{"id":17388,"date":"2006-04-10T12:41:15","date_gmt":"2006-04-10T12:41:15","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/10\/semana-santa-nao-tolera-um-amor-superficial\/"},"modified":"2006-04-10T12:41:15","modified_gmt":"2006-04-10T12:41:15","slug":"semana-santa-nao-tolera-um-amor-superficial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/semana-santa-nao-tolera-um-amor-superficial\/","title":{"rendered":"Semana Santa n\u00e3o tolera um amor superficial"},"content":{"rendered":"<p>Homilia do Arcebispo de Braga na Eucaristia de Domingo de Ramos <!--more--> A Semana Santa \u00e9 momento privilegiado para a medita\u00e7\u00e3o. H\u00e1 muitas solicita\u00e7\u00f5es exteriores. Podem distrair-nos do essencial. Concentremo-nos e n\u00e3o deixemos passar mais esta oportunidade. Recordando o acolhimento festivo prestado a Cristo na Sua entrada triunfal em Jerusal\u00e9m, mergulhamos nos conte\u00fados dram\u00e1ticos da Paix\u00e3o. Tudo nos recorda o amor superficial, de circunst\u00e2ncia, daquelas multid\u00f5es. Neste \u00e9 muito f\u00e1cil estar e permanecer. Teremos de avan\u00e7ar e caminhar nas exig\u00eancias dum amor dif\u00edcil. No plano que me decidi seguir durante esta Quaresma \u2013 ir comentando a Deus caritas est &#8211; quero perscrutar \u2013 e convidar-vos a id\u00eantica experi\u00eancia \u2013 em Jesus como o amor encarnado do Pai. Cada Cerim\u00f3nia Lit\u00fargica ser\u00e1 mais um momento para descortinar aspectos novos. Cristo, nas Suas palavras e nas Suas obras, manifesta como Deus quer que o Seu amor resplande\u00e7a. Hoje, sirvo-me de tr\u00eas par\u00e1bolas (recordadas pelo Papa). Como par\u00e1bolas s\u00e3o abrangentes e abrem-se a perspectivas repletas de actualidade. Est\u00e3o a\u00ed como grito esquecido e que se devem tornar mensagens acolhidas.  1 \u2013 O Rico Avarento (Lc. 16, 19 \u2013 31) continua a repetir alertas colocando-nos perante o essencial. Ele tinha conhecimento do deveria ser. Quis ignorar ou esquecer. Tarde se apercebeu do que vale e permanece. Tinha optado pelo prazer e crit\u00e9rios de felicidade f\u00e1cil, desconsiderando os ensinamentos do passado. Fechou os olhos \u00e0 realidades que estavam na sua vida. N\u00e3o quis ver. Alheou-se. Deus respeitou a liberdade da n\u00e3o correspond\u00eancia ao Amor. S\u00f3 que o tempo passa e nunca voltar\u00e1 a oferecer oportunidades. Perdidas uma vez, perdidas para sempre. Tamb\u00e9m hoje o caminhar quotidiano est\u00e1 repleto destes apelos que passam e n\u00e3o voltam. Muitas vezes apetece reiniciar e aproveitar as ocasi\u00f5es perdidas. Elas passam e n\u00e3o voltam. O grito do \u201crico avarento\u201d diz-nos da necessidade de \u201cacautelar\u201d a vida, regressar \u201cao bom caminho\u201d do amor a Deus e aos outros.  2 \u2013 A figura do Bom Samaritano (Lc. 10, 25 \u2013 37), sublinha que a actualiza\u00e7\u00e3o do amor tem a dimens\u00e3o da humanidade e nunca se pode restringir a grupos de predilectos ou preferidos. Cristo veio abolir as barreiras das ra\u00e7as, dos credos, das na\u00e7\u00f5es e criar uma \u201ccomunidade solid\u00e1ria\u201d que nunca admite fronteiras ou condicionantes. Vive-se para quem se encontra e a todos se entrega a dedica\u00e7\u00e3o do mesmo Cristo. No mundo moderno, perante um fen\u00f3meno de globaliza\u00e7\u00e3o que poderia aproximar, assistimos a uma fragmenta\u00e7\u00e3o da sociedade onde se colocam barreiras de hostilidade ou, ainda mais grave e frequentemente, de indiferen\u00e7a. A comum dignidade de todo e qualquer ser humano n\u00e3o permite fen\u00f3menos de marginaliza\u00e7\u00e3o ou exclus\u00e3o. O fundamentalismo intolerante, o racismo selectivo e destruidor, o terrorismo amea\u00e7ador, os actos de vandalismo por raz\u00f5es ideol\u00f3gicas ou de repres\u00e1lia, tudo deve ser exclu\u00eddo. S\u00f3 uma integra\u00e7\u00e3o universal permite uma verdadeira igualdade, fundamento duma democracia justa que a todos acolhe mesmo n\u00e3o concordando com os crit\u00e9rios que orientam as op\u00e7\u00f5es dos outros. Neste acolhimento universal, precisamos de acolher a vida como dom a iniciar na concep\u00e7\u00e3o e a consumar-se numa morte digna. Difunde-se uma mentalidade de querer a reconhecer s\u00f3 certos par\u00e2metros e realizam-se actos que nunca se podem integrar numa humanidade evolu\u00edda. Fala-se no progresso, ci\u00eancia e esquece-se o essencial. Esta universalidade n\u00e3o se pode refugiar nos discursos bem elaborados e nas considera\u00e7\u00f5es das declara\u00e7\u00f5es assinadas em momentos hist\u00f3ricos. O amor exigido nunca pode ser \u201cgen\u00e9rico e abstracto\u201d, \u201cpouco comprometedor\u201d. Com ele est\u00e1 um empenho pr\u00e1tico no \u201caqui\u201d de muitas situa\u00e7\u00f5es e no \u201cagora\u201d de muitos momentos. E a cultura da vida, perante o acentuar-se da cultura da morte, vai exigir aos cat\u00f3licos muita coer\u00eancia e autenticidade. Como refere o Santo Padre, \u201ccontinua a ser tarefa da Igreja interpretar sempre de novo esta liga\u00e7\u00e3o entre distante e pr\u00f3ximo na vida pr\u00e1tica dos seus membros\u201d. S\u00f3 uma atitude reflectida se aperceber\u00e1 de tantos momentos dif\u00edceis que exigem um \u201cpr\u00f3ximo\u201d que pare e se detenha. O anonimato e o caminhar ao lado das situa\u00e7\u00f5es nunca favorece uma sociedade justa e fraterna. Iniciamos a Quaresma aceitando, com Jesus, ter compaix\u00e3o pelas multid\u00f5es. A Semana Santa convida a reconhecer que Ele deu a vida pelos Seus. Isto \u00e9 o n\u00facleo central de todo o cristianismo e, nesta perspectiva, o crist\u00e3o n\u00e3o se resigna a elencar ou denunciar situa\u00e7\u00f5es degradantes ou lesivas da dignidade humana. Vai ao encontro e transforma a palavra amor num programa que revela o rosto de Deus.  3 \u2013 Se Jesus \u00e9 o amor encarnado de Deus, reconhecemos outra perspectiva na considera\u00e7\u00e3o da par\u00e1bola do Ju\u00edzo Final. A\u00ed o amor vivido \u00e9 \u201co crit\u00e9rio para a decis\u00e3o definitiva para o valor ou inutilidade duma vida humana\u201d. Esta sendo dom de Deus ter\u00e1 de tornar-se dom e o cristianismo deve apresentar-se como doa\u00e7\u00e3o a todos e, particularmente, aos necessitados.  Habituamos, e ainda estamos imbu\u00eddos deste esp\u00edrito, a situar o cristianismo no interior das igrejas tornando-o culto vazio de significado, uma vez que as \u201cofertas\u201d n\u00e3o incidiram sobre a vida. Viv\u00edamos a pensar na vida eterna a alcan\u00e7ar como recompensa e project\u00e1vamos o cristianismo neste \u00e2mbito de vida que h\u00e1-de vir. Cremos e devemos aprofundar sempre mais a nossa f\u00e9 na vida eterna. Mas esta \u00e9 caminhada iniciada no amor que vivemos para atingirmos Deus-Amor. Cristo identificou-se com todo e qualquer ser humano e a recompensa est\u00e1 no fazer e o grande pecado est\u00e1 na omiss\u00e3o de quem se desliga das quest\u00f5es. \u201cAmor a Deus e amor ao pr\u00f3ximo fundem-se num todo: no mais pequenino, encontramos o pr\u00f3prio Jesus e, em Jesus, encontramos Deus\u201d (D.C.E. 15). Como estamos longe desta identidade\u2026 Vamos viver uma Semana particular. Quisemos colocar-nos perante Deus Amor. Tudo nos convidar\u00e1 a penetrar na \u201cDivina Com\u00e9dia\u201d ou \u201cNa Divina Aventura\u201d de reconhecer que estamos sempre a reiniciar este jogo de amor. \u201cO amor ao pr\u00f3ximo \u00e9 uma estrada para encontrar tamb\u00e9m a Deus, e fechar os olhos diante do pr\u00f3ximo torna cegos tamb\u00e9m diante de Deus\u201d. S\u00f3 O vermos e O veremos eternamente, se agora O reconhecemos.  <i>+ Jorge Ferreira da Costa Ortiga, Arcebispo Primaz<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia do Arcebispo de Braga na Eucaristia de Domingo de Ramos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[172,91,308],"class_list":["post-17388","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-braga","tag-quaresma","tag-semana-santa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17388","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17388"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17388\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17388"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17388"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17388"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}