{"id":174395,"date":"2020-05-11T17:40:34","date_gmt":"2020-05-11T16:40:34","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=174395"},"modified":"2020-05-11T18:49:30","modified_gmt":"2020-05-11T17:49:30","slug":"experiencia-nova","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/experiencia-nova\/","title":{"rendered":"Experi\u00eancia nova"},"content":{"rendered":"<p><em>C\u00f3nego Manuel Maria Madureira, Arquidiocese de \u00c9vora<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Experi\u00eancia nova e inusitada. O covid-19 \u00e9 o respons\u00e1vel e as regras sociais da Rep\u00fablica a isso obrigam. Receber um caix\u00e3o e proceder ao enterramento do pai, acreditando ser ele, porque nem foi permitido despedir-se nem visit\u00e1-lo no hospital. Debitar sabedoria diante de um \u00e9cran de computador como se fosse uma aula sem a presen\u00e7a f\u00edsica dos alunos. Sentir-se recluso sem ser criminoso, confinado a um espa\u00e7o de reduzidas dimens\u00f5es, convivendo s\u00f3 com o nuclear agregado familiar. Uso for\u00e7ado de novas tecnologias, vis\u00e3o e audi\u00e7\u00e3o em faz-de-conta, impossibilidade de diversifica\u00e7\u00e3o de atividades, repeti\u00e7\u00e3o dos mesmos gestos, ontem, hoje, amanh\u00e3. Neuroses em despique e corrida sem controle para a queda no desespero ou no nada.\u00a0A necessidade de comunica\u00e7\u00e3o foi o grande trunfo da Internet que, creio, tem lucrado milh\u00f5es. De facto, \u00e9 uma experi\u00eancia nova e inusitada. N\u00f3s n\u00e3o fomos criados para isto. Faltou-nos espa\u00e7o e sobrou tempo? N\u00e3o. Faltou-nos relacionamento e sobrou nervosismo! N\u00e3o me admiro que o primeiro ministro tenha dito que as pessoas andam nervosas e que o quotidiano repetido lhes parece uma eternidade. Uma eternidade no mau sentido, porque a eternidade tem sempre rela\u00e7\u00e3o com a felicidade e, aqui, n\u00e3o! Falta o conv\u00edvio, o encontro, o <em>estar com<\/em>, o dizer umas coisas, o tomar um copo ou um caf\u00e9, o aperto de m\u00e3o, o abra\u00e7o, o beijo. Ser-com-os-outros e para os outros pertence ao n\u00facleo da exist\u00eancia humana.\u00a0O curioso \u00e9 que, no confinamento, se misturam circunst\u00e2ncias geogr\u00e1ficas com raz\u00f5es sociol\u00f3gicas, espa\u00e7os for\u00e7ados com necessidade de extravasamento, rea\u00e7\u00f5es quase instintivas com rela\u00e7\u00f5es profundamente humanas e familiares. E ningu\u00e9m, por natureza ou instinto, est\u00e1 no mundo para viver s\u00f3. Somos seres sociais, somos seres-de-rela\u00e7\u00e3o. As circunst\u00e2ncias de isolamento for\u00e7ado ajudam-nos a compreender como se conjugam perfeitamente os conceitos de presen\u00e7a e de aus\u00eancia \u2013 dois sentimentos antag\u00f3nicos que a palavra \u201csaudade\u201d t\u00e3o bem explicita. Que saudades temos da presen\u00e7a dos amigos! O isolamento \u00e9 <em>contra-natura<\/em>. N\u00f3s definimo-nos pela sociabiliza\u00e7\u00e3o. A experi\u00eancia do vazio e do nada caracteriza a nossa civiliza\u00e7\u00e3o dominada pela t\u00e9cnica e pelo funcionalismo. Mas o que temos de fazer \u00e9 a experi\u00eancia da liberdade, vivida em comunidade e em sociedade, espevitando os v\u00ednculos que nos unem aos outros no trabalho, na dor, na alegria, no amor, na amizade, nos pr\u00f3prios conflitos e na esperan\u00e7a. O sentido que damos \u00e0 exist\u00eancia e a possibilidade de realizar a aut\u00eantica liberdade dependem dos outros. Os \u201coutros\u201d s\u00e3o o que tem faltado no confinamento. E isso \u00e9 doloroso porque pertence ao n\u00facleo da exist\u00eancia humana a certeza de que nunca se est\u00e1 s\u00f3 e de que cada um s\u00f3 se desenvolve realizando-se em comunh\u00e3o, sob pena de, faltando essa comunh\u00e3o, nunca ser feliz \u2013 porque ningu\u00e9m consegue ser feliz sozinho. A presen\u00e7a \u00e9 a primeira linguagem de comunica\u00e7\u00e3o, mesmo sem palavras \u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>C\u00f3nego Manuel Maria Madureira, Arquidiocese de \u00c9vora<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":174415,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-174395","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/174395","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=174395"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/174395\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/174415"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=174395"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=174395"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=174395"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}