quando h\u00e1 baptismos? C\u00d3NEGO LU\u00cdS MANUEL \u2013 Normalmente quando se rezam as ladainhas n\u00e3o se reza a ora\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is, no entanto, isto n\u00e3o acontece na Vig\u00edlia Pascal, porque aqueles que foram baptizados est\u00e3o, pela primeira vez, de pleno direito e totalmente integrados na comunidade dos crentes. Assim, eles unem-se a toda a assembleia e, pela primeira vez, dirigem a Deus a ora\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is, porque agora s\u00e3o fi\u00e9is. At\u00e9 ao seu baptismo participam na Eucaristia durante a liturgia da Palavra e depois s\u00e3o despedidos, antes do credo e da ora\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is.  Tamb\u00e9m o Pai-nosso \u00e9 rezado pela primeira vez, porque embora j\u00e1 o tenham recebido na Tradi\u00e7\u00e3o da Ora\u00e7\u00e3o Dominical (Pai-nosso), a verdade \u00e9 que naquela Noite Santa da P\u00e1scoa j\u00e1 est\u00e3o baptizadas e rezam com todos os crist\u00e3os a ora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria dos filhos de Deus. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista do C\u00f3nego Lu\u00eds Manuel Pereira da Silva, p\u00e1roco da S\u00e9 de Lisboa e director do Departamento de Liturgia, ao Seman\u00e1rio Voz da Verdade, sobre a celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa de Jesus. VOZ DA VERDADE \u2013 Um dos grandes frutos do Conc\u00edlio Vaticano II foi a reforma lit\u00fargica. No documento de reflex\u00e3o sobre o per\u00edodo ap\u00f3s [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[144,185,193,199,211,246,268,275,294,308],"class_list":["post-17489","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-concilio-vaticano-ii","tag-diocese-do-algarve","tag-educacao","tag-espiritualidade","tag-ferias","tag-liturgia","tag-nova-evangelizacao","tag-pascoa","tag-sacramentos","tag-semana-santa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17489","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17489"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17489\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17489"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17489"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17489"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}