{"id":17318,"date":"2006-04-06T11:30:34","date_gmt":"2006-04-06T11:30:34","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/06\/religiosidade-popular-na-celebracao-da-pascoa\/"},"modified":"2006-04-06T11:30:34","modified_gmt":"2006-04-06T11:30:34","slug":"religiosidade-popular-na-celebracao-da-pascoa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/religiosidade-popular-na-celebracao-da-pascoa\/","title":{"rendered":"Religiosidade popular na celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa"},"content":{"rendered":"<p>O \u00abDirect\u00f3rio sobre a piedade popular e a Liturgia\u00bb publicado pela Congrega\u00e7\u00e3o para o Culto Divino e a disciplina dos Sacramentos em 2001 [editados em portugu\u00eas pelas Edi\u00e7\u00f5es Paulinas e pelo Apostolado da Ora\u00e7\u00e3o em 2003] sublinha que a piedade popular se compraz na devo\u00e7\u00e3o a Cristo Crucificado. Contudo \u2013 adverte-se no n. 128 \u2013 \u00aba piedade para com a Cruz precisa, frequentemente, de ser esclarecida. Importa, na verdade, mostrar aos fi\u00e9is a refer\u00eancia essencial da Cruz ao acontecimento da Ressurrei\u00e7\u00e3o: a Cruz e o sepulcro vazio, a Morte e a Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo s\u00e3o insepar\u00e1veis na narra\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica e no des\u00edgnio salv\u00edfico de Deus\u00bb. \u00c9 conhecido e prezado o grande envolvimento do povo nos ritos da Semana Santa, alguns dos quais conservam marcas de proveni\u00eancia popular. Deve, por\u00e9m deplorar-se e corrigir-se o \u00abparalelismo celebrativo\u00bb que no decurso dos s\u00e9culos se introduziu, tendo como resultado \u00abdois ciclos com formula\u00e7\u00f5es diferentes: um rigorosamente lit\u00fargico, o outro caracterizado por exerc\u00edcios de piedade peculiares, especialmente as prociss\u00f5es\u00bb (n. 138). \u00c0 pastoral da Igreja compete superar esta diverg\u00eancia apostando decididamente numa \u00abcorrecta harmoniza\u00e7\u00e3o das celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas e dos exerc\u00edcios de piedade. De facto, relativamente \u00e0 Semana Santa, a aten\u00e7\u00e3o e o amor pelas manifesta\u00e7\u00f5es de piedade, tradicionalmente t\u00e3o queridas do povo, devem conduzir \u00e0 necess\u00e1ria estima pelas ac\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas, certamente sustentadas pelos actos de piedade popular\u00bb (n. 138). A prop\u00f3sito da celebra\u00e7\u00e3o do Domingo de Ramos, o Direct\u00f3rio conhece o apre\u00e7o da piedade popular pelos ramos de oliveira ou de outras \u00e1rvores benzidos nessa ocasi\u00e3o e levados na prociss\u00e3o. Mas preconiza: \u00ab\u00e9 preciso que os fi\u00e9is sejam instru\u00eddos sobre o significado da celebra\u00e7\u00e3o, para que se compreenda o seu sentido. Ser\u00e1 oportuno, por exemplo, insistir em que aquilo que \u00e9 verdadeiramente importante \u00e9 a participa\u00e7\u00e3o na prociss\u00e3o e n\u00e3o obter apenas a palma ou o raminho de oliveira; que estes n\u00e3o se devem conservar \u00e0 maneira de amuletos \u2026 o que poderia ser uma forma de supersti\u00e7\u00e3o. A palma e o raminho de oliveira s\u00e3o conservados, antes de mais, como testemunho da f\u00e9 em Cristo, rei messi\u00e2nico, e na sua vit\u00f3ria pascal\u00bb (n. 139). Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Quinta-Feira Santa, corrige-se algum equ\u00edvoco que se introduziu na piedade popular no culto ao Sant\u00edssimo Sacramento ap\u00f3s a Missa na Ceia do Senhor. O lugar da reposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9, de modo algum, um \u00absanto sepulcro\u00bb. Deve explicar-se aos fi\u00e9is \u00abo sentido da reposi\u00e7\u00e3o: realizada com austera solenidade e orientada essencialmente para a conserva\u00e7\u00e3o do Corpo do Senhor, tendo em vista a comunh\u00e3o dos fi\u00e9is na Ac\u00e7\u00e3o lit\u00fargica da Sexta-Feira Santa e para o Vi\u00e1tico dos enfermos, \u00e9 um convite \u00e0 adora\u00e7\u00e3o, silenciosa e prolongada, do admir\u00e1vel Sacramento institu\u00eddo neste dia. Portanto, em refer\u00eancia ao lugar da reposi\u00e7\u00e3o, evite-se o termo \u201csepulcro\u201d e, ao prepar\u00e1-lo, n\u00e3o se lhe d\u00ea o aspecto de um lugar de sepultura; de facto, o tabern\u00e1culo n\u00e3o deve ter a forma de um sepulcro ou de uma urna funer\u00e1ria: o Sacramento deve ser guardado num tabern\u00e1culo fechado, sem fazer a sua exposi\u00e7\u00e3o com o ostens\u00f3rio. Depois da meia-noite da Quinta-Feira Santa, a adora\u00e7\u00e3o realiza-se sem solenidade, tendo j\u00e1 iniciado o dia da Paix\u00e3o do Senhor\u00bb (n. 141). \u00abEntre as manifesta\u00e7\u00f5es de piedade popular da Sexta-Feira Santa, al\u00e9m a Via-Sacra, sobressai a prociss\u00e3o do \u201cSenhor morto\u201d. Ela volta a propor, nos m\u00f3dulos pr\u00f3prios da piedade popular, o pequeno cortejo de amigos e disc\u00edpulos que, depois ter deposto da Cruz e corpo de Jesus, o levam ao lugar em que estava \u201co sepulcro talhado na rocha, onde ainda ningu\u00e9m tinha sido sepultado\u201d (Lc 23, 53)\u00bb (n. 142). O Direct\u00f3rio adverte: \u00ab\u00e9 preciso que essa manifesta\u00e7\u00e3o de piedade popular nunca apare\u00e7a aos olhos dos fi\u00e9is \u2013 nem pela escolha da hora nem pela modalidade da convoca\u00e7\u00e3o destes \u2013 como um suced\u00e2neo das celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas de Sexta-Feira Santa. Portanto, na programa\u00e7\u00e3o pastoral da Sexta-Feira Santa dever-se-\u00e1 dar o primeiro lugar e o maior relevo \u00e0 solene Ac\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, esclarecendo tamb\u00e9m os fi\u00e9is que nenhum outro exerc\u00edcio de piedade poder\u00e1 objectivamente substituir na sua estima esta celebra\u00e7\u00e3o. Por fim, para n\u00e3o cair num distorcido hibridismo celebrativo, evite-se a integra\u00e7\u00e3o da prociss\u00e3o do \u201cSenhor Morto\u201d no \u00e2mbito da solene Ac\u00e7\u00e3o lit\u00fargica da Sexta-Feira Santa\u00bb (n. 143). Esta formula\u00e7\u00e3o p\u00f5e em realce o crit\u00e9rio que deve orientar a correcta harmoniza\u00e7\u00e3o entre os v\u00e1rios exerc\u00edcios da piedade popular e a Liturgia: acolher e preservar os valores da piedade popular, orientando-os para o justo apre\u00e7o e envolvimento participativo de forma complementar e integrada tanto nas ac\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas como nos actos de piedade, sem ostracismos, nem hibridismos.  <i>secretariado Diocesano de Liturgia do Porto<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O \u00abDirect\u00f3rio sobre a piedade popular e a Liturgia\u00bb publicado pela Congrega\u00e7\u00e3o para o Culto Divino e a disciplina dos Sacramentos em 2001 [editados em portugu\u00eas pelas Edi\u00e7\u00f5es Paulinas e pelo Apostolado da Ora\u00e7\u00e3o em 2003] sublinha que a piedade popular se compraz na devo\u00e7\u00e3o a Cristo Crucificado. 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