{"id":17422,"date":"2006-04-11T13:35:33","date_gmt":"2006-04-11T13:35:33","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/11\/nunes-pereira-a-voz-de-deus-na-voz-do-povo\/"},"modified":"2006-04-11T13:35:33","modified_gmt":"2006-04-11T13:35:33","slug":"nunes-pereira-a-voz-de-deus-na-voz-do-povo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/nunes-pereira-a-voz-de-deus-na-voz-do-povo\/","title":{"rendered":"Nunes Pereira: A voz de Deus na voz do povo"},"content":{"rendered":"<p>Conheci-o e aprendi a estim\u00e1-lo, no in\u00edcio dos anos setenta, atrav\u00e9s dos seus familiares. Lembro a nossa conversa, sentados a uma pequena mesa. Tirou do bolso uma cartolina pouco maior que um bilhete postal, amarelecida, nunca percebi se era mesmo assim ou se tinha sido o tempo que a colocara daquela cor. Uma pena fina come\u00e7a a atravess\u00e1-la de uma ponta \u00e0 outra, enquanto Nunes Pereira me falava de um Santo Ant\u00f3nio e de uma aguarela com a ponte de G\u00f3is. E lembra a sua m\u00e3e e como nela se inspirou para passar a tantas obras de arte sobre Nossa Senhora. De repente olha-me mais fixamente, interrompe a narrativa, sorri e lan\u00e7a-se outra vez por inteiro sobre o postal amareleci-do. Entrega-mo, por fim, j\u00e1 com as linhas percept\u00edveis. L\u00e1 estou eu, com o que sou, nos tra\u00e7os essenciais que ele percebeu e transmitiu.  Com o tempo vou-lhe descobrindo a afabilidade, o amor ao povo simples, o registo de dizeres, hist\u00f3rias, aventuras e desventuras, ora\u00e7\u00f5es e maledic\u00eancias das terras de Faj\u00e3o, da Mata, e de tantas outras que percorreu. Gravei com ele v\u00e1rios programas de r\u00e1dio e televis\u00e3o. O \u00faltimo foi em 1999, j\u00e1 na galeria disponibilizada pela Diocese de Coimbra. Pass\u00e1mos um dia juntos, a falar infinitamente da arte sempre num tom t\u00e3o simples, familiar e humano. \u00c9 isso, percebi. Este homem tem a arte impressa em todos os poros, mas embebeu-se da aten\u00e7\u00e3o aos outros, da descoberta de um \u00e2ngulo novo em cada pessoa. E seja na quadra sapiente, na aguarela macia, na t\u00e1bua castigada por doces golpes, na filigrana firme da pena, na lousa que se n\u00e3o rende \u00e0 primeira, no baixo relevo, no quadro de corpo inteiro, na leveza da espiritualidade profunda, tudo conjuga com extrema harmonia, bem temperada de humor. E quase em tom de crian\u00e7a traduz as ora\u00e7\u00f5es que sua m\u00e3e lhe ensinou. Com uma arte sem academismo mas inspirada em elementos s\u00f3lidos que foi colhendo em cada viagem e em cada palavra que fazia gosto de todos os dias aprender. At\u00e9 aos noventa e tr\u00eas anos. E agora, na intermin\u00e1vel festa da luz onde se olha Deus para al\u00e9m do vitral.   Ant\u00f3nio Rego   <i>Editorial Publicado no Boletim Ag\u00eancia ECCLESIA de 5 de Junho de 2001<\/i> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conheci-o e aprendi a estim\u00e1-lo, no in\u00edcio dos anos setenta, atrav\u00e9s dos seus familiares. Lembro a nossa conversa, sentados a uma pequena mesa. Tirou do bolso uma cartolina pouco maior que um bilhete postal, amarelecida, nunca percebi se era mesmo assim ou se tinha sido o tempo que a colocara daquela cor. Uma pena fina [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[154,174,199],"class_list":["post-17422","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-editorial","tag-crianca","tag-diocese-de-coimbra","tag-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17422","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17422"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17422\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17422"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17422"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17422"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}