{"id":17434,"date":"2006-04-12T11:15:51","date_gmt":"2006-04-12T11:15:51","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/12\/bispo-de-angra-explica-fe-pascal\/"},"modified":"2006-04-12T11:15:51","modified_gmt":"2006-04-12T11:15:51","slug":"bispo-de-angra-explica-fe-pascal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/bispo-de-angra-explica-fe-pascal\/","title":{"rendered":"Bispo de Angra explica f\u00e9 pascal"},"content":{"rendered":"<p>\u00abN\u00e3o tenham medo! V\u00eam procurar Jesus de Nazar\u00e9, que foi crucificado, mas Ele ressuscitou. J\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 aqui. Vejam o lugar, onde O tinham posto. V\u00e3o j\u00e1 avisar Pedro e os outros disc\u00edpulos e digam-lhes: Ele vai para a Galileia, antes de voc\u00eas. L\u00e1 O h\u00e3o-de ver, como Ele vos tinha dito\u00bb (Mc 16, 6-7). Foi esta a mensagem do Anjo \u00e0s mulheres, todas alvoro\u00e7adas, por encontrarem o sepulcro vazio, na manh\u00e3 de P\u00e1scoa. Elas vinham completar as un\u00e7\u00f5es f\u00fanebres, apressadas no dia anterior. Grandes tinham sido as expectativas acerca de Jesus. Mas, com a trag\u00e9dia da Cruz, tudo desabara. N\u00e3o havia outro rem\u00e9dio, sen\u00e3o aceitar a ordem das coisas, prestando a \u00faltima homenagem ao amigo, arrancado de forma t\u00e3o dram\u00e1tica, ao seu conv\u00edvio.  1. As mulheres da mensagem pascal foram surpreendidas por algo inesperado. A pedra tumular estava removida e o sepulcro vazio. Ficaram cheias de medo. \u00c9 que a ordem das coisas tinha sido alterada. Tudo dava a entender que a hist\u00f3ria bonita de Jesus e com Jesus tinha acabado. Esperavam encontrar um corpo e depararam-se com um mensageiro celeste a dizer que essa hist\u00f3ria era relan\u00e7ada, porque Deus tinha ressuscitado Jesus de Nazar\u00e9, que as aguardava na Galileia. Galileia poder\u00e1 significar muita coisa. Alude, claramente, ao lugar da mensagem e do projecto de Jesus. Foi na Galileia que Jesus inaugurou a Sua prega\u00e7\u00e3o e recrutou os primeiros disc\u00edpulos. Esse foi o centro de irradia\u00e7\u00e3o do Seu minist\u00e9rio. O Mar da Galileia foi teatro de experi\u00eancias inesquec\u00edveis com os disc\u00edpulos. A\u00ed, numa colina sobranceira ao lago, Jesus proclamou as bem-aventuran\u00e7as; no Tabor transfigurou-se; em Can\u00e1 da Galileia, realizou o primeiro milagre. Na Galileia, onde os disc\u00edpulos tinham retomado a faina habitual, ap\u00f3s o drama da Cruz, Jesus Ressuscitado manifesta-Se pela terceira vez. \u00abE nenhum disc\u00edpulo se atrevia a perguntar-Lhe quem Ele era, porque sabiam muito bem que era o Senhor\u00bb (Jo 21, 12).  Ser\u00e1 igualmente na Galileia que, ao subir ao c\u00e9u, deixar\u00e1 o mandato mission\u00e1rio: \u00abV\u00e3o e fa\u00e7am com que os povos se tornem Meus disc\u00edpulos\u2026 E saibam que estarei sempre convosco at\u00e9 ao fim do mundo\u00bb (Mt 28, 19-20). A Ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 um novo tipo de presen\u00e7a de Jesus no meio dos Seus. Ressuscitado, Jesus est\u00e1 sempre connosco at\u00e9 ao fim dos tempos, sob sinais e figuras que O tornam presente e actuante. A nossa \u00e9 uma f\u00e9 pascal, precisamente porque \u00e9 encontro com o Ressuscitado, que se torna nosso contempor\u00e2neo e companheiro de viagem, para partilhar connosco a vit\u00f3ria da vida sobre a morte e a opress\u00e3o. \u00abGalileia dos pag\u00e3os\u00bb &#8211; chama-lhe o evangelista Mateus \u2013 evocando o cumprimento da profecia de Isa\u00edas: \u00abO povo, mergulhado na escurid\u00e3o, viu uma grande luz. Luz que brilhou para os que estavam na regi\u00e3o escura da morte\u00bb (Mt 4, 15-16).  A nossa \u00e9 uma f\u00e9 pascal, porque aponta para a vit\u00f3ria final, a partir da realidade opaca em que vivemos, porque nos leva a \u00abacreditar em Deus, a partir deste mundo\u2026 Quer\u00edamos acreditar em Deus, a partir da Ressurrei\u00e7\u00e3o totalmente realizada, isto \u00e9, a partir do c\u00e9u. Custa-nos acreditar em Deus e procur\u00e1-Lo, com Jesus Ressuscitado, no caminho que come\u00e7a na Galileia\u2026 O medo das mulheres faz parte da hist\u00f3ria crist\u00e3. N\u00e3o \u00e9 o medo da morte, mas de uma Ressurrei\u00e7\u00e3o, entendida como vida nova e forma de compromisso\u2026 \u00ab\u00c0s vezes pensamos que talvez tivesse sido melhor que Marcos, Mateus, Lucas e Jo\u00e3o contassem hist\u00f3rias maravilhosas da Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, que nos fizessem ver a gl\u00f3ria de Deus Pai, brilhando sobre o sepulcro e punindo os malvados\u2026 Ora esse n\u00e3o \u00e9 o estilo de Deus, n\u00e3o \u00e9 o Seu caminho\u00bb (Xabier Picaza, O Caminho do Pai, Gr\u00e1fica de Coimbra, 2002, p. 208-209).   2. \u00abDeus \u00e9 Amor\u00bb &#8211; diz-nos S. Jo\u00e3o. \u00c9 o t\u00edtulo da primeira Enc\u00edclica do Papa Bento XVI, que nos conduz ao centro da f\u00e9 crist\u00e3. \u00abN\u00f3s cremos no amor de Deus\u2026 No in\u00edcio do ser crist\u00e3o \u2013 explica o Papa &#8211; n\u00e3o h\u00e1 uma decis\u00e3o \u00e9tica ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que d\u00e1 \u00e0 vida um novo horizonte\u2026 (n\u00ba 1). \u00abNingu\u00e9m jamais viu a Deus, tal como Ele \u00e9 em si mesmo. E, contudo, Deus n\u00e3o nos \u00e9 totalmente invis\u00edvel\u2026 Este amor de Deus apareceu no meio de n\u00f3s, fez-Se vis\u00edvel, quando Ele \u201cenviou o Seu Filho Unig\u00e9nito ao mundo\u201d (1 Jo 4, 9)\u2026 Na hist\u00f3ria de amor que a B\u00edblia nos narra, Ele vem ao nosso encontro, procura conquistar-nos \u2013 at\u00e9 \u00e0 \u00daltima Ceia, at\u00e9 ao Cora\u00e7\u00e3o Trespassado na Cruz, at\u00e9 \u00e0s apari\u00e7\u00f5es do Ressuscitado\u2026 Na Liturgia da Igreja, na sua ora\u00e7\u00e3o, na comunidade viva dos crentes, experimentamos o amor de Deus, sentimos a Sua presen\u00e7a e tamb\u00e9m, deste modo, aprendemos a reconhec\u00ea-Lo na nossa vida quotidiana\u00bb (n\u00ba 17). Se Deus \u00e9 Amor, se tem o mundo nas m\u00e3os, porque n\u00e3o interv\u00e9m perante tanto mal e injusti\u00e7a, perante o sofrimento de inocentes? N\u00e3o obstante tudo o que acontece no mundo, \u00abos crist\u00e3os continuam a acreditar (\u2026) \u201cna bondade de Deus e no seu amor para com os seres humanos\u201d (Tit 3, 4). Apesar de estarem imersos, como as outras pessoas, na complexidade dram\u00e1tica das vicissitudes da hist\u00f3ria, permanecem inabal\u00e1veis na certeza de que Deus \u00e9 Pai e nos ama, ainda que o Seu sil\u00eancio seja incompreens\u00edvel para n\u00f3s\u00bb (n\u00ba 38). Como afirma Santo Agostinho, \u00abse o compreendesses, n\u00e3o seria Deus\u00bb.  Mesmo na escurid\u00e3o, a f\u00e9 gera a certeza de que Deus \u00e9 Amor. \u00abEsse Amor divino \u00e9 a luz \u2013 fundamentalmente, a \u00fanica \u2013 que ilumina incessantemente um mundo \u00e0s escuras e nos d\u00e1 a coragem de viver e de agir\u00bb (n\u00ba 39). Assim, \u00e9 poss\u00edvel desejar a todos, de verdade e com esperan\u00e7a, uma P\u00e1scoa Feliz, na certeza da vit\u00f3ria da f\u00e9, operante pela caridade.    <i>+ Ant\u00f3nio, Bispo de Angra<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abN\u00e3o tenham medo! V\u00eam procurar Jesus de Nazar\u00e9, que foi crucificado, mas Ele ressuscitou. J\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 aqui. Vejam o lugar, onde O tinham posto. V\u00e3o j\u00e1 avisar Pedro e os outros disc\u00edpulos e digam-lhes: Ele vai para a Galileia, antes de voc\u00eas. L\u00e1 O h\u00e3o-de ver, como Ele vos tinha dito\u00bb (Mc 16, 6-7). [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[120,168,169,174,246,275],"class_list":["post-17434","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-bento-xvi","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-de-angra","tag-diocese-de-coimbra","tag-liturgia","tag-pascoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17434","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17434"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17434\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17434"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17434"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17434"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}