{"id":174333,"date":"2020-05-11T10:47:25","date_gmt":"2020-05-11T09:47:25","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=174333"},"modified":"2020-05-11T10:47:47","modified_gmt":"2020-05-11T09:47:47","slug":"saber-aprender-o-que-pensar-com-tanto-zoomar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/saber-aprender-o-que-pensar-com-tanto-zoomar\/","title":{"rendered":"SABER APRENDER &#8211; O que pensar com tanto \u201cZoomar\u201d?"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>\u00c9 preciso admitir que \u201cZoomar\u201d est\u00e1 na moda. De facto, quando participava numa missa por Skype, pude observar como as pessoas tinham dificuldade em controlar-se e tiravam uma <em>Snapshot<\/em> (ou v\u00e1rias), ou entravam na chamada sem ter o cuidado de desligar o microfone, tornando-se estas e outras coisas, fontes de distrac\u00e7\u00e3o que o Zoom elimina facilmente. Da\u00ed perceber a raz\u00e3o para <em>Zoomar<\/em>. Mas haver\u00e1 um pre\u00e7o a pagar no futuro pela experi\u00eancia que estamos a fazer?<\/p>\n<figure id=\"attachment_174335\" aria-describedby=\"caption-attachment-174335\" style=\"width: 346px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/gabriel-benois-qnWPjzewewA-unsplash.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-174335 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/gabriel-benois-qnWPjzewewA-unsplash-346x260.jpg\" alt=\"\" width=\"346\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/gabriel-benois-qnWPjzewewA-unsplash-346x260.jpg 346w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/gabriel-benois-qnWPjzewewA-unsplash-510x382.jpg 510w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/gabriel-benois-qnWPjzewewA-unsplash-480x361.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/gabriel-benois-qnWPjzewewA-unsplash.jpg 640w\" sizes=\"(max-width: 346px) 100vw, 346px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-174335\" class=\"wp-caption-text\">Foto de Gabriel Benois em Unsplash<\/figcaption><\/figure>\n<p>A tecnologia \u00e9 uma extens\u00e3o das nossas capacidades, mas essas n\u00e3o se restrigem ao que fazemos com as m\u00e3os. A capacidade para construir e desenvolver relacionamentos \u00e9 intr\u00ednseca \u00e0 natureza humana e se a tecnologia extender essa capacidade, dever\u00edamos fazer a experi\u00eancia de vivermos numa comunidade global, onde as pessoas cuidam umas das outras. Ser\u00e1 isso que acontece na Era Zoom?<\/p>\n<p>Com a insist\u00eancia de que uma iniciativa s\u00f3 chega a muitas pessoas se usarmos as redes sociais e\/ou transmiss\u00f5es on-line, parece-me estarmos a dar mais \u00eanfase aos <em>\u201dGostos\u201d<\/em> e visualiza\u00e7\u00f5es conseguidas, do que a construir um sentido aut\u00eantico de comunidade. Um sentido onde quem l\u00ea, escuta ou visualiza se sinta perto de quem escreveu, falou ou transmitiu.<\/p>\n<p>Quando comecei a acompanhar o percurso feito por Fred Rogers (1952-2003), pouco reconhecido fora dos Estados Unidos, mas muito aclamado nesse pa\u00eds, e mais conhecido como Mr. Rogers, pensei estar diante de algu\u00e9m que soube construir um sentido de comunidade que mudou a vida de muitas pessoas, sem com isso vici\u00e1-las em <em>\u201dGostos\u201d<\/em> ou no que \u00e9 sup\u00e9rfluo (at\u00e9 porque tais coisas vieram depois do seu tempo). Por exemplo, o futuro da televis\u00e3o p\u00fablica americana estava em jogo e v\u00e1rias personagens do mundo da televis\u00e3o foram ao senado americano para persuadir o seu financiamento. Em jogo estava convencer um senador em particular, John Pastore.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m conseguia convencer o Senador Pastore, at\u00e9 que Fred Rogers falou da sua experi\u00eancia com as crian\u00e7as e de como era importante o trabalho que fazia com elas atrav\u00e9s da televis\u00e3o, procurando falar apenas para uma e dedicar-lhe toda a sua aten\u00e7\u00e3o. Dizia Rogers ao Senador Pastore \u2014 <em>\u201cNo fim do programa termino com \u2018Tu fizeste deste dia, um dia especial, por seres apenas tu. N\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m no mundo como tu, e eu gosto de ti, assim como \u00e9s.\u2019 E sinto que se n\u00f3s na televis\u00e3o p\u00fablica pud\u00e9ssemos clarificar que os sentimentos s\u00e3o mencion\u00e1veis e podemos control\u00e1-los, estar\u00edamos a fazer um grande servi\u00e7o \u00e0 sa\u00fade mental.\u201d<\/em> \u2014 E quando pede ao Senador se pode partilhar o que canta \u00e0s crian\u00e7as quando est\u00e1 com elas, o Senador acede ao pedido, e ele declama, terminando \u2014 <em>\u201dEu posso parar quando quiser. Parar quando desejar. Posso parar, parar, parar em qualquer momento\u2026 E que bom sentimento \u00e9 sentir assim! E saber que o sentimento \u00e9 realmente meu. Saber que h\u00e1 algo profundo dentro de n\u00f3s que nos ajuda a tornarmo-nos o que podemos ser.\u201d<\/em> \u2014 ao que o Senador Pastore, comovido, responde com \u2014 <em>\u201cEu acho que \u00e9 belo. Eu acho que \u00e9 belo. Parece que ganharam 20 milh\u00f5es de d\u00f3lares.\u201d<\/em> O que podemos aprender com Rogers?<\/p>\n<div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe  id=\"_ytid_44321\"  width=\"480\" height=\"360\"  data-origwidth=\"480\" data-origheight=\"360\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fKy7ljRr0AA?enablejsapi=1&#038;autoplay=0&#038;cc_load_policy=0&#038;cc_lang_pref=pt&#038;iv_load_policy=1&#038;loop=0&#038;rel=0&#038;fs=1&#038;playsinline=1&#038;autohide=2&#038;theme=dark&#038;color=red&#038;controls=1&#038;disablekb=0&#038;\" class=\"__youtube_prefs__  epyt-is-override  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen data-no-lazy=\"1\" data-skipgform_ajax_framebjll=\"\"><\/iframe><\/div>\n<p>Os meios de comunica\u00e7\u00e3o s\u00e3o uma forma de nos ligarmos, mas possuem, tamb\u00e9m, consequ\u00eancias inesperadas. Uma dessas foi a convers\u00e3o das partilhas que fazemos nas redes sociais, e grupos de WhatsApp, em momentos de valida\u00e7\u00e3o pessoal. De tal modo que a finalidade de um grupo WhatsApp pode ser totalmente desvirtuada e passa a ser este canal de valida\u00e7\u00e3o pessoal onde se partilha tudo e mais alguma coisa \u00e0 espera de que algu\u00e9m reaja ao que n\u00f3s partilh\u00e1mos. Por isso, avaliar o impacto de uma tecnologia na vida das pessoas deveria ser feito com alguma frequ\u00eancia.<\/p>\n<p>H\u00e1 quem argumente que a tecnologia tem uma vida pr\u00f3pria e, realmente, quando vejo o modo como essa altera o nosso comportamento, faz algum sentido uma impress\u00e3o como essa.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise mais frequente do impacto de uma tecnologia na nossa vida tem muito a ver com a <em>simplicidade<\/em> e <em>profundidade<\/em> de vida que temos. Isto \u00e9, se vivemos no essencial, ou se vivemos para que o temos e deixamos de ter. Penso que o caminho da aprendizagem \u2014 <em>viver para aprender<\/em> \u2014 \u00e9 um caminho de profundidade.<\/p>\n<p>A simplicidade tem muito a ver com o estilo de vida e a dimens\u00e3o espiritual da nossa vida. Por alguma raz\u00e3o fala-se pouco desta dimens\u00e3o nos circuitos de an\u00e1lise do impacto tecnol\u00f3gico na vida das pessoas. A nossa dimens\u00e3o espiritual n\u00e3o se restringe \u00e0 experi\u00eancia religiosa. Essa \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o da dimens\u00e3o espiritual, mas o que fazemos de criativo, tamb\u00e9m expressa a dimens\u00e3o espiritual da vida humana.<\/p>\n<p>A dimens\u00e3o espiritual n\u00e3o \u00e9 algo que seja f\u00e1cil de expressar com palavras simples que todos possam entender por ser, essencialmente, algo experiencial e a diversidade de experi\u00eancias \u00e9 imensa. Com isto quero dizer que a dimens\u00e3o espiritual est\u00e1 intrinsecamente ligada \u00e0 unicidade da pessoa. E a unicidade, por defini\u00e7\u00e3o, \u00e9 incompar\u00e1vel. Da\u00ed a import\u00e2ncia do sentido de comunidade e diminuir o peso da ideia de remeter a dimens\u00e3o espiritual para algo do foro pessoal. \u00c9 pessoal, sim, mas enquanto recusarmos que \u00e9, tamb\u00e9m, parte integrante da nossa vida, no sentido positivo de construir uma mente saud\u00e1vel, teremos uma vis\u00e3o ainda incompleta da an\u00e1lise do efeito da tecnologia na vida humana.<\/p>\n<p>\u201cZoomar\u201d \u00e9 um modo de nos ligarmos e criarmos comunidade, mas penso valer a pena questionar at\u00e9 onde devemos \u201cZoomar.\u201d Caso contr\u00e1rio, corremos o risco de n\u00e3o construir a comunidade, mas de a substituir por mais um \u00e9cr\u00e3.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":166774,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-174333","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/174333","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=174333"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/174333\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/166774"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=174333"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=174333"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=174333"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}