{"id":173613,"date":"2020-05-05T11:52:06","date_gmt":"2020-05-05T10:52:06","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=173613"},"modified":"2020-05-05T11:52:06","modified_gmt":"2020-05-05T10:52:06","slug":"a-cruz-escondida-98","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-escondida-98\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p><em>H\u00e1 um ano, o Padre Sime\u00f3n foi assassinado em plena Igreja no Burkina Faso<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h3><strong><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/BURKINA-FASO-Padre-Simeon-Yampa.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-173615 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/BURKINA-FASO-Padre-Simeon-Yampa-240x260.jpg\" alt=\"\" width=\"240\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/BURKINA-FASO-Padre-Simeon-Yampa-240x260.jpg 240w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/BURKINA-FASO-Padre-Simeon-Yampa-768x833.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/BURKINA-FASO-Padre-Simeon-Yampa-480x521.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/BURKINA-FASO-Padre-Simeon-Yampa.jpg 810w\" sizes=\"(max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/a>M\u00e1rtir por amor<\/strong><\/h3>\n<p>Passaram doze meses, mas o ataque \u00e0 Igreja de Dabl\u00f3, na Diocese de Kaya, ainda consegue surpreender. Conhece-se toda a hist\u00f3ria, o que aconteceu naquele domingo, dia 12 de Maio, mas, mesmo assim, parece ainda dif\u00edcil de compreender a raz\u00e3o de tanta viol\u00eancia, de tanto \u00f3dio. O padre Sime\u00f3n foi assassinado a tiro. Agora, na Quaresma deste ano, a Funda\u00e7\u00e3o AIS recordou-o como m\u00e1rtir e her\u00f3i por amor\u2026<\/p>\n<p>Como quase sempre acontecia aos domingos, a capela estava cheia de fi\u00e9is. Quase j\u00e1 no fim da Missa, escutaram-se gritos. Foi quando homens armados irromperam pelo templo aos tiros, causando enorme confus\u00e3o e terror. Seriam mais de vinte, talvez trinta. Nunca se soube o n\u00famero exato. Eram muitos. Junto ao padre, no altar, estavam alguns jovens ac\u00f3litos. Num \u00edmpeto, o padre Sime\u00f3n arrastou-os para a sala ao lado, a sacristia, procurando proteg\u00ea-los. E conseguiu. Os jovens foram poupados mas o padre n\u00e3o. Foi executado a tiro logo ali. Com ele mais cinco crist\u00e3os perderam a vida. Antes de abandonaram a igreja, os terroristas obrigaram ainda os fi\u00e9is a retirar os crucifixos e outros objetos religiosos que traziam consigo depositando-os no altar. E deixaram uma amea\u00e7a: as mulheres teriam de passar a vestir-se tal como as mu\u00e7ulmanas, cobrindo-se com um v\u00e9u. Caso contr\u00e1rio, seriam tamb\u00e9m assassinadas quando eles regressassem \u00e0 aldeia. Como se n\u00e3o bastasse o rasto de sangue e morte, os terroristas ainda queimaram o altar, as imagens, grande parte do edif\u00edcio e saquearam e destru\u00edram v\u00e1rias lojas existentes no bairro e o centro de sa\u00fade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>Dedo no gatilho<\/strong><\/h3>\n<p>O padre Sime\u00f3n Yampa era muito querido da comunidade. Todas as fotografias mostram-no a sorrir, com um rosto jovial. Tinha apenas 34 anos mas o bispo local dera-lhe uma tarefa importante. Al\u00e9m da par\u00f3quia de Dabl\u00f3 tinha ainda a responsabilidade pelo di\u00e1logo inter-religioso na diocese. Nos \u00faltimos tempos a regi\u00e3o vivia j\u00e1 amedrontada por relatos de outros ataques, pelas hist\u00f3rias contadas por sobreviventes \u00e0 barb\u00e1rie dos homens de negro. O di\u00e1logo entre religi\u00f5es era, tamb\u00e9m por isso, muito importante. Ali, na diocese, mu\u00e7ulmanos e crist\u00e3os sempre se deram bem. Mas esse conv\u00edvio parecia agora amea\u00e7ado com as incurs\u00f5es dos terroristas que vinham proclamando com o dedo no gatilho a urg\u00eancia de um Isl\u00e3o mais radical. Desde h\u00e1 algum tempo a Igreja Cat\u00f3lica passara a ser um dos alvos dos terroristas. Era mais do que uma amea\u00e7a, era mesmo um alvo concreto. Aos poucos, os crist\u00e3os come\u00e7aram a abandonar a regi\u00e3o. As Na\u00e7\u00f5es Unidas calculam que cerca de 800 mil pessoas abandonaram j\u00e1 as suas aldeias, as suas terras, tudo o que possu\u00edam por causa dos ataques terroristas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>Cen\u00e1rio preocupante<\/strong><\/h3>\n<p>Uma equipa da Funda\u00e7\u00e3o AIS visitou no in\u00edcio do ano alguns dos locais para onde fugiram estas popula\u00e7\u00f5es e o cen\u00e1rio \u00e9 realmente muito preocupante. Na prov\u00edncia de Dori, mais de uma centena de aldeias foram j\u00e1 abandonadas. A amea\u00e7a dos jihadistas est\u00e1 presente em todo o lado. E \u00e9 vis\u00edvel at\u00e9 nos lugares abandonados. As popula\u00e7\u00f5es est\u00e3o em fuga. Crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos moderados n\u00e3o t\u00eam lugar neste novo \u2018califado\u2019 que est\u00e1 a ser constru\u00eddo nesta regi\u00e3o de \u00c1frica. \u00a0Ningu\u00e9m sabe exatamente como os terroristas s\u00e3o financiados. Ningu\u00e9m sabe como compram as armas mas tamb\u00e9m ningu\u00e9m duvida que s\u00e3o cada vez mais fortes, mais numerosos. N\u00e3o \u00e9 incomum haver relatos de que as for\u00e7as de seguran\u00e7a se t\u00eam mostrado incapazes de enfrentar os terroristas por terem pior armamento do que eles. E o medo vai fazendo o seu caminho\u2026 As aldeias esvaziam-se, as escolas ficam de portas fechadas. O deserto instala-se na regi\u00e3o. As autoridades parecem incapazes de lidar com esta realidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>Grupos criminosos<\/strong><\/h3>\n<p>Os pa\u00edses est\u00e3o fechados nos seus pr\u00f3prios problemas, nas suas necessidades, mas estes grupos armados n\u00e3o olham a fronteiras. Chegam do Mali, do N\u00edger, do Burkina Faso, da grande regi\u00e3o do Sahel e erguem \u00e0 sua passagem as amea\u00e7adoras bandeiras negras do Estado Isl\u00e2mico. S\u00e3o grupos fundamentalistas que se financiam com o tr\u00e1fico de armas, de droga, de pessoas. S\u00e3o criminosos e n\u00e3o olham a meios para atingirem os seus fins. T\u00eam sido in\u00fameros os incidentes contra os crist\u00e3os no Burkina Faso. Alguns s\u00e3o demasiado reveladores. Por exemplo, no dia 27 de junho do ano passado, na aldeia de Bani, homens armados fizeram buscas casa a casa \u00e0 procura de crist\u00e3os. Foram identificados apenas quatro, dois deles irm\u00e3os. Todos usavam crucifixo ao pesco\u00e7o. Foram assassinados. Antes, a 15 de fevereiro, o padre salesiano espanhol C\u00e9sar Fern\u00e1ndez foi morto a tiro na fronteira com o Togo. Um m\u00eas depois, foi raptado outro sacerdote junto \u00e0 fronteira com o Mali. Desde ent\u00e3o, desconhece-se o que aconteceu ao\u00a0Padre\u00a0Joel Yougbare.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>Testemunhos da barb\u00e1rie<\/strong><\/h3>\n<p>Joel Yougbare era muito amigo do padre Roger Kogolo. O padre Roger pertence \u00e0 diocese de Dori, situada no norte do pa\u00eds.\u00a0\u00c9 uma das regi\u00f5es mais atingidas pela viol\u00eancia das mil\u00edcias jihadistas. No in\u00edcio do ano, em It\u00e1lia, num encontro promovido pela Funda\u00e7\u00e3o AIS, testemunhou o drama que se vive no seu pa\u00eds. \u201cDesde o in\u00edcio do ano, dezenas de crist\u00e3os foram mortos por causa da sua f\u00e9.\u00a0Muitos abandonaram as suas cidades e comunidades.\u00a0Hoje em dia, h\u00e1 muitas pessoas deslocadas no interior do pa\u00eds.\u201d Perante a crescente amea\u00e7a e o sinal cada vez mais claro de que os crist\u00e3os s\u00e3o um dos principais alvos dos jihadistas, os sacerdotes viram-se for\u00e7ados a tomar medidas de prote\u00e7\u00e3o. O padre Roger Kogolo fala mesmo em rigorosas medidas de seguran\u00e7a. \u201cN\u00f3s, padres, n\u00e3o temos liberdade de movimento. N\u00e3o podemos deixar a par\u00f3quia, n\u00e3o podemos viajar para determinadas regi\u00f5es e temos que seguir rigorosas medidas de seguran\u00e7a para proteger as nossas vidas.\u201d O Burkina Faso est\u00e1 em convuls\u00e3o. Ningu\u00e9m sabe como esta hist\u00f3ria vai acabar, mas sabe-se que os crist\u00e3os est\u00e3o na mira das armas dos terroristas. H\u00e1 um ano, o padre Sime\u00f3n foi executado a tiro na sua Igreja no Burkina Faso. Foi morto sem piedade. Este ano, na Quaresma, foi escolhido como um dos her\u00f3is e m\u00e1rtires por amor da campanha da Funda\u00e7\u00e3o AIS.<\/p>\n<p><em>Paulo Aido | www.fundacao-ais.pt<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 um ano, o Padre Sime\u00f3n foi assassinado em plena Igreja no Burkina Faso<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":95189,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-173613","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/173613","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=173613"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/173613\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/95189"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=173613"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=173613"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=173613"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}