{"id":17362,"date":"2006-04-07T18:36:45","date_gmt":"2006-04-07T18:36:45","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/07\/tradicao-do-folar-resiste-aos-seculos\/"},"modified":"2006-04-07T18:36:45","modified_gmt":"2006-04-07T18:36:45","slug":"tradicao-do-folar-resiste-aos-seculos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/tradicao-do-folar-resiste-aos-seculos\/","title":{"rendered":"Tradi\u00e7\u00e3o do Folar resiste aos s\u00e9culos"},"content":{"rendered":"<p>\u201cAinda h\u00e1 pouco me ofereceram um folar\u201d \u2013 confessou o Pe. Manuel Alves \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o dos folares na Semana Santa na zona de Valpa\u00e7os (diocese de Vila Real). Est\u00e1 nesta par\u00f3quia h\u00e1 dezenas de anos mas vive com aquele povo as tradi\u00e7\u00f5es ancestrais. A Feira do Folar de Valpa\u00e7os realiza-se de hoje a Domingo de Ramos (7 a 9 de Abril) e j\u00e1 est\u00e1 \u201cenraizada nesta gente\u201d porque \u201co trigo que n\u00f3s colh\u00edamos era espl\u00eandido e de primeira qualidade\u201d. E recorda com sabor nost\u00e1lgico: \u201cainda me lembro das malhadas feitas nesta regi\u00e3o\u201d. Na cidade de Valpa\u00e7os existe ainda o Bairro das Lajes porque era a\u00ed que se faziam as malhadas. Nesse local, os homens com os seus malhos \u201cesmagavam o trigo e o centeio\u201d.  Para al\u00e9m das searas, este concelho tamb\u00e9m \u00e9 \u201cmuito rico nos produtos do fumeiro e na castanha\u201d. Bens que d\u00e3o nome \u00e0 terra e a tornam mais conhecida. A Feira do Folar \u00e9 um exemplo disso: \u201cfeito nas v\u00e1rias aldeias do concelho, o folar est\u00e1 exposto para venda aos milhares de visitantes que acorrem a esta localidade no fim de Semana dos Ramos\u201d \u2013 avan\u00e7ou Sandra Ara\u00fajo, elemento da C\u00e2mara Municipal de Valpa\u00e7os. Uns compram-no na localidade mas \u201coutros recebem-no em suas casas gratuitamente\u201d. O Folar de Valpa\u00e7os simboliza \u201ca amizade entre as pessoas\u201d e o \u201crelacionamento entre os familiares\u201d. Muitos dos habitantes que \u00abfugiram\u00bb destas paragens para outras localidades recebem-no e \u201clembram-se das suas ra\u00edzes\u201d \u2013 descreveu o Pe. Manuel Alves. Como diz o povo \u00abcada terra tem o seu uso e cada roca tem o seu fuso\u00bb e \u201cn\u00f3s aqui temos o folar que pode ser considerado um s\u00edmbolo pascal\u201d. O ovo \u2013 um dos elementos para a feitura do folar &#8211;  \u201ctem em si um conte\u00fado de vida que est\u00e1 dentro da casca. \u00c9 o s\u00edmbolo da Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo. O ovo parece que est\u00e1 morto mas tem vida e o folar sem ovo n\u00e3o \u00e9 folar\u201d\u201d \u2013 relatou o p\u00e1roco. Quando falta uma semana para da festa das festas dos crist\u00e3os, o Pe. Manuel Alves contou que as pessoas vivem \u201cintensamente as cerim\u00f3nias da Semana Santa\u201d. Nas celebra\u00e7\u00f5es da Semana Santa \u201cera imposs\u00edvel a realiza\u00e7\u00e3o desta feira\u201d porque \u201ctemos serm\u00f5es di\u00e1rios\u201d. E avan\u00e7a: \u201cse a semana santa morresse em Valpa\u00e7os era como tirar o cora\u00e7\u00e3o \u00e0 vida espiritual deste povo\u201d.  <b>Senhora da Roca<\/b> Na Quinta-Feira e Sexta-Feira Santa realiza-se tamb\u00e9m uma prociss\u00e3o quaresmal em Valpa\u00e7os. Levada no andor \u201ctransportado pelas senhoras\u201d, a Senhora da Roca \u2013 uma \u201cimagem que s\u00f3 tem m\u00e3os e cabe\u00e7a\u201d &#8211; sai \u00e0s ruas da cidade \u201ctoda adornada\u201d. Os homens t\u00eam a seu cargo o andor do Senhor dos Passos. Depois os andores encontram-se e \u201ctemos um serm\u00e3o que muitas vezes faz chorar as pessoas\u201d \u2013 disse a tia Aninhas.  <b>Receita do folar<\/b> Peneira-se a farinha com um pouco de sal num alguidar e faz-se uma cova no meio. Desfaz-se o fermento de padeiro em 0,5 dl de \u00e1gua t\u00e9pida, deita-se na cova da farinha e vai-se envolvendo nela.  Colocam-se os ovos inteiros com a casca numa tigela e cobrem-se com \u00e1gua morna. Alguns minutos depois, abrem-se para dentro da farinha (sempre ao centro) e vai-se  fazendo absorver a farinha trabalhando-a a partir do centro. Derreta as gorduras em lume brando. Junta-se \u00e0 massa e trabalha-se tudo adicionando \u00e1gua necess\u00e1ria at\u00e9 obter  uma massa fina. A seguir, bate-se a massa com as m\u00e3os at\u00e9 esta se desprender completamente do alguidar.  A massa considera-se bem batida quando aparecem uma bolhas \u00e0 superf\u00edcie. Nesta altura polvilha-se a massa com um pouco de farinha, cobre-se com um pano e envolve-se o alguidar com um cobertor. Coloca-se num local t\u00e9pido e onde possa receber um pouco de calor indirecto. A massa leva 2 horas a levedar. Est\u00e1 levedada quando atingir o dobro e apresentar um aspecto rendado. Tem-se um tabuleiro rectangular, cujos bordos n\u00e3o devem exceder 8 cm de altura, muito bem untado com banha.  Cortam-se o chouri\u00e7o e o salpic\u00e3o \u00e0s rodelas, o presunto \u00e0s tiras e desossa-se o frango limpando-o de peles e ossos e desfazendo-o em febras. Divide-se a massa em tr\u00eas partes, devendo uma delas ser um pouco maior. Estende-se esta parte maior e forram-se com ela o fundo e os lados do tabuleiro. Espalha-se por cima metade da por\u00e7\u00e3o das carnes e salsa e cobre-se com a segunda parte das massa, sobre a qual disp\u00f5em as restantes carnes. Finalmente, tapa-se o folar com a terceira parte da massa e unem-se os bordos a esta camada final.  Deixa-se levedar novamente o folar at\u00e9 aparecerem bolhinhas a superf\u00edcie. Nesta altura, pincela-se com gema de ovo e leva-se a cozer em forno bem quente durante cerca de 45 minutos. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cAinda h\u00e1 pouco me ofereceram um folar\u201d \u2013 confessou o Pe. Manuel Alves \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o dos folares na Semana Santa na zona de Valpa\u00e7os (diocese de Vila Real). Est\u00e1 nesta par\u00f3quia h\u00e1 dezenas de anos mas vive com aquele povo as tradi\u00e7\u00f5es ancestrais. 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