{"id":173985,"date":"2020-05-08T07:00:28","date_gmt":"2020-05-08T06:00:28","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=173985"},"modified":"2020-05-07T17:41:49","modified_gmt":"2020-05-07T16:41:49","slug":"as-pessoas-estao-a-descobrir-que-se-podem-relacionar-e-vincular-de-formas-diferentes-alfredo-teixeira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/as-pessoas-estao-a-descobrir-que-se-podem-relacionar-e-vincular-de-formas-diferentes-alfredo-teixeira\/","title":{"rendered":"\u00abAs pessoas est\u00e3o a descobrir que se podem relacionar e vincular de formas diferentes\u00bb \u2013 Alfredo Teixeira"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antrop\u00f3logo e investigador analisa as transforma\u00e7\u00f5es que o isolamento social trouxe ao n\u00edvel da viv\u00eancia da f\u00e9. Admite que h\u00e1 din\u00e2micas de comunica\u00e7\u00e3o que v\u00e3o deixar \u201cmarcas importantes\u201d, e considera que n\u00e3o poder cumprir os ritos f\u00fanebres como \u00e9 tradi\u00e7\u00e3o tem sido \u201cuma das zonas mais sombrias\u201d da atual experi\u00eancia.<!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>\u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a), Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Fotos: Ag\u00eancia Ecclesia<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_173986\" aria-describedby=\"caption-attachment-173986\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/IMG_4894.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-173986 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/IMG_4894.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/IMG_4894.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/IMG_4894-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/IMG_4894-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/IMG_4894-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/IMG_4894-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/IMG_4894-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/IMG_4894-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/IMG_4894-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/IMG_4894-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-173986\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Em tempo de pandemia, devido ao isolamento social, muita coisa se alterou na forma dos crentes viverem a sua f\u00e9. Estas mudan\u00e7as s\u00e3o circunstanciais, ou em sua opini\u00e3o na pr\u00e1tica j\u00e1 nada voltar\u00e1 a ser como antes?<\/em><\/p>\n<p>Julgo que a resposta n\u00e3o pode ser extremada. Nem o mundo se vai alterar de uma forma absolutamente radical, passando a ser outro em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quilo que conhec\u00edamos, nem podemos dizer que uma crise como a vivemos n\u00e3o deixe marcas em particular nestas gera\u00e7\u00f5es que a est\u00e3o a viver. H\u00e1 algumas coisas que porventura ir\u00e3o permanecer como rastos e uma transforma\u00e7\u00e3o de comportamentos, outras s\u00e3o ajustes circunstanciais que num clima de normalidade voltar\u00e3o a ser reajustadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E o que \u00e9 que em sua opini\u00e3o poder\u00e1 permanecer?<\/em><\/p>\n<p>De uma forma geral parece claro que as pessoas est\u00e3o a descobrir que se podem relacionar e vincular de formas diferentes. Aquilo que a gera\u00e7\u00e3o dos mais novos &#8211; os chamados nativos digitais &#8211; conhecia, que eram formas de presencialidade atrav\u00e9s do continuo tecnol\u00f3gico, \u00e9 uma experi\u00eancia que hoje est\u00e1 muito mais partilhada, embora as diferentes gera\u00e7\u00f5es se relacionem com isso de forma diferente. \u00c9 curioso observarmos, por exemplo, como a gera\u00e7\u00e3o dos mais velhos por vezes usa este tipo de comunica\u00e7\u00e3o digital: os av\u00f3s beijam o ecr\u00e3 do telem\u00f3vel, enviam beijos aos seus netos, ou acariciam o ecr\u00e3 do tablet para ficcionar um contacto que presencialmente n\u00e3o existe. Para n\u00e3o falar de contextos de trabalho, onde de alguma forma as pessoas fizeram a experi\u00eancia clara de que \u00e9 poss\u00edvel trabalhar de outra maneira, e por vezes melhor.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o de crise provoca experi\u00eancias que, na medida em que as pessoas as descobrirem como uma possibilidade, como uma vantagem para v\u00e1rios aspetos da sua vida, incluindo a sua vida religiosa, podem potenciar essas experi\u00eancias no futuro e promover ajustes naquilo que \u00e9 a sua experi\u00eancia social em termos gerais, mas tamb\u00e9m do ponto de vista religioso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O &#8216;Inqu\u00e9rito sobre as Identidades Religiosas em Portugal&#8217;, que dirigiu em 2011, apontava para uma transforma\u00e7\u00e3o nas formas de perten\u00e7a dos fi\u00e9is e para uma progressiva valoriza\u00e7\u00e3o das l\u00f3gicas de afirma\u00e7\u00e3o individual. Neste contexto em que a f\u00e9 se vive muito com recurso ao digital, e o acesso \u00e0s celebra\u00e7\u00f5es \u00e9 feito de forma individual, \u00e0s vezes tamb\u00e9m fam\u00edlia, ser\u00e1 que vai acentuar-se esta dimens\u00e3o pessoal face \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria?<\/em><\/p>\n<p>Eu diria que aquelas identidades mais estruturadas a partir desse ponto de vista, ou seja de uma organiza\u00e7\u00e3o do seu v\u00ednculo, valorizando sobretudo a iniciativa pessoal, essas pessoas estavam mais preparadas para enfrentar uma situa\u00e7\u00e3o dessas, e portanto neste contexto isso pode acentuar-se. Mas parece-me arriscado dizer que as pessoas com uma religiosidade mais tradicional venham a alterar profundamente o seu comportamento no fim de um per\u00edodo que claramente vivemos como crise.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o penso que se possa dizer que estamos a viver uma muta\u00e7\u00e3o civilizacional, as muta\u00e7\u00f5es civilizacionais e sociais n\u00e3o acontecem com esta rapidez. Estamos a viver como as sociedades t\u00eam vivido desde que existem crises deste tipo. N\u00f3s, talvez porque somos uma sociedade que lida com alguma dificuldade com a mem\u00f3ria, perdemos de vista que estas situa\u00e7\u00f5es cr\u00edticas de epidemias, de pandemias, acontecem \u00e0 humanidade desde que nos conhecemos. Deixam marcas, \u00e9 \u00f3bvio, mas n\u00e3o somos outra humanidade depois de elas terem acontecido, somos a mesma humanidade que procurou encontrar respostas para este acontecimento. Eu diria que na situa\u00e7\u00e3o das pessoas que vivem desse ponto de vista uma religiosidade mais vinculada comunitariamente, aquilo que acontece neste momento \u00e9 claramente uma esp\u00e9cie de di\u00e1spora, de um certo sentimento de ex\u00edlio espiritual, em que as pessoas est\u00e3o na expetativa de voltar a reatar esses la\u00e7os assim que puderem.<\/p>\n<p>H\u00e1 um aspeto que me parece mais relevante, que \u00e9 o problema da casa e da fam\u00edlia, ali\u00e1s a sua pergunta a dado momento aludia a essa quest\u00e3o. Penso que pode haver uma diferen\u00e7a substancial entre as comunidades em que a identidade religiosa est\u00e1 muito vinculada a uma identidade familiar. Isso acontece, por exemplo no contexto isl\u00e2mico, onde grande parte das observ\u00e2ncias s\u00e3o de natureza dom\u00e9stica e familiar, e acontece tamb\u00e9m em alguns contextos evang\u00e9licos, onde a identidade religiosa se estrutura muito a partir de uma identidade familiar, o pai, a m\u00e3e e os filhos. Diria que nesse contexto, esta situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica que vivemos deu possibilidade \u00e0s pessoas, ou se quiser, as pessoas tiveram recursos. A religi\u00e3o j\u00e1 era vivida neste contexto dom\u00e9stico e familiar de uma forma mais vinculada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas n\u00e3o houve tamb\u00e9m uma redescoberta?<\/em><\/p>\n<p>Nalguns casos, talvez, e este \u00e9 um aspeto que queria sublinhar: talvez no contexto cat\u00f3lico esse tenha sido o aspeto mais interessante de observar, embora obviamente n\u00e3o tenhamos ainda dados para poder fazer uma avalia\u00e7\u00e3o global disto, mas a experi\u00eancia que aqui e ali se observa \u00e9 que algumas fam\u00edlias fizeram coisas que nunca tinham feito em casa, uma esp\u00e9cie de liturgia das casas, que passou por este trazer a experi\u00eancia crist\u00e3, mesmo na sua dimens\u00e3o de ora\u00e7\u00e3o comum, para dentro de casa. E esta \u00e9 uma marca que est\u00e1 na g\u00e9nese do pr\u00f3prio cristianismo, basta pensarmos nas comunidades paulinas, e percebemos que de facto a Igreja era a casa, e grande parte das din\u00e2micas de ora\u00e7\u00e3o comum, de partilha, viviam-se a partir da casa, portanto isso est\u00e1 no ADN do cristianismo, mas por raz\u00f5es hist\u00f3ricas, de transforma\u00e7\u00f5es muito amplas na sociedade, e em particular no catolicismo, nas \u00faltimas d\u00e9cadas acentuou-se muito a din\u00e2mica da religi\u00e3o do indiv\u00edduo, algumas din\u00e2micas pastorais acabaram por acentuar muito essa dimens\u00e3o da religi\u00e3o do indiv\u00edduo, desvalorizando a religi\u00e3o da fam\u00edlia, ou a possibilidade da religi\u00e3o se viver em fam\u00edlia. Nesse sentido \u00e9 prov\u00e1vel que em alguns contextos cat\u00f3licos se possa falar verdadeiramente de uma redescoberta, a possibilidade da fam\u00edlia como tal ser protagonista da pr\u00f3pria viv\u00eancia religiosa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Sobre o ir \u00e0 missa: \u00e9 sabido que nos \u00faltimos anos a pr\u00e1tica dominical tem estado em decr\u00e9scimo, mas nesta fase em que tantas par\u00f3quias procuraram estar pr\u00f3ximas das pessoas, e h\u00e1 muitos padres que garantem que nunca tiveram tanta gente a participar na missa na igreja, como t\u00eam tido a acompanhar as celebra\u00e7\u00f5es que transmitem atrav\u00e9s dos meios digitais. O que \u00e9 que isso poder\u00e1 significar? Ser\u00e1, de facto, pontual este desejo de ir \u00e0 igreja quando ela est\u00e1 fechada, ou poder\u00e1 acontecer que se passe a valorizar mais a celebra\u00e7\u00e3o em comunidade?<\/em><\/p>\n<p>Penso que n\u00e3o s\u00e3o exclusivas essas dire\u00e7\u00f5es, sendo que hoje a regularidade tem \u00e0s vezes medidas diferentes. Uma das coisas que estudei em 2011\/2012 foi, precisamente, verificar que h\u00e1 cat\u00f3licos que recomp\u00f5em a sua regularidade (em ir \u00e0 missa) num quadro que n\u00e3o \u00e9 o que a institui\u00e7\u00e3o esperaria. Ou seja, houve pessoas que responderam de uma forma consistente que iam uma a duas vezes \u00e0 missa por m\u00eas, mas percebemos, quando analis\u00e1mos o seu perfil, que se tratava de um comportamento est\u00e1vel, havia uma regularidade. N\u00e3o era a regularidade esperada pela institui\u00e7\u00e3o, mas era a forma como se vinculavam \u00e0 comunidade cat\u00f3lica.<\/p>\n<p>Penso que de alguma maneira este contexto vai tornar mais vis\u00edvel que hoje, em particular no universo cat\u00f3lico, quando falamos de perten\u00e7a temos de falar necessariamente de uma realidade que pode ter muitos matizes, e que quem continua a ter a experi\u00eancia cat\u00f3lica como uma refer\u00eancia, mesmo que a alguma dist\u00e2ncia &#8211; pessoas que porventura estavam um pouco distanciadas dos dinamismos comunit\u00e1rios cat\u00f3licos -, na medida em que h\u00e1 outras possibilidades de aceder a essas din\u00e2micas por outros meios, precisamente porque o catolicismo continua a ser para elas uma refer\u00eancia, de alguma maneira viram outras oportunidades de manterem essa mem\u00f3ria de rela\u00e7\u00e3o com o catolicismo, de manterem isso de uma forma viva.<\/p>\n<p>Diria que no fim disto tudo n\u00e3o vamos ter necessariamente mais pessoas a ir \u00e0 missa do que iam, tamb\u00e9m n\u00e3o vamos ter menos pessoas a ir \u00e0 missa do que iam, mas se eventualmente algumas destas experi\u00eancias se estruturarem como formas de as comunidades estarem presentes noutro tipo de sociabilidades e habitats, podemos ter claramente o in\u00edcio de qualquer coisa diferente.<\/p>\n<figure id=\"attachment_165591\" aria-describedby=\"caption-attachment-165591\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/camara-igreja_manchete.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-165591\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/camara-igreja_manchete-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/camara-igreja_manchete-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/camara-igreja_manchete-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/camara-igreja_manchete-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/camara-igreja_manchete-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/camara-igreja_manchete-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/camara-igreja_manchete-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/camara-igreja_manchete-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/camara-igreja_manchete.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-165591\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Arquidiocese de Braga<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>V\u00e1rios bispos j\u00e1 elogiaram a criatividade que tem havido nas par\u00f3quias, e por parte de alguns sacerdotes, para estarem pr\u00f3ximos das comunidades, utilizando os meios digitais. S\u00e3o formas de comunicar que a Igreja n\u00e3o deve desprezar no futuro?<\/em><\/p>\n<p>Sim. De uma forma geral a Igreja tem acompanhado as muta\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas, do ponto de vista da comunica\u00e7\u00e3o. Recordo-me quando h\u00e1 uns anos os notici\u00e1rios abriram com a not\u00edcia de que o Papa Bento XVI tinha feito o seu primeiro tweet! O uso instrumental destes meios \u00e9 algo que de uma forma geral as comunidades religiosas fazem desde h\u00e1 muito tempo. O problema \u00e9 que estes meios n\u00e3o s\u00e3o apenas instrumentos, constituem-se como contextos de novas formas de rela\u00e7\u00e3o, novas formas de estabelecer v\u00ednculos.<\/p>\n<p>Esta experi\u00eancia aquilo que mostra \u00e0s comunidades \u00e9 que, de facto, uma coisa \u00e9 ter um site informativo, uma esp\u00e9cie de placard que passou da entrada da igreja para a internet, outra coisa \u00e9 habitar estes contextos de vida digital. E habit\u00e1-los implica, obviamente, conhecer e falar a sua gram\u00e1tica, e eu julgo que a experi\u00eancia que algumas comunidades fizeram vai ajudar nesta muta\u00e7\u00e3o, deixar de pensar nestes meios apenas nessa l\u00f3gica instrumental, de meios de comunica\u00e7\u00e3o, para os pensarmos como contextos vitais, onde a vida acontece. Nesse sentido, penso que pelo menos em alguns contextos comunit\u00e1rios e institui\u00e7\u00f5es religiosas esta experi\u00eancia poder\u00e1 deixar marcas importantes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O catolicismo em particular tem vivido momentos in\u00e9ditos. Estou a lembrar-me das cerim\u00f3nias presididas pelo Papa Francisco, no Vaticano, sozinho numa Pra\u00e7a de S\u00e3o Pedro vazia. Em Portugal neste per\u00edodo de confinamento foram canceladas muitas prociss\u00f5es, vias sacras, as cerim\u00f3nias da P\u00e1scoa foram muito diferentes, teremos agora o 12 e 13 de maio em F\u00e1tima assinalado sem peregrinos. Que marcas \u00e9 que isto poder\u00e1 deixar?<\/em><\/p>\n<p>Estas excecionalidades, esta esp\u00e9cie de viv\u00eancia de grandes acontecimentos religiosos a partir de uma linguagem simb\u00f3lica e in\u00e9dita, \u00e9 no fundo uma esp\u00e9cie de metamorfose da experi\u00eancia de solid\u00e3o como experi\u00eancia de comunh\u00e3o, que \u00e9 um aspeto muito curioso. O impacto que aquelas celebra\u00e7\u00f5es do Papa Francisco tiveram no mundo diz respeito ao facto de, naquela situa\u00e7\u00e3o, todos se sentirem numa forte comunh\u00e3o.<\/p>\n<p>Como a situa\u00e7\u00e3o no mundo era de confinamento, em que todos est\u00e1vamos em isolamento &#8211; que tinha como objetivo n\u00e3o s\u00f3 a preserva\u00e7\u00e3o de si, mas a preserva\u00e7\u00e3o do outro, e nesse sentido com um grande significado social &#8211; ver uma celebra\u00e7\u00e3o daquelas, que exprime o mesmo confinamento, acaba por trazer uma densidade de comunica\u00e7\u00e3o, de comunh\u00e3o, que se calhar superou aquilo que teria acontecido numa celebra\u00e7\u00e3o absolutamente normal. Estou convencido que aquela celebra\u00e7\u00e3o do Papa teve mais impacto do que uma celebra\u00e7\u00e3o ordin\u00e1ria com a pra\u00e7a de S\u00e3o Pedro a abarrotar. E porqu\u00ea? Porque de facto aquele dispositivo em concreto teve uma rela\u00e7\u00e3o de grande intimidade com todas as pessoas que est\u00e3o a viver uma experi\u00eancia semelhante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E n\u00e3o s\u00f3 os cat\u00f3licos, neste caso.<\/em><\/p>\n<p>Exatamente, porque \u00e9 uma experi\u00eancia universal. E esse \u00e9 um aspeto muito interessante, porque de alguma maneira esse momento foi um momento determinante, ecum\u00e9nico, porque teve como mediador n\u00e3o propriamente a explicita\u00e7\u00e3o de uma doutrina, ou um c\u00f3digo ritual muito estrito, mas antes um significado humano extremamente aberto, que acabou por ter uma import\u00e2ncia muito grande. \u00c9 uma daquelas situa\u00e7\u00f5es paradoxais onde algo que \u00e9 vivido num contexto de excecionalidade acaba por nos fazer descobrir, talvez numa forma mais aguda, aquilo que \u00e9 o centro de uma celebra\u00e7\u00e3o. E muitos crist\u00e3os, muitos cat\u00f3licos, ao acompanharem aquela celebra\u00e7\u00e3o, encontraram se calhar aquilo que por vezes est\u00e1 tapado por muitas outras camadas de acontecimentos, e neste caso o que encontraram foi a viv\u00eancia de uma experi\u00eancia ritual como comunh\u00e3o, que \u00e9 o fulcro da experi\u00eancia ritual.<\/p>\n<figure id=\"attachment_167660\" aria-describedby=\"caption-attachment-167660\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/DOC.20200327.28533139.08327133.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-167660 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/DOC.20200327.28533139.08327133.jpg\" alt=\"epa08327133 Pope Francis delivers an extraordinary 'Urbi et Orbi' blessing - normally given only at Christmas and Easter - from an empty St. Peter's Square, as a response to the global coronavirus disease (COVID-19) pandemic, the Vatican, 27 March 2020. The blessing is live streamed worldwide giving the possibility for the faithful connected to receive the plenary indulgence. EPA\/YARA NARDI \/ POOL\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/DOC.20200327.28533139.08327133.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/DOC.20200327.28533139.08327133-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/DOC.20200327.28533139.08327133-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/DOC.20200327.28533139.08327133-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/DOC.20200327.28533139.08327133-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/DOC.20200327.28533139.08327133-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/DOC.20200327.28533139.08327133-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/DOC.20200327.28533139.08327133-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/DOC.20200327.28533139.08327133-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-167660\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Lusa\/EPA<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Em termos de afetos e de emo\u00e7\u00f5es, as altera\u00e7\u00f5es que tem havido tamb\u00e9m afetam as pessoas na sua viv\u00eancia da f\u00e9. Um dos efeitos colaterais da pandemia foram as restri\u00e7\u00f5es na forma de se fazer o luto e lidar com a morte. H\u00e1 traumas a este n\u00edvel que custar\u00e3o a passar?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 verdade, e penso que essa \u00e9 uma das situa\u00e7\u00f5es mais preocupantes. Essa e a situa\u00e7\u00e3o dos mais idosos, em particular os que est\u00e3o em contextos institucionais de acolhimento. O vazio que nesse contexto se vive \u00e9, de facto, preocupante. De uma forma geral, a religi\u00e3o, as comunidades religiosas t\u00eam um papel importante.<\/p>\n<p>Os ritos funer\u00e1rios s\u00e3o dos ritos mais persistentes nas sociedades. Mesmo nas sociedades extraordinariamente secularizadas, como as sociedades europeias, os ritos funer\u00e1rios s\u00e3o em muitos casos os mais persistentes. E s\u00e3o persistentes porque de alguma maneira fazem aquilo mesmo que \u00e9 suposto um rito fazer, que \u00e9 preencher simbolicamente, atrav\u00e9s de uma linguagem recebida. N\u00f3s n\u00e3o fazemos os nossos ritos, n\u00f3s recebemo-los, portanto, de alguma maneira temos ali uma linguagem que recebemos para viver um momento que \u00e9 cr\u00edtico, para o qual n\u00e3o temos palavras, n\u00e3o temos gestos, e as formas comunit\u00e1rias de viv\u00eancia desse momento, que em muitos casos s\u00e3o formas muito enraizadas nas tradi\u00e7\u00f5es religiosas, acabaram por ver grande parte dos seus recursos desfeitos, diria quase demolidos por esta pandemia.<\/p>\n<p>Parece-me seguro dizer que muitas fam\u00edlias num contexto de perda viveram este problema com uma particular dificuldade e que deve ser acompanhada. N\u00e3o tenho possibilidade de afirmar, mas talvez as comunidades de perten\u00e7a religiosa n\u00e3o pudessem ter feito, ou n\u00e3o fizeram tudo aquilo que, se calhar mesmo assim, seria poss\u00edvel fazer. Julgo que ser\u00e1, com certeza, uma das zonas mais sombrias desta experi\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Como antrop\u00f3logo como v\u00ea o uso da m\u00e1scara que, sendo obrigat\u00f3ria na maioria dos espa\u00e7os fechados, poder\u00e1 vir a s\u00ea-lo tamb\u00e9m, tudo indica, dentro das igrejas?<\/em><\/p>\n<p>Ser\u00e1, com certeza, uma experi\u00eancia de grande estranhamento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Isto n\u00e3o faz parte do Ocidente?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o, n\u00e3o faz, e, por outro lado, a minha experi\u00eancia de investiga\u00e7\u00e3o no terreno \u00e9 que os contextos de reuni\u00e3o comunit\u00e1ria, os contextos celebrativos s\u00e3o, atualmente, contextos de reconhecimento. Ou seja, as pessoas v\u00e3o a uma determinada comunidade, frequentam uma determinada celebra\u00e7\u00e3o, porque se querem encontrar com os outros, querem encontrar determinadas pessoas. O reconhecimento a partir do rosto, essa expressividade, \u00e9 de facto muito interessante.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, quando h\u00e1 uns anos fiz uma investiga\u00e7\u00e3o, mais prolongada no tempo, numa comunidade paroquial, interessou-me muito perceber, por exemplo, a forma como dentro de um grande rito como o rito dominical paroquial, a assembleia lit\u00fargica dominical &#8211; um contexto que aparece em muitos casos muito formal, muito hier\u00e1tico -, h\u00e1 uma comunica\u00e7\u00e3o expressiva, informal, entre as pessoas a partir de pequenos gestos, em muitos casos uma comunica\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do rosto, que acaba por ter um impacto muito grande nas pessoas. De facto, julgo que essa ser\u00e1 uma aprendizagem que todos ir\u00e3o fazer, mas certamente uma aprendizagem dif\u00edcil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>As consequ\u00eancias do confinamento afetam tamb\u00e9m outras religi\u00f5es, como \u00e9 o caso dos mu\u00e7ulmanos, num momento em que se celebra o Ramad\u00e3o. Em termos de investiga\u00e7\u00e3o, este per\u00edodo de mudan\u00e7as pode vir a ser alvo de estudo?<\/em><\/p>\n<p>Penso que sim, h\u00e1 algumas iniciativas que se est\u00e3o a preparar j\u00e1, nesse contexto. Um dos centros de estudos da Faculdade de Teologia, o CITER, prop\u00f4s precisamente \u2013 no recente concurso da Funda\u00e7\u00e3o para a Ci\u00eancia e a Tecnologia \u2013 um projeto que visa perceber algumas transforma\u00e7\u00f5es que esta experi\u00eancia pode ter desencadeado na viv\u00eancia do religioso.<\/p>\n<p>Diria que, neste momento, ningu\u00e9m tem ainda muita capacidade de fazer um retrato\u2026 A Hist\u00f3ria ensina-nos algo que parece importante: h\u00e1 muitos imagin\u00e1rios religiosos, muitas narrativas que, no passado, foram constru\u00eddas em contextos cr\u00edticos, como este. De alguma forma, estes contextos de uma forte experi\u00eancia de vulnerabilidade humana foram sempre contextos de forte elabora\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, sob o ponto de vista religioso. A sociedade em que vivemos, no entanto, \u00e9 desse ponto de vista uma sociedade diferente, em que a religi\u00e3o n\u00e3o tem a capacidade de ser o centro da cultura ou de ser o \u00fanico centro da cultura, como foi no passado. Portanto, \u00e9 preciso n\u00e3o perdermos de vista que a sociedade em que vivemos \u00e9 uma sociedade que vive numa cultura onde as propostas de sentido, as din\u00e2micas sociais s\u00e3o plurais. Por exemplo, neste momento as pessoas t\u00eam tamb\u00e9m uma forte confian\u00e7a nos resultados do trabalho dos cientistas\u2026 Todos ouvimos permanentemente discursos acerca das expectativas que os cientistas t\u00eam para encontrar tratamentos, ou possivelmente uma vacina. H\u00e1 um forte investimento, porque vivemos numa sociedade de mercado, onde tamb\u00e9m a ci\u00eancia fica envolvida.<\/p>\n<p>As expectativas das pessoas n\u00e3o est\u00e3o centradas apenas na resposta religiosa a esta experi\u00eancia. Na nossa cultura, \u00e9 essa sintaxe, um pouco complexa, que traz alguma coisa de novo, porque a pergunta \u00e9 esta: Quem \u00e9 que pode responder \u00e0 situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica que vivemos? \u00c9 uma pergunta leg\u00edtima. Poderia parecer que a verdadeira resposta, que todos esperamos, \u00e9 uma resposta de car\u00e1ter cient\u00edfico-tecnol\u00f3gico, mas eu penso que essa resposta seria superficial. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que ela \u00e9 essencial, mas basta observarmos o que acontece \u00e0 nossa volta para vermos que essa resposta, s\u00f3 por si, n\u00e3o chega. Ali\u00e1s, \u00e9 muito importante observar, neste per\u00edodo, a import\u00e2ncia que a cultura, as artes, os discursos, as narrativas tiveram. Penso, por exemplo, desde jornalistas que tiveram enorme protagonismo, nalguns formatos informativos em que criaram narrativas, discursos, que no fundo visavam interpretar e propor sentidos para a realidade que vivemos; penso na quantidade de iniciativas musicais, e outras, que preencheram os nossos quotidianos; na pr\u00f3pria televis\u00e3o tivemos espa\u00e7os noticiosos a abrir com can\u00e7\u00f5es, feitas em confinamento.<\/p>\n<p>O tempo que vivemos \u00e9 um tempo que mostra a complexidade das nossas refer\u00eancias culturais. N\u00f3s, hoje, n\u00e3o encontramos resposta para a nossa vida apenas num \u00fanico lugar, num \u00fanico contexto. As ofertas de sentido s\u00e3o m\u00faltiplas e os indiv\u00edduos, os grupos, as comunidades inscrevem-se nessa complexidade. Falar, neste contexto, numa esp\u00e9cie de dial\u00e9tica entre religi\u00e3o e ci\u00eancia, por exemplo, parece-me ser bastante descabido, porque o que as pessoas est\u00e3o \u00e0 procura \u00e9 de uma resposta plural para aquilo que vivem, na sua complexidade, e que n\u00e3o pode ser resolvido apenas numa dimens\u00e3o.<\/p>\n<p>Mesmo que tenhamos amanh\u00e3 uma vacina ou um tratamento eficaz, fica a pergunta acerca daquilo que vivemos e como o vivemos. Que significado tem a morte de todos estes que, para muita gente, s\u00e3o pr\u00f3ximos? E uma morte vivida em circunst\u00e2ncias in\u00e9ditas\u2026<\/p>\n<p>S\u00e3o situa\u00e7\u00f5es que nos mostram que a resposta para estes problemas \u00e9 uma resposta sempre polif\u00f3nica, porque n\u00f3s pr\u00f3prios somos, de facto, seres polif\u00f3nicos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Antrop\u00f3logo e investigador analisa as transforma\u00e7\u00f5es que o isolamento social trouxe ao n\u00edvel da viv\u00eancia da f\u00e9. Admite que h\u00e1 din\u00e2micas de comunica\u00e7\u00e3o que v\u00e3o deixar \u201cmarcas importantes\u201d, e considera que n\u00e3o poder cumprir os ritos f\u00fanebres como \u00e9 tradi\u00e7\u00e3o tem sido \u201cuma das zonas mais sombrias\u201d da atual experi\u00eancia.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":173986,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[698,200,225],"class_list":["post-173985","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-covid-19","tag-estudos-teologicos","tag-igreja-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/173985","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=173985"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/173985\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/173986"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=173985"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=173985"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=173985"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}