{"id":173619,"date":"2020-05-05T11:55:06","date_gmt":"2020-05-05T10:55:06","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=173619"},"modified":"2020-05-05T11:57:14","modified_gmt":"2020-05-05T10:57:14","slug":"lusofonias-as-licoes-da-ginkgo-biloba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-as-licoes-da-ginkgo-biloba\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS  As li\u00e7\u00f5es da Ginkgo Biloba"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves, em Roma<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/tonyPedroCap18GingkoBiloba.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-173624\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/tonyPedroCap18GingkoBiloba.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/tonyPedroCap18GingkoBiloba.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/tonyPedroCap18GingkoBiloba-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/tonyPedroCap18GingkoBiloba-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/tonyPedroCap18GingkoBiloba-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/tonyPedroCap18GingkoBiloba-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/tonyPedroCap18GingkoBiloba-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/tonyPedroCap18GingkoBiloba-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><\/p>\n<p>N\u00e3o se assustem. Vem do Oriente, da \u00c1sia, mas n\u00e3o \u00e9 v\u00edrus que mate. \u00c9 uma \u00e1rvore linda, sobretudo na queda da folha, quando fica toda dourada. A Nogueira do Jap\u00e3o \u00e9 o s\u00edmbolo da resist\u00eancia e da paz. Quando os americanos lan\u00e7aram, em 1945, duas bombas at\u00f3micas em Hiroshima e Nagasaki, morreu tudo. Ou quase. Quando veio a primavera seguinte, apenas uma \u00e1rvore deitou folhas: a ginkgo biloba. Por isso, ganhou estatuto de s\u00edmbolo no Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando os Espiritanos come\u00e7aram a preparar a celebra\u00e7\u00e3o dos 150 anos de Miss\u00e3o em Portugal, criaram uma Comiss\u00e3o. E nela constava uma leiga, bi\u00f3loga de forma\u00e7\u00e3o. \u00c9 o que acontece quando d\u00e1s vez e voz aos leigos, aparecem logo ideias novas! Assim, quando se procurava um s\u00edmbolo para este jubileu, a ginkgo biloba foi a proposta vencedora. E, na abertura das comemora\u00e7\u00f5es, no Centro de Espiritualidade Espiritana, em Silva-Barcelos (CESM), foi plantada uma grande \u00e1rvore. Quando chegamos ao jardim e me tocou a mim colocar a \u00e1rvore num grande buraco, o primeiro que ia l\u00e1 parar era eu, levado por ela, n\u00e3o fora a ajuda imediata do di\u00e1cono Elson, hoje a trabalhar numa das favelas de S. Paulo.\u00a0 Depois, cada comunidade espiritana recebeu uma mais pequena para plantar em casa, espalhando estas \u00e1rvores pelo pa\u00eds. Na cerim\u00f3nia de passagem de testemunho, como Provincial para o P. Pedro Fernandes, foi uma ginkgo biloba que lhe ofereci, n\u00e3o para o assustar com a dificuldade da sua nova miss\u00e3o, mas para lhe dizer que, com a for\u00e7a do Esp\u00edrito e com a uni\u00e3o de todos, n\u00e3o h\u00e1 causas imposs\u00edveis!<\/p>\n<p>Pois, os tempos de pandemia fizeram-me regressar a esta \u00e1rvore e aos valores que ela transmite. \u00c9 duro submeter-se a \u2018bombas at\u00f3micas\u2019, como esta que o covid fez estourar na humanidade inteira. Mas fique claro que o mal nunca tem a \u00faltima palavra e que haver\u00e1 sempre lugar para a resist\u00eancia, a esperan\u00e7a e o futuro. Por isso, sugiro que todos plantemos ginkgo bilobas nas nossas aldeias, vilas e cidades \u2026<\/p>\n<p>Quando a pandemia come\u00e7ou a matar em It\u00e1lia, as pessoas puseram \u00e0 janela cartazes a dizer: \u2018tutto andr\u00e0 benne!\u2019. Ora, isto n\u00e3o era uma convic\u00e7\u00e3o, era uma vontade. Todos fomos percebendo, desde a primeira hora, que isto n\u00e3o ia acabar bem. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o seria o fim da hist\u00f3ria, haveria muito a ganhar e a crescer, em termos de civiliza\u00e7\u00e3o e cultura, se as pessoas se dessem as m\u00e3os e combatessem juntas contra estes v\u00edrus e as suas maldosas consequ\u00eancias. Olhar para a gikgo biloba \u00e9 abrir janelas ao futuro, \u00e9 combater juntos pelas pessoas, sobretudo pelas mais fr\u00e1geis, \u00e9 aceitar os desafios constantes do Papa Francisco para nos deslocarmos para as periferias e margens. Nunca o \u2018amai-vos uns aos outros\u2019 teve tanta actualidade.<\/p>\n<p>Estamos num confinamento para matar o v\u00edrus ou, pelo menos, criar condi\u00e7\u00f5es para poder viver com ele. Se \u2018ficar em casa\u2019 \u00e9 poss\u00edvel para quem tem meios, isto \u00e9 impratic\u00e1vel para quem vivia dos seus afazeres e pequenos neg\u00f3cios quotidianos. Tamb\u00e9m aqui, s\u00e3o de louvar as m\u00faltiplas atitudes de quem cria condi\u00e7\u00f5es de sobreviv\u00eancia para os mais pobres. Assim, todos podemos resistir.<\/p>\n<p>Escrevo a 1 de maio, dia dos trabalhadores e n\u00e3o me canso de rezar e de chamar a aten\u00e7\u00e3o para os milh\u00f5es de trabalhadores que perderam os seus empregos e quase condenam ao desespero as suas fam\u00edlias. \u00c9 hora de criar legisla\u00e7\u00f5es e de tomar decis\u00f5es que n\u00e3o penalizem os mais pobres e abandonados das nossas sociedades.<\/p>\n<p>E, por falar em ginkgo biloba, n\u00e3o podia esquecer D. Manuel Vieira Pinto, falecido a 30 de abril no Porto, onde estava desde o ano 2000, data em que se tornou Arcebispo Em\u00e9rito de Nampula. Foi um \u2018vision\u00e1rio\u2019, como lhe chamou o P. Jos\u00e9 Luzia, correndo enormes riscos na sua miss\u00e3o pastoral e vida pessoal. Encontrei-o e conversei longamente com ele em Nampula, no ano em que terminaria a sua miss\u00e3o de Pastor de Nampula. Era um homem com quem dava gosto falar, a quem Mo\u00e7ambique e a Igreja muito amou e, por isso, muito lhe devem. Uma aut\u00eantica ginkgo biloba de resist\u00eancia aos regimes que governaram Mo\u00e7ambique antes e depois a independ\u00eancia, opondo-se tanto ao regime colonial como \u00e0s arbitrariedades da governa\u00e7\u00e3o dos tempos conturbados do p\u00f3s-independ\u00eancia.<\/p>\n<p>Termino com tr\u00eas sinais de alerta: a fome est\u00e1 a aumentar no mundo. A ONU diz que 250 milh\u00f5es de pessoas v\u00e3o ser v\u00edtimas da fome, mais 130 milh\u00f5es que o previsto, tudo por causa do covid; Ant\u00f3nio Costa Silva, do Instituto Superior T\u00e9cnico (Lisboa) lembrou que \u2018se continuarmos a pensar que vamos resolver isto com o pensamento e os rem\u00e9dios antigos, vamos bater com a cabe\u00e7a na parede!\u2019; Guy Ryder, director da organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT) concluiu: \u2018o \u2018novo normal\u2019 tem de ser um normal melhor!\u2019.<\/p>\n<p>Sim, tem de ser\u2026e podemos ser inspirados pelas li\u00e7\u00f5es que tiramos desta \u00e1rvore e da sua longu\u00edssima hist\u00f3ria de resist\u00eancia a bombas, a ventos e mar\u00e9s!<\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-173619-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" 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