{"id":173477,"date":"2020-05-04T15:00:28","date_gmt":"2020-05-04T14:00:28","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=173477"},"modified":"2020-05-04T15:03:21","modified_gmt":"2020-05-04T14:03:21","slug":"do-tempo-da-liberdade-a-liberdade-do-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/do-tempo-da-liberdade-a-liberdade-do-tempo\/","title":{"rendered":"Do tempo da liberdade \u00e0 liberdade do tempo"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Padre Diamantino Alva\u00edde, <\/strong>Coordenador da Pastoral Diocesana de Lamego<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_173482\" aria-describedby=\"caption-attachment-173482\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/diamantino_alviedo-Liliana-Carona-RR.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-173482 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/diamantino_alviedo-Liliana-Carona-RR-400x240.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"240\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/diamantino_alviedo-Liliana-Carona-RR-400x240.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/diamantino_alviedo-Liliana-Carona-RR-768x461.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/diamantino_alviedo-Liliana-Carona-RR-980x588.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/diamantino_alviedo-Liliana-Carona-RR-480x288.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/diamantino_alviedo-Liliana-Carona-RR.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-173482\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Liliana Carona &#8211; RR<\/figcaption><\/figure>\n<p>No tempo, a liberdade que nele se experimenta e que dele se extrai \u00e9 pren\u00fancio de uma liberdade sem tempo, onde tudo ser\u00e1 apenas presente, sem contos nem descontos, sem venturas nem desventuras, sem tempos nem contratempos, porque tudo ser\u00e1 somente Eternidade.<\/p>\n<p>O hoje da nossa exist\u00eancia, em quase todas as sociedades e culturas, carateriza-se por ser o tempo da liberdade. Assistimos, s\u00f3 no \u00faltimo s\u00e9culo, \u00e0 queda de tantos regimes ditatoriais, \u00e0 descoloniza\u00e7\u00e3o de tantas na\u00e7\u00f5es, \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o de tantas democracias, ao surgimento de tantas economias liberais, ao proliferar de tantas ideologias pol\u00edticas que afincadamente defendem uma exacerbada luta por igualdades que garantam a liberdade de tudo e de todos.<\/p>\n<p>No entanto, no decurso da Hist\u00f3ria vamos sendo assaltados por vicissitudes que nos mostram cabalmente que, mais importante e imprescind\u00edvel que o tempo da liberdade, \u00e9 a liberdade do tempo. Isto \u00e9, aquela que se usa n\u00e3o porque achamos que podemos fazer tudo o que queremos quando nos apetece, mas da qual nos servimos para fazer o que devemos, cientes de que nem tudo e nem sempre podemos, ainda que muito o desejemos.<\/p>\n<p>Se quisermos uma prova evidente disto mesmo basta olharmos para o que t\u00eam sido para n\u00f3s as \u00faltimas semanas, ou os \u00faltimos meses. Excetuam-se aqui aqueles que por for\u00e7a da sua profiss\u00e3o tiveram que continuar a sua atividade, muitos ainda com maior exig\u00eancia laboral. Para os outros, uma maioria significativa que tivemos de \u201cficar em casa\u201d, viv\u00edamos o tempo da liberdade em que o rel\u00f3gio se apresentava como um advers\u00e1rio violento, porque fazia passar velozmente o tempo, e este nunca chegava para tanto que t\u00ednhamos para e por fazer. Hoje, o rel\u00f3gio continua a ser um inimigo. J\u00e1 n\u00e3o pelas mesmas raz\u00f5es. Mas, pelo contr\u00e1rio, porque n\u00e3o acelera o curso dos minutos e das horas, e nunca mais este tempo passa.<\/p>\n<p>Antes program\u00e1vamos o tempo como donos de uma liberdade que control\u00e1vamos e nos permitia fazer planos exatos e calculados ao segundo. Agora, a liberdade do tempo que passa vagarosamente \u00e9 que nos programa e exige de n\u00f3s a paci\u00eancia e a capacidade de inventar e reinventar, uma e outra coisa que n\u00e3o apontamos na agenda, mas que vamos escrupulosamente realizando como se fosse a mais urgente e importante de todas as tarefas.<\/p>\n<p>Antes arrisc\u00e1vamos sem medos e sem reservas, porque era o tempo da liberdade que nos dava largas para contactos e festas, para beijos e abra\u00e7os, para risos e emo\u00e7\u00f5es, tantas vezes sem os valorizarmos. Agora, cerca-nos o medo e a incerteza, envolve-nos o desassossego e a d\u00favida, que nos confinam aos movimentos essenciais em espa\u00e7os reduzidos, mas que por sua vez nos trazem a liberdade do tempo que agora \u00e9 realmente nosso, porque \u00e9 essencial para n\u00f3s e para aqueles que s\u00e3o nossos, e at\u00e9 para Aquele a quem nem tempo t\u00ednhamos para dar.<\/p>\n<p>Antes era o tempo da liberdade em que t\u00ednhamos de fazer tudo para todos e com todos, a n\u00edvel profissional, social, recreativo, desportivo, etc., porque em sociedade a liberdade do outro depende tamb\u00e9m do bom exerc\u00edcio da minha liberdade e do n\u00e3o adiamento das minhas responsabilidades. Agora, a liberdade do tempo peculiar que vivemos obriga-nos a olhar para dentro, a fazer o que \u00e9 s\u00f3 nosso e que h\u00e1 tanto tempo and\u00e1vamos a adiar, porque a minha e a liberdade do outro dependem (temporariamente) do nosso isolamento<em>.<\/em><\/p>\n<p>Antes abomin\u00e1vamos ideologias totalit\u00e1rias e evit\u00e1vamos homens desp\u00f3ticos que amea\u00e7avam a possibilidade de viver o tempo da liberdade, que em tempos nos custou a ganhar. Agora percebemos que afinal nenhum homem, governo ou na\u00e7\u00e3o \u00e9 capaz de nos garantir a melhor de todas as liberdades. Porque afinal, quando estes n\u00e3o s\u00e3o capazes de controlar no tempo um qualquer contratempo, o que primeiro nos pedem \u00e9 que nos isolemos, nos fechemos e nos confinemos, para que a liberdade do tempo volte antes que o nosso tempo acabe.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Diamantino Alva\u00edde, Coordenador da Pastoral Diocesana de Lamego<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":173480,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-173477","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/173477","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=173477"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/173477\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/173480"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=173477"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=173477"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=173477"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}