{"id":174886,"date":"2020-05-15T07:00:52","date_gmt":"2020-05-15T06:00:52","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=174886"},"modified":"2020-05-15T23:29:38","modified_gmt":"2020-05-15T22:29:38","slug":"entrevista-cardeal-d-antonio-marto-aponta-quatro-prioridades-para-a-renovacao-da-igreja-catolica-em-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/entrevista-cardeal-d-antonio-marto-aponta-quatro-prioridades-para-a-renovacao-da-igreja-catolica-em-portugal\/","title":{"rendered":"Entrevista: Cardeal D. Ant\u00f3nio Marto aponta quatro prioridades para a renova\u00e7\u00e3o da Igreja Cat\u00f3lica em Portugal (c\/v\u00eddeo)"},"content":{"rendered":"<p><i>Em entrevista \u00e0 Ecclesia e \u00e0 Renascen\u00e7a, o bispo de Leiria-F\u00e1tima fala da peregrina\u00e7\u00e3o de 12 e 13 de maio a F\u00e1tima, da pr\u00f3xima\u00a0Assembleia Plen\u00e1ria da Confer\u00eancia Episcopal, que \u00e9 eletiva, da experi\u00eancia comunit\u00e1ria no ambiente digital, das rela\u00e7\u00f5es Igreja\/Estado e do regresso das celebra\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias das Eucaristias antes do que pretendia as autoridades<\/i><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Aura Miguel (Renascen\u00e7a), Paulo Rocha (Ag\u00eancia Ecclesia)<\/em><br \/>\n<em>Imagem e edi\u00e7\u00e3o Tiago Azevedo Mendes (Ag\u00eancia Ecclesia)<\/em><\/p>\n<div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe  id=\"_ytid_35821\"  width=\"480\" height=\"270\"  data-origwidth=\"480\" data-origheight=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/zVMaP99F5Hw?enablejsapi=1&#038;autoplay=0&#038;cc_load_policy=0&#038;cc_lang_pref=pt&#038;iv_load_policy=1&#038;loop=0&#038;rel=0&#038;fs=1&#038;playsinline=1&#038;autohide=2&#038;theme=dark&#038;color=red&#038;controls=1&#038;disablekb=0&#038;\" class=\"__youtube_prefs__  epyt-is-override  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen data-no-lazy=\"1\" data-skipgform_ajax_framebjll=\"\"><\/iframe><\/div>\n<p><em>Como \u00e9 que foi a sua experi\u00eancia deste 12 e 13 de maio, em F\u00e1tima, o altar do mundo, desta vez num recinto t\u00e3o vazio e em solid\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Eu creio que todos compreendem que foi uma experi\u00eancia \u00fanica, que vivi tamb\u00e9m pela primeira vez, sobretudo para quem estava habituado a viver um 13 de maio com o recinto a extravasar. Mas confesso que tinha, inicialmente, o receio de sentir solid\u00e3o, mas n\u00e3o foi esse o sentimento\u2026<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, o sentimento foi que vivi uma experi\u00eancia de comunh\u00e3o espiritual, que n\u00f3s em linguagem teol\u00f3gica chamamos a comunh\u00e3o dos santos. Sente-se que se est\u00e1 unido a toda uma multid\u00e3o de gente, na celebra\u00e7\u00e3o que acontece. Ali\u00e1s, tinha dito no an\u00fancio que fiz, em primeiro lugar, que embora estiv\u00e9ssemos fisicamente separados, estar\u00edamos espiritualmente todos unidos, como Igreja, em comunh\u00e3o, \u00e0 volta de Maria e com o cora\u00e7\u00e3o cheio de f\u00e9. E assim aconteceu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E teve conhecimento pessoal de casos, de pessoas que se uniram? Soube disso? Com nomes e apelidos?<\/em><\/p>\n<p>Sabia disso. Nomes, enfim\u2026 Mas dos ecos que chegavam. Para isso contribuiu a prepara\u00e7\u00e3o que o Santu\u00e1rio fez, durante oito dias, pelo menos, os dias anteriores \u00e0 peregrina\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s dos meios digitais. Eu via muita gente que estava a seguir as indica\u00e7\u00f5es do Santu\u00e1rio, a p\u00f4r a sua vela, cada dia, \u00e0 janela. At\u00e9 a minha pr\u00f3pria irm\u00e3 me dizia isso. Depois, a simb\u00f3lica da pr\u00f3pria celebra\u00e7\u00e3o; os meios de comunica\u00e7\u00e3o social, nos \u00faltimos dias, agu\u00e7aram a curiosidade e o apetite \u00e0s pessoas de seguirem a celebra\u00e7\u00e3o \u2013 umas por curiosidade, para ver como era, outras mesmo por devo\u00e7\u00e3o, para se sentirem unidas.<\/p>\n<p>A simb\u00f3lica foi bel\u00edssima.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Sobretudo o dia 12&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Sim, sobretudo a simb\u00f3lica do dia 12, \u00e0 noite: milhares de velas, a representar todos os peregrinos. E eu quis, de prop\u00f3sito, salientar que eram os vivos e tamb\u00e9m os defuntos, daqueles que tinham sido v\u00edtimas da Covid-19, para que os familiares se sentissem ali, tamb\u00e9m; depois, as 21 velas a representar as dioceses e os tr\u00eas metropolitas a representar o episcopado.<\/p>\n<p>No dia seguinte, a oferta do ramo de flores, do Movimento do Apostolado Mundial de F\u00e1tima, uma esp\u00e9cie de ramalhete espiritual, que foi recolhido por todo o mundo. Eles fizeram chegar, a toda a parte, tamb\u00e9m a prepara\u00e7\u00e3o desta peregrina\u00e7\u00e3o e como ela seria, sem a presen\u00e7a f\u00edsica dos fi\u00e9is. Houve ainda o gesto do lava-p\u00e9s, impressionante.<\/p>\n<p>Tudo isto tocou o cora\u00e7\u00e3o das pessoas. Agora estou a receber dezenas e dezenas de emails a agradecerem e a salientarem esses aspetos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Na homilia do dia 13, disse, por causa deste v\u00edrus, \u201csentimos o ch\u00e3o fugir-nos por debaixo dos p\u00e9s\u201d. Sentiu isso tamb\u00e9m? Sentiu momentos de ang\u00fastia, de incerteza, na prepara\u00e7\u00e3o, nas decis\u00f5es a tomar?<\/em><\/p>\n<p>Quer dizer, quando referi essa frase, estava a referir-me ao contexto social e mundial. Agora, pessoalmente, todos n\u00f3s sentimos que vivemos num ambiente de incerteza, de inseguran\u00e7a, sem saber como vai ser o dia de amanh\u00e3, seja do ponto de vista pessoal, seja do ponto de vista social e econ\u00f3mico, seja do ponto de vista eclesial. Vamos adaptando-nos, dia a dia, \u00e0s circunst\u00e2ncias, conforme nos v\u00e3o sendo fornecidos os dados.<\/p>\n<p>N\u00e3o senti grandes hesita\u00e7\u00f5es nem dramas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quilo que se passou quando tomei a decis\u00e3o, no 5 de abril, com os colaboradores do Santu\u00e1rio. Sab\u00edamos exatamente o que est\u00e1vamos a fazer, que t\u00ednhamos de preservar a sa\u00fade p\u00fablica e a responsabilidade do Santu\u00e1rio, nesse sentido. Tive ocasi\u00e3o de dizer, na confer\u00eancia de imprensa, que n\u00e3o queria ficar na hist\u00f3ria como o bispo respons\u00e1vel, enfim, por um alastramento do v\u00edrus que viesse a agravar a situa\u00e7\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Nesse aspeto, tive muitas manifesta\u00e7\u00f5es, depois de afirmar a decis\u00e3o ou reafirmar a decis\u00e3o, que seria assim \u2013 consultei tamb\u00e9m o presidente da Confer\u00eancia Episcopal [D. Manuel Clemente, ndr], para saber tamb\u00e9m a opini\u00e3o dos outros, n\u00e3o era sozinho, e era no mesmo sentido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ainda a prop\u00f3sito da Covid-19, foi protagonista de um outro momento, hist\u00f3rico, ao fazer a consagra\u00e7\u00e3o de Portugal aos Sagrados Cora\u00e7\u00f5es de Jesus e Maria, no dia 25 de mar\u00e7o. Como \u00e9 que surgiu a ideia, sentiu essa necessidade?<\/em><\/p>\n<p>A ideia surgiu do povo. O Povo de Deus, com o diz o nosso Papa Francisco, traduzido \u00e0 letra, tem o seu faro. Traduzido noutra linguagem: tem o seu sentido comum da f\u00e9. E, em 24 horas, foram milhares de assinaturas a fazer esse pedido que chegava \u00e0 Confer\u00eancia Episcopal, concretamente ao seu presidente, que depois consultou o Conselho Permanente e este, por sua vez, aceitou fazer essa consagra\u00e7\u00e3o. Como est\u00e1vamos na altura do confinamento, o presidente da Confer\u00eancia pediu-me a mim, como vice-presidente e bispo do lugar, para ser eu a presidir e fazer essa consagra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Foi tudo muito preparado em cima da hora, mas saiu bem, muito bem. Agora, quando l\u00e1 cheguei\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>At\u00e9 o senhor se comoveu\u2026<\/em><\/p>\n<p>Sim. Senti que o sofrimento do mundo me pesava sobre os ombros. Ainda hoje o sinto. E fui resistindo enquanto pude at\u00e9 chegar ao fim e n\u00e3o conseguir mais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>No fundo, a vis\u00e3o das Apari\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m \u00e9 isso: sobre um bispo recai todo o sofrimento, carrega sobre si as dores do mundo.<\/em><\/p>\n<p>Sim, sim. \u00c9 verdade. Foi um momento muito significativo para quem seguiu, pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o. Mesmo em Espanha, logo a seguir ao ato, durante a noite, recebi telefonemas de bispos espanh\u00f3is, concretamente do presidente da Confer\u00eancia Episcopal [D. Juan Jos\u00e9 Omella], que tinham seguido e se tinham comovido, tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Comunidades no ambiente digital<\/strong><\/p>\n<p><em>Todas essas experi\u00eancias culminaram aqui, em F\u00e1tima, com participa\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social. Que tempo novo se est\u00e1 a gerar? H\u00e1 aqui uma possibilidade de participa\u00e7\u00e3o, de fazer a experi\u00eancia crente com uma experi\u00eancia comunit\u00e1ria diferente?<\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s estamos a fazer uma experi\u00eancia de f\u00e9 em circunst\u00e2ncias excecionais,\u00a0 naturalmente. S\u00e3o as circunst\u00e2ncias da pandemia, com as consequ\u00eancias que traz de ordem sanit\u00e1ria, aquelas que se fizeram refletir mais na reconfigura\u00e7\u00e3o, reprograma\u00e7\u00e3o das nossas atividades eclesiais. Por conseguinte, houve a suspens\u00e3o das celebra\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias da Eucaristia, o cancelamento de quase todas as atividades pastorais que implicavam reuni\u00f5es, assembleias. Foi o que aconteceu comigo.<\/p>\n<p>O povo diz: Deus d\u00e1 as habilidades conforme as necessidades. E houve uma criatividade muito grande para que, nestas circunst\u00e2ncias excecionais, se pudesse continuar a celebrar a f\u00e9 e a fazer a experi\u00eancia comunit\u00e1ria, tamb\u00e9m da pr\u00f3pria f\u00e9.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>S\u00e3o mudan\u00e7as que vieram para ficar?<\/em><\/p>\n<p>Algumas poder\u00e3o ficar, porque t\u00eam de se aproveitar para o futuro. Outras durar\u00e3o enquanto duram estas circunst\u00e2ncias. Por exemplo, o Papa Francisco, a partir de segunda-feira, diz: terminou [a transmiss\u00e3o online da Missa matinal, desde o Vaticano].<\/p>\n<p>Eu tamb\u00e9m, a partir do Pentecostes, deixarei de transmitir a celebra\u00e7\u00e3o do YouTube, para a diocese. \u00c9 necess\u00e1rio que agora as pessoas v\u00e3o retomando gradualmente e progressivamente a sua perten\u00e7a eclesial vivida nas comunidades, nas par\u00f3quias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Regresso das celebra\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias<\/strong><\/p>\n<p><em>O que diria \u00e0quelas pessoas que anseiam por participar fisicamente nas celebra\u00e7\u00f5es, aceder \u00e0 Eucaristia, de confessar-se?<\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s temos de seguir o exemplo do Santo Padre! Ancho que foi o melhor exemplo. Se o Santo Padre, fez o que fez\u2026 tamb\u00e9m lhe custou, a ele, mas foi para dar o exemplo a toda a Igreja, e n\u00e3o fomos s\u00f3 n\u00f3s. Foi em todo o mundo, praticamente, que se suspenderam essas celebra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Procuramos dialogar sempre com as autoridades e, concretamente, com a Dire\u00e7\u00e3o Geral da Sa\u00fade, para ir tomando as nossas decis\u00f5es. Eu, por exemplo, estava \u00e0 espera que fosse poss\u00edvel recome\u00e7ar 15 dias antes do que est\u00e1 previsto, mas dado o risco elevado de cont\u00e1gio, ainda, segundo as previs\u00f5es das autoridades de sa\u00fade, optou-se pelo Pentecostes (31 de maio) e j\u00e1 foi conseguir algo mais do que estava previsto, inicialmente. As autoridades desejavam que fosse p\u00f3s-Pentecostes e n\u00f3s dissemos: bom, o Pentecostes \u00e9 uma data muito significativa para a Igreja. Chegou-se a um acordo, facilmente. N\u00e3o houve tens\u00f5es, no di\u00e1logo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas comparando com a situa\u00e7\u00e3o de outros pa\u00edses, onde foi mais grave a pandemia, que j\u00e1 abriram as igrejas, houve muita gente que achou que, se calhar, ter\u00e1 havido uma ced\u00eancia\u2026<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o houve uma ced\u00eancia, houve um di\u00e1logo. A paci\u00eancia \u00e9 uma virtude crist\u00e3, eu tamb\u00e9m gostaria que abrissem antes. Mas, se n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, tamb\u00e9m temos de dar este testemunho e lembrar-nos de que Cristo est\u00e1 sempre junto de n\u00f3s, n\u00e3o deixa de estar presente. H\u00e1 algo que penso que se deve conservar, juntamente com a Comunh\u00e3o sacramental, pela qual se anseia: \u00e9 a Comunh\u00e3o espiritual.<\/p>\n<p>A certa altura, em v\u00e1rias comunidades, banalizou-se a Comunh\u00e3o sacramental, sem a dimens\u00e3o espiritual profunda que agora se redescobriu, na melhor tradi\u00e7\u00e3o da Igreja. O Papa fazia, todos os dias, no final de cada Eucaristia, e isso deve acompanhar novamente, e simultaneamente, a Comunh\u00e3o sacramental. \u00c9 uma das li\u00e7\u00f5es a interiorizar, a permanecer para o futuro da Igreja. Jesus continua sempre, mesmo quando n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel celebrar a Eucaristia.<\/p>\n<p>Devemos olhar para exemplos de outros: os crist\u00e3os do Jap\u00e3o, cat\u00f3licos, estiveram 200 anos sem um sacerdote, sem um religioso ou religiosa que lhes desse assist\u00eancia, sem a Eucaristia. Conservaram a f\u00e9. Postos \u00e0 prova.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Se calhar mais fi\u00e9is\u2026<\/em><\/p>\n<p>Exatamente. A f\u00e9 n\u00e3o diminuiu, aprofundou-se. Aqueles que viveram debaixo do totalitarismo do comunismo, nos pa\u00edses de Leste, muitos deles celebravam clandestinamente ou n\u00e3o tinham celebra\u00e7\u00e3o. O cardeal Van Thu\u00e2n, na cadeia, que recorreu a um meio absolutamente excecional, que era fazer das m\u00e3os o altar. Ele pedia um rem\u00e9dio, que deixavam passar na cadeia, e era o vinho para a Missa: era uma gotinha de vinho numa m\u00e3o e um pouco de p\u00e3o na outra. Foi excecional. S\u00e3o exemplos para n\u00f3s, tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E \u00e9 um problema que se p\u00f4s em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Amaz\u00f3nia, muito recentemente.<\/em><\/p>\n<p>Sim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Este tempo foi tamb\u00e9m de debate, at\u00e9 teol\u00f3gico, em torno da possibilidade da pr\u00e1tica sacramental em moldes diferentes. Por exemplo, a Reconcilia\u00e7\u00e3o. Podemos recordar que o padre Spadaro coloca essa possibilidade, olhando para o ambiente digital como um ambiente cheio de realismo, para essa pr\u00e1tica. Acha que \u00e9 uma possibilidade?<\/em><\/p>\n<p>O Papa j\u00e1 se referiu a isso: h\u00e1 um risco que devemos evitar, como ele diz, porque n\u00e3o podemos viralizar, tornar viral a pr\u00e1tica sacramental da Igreja que, por si, \u00e9 uma pr\u00e1tica que requer encontro f\u00edsico, pessoal, requer o toque. Porque tem toque, por exemplo a un\u00e7\u00e3o, em v\u00e1rios sacramentos. Nada substitui aquela rela\u00e7\u00e3o pessoal.<\/p>\n<p>Em casos excecionais, n\u00e3o me repugna, mas n\u00e3o havendo outra possibilidade. O Papa concretizou um aspeto que vem no Catecismo da Igreja: se uma pessoa n\u00e3o tem a possibilidade de celebrar a Reconcilia\u00e7\u00e3o, pode fazer o ato de arrependimento, diante de Deus, com o prop\u00f3sito de, depois, se reconciliar sacramentalmente quando tiver ocasi\u00e3o, de novo. E diz: ficam-lhe perdoados todos os pecados, inclusive os mortais. A miseric\u00f3rdia de Deus \u00e9 t\u00e3o grande\u2026<\/p>\n<p>Devemos ter uma preocupa\u00e7\u00e3o de n\u00e3o tornar a nossa express\u00e3o de f\u00e9 virtual, somente.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Ainda nesse sentido, n\u00e3o se preocupa, por exemplo, quando isto come\u00e7ar a abrir, que haja muita gente que at\u00e9 se sinta confort\u00e1vel na modalidade que encontrou em sua casa, online. Uma esp\u00e9cie de bolha que pode gerir. N\u00e3o tem medo que venham menos pessoas agora \u00e0 igreja?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 um risco, \u00e9 um risco&#8230; Mas eu penso que isto tamb\u00e9m serviu para personalizar a f\u00e9. \u00c0s vezes, para alguns, era f\u00e9 rotineira, agora tamb\u00e9m s\u00f3 participada. E mesmo atrav\u00e9s dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social, s\u00f3 participava quem queria. N\u00e3o era por rotina, era quem fazia essa op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes, diz assim: \u201cAssistiam \u00e0 Missa de casa\u201d, como se fosse s\u00f3 um espet\u00e1culo. Isso tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 completamente verdade, havia uma participa\u00e7\u00e3o espiritual e eu penso que o Esp\u00edrito Santo tamb\u00e9m agia atrav\u00e9s desses meios, n\u00e3o era s\u00f3 o espet\u00e1culo de quem v\u00ea e presencia o que se est\u00e1 a passar ao longe. Havia uma uni\u00e3o espiritual, havia uma comunh\u00e3o espiritual tamb\u00e9m, que a gente aconselhava a fazer.<\/p>\n<p>Quando celebrei o Tr\u00edduo Pascal, na S\u00e9, quando chegava o momento da comunh\u00e3o, \u00e9ramos pouquinhos, havia um mestre-de-cerim\u00f3nias que tinha um texto em que lia a comunh\u00e3o espiritual para que, quem estivesse em sua casa, tamb\u00e9m fizesse essa comunh\u00e3o espiritual.<\/p>\n<p>Devemos valorizar aquilo que \u00e9 de valorizar, saber aquilo que foi necess\u00e1rio e ainda \u00e9, ou em circunst\u00e2ncias excecionais, e depois retomar outra vez a vida comunit\u00e1ria, sacramental, presencial, porque n\u00e3o h\u00e1 nada que substitua isso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Rela\u00e7\u00f5es Igreja\/Estado<\/strong><\/p>\n<p><em>H\u00e1 pouco o senhor cardeal j\u00e1 referiu essas conversa\u00e7\u00f5es entre a Igreja e o Estado por causa do retomar das celebra\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias. Este tempo, esta pandemia, colocou esta rela\u00e7\u00e3o Igreja-Estado em cima da mesa para decis\u00f5es que eram importantes. O que \u00e9 que vai ficar para a hist\u00f3ria na rela\u00e7\u00e3o entre a Igreja Cat\u00f3lica e o Estado, nesta pandemia?<\/em><\/p>\n<p>As rela\u00e7\u00f5es t\u00eam sido, dentro dos dois princ\u00edpios ou par\u00e2metros da Concordata: autonomia pr\u00f3pria na colabora\u00e7\u00e3o com o bem-comum.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 quem diga que a medida de proibir as celebra\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias \u00e9 anticonstitucional?<\/em><\/p>\n<p>Ningu\u00e9m proibiu as celebra\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias. Foi a Igreja que assumiu. A Igreja antecipou-se a isso, \u00e9 preciso notar isso! A decis\u00e3o foi da Igreja que se antecipou e bem, at\u00e9 para dar o exemplo, porque a Igreja, quer queira quer n\u00e3o queira, \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o de refer\u00eancia fundamental na sociedade.<\/p>\n<p>Se agora tivesse provocado um caos em F\u00e1tima, do ponto de vista do cont\u00e1gio viral, ficaria para a hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A autonomia esteve sempre salvaguardada? <\/em><\/p>\n<p>Esteve sempre salvaguardada, na colabora\u00e7\u00e3o, no di\u00e1logo. Foi tudo feito no di\u00e1logo. Eu n\u00e3o participei nesse di\u00e1logo, mas havia uma comiss\u00e3o pr\u00f3pria sobretudo em rela\u00e7\u00e3o a estas quest\u00f5es do aspeto sanit\u00e1rio. S\u00e3o essas que obrigaram a fazer essas normas todas&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O Senhor D. Ant\u00f3nio incomodou-se muito quando vimos as imagens do 1\u00ba de maio? Muita gente protestou porque o espa\u00e7o do recinto Santu\u00e1rio de F\u00e1tima era maior do que aquele, na Alameda em Lisboa, e tamb\u00e9m daria para fazer igual. Teve esse problema?<\/em><\/p>\n<p>Na altura estranhei, mas estava permitido por decreto&#8230; \u00c9 uma manifesta\u00e7\u00e3o&#8230; Mas nunca imaginei logo que poder\u00edamos fazer o mesmo em F\u00e1tima.<\/p>\n<p>A minha decis\u00e3o estava tomada e era firme e a Igreja n\u00e3o segue os mesmos crit\u00e9rios que s\u00e3o, \u00e0s vezes, de ordem pol\u00edtica, de ordem partid\u00e1ria. A Igreja segue o crit\u00e9rio da dignidade da pessoa e do bem-comum.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>As respostas da Igreja Cat\u00f3lica, por exemplo a n\u00edvel lit\u00fargico, foram tomadas a n\u00edvel nacional, com orienta\u00e7\u00f5es comuns. Na sua opini\u00e3o poderia ser necess\u00e1rio tamb\u00e9m a afirma\u00e7\u00e3o de posi\u00e7\u00f5es a outros n\u00edveis, de participa\u00e7\u00e3o na constru\u00e7\u00e3o da sociedade, de motiva\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m a n\u00edvel nacional ou a autonomia de cada diocese \u00e9 um lugar para essas interven\u00e7\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s jogamos sempre com isto: cada diocese tem uma autonomia pr\u00f3pria e, ao mesmo tempo, procuramos tamb\u00e9m a comunh\u00e3o de todos atrav\u00e9s da Confer\u00eancia Episcopal.<\/p>\n<p>H\u00e1 \u00e2mbitos em que s\u00e3o necess\u00e1rias essas normas comuns, como foi este caso porque era do \u00e2mbito sanit\u00e1rio, era igual para todos, e portanto as normas s\u00e3o comuns, mesmo respeitando as autonomias regionais.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o podemos olhar para a Igreja como sendo uma empresa que comando tudo a partir da c\u00fapula. Dentro da Igreja existem organismos, nos outros \u00e2mbitos da atividade eclesial, concretamente no \u00e2mbito da caridade, da solidariedade, que t\u00eam uma autonomia pr\u00f3pria para coordenar todas as a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Refiro-me \u00e0 C\u00e1ritas Portuguesa que tem estado sempre em atividade coordenadora com as C\u00e1ritas Diocesanas; \u00e0s IPSS, cuja maioria s\u00e3o da Igreja Cat\u00f3lica, que tamb\u00e9m t\u00eam uma coordena\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, com atividade muito grande durante a pandemia; refiro-me \u00e0 Uni\u00e3o das Miseric\u00f3rdias. Todas essas institui\u00e7\u00f5es estiveram presentes durante este tempo da pandemia.<\/p>\n<p>Depois houve a colabora\u00e7\u00e3o de cada diocese tamb\u00e9m com as autoridades aut\u00e1rquicas e com as autoridades da sa\u00fade. Isso n\u00e3o passou muito para a comunica\u00e7\u00e3o mas, por exemplo, sobretudo para disponibilizar casas, im\u00f3veis. Em Leira, disponibilizei tr\u00eas casa, uma para idosos de lares, a casa de retiros, para p\u00f4r \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos profissionais de sa\u00fade, e outra mais particular onde podiam cozinhar tamb\u00e9m para os profissionais de sa\u00fade, m\u00e9dicos, enfermeiros. E o Santu\u00e1rio de F\u00e1tima tamb\u00e9m p\u00f4s o Albergue dos Peregrinos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o e, al\u00e9m disso, ofereceu tr\u00eas ventiladores, o semin\u00e1rio e o santu\u00e1rio ofereceram camas, que foram pedidas. Tudo isso foi colabora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Crise econ\u00f3mica e social<\/strong><\/p>\n<p><em>Neste momento o que \u00e9 que o preocupa mais neste contexto de pandemia em geral?<\/em><\/p>\n<p>Em geral, o que me preocupa mais \u00e9 as consequ\u00eancias que vem a seguir, o p\u00f3s-pandemia, sobretudo as consequ\u00eancias laborais, econ\u00f3micas e sociais que j\u00e1 se sentem. Os pedidos de ajuda, seja a t\u00edtulo individual de pessoas, seja a t\u00edtulos familiares, t\u00eam aumentado muit\u00edssimo em v\u00e1rias dioceses. Numas mais, noutras menos.<\/p>\n<p>Aqui tem aumentado, mas n\u00e3o t\u00e3o exponencialmente como por exemplo em Set\u00fabal ou no Porto. Em Set\u00fabal, contou-me o bispo de Set\u00fabal, a C\u00e1ritas est\u00e1 a assistir quatro mil fam\u00edlias, o que totaliza mais ou menos 13 mil pessoas, \u00e9 muita coisa. Par\u00f3quias, li no jornal de Santo Ant\u00f3nio dos Cavaleiros, que agora s\u00e3o 1300 pessoas. No Porto, uma outra que servia 160 refei\u00e7\u00f5es neste momento est\u00e1 a servir 400.<\/p>\n<p>Gente que tinha o seu trabalho, gente da classe m\u00e9dia, mais ou menos, e que agora, por causa da fam\u00edlia, sente necessidade\u2026 \u00c9 a chamada pobreza envergonhada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Uma crise mais grave do que a \u00faltima que tivemos?<\/em><\/p>\n<p>Ningu\u00e9m sabe dizer. Segundo as not\u00edcias de Bruxelas, dizem que ser\u00e1 uma recess\u00e3o mais grave, mais forte do que a \u00faltima, mas n\u00e3o h\u00e1 certezas. Toda a gente est\u00e1 a ver como vai ser. Agora, vai ser duro, vai, os dias v\u00e3o ser dif\u00edceis.<\/p>\n<p>A Igreja tamb\u00e9m vai sentir isso, mesmo o Santu\u00e1rio de F\u00e1tima vai sentir isso porque vive das ofertas e, n\u00e3o havendo ofertas, durante todo este tempo&#8230; J\u00e1 tenho uma ou outra par\u00f3quia em que se est\u00e1 a sentir isso. A diocese tem alguma almofada para poder acudir em alguns casos mas a gente tamb\u00e9m confia na Provid\u00eancia Divina. \u00a0Foi o que eu disse F\u00e1tima: aquela quest\u00e3o da m\u00e3o materna de Maria n\u00e3o deixar\u00e1 faltar o necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Elei\u00e7\u00f5es em junho na Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa<\/strong><\/p>\n<p><em>No in\u00edcio de junho vai decorrer a Assembleia Plen\u00e1ria da Confer\u00eancia Episcopal, assim se prev\u00ea, que \u00e9 eletiva. Que renova\u00e7\u00e3o pode constitui, na pr\u00f3pria Confer\u00eancia Episcopal, para as respostas que \u00e9 necess\u00e1rio dar nas circunst\u00e2ncias atuais?<\/em><\/p>\n<p>Esta assembleia vai ser diferente das outras. Ela estava marcada para abril, com uma agenda at\u00e9 bastante extensa, depois por causa da pandemia foi adiada para junho por causa de ser necess\u00e1rio fazer as elei\u00e7\u00f5es. (de contr\u00e1rio seria adiada para setembro, como fez a Confer\u00eancia Episcopal It\u00e1lia).<\/p>\n<p>N\u00e3o dura tantos dias, come\u00e7a segunda \u00e0 tarde e termina quarta de manh\u00e3, a maior parte do tempo \u00e9 para fazer as elei\u00e7\u00f5es dos diferentes \u00f3rg\u00e3os da confer\u00eancia, prev\u00ea-se que tenhamos algum tempo para discutir um esbo\u00e7o para um futuro documento sobre a situa\u00e7\u00e3o social e eclesial e, por isso, n\u00e3o devem sair ainda grandes linhas de orienta\u00e7\u00e3o. At\u00e9 porque acho ainda \u00e9 cedo. Ainda n\u00e3o sabemos o que vai acontecer nos pr\u00f3ximos meses.<\/p>\n<p>Agora, genericamente, penso que se vai abrir uma nova oportunidade para a Igreja, para a reforma da Igreja, que leva o seu tempo. Estas reformas e a renova\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 numa assembleia de bispos que se faz, para realizar as linhas de fundo da reforma, propostas pelo Papa Francisco.<\/p>\n<p>Uma \u201cIgreja hospital de campanha\u201d, quer dizer, uma Igreja misericordiosa e samaritana, pr\u00f3xima das pessoas feridas, porque vivemos hoje, e agora ainda mais, num mundo de gente ferida e com muitas feridas. Feridas do ponto de vista pessoal, familiar, as feridas do cora\u00e7\u00e3o, as feridas do esp\u00edrito, das situa\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas, etc.<\/p>\n<p>Igreja em sa\u00edda, \u00e0s diferentes periferias: n\u00e3o s\u00f3 geogr\u00e1ficas, humanas, existenciais, sociais, aqueles que andam afastados, porque n\u00e3o podemos prescindir, o primeiro papel da Igreja \u00e9 evangeliza\u00e7\u00e3o. Devia ter come\u00e7ado por ai, certamente (risos).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Um arranque de uma nova faceta da Igreja em Portugal?<\/em><\/p>\n<p>Sobretudo, o mist\u00e9rio de Deus (abordei isso na homilia, mas n\u00e3o se podia desenvolver tudo). N\u00f3s hoje damo-nos conta que n\u00e3o somos pequenos deuses, como \u00e0s vezes temos essa tenta\u00e7\u00e3o, somos criaturas de Deus e que nos confrontamos com um grande mist\u00e9rio: um mist\u00e9rio de vida e um mist\u00e9rio da humanidade, que requer uma abertura para um mist\u00e9rio, que n\u00f3s chamamos Deus, n\u00f3s crist\u00e3os Deus de Jesus Cristo. \u00c9 preciso redescobrir a beleza e a riqueza desse mist\u00e9rio, porque muitas vezes h\u00e1 imagens muito deformadas tamb\u00e9m de Deus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E com essa consci\u00eancia renovada, quem sabe estamos a falar j\u00e1 com o futuro presidente da Confer\u00eancia Episcopal?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o&#8230; Isso deve perguntar ao Esp\u00edrito Santo?<\/p>\n<p>Depois, al\u00e9m disso, uma Igreja Sinodal: quer dizer que \u00e9 composta de toda uma s\u00e9rie de servi\u00e7os e minist\u00e9rios que procuram caminhar juntos, portanto, menos clerical, menos assente s\u00f3 sobre o clero. A responsabilidade de ser clerical umas vezes \u00e9 da parte do clero, outras vezes \u00e9 da parte do povo que tamb\u00e9m diz \u201co padre que fa\u00e7a, o clero que fa\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>Mas, agora, por exemplo, durante este tempo notou-se tamb\u00e9m uma criatividade da parte dos leigos, catequistas, servi\u00e7os da caridade, juventude, volunt\u00e1rios&#8230; S\u00e3o coisas a aproveitar.<\/p>\n<p>O Papa na Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica \u2018Querida Amaz\u00f3nia\u2019 diz: \u201cUma Igreja marcadamente laical\u201d. Usa esta express\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 minha.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 isso que deseja para a Igreja em Portugal?<\/em><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m desejo, sim. Que n\u00e3o seja marcadamente clerical, mas que seja marcadamente laical: \u00e9 a grande maioria do povo de Deus! N\u00e3o quer dizer que o clero n\u00e3o seja necess\u00e1rio, de modo nenhum, mas cada coisa nos eu lugar. Marcou-me profundamente essa express\u00e3o, porque \u00e9 que o Papa n\u00e3o disse logo ordenem-se os homens casados?\u00a0 Primeiro, \u201cuma Igreja marcadamente laical\u201d para n\u00e3o cairmos num clericalismo de homens casados.<\/p>\n<p>Queria ainda sublinhar os novos meios de comunica\u00e7\u00e3o. Foi o que valeu neste tempo de confinamento n\u00e3o s\u00f3 para a celebra\u00e7\u00e3o da f\u00e9, mas tamb\u00e9m para garantir a celebra\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, sentido de perten\u00e7a em comunidade, toda a Igreja. E depois a oferta de elementos, de subs\u00eddios para al\u00e9m de celebrar a Missa: da Palavra de Deus, das medita\u00e7\u00f5es, de ora\u00e7\u00f5es, que as pessoas seguiam e faziam em suas casas. Novos meios para a nova evangeliza\u00e7\u00e3o!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em entrevista \u00e0 Ecclesia e \u00e0 Renascen\u00e7a, o bispo de Leiria-F\u00e1tima fala da peregrina\u00e7\u00e3o de 12 e 13 de maio a F\u00e1tima, da pr\u00f3xima\u00a0Assembleia Plen\u00e1ria da Confer\u00eancia Episcopal, que \u00e9 eletiva, da experi\u00eancia comunit\u00e1ria no ambiente digital, das rela\u00e7\u00f5es Igreja\/Estado e do regresso das celebra\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias das Eucaristias antes do que pretendia as autoridades<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":174883,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[630],"tags":[147,698,177],"class_list":["post-174886","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-conferencia-episcopal-portuguesa","tag-covid-19","tag-diocese-de-leiria-fatima"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/174886","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=174886"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/174886\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/174883"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=174886"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=174886"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=174886"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}