{"id":17293,"date":"2006-04-04T16:04:03","date_gmt":"2006-04-04T16:04:03","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/04\/preparacao-para-o-sacramento-do-matrimonio\/"},"modified":"2006-04-04T16:04:03","modified_gmt":"2006-04-04T16:04:03","slug":"preparacao-para-o-sacramento-do-matrimonio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/preparacao-para-o-sacramento-do-matrimonio\/","title":{"rendered":"\u00abPrepara\u00e7\u00e3o para o Sacramento do Matrim\u00f3nio\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>Documento do Conselho Pontif\u00edcio para a Fam\u00edlia de 13 de maio de 1996 <!--more--> Premissa 1. A prepara\u00e7\u00e3o para o matrim\u00f3nio, para a vida conjugal e familiar, \u00e9 de import\u00e2ncia relevante para o bem da Igreja. De facto, o sacramento do Matrim\u00f3nio tem um grande valor para toda a comunidade crist\u00e3 e, em primeiro lugar, para os esposos, cuja decis\u00e3o \u00e9 tal que n\u00e3o poderia ser sujeita \u00e0 improvisa\u00e7\u00e3o ou a escolhas apressadas. Em outras \u00e9pocas, tal prepara\u00e7\u00e3o podia contar com o apoio da sociedade, a qual reconhecia os valores e os benef\u00edcios do matrim\u00f3nio. A Igreja, sem obst\u00e1culos ou d\u00favidas, tutelava a sua santidade, sabedora do facto que o sacramento do Matrim\u00f3nio representava uma garantia eclesial, qual c\u00e9lula vital do Povo de Deus. O apoio eclesial era, pelo menos nas comunidades realmente evangelizadas, firme, unit\u00e1rio, compacto. Eram raras, em geral, as separa\u00e7\u00f5es e fal\u00eancias dos matrim\u00f3nios, e o div\u00f3rcio era considerado uma &#8220;chaga&#8221; social (cf. Gaudium et Spes = GS 47). Hoje, ao contr\u00e1rio, em n\u00e3o poucos casos, assiste-se a uma acentuada deteriora\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia e a uma certa corrup\u00e7\u00e3o dos valores do matrim\u00f3nio. Em numerosas na\u00e7\u00f5es, sobretudo economicamente desenvolvidas, o \u00edndice de casamentos \u00e9 reduzido. Costuma-se contrair matrim\u00f3nio numa idade mais avan\u00e7ada e aumenta o n\u00famero dos div\u00f3rcios e das separa\u00e7\u00f5es, at\u00e9 mesmo nos primeiros anos de vida conjugal. Tudo isto leva inevitavelmente a uma inquieta\u00e7\u00e3o pastoral, mil vezes refor\u00e7ada: quem contrai matrim\u00f3nio est\u00e1 realmente preparado para isso? O problema da prepara\u00e7\u00e3o para o sacramento do Matrim\u00f3nio, e para a vida que se lhe segue, emerge como uma grande necessidade pastoral antes de mais para o bem dos esposos, para toda a comunidade crist\u00e3 e para a sociedade. Por isso crescem em toda a parte o interesse e as iniciativas para fornecer respostas adequadas e oportunas \u00e0 prepara\u00e7\u00e3o para o sacramento do Matrim\u00f3nio.  2. O Conselho Pontif\u00edcio para a Fam\u00edlia, mantendo um contacto permanente com as Confer\u00eancias Episcopais e os Bispos, por ocasi\u00e3o de v\u00e1rios encontros, reuni\u00f5es e sobretudo das visitas \u00abad limina\u00bb, tem seguido com aten\u00e7\u00e3o a preocupa\u00e7\u00e3o pastoral no que se refere \u00e0 prepara\u00e7\u00e3o e celebra\u00e7\u00e3o do sacramento do Matrim\u00f3nio e \u00e0 vida que se lhe segue, e foi repetidamente convidado a propor um instrumento para a prepara\u00e7\u00e3o dos noivos crist\u00e3os, o qual \u00e9 o presente subs\u00eddio. Beneficiou ainda com a contribui\u00e7\u00e3o de muitos Movimentos Apost\u00f3licos, Grupos e Associa\u00e7\u00f5es que colaboram na pastoral familiar e que deram o seu apoio, os seus conselhos e experi\u00eancia para a elabora\u00e7\u00e3o deste documento de orienta\u00e7\u00e3o.  A prepara\u00e7\u00e3o para o matrim\u00f3nio constitui um momento providencial e privilegiado para aqueles que se orientam para este sacramento crist\u00e3o, e um Kayr\u00f3s, isto \u00e9, um tempo no qual Deus interpela os noivos e suscita neles o discernimento da voca\u00e7\u00e3o matrimonial e da vida na qual introduz. O noivado inscreve-se no contexto de um denso processo de evangeliza\u00e7\u00e3o. De facto, v\u00eam confluir na vida dos noivos, futuros esposos, quest\u00f5es que incidem sobre a fam\u00edlia. Eles s\u00e3o, por isso, convidados a compreender o que significa o amor respons\u00e1vel e maduro da comunidade de vida e de amor que ser\u00e1 a sua fam\u00edlia, verdadeira igreja dom\u00e9stica, que contribuir\u00e1 para enriquecer toda a Igreja.  A import\u00e2ncia da prepara\u00e7\u00e3o implica um processo de evangeliza\u00e7\u00e3o que \u00e9 matura\u00e7\u00e3o e aprofundamento na f\u00e9. Se a f\u00e9 est\u00e1 debilitada e quase inexistente (cf. Familiaris Consortio = FC 68), \u00e9 necess\u00e1rio reaviv\u00e1-la e n\u00e3o se pode excluir uma exigente e paciente instru\u00e7\u00e3o que suscite e alimente o ardor de uma f\u00e9 viva. Sobretudo onde o ambiente se paganizou, ser\u00e1 particularmente aconselh\u00e1vel um \u00abitiner\u00e1rio que recupere os dinamismos do catecumenado\u00bb (FC 66) e uma apresenta\u00e7\u00e3o das verdades crist\u00e3s fundamentais que ajudem a adquirir ou a refor\u00e7ar a maturidade da f\u00e9 dos contraentes. \u00c9 desej\u00e1vel que o momento privilegiado da prepara\u00e7\u00e3o para o matrim\u00f3nio se transforme, como sinal de esperan\u00e7a, numa Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o para as futuras fam\u00edlias.  3. P\u00f5em em evid\u00eancia tal peculiar aten\u00e7\u00e3o os ensinamentos dos Conc\u00edlio Vaticano II (GS 52), as orienta\u00e7\u00f5es do Magist\u00e9rio Pontif\u00edcio (FC 66), a pr\u00f3pria legisla\u00e7\u00e3o eclesial (Codex Iuris Canonici = CIC, can.1063; Codex Canonum Ecclesiarum Orientalium = CCEO, can. 783), o Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica (n. 1632) e outros documentos do Magist\u00e9rio, entre os quais a Carta dos Direitos da Fam\u00edlia. Os dois mais recentes documentos do Magist\u00e9rio Pontif\u00edcio a Carta \u00e0s Fam\u00edlias Gratissimam Sane e a Enc\u00edclica Evangelium Vitae (= EV) &#8211; constituem uma not\u00e1vel ajuda para a nossa tarefa.  O Conselho Pontif\u00edcio para a Fam\u00edlia, atento, como foi dito, a repetidas solicita\u00e7\u00f5es, iniciou uma reflex\u00e3o sobre este tema, concentrando-se principalmente sobre \u00abcursos de prepara\u00e7\u00e3o\u00bb, em linha com a pr\u00f3pria Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Familiaris Consortio e, para isso, percorreu um itiner\u00e1rio de redac\u00e7\u00e3o do tipo seguinte. No ano de 1991, o Conselho dedicou a sua Assembleia Plen\u00e1ria (30 de Setembro &#8211; 5 de Outubro) ao tema da prepara\u00e7\u00e3o para o Matrim\u00f3nio, para o qual a Comiss\u00e3o de Presid\u00eancia do Conselho Pontif\u00edcio para a Fam\u00edlia e os casais de c\u00f4njuges que dele fazem parte ofereceram abundante material para a elabora\u00e7\u00e3o de um primeiro esbo\u00e7o. Portanto, com data de 8-13 de Julho de 1992, foi convocado um grupo de trabalho composto de pastores, consultores e peritos, os quais reelaboraram um segundo esbo\u00e7o que foi enviado \u00e0s Confer\u00eancias Episcopais para obter contributos e sugest\u00f5es complementares. As respostas, que chegaram em grande n\u00famero, com oportunas sugest\u00f5es, foram estudadas e inseridas no esbo\u00e7o sucessivo por um grupo de trabalho, em 1995. Este conselho apresenta agora o documento-guia que \u00e9 proposto como base do trabalho pastoral relativo \u00e0 prepara\u00e7\u00e3o para o sacramento do Matrim\u00f3nio. Ser\u00e1 especialmente \u00fatil \u00e0s Confer\u00eancias Episcopais na elabora\u00e7\u00e3o do seu Direct\u00f3rio, e tamb\u00e9m para um maior empenho pastoral nas dioceses, nas par\u00f3quias e nos movimentos apost\u00f3licos (cf. FC 66).  4. A \u00abmagna carta\u00bb para as fam\u00edlias, qual \u00e9 a citada Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Familiaris Consortio, tinha j\u00e1 posto em relevo que \u00abAs mudan\u00e7as verificadas no seio de quase todas as sociedades modernas exigem que n\u00e3o s\u00f3 a fam\u00edlia, mas tamb\u00e9m a sociedade e a Igreja se empenhem no esfor\u00e7o de preparar adequadamente os jovens para as responsabilidades do seu futuro (&#8230;) Por isso a Igreja deve promover melhores e mais intensos programas de prepara\u00e7\u00e3o para o matrim\u00f3nio, a fim de eliminar, o mais poss\u00edvel, as dificuldades com que se debatem tantos casais, e sobretudo para favorecer positivamente o aparecimento e o amadurecimento de matrim\u00f3nios com \u00eaxito\u00bb (FC 66).  O C\u00f3digo de Direito Can\u00f3nico estabelece que se fa\u00e7a \u00aba prepara\u00e7\u00e3o pessoal para a celebra\u00e7\u00e3o do matrim\u00f3nio, pela qual os esposos se disponham para a santidade e os deveres do seu novo estado\u00bb (CIC can. 1063, 2, CCEO can. 783, \u00a7 1), disposi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m presente no Ordo Celebrandi Matrimonium = OCM 12.  E no discurso do Santo Padre \u00e0 Assembleia Plen\u00e1ria do Conselho para a Fam\u00edlia (4 de Outubro de 1991) acrescentava: \u00abQuanto maiores forem as dificuldades ambientais para conhecer a verdade do sacramento crist\u00e3o e da pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o matrimonial, tanto maiores devem ser os esfor\u00e7os de preparar adequadamente os esposos para as suas responsabilidades\u00bb. E continuava, ainda com observa\u00e7\u00f5es mais concretas referentes aos cursos propriamente ditos: \u00abTendes podido observar que, dada a necessidade de realizar tais cursos nas par\u00f3quias, considerando os resultados positivos dos v\u00e1rios m\u00e9todos usados, parece conveniente que se proceda a uma determina\u00e7\u00e3o exacta dos crit\u00e9rios a adoptar, sob a forma de Guia ou de Direct\u00f3rio, para oferecer uma ajuda v\u00e1lida \u00e0s Igrejas particulares\u00bb. Tanto mais que no interior das Igrejas particulares, por parte \u00abdo povo da vida e pela vida\u00bb, resulta decisiva a responsabilidade da fam\u00edlia: \u00e9 uma responsabilidade que brota da pr\u00f3pria natureza dela &#8211; uma comunidade de vida e de amor, fundada sobre o matrim\u00f3nio e da sua miss\u00e3o que \u00e9 \u00abguardar, revelar e comunicar o amor\u00bb (EV 92 e cf. FC 17).  5. Para tal fim, o Conselho Pontif\u00edcio para a Fam\u00edlia oferece este documento que tem por objectivo a prepara\u00e7\u00e3o para o sacramento do Matrim\u00f3nio e a sua celebra\u00e7\u00e3o.  As linhas que emergem constituem um itiner\u00e1rio para a prepara\u00e7\u00e3o remota, pr\u00f3xima e imediata para o sacramento do Matrim\u00f3nio (cf. FC 66). O material aqui fornecido \u00e9 destinado em primeiro lugar \u00e0s Confer\u00eancias Episcopais, aos Bispos e seus colaboradores para a pastoral da prepara\u00e7\u00e3o para o matrim\u00f3nio, mas &#8211; e n\u00e3o poderia ser de outra maneira &#8211; os pr\u00f3prios noivos est\u00e3o envolvidos e s\u00e3o objecto da preocupa\u00e7\u00e3o pastoral da Igreja.  6. Dever\u00e1 reservar-se particular aten\u00e7\u00e3o pastoral ao confronto com noivos que se encontram em situa\u00e7\u00f5es especiais, previstas pelo CIC, can. 1071, 1072, e 1125, do CCEO, can. 789 e 814, para os quais as linhas que ser\u00e3o tra\u00e7adas no documento, mesmo quando n\u00e3o possam ser totalmente aplicadas, podem apesar disso ser \u00fateis para uma recta orienta\u00e7\u00e3o e um devido acompanhamento dos noivos.  A Igreja, fiel \u00e0 vontade e aos ensinamentos de Cristo, com a sua legisla\u00e7\u00e3o, exprime a sua caridade pastoral no cuidado de cada situa\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is. Os crit\u00e9rios propostos s\u00e3o instrumentos de aux\u00edlio positivo, e n\u00e3o devem ser tomados como ulteriores exig\u00eancias constritivas.  7. A motiva\u00e7\u00e3o doutrinal de fundo que inspira o documento-guia nasce da convic\u00e7\u00e3o de que o sacramento do matrim\u00f3nio \u00e9 um bem que tem a sua origem na Cria\u00e7\u00e3o e que, por isso, afunda as suas ra\u00edzes na natureza humana. \u00abN\u00e3o lestes como o Criador, no princ\u00edpio, os fez homem e mulher? E disse: Por isso o homem deixar\u00e1 pai e m\u00e3e e se unir\u00e1 com a sua mulher, e os dois ser\u00e3o uma s\u00f3 carne\u00bb (Mt 19, 4-5). Portanto, aquilo que a Igreja realiza em favor da fam\u00edlia e do matrim\u00f3nio contribui certamente par a o bem da sociedade, enquanto tal, e de todas as pessoas, porque o matrim\u00f3nio crist\u00e3o, mesmo na sua express\u00e3o de novidade de vida, realizada pelo Cristo Ressuscitado, exprime sempre a verdade do amor conjugal e \u00e9 como uma profecia que anuncia, claramente, a verdadeira exig\u00eancia do ser humano: homem e mulher, chamados, desde a sua origem, a viver na comunh\u00e3o de vida e de amor e na complementaridade que levam a conseguir a promo\u00e7\u00e3o da dignidade humana dos c\u00f4njuges, o bem dos filhos e o bem da pr\u00f3pria sociedade, com \u00aba defesa e a promo\u00e7\u00e3o da vida&#8230; tarefa e responsabilidade de todos\u00bb (EV 91).  8. Por isso, o presente documento contempla quer as realidades humanas naturais pr\u00f3prias da institui\u00e7\u00e3o divina, quer as realidades espec\u00edficas do sacramento institu\u00eddo por Cristo, e articula-se, em concreto, em tr\u00eas partes:  1) A import\u00e2ncia da prepara\u00e7\u00e3o para o matrim\u00f3nio crist\u00e3o;  2) As etapas ou momentos da prepara\u00e7\u00e3o;  3) A celebra\u00e7\u00e3o do matrim\u00f3nio.  I A IMPORT\u00c2NCIA DA PREPARA\u00c7\u00c3O PARA O MATRIM\u00d3NIO CRIST\u00c3O  9. Ponto de partida para um itiner\u00e1rio de prepara\u00e7\u00e3o para o matrim\u00f3nio \u00e9 o conhecimento de que o contrato conjugal foi assumido e elevado pelo Senhor Jesus Cristo, na for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo, a sacramento da Nova Alian\u00e7a. Associa os c\u00f4njuges ao amor oblativo de Cristo Esposo pela Igreja, Sua Esposa (cf. Ef 5, 25-32) tornando-os imagem e participantes deste amor, faz deles um louvor ao Senhor e santifica a uni\u00e3o conjugal e a vida dos fi\u00e9is crist\u00e3os que o celebram, dando origem \u00e0 fam\u00edlia crist\u00e3, igreja dom\u00e9stica e \u00abprimeira c\u00e9lula vital da sociedade\u00bb, (Apostolicam Actuositatem, 11) e \u00absantu\u00e1rio da vida\u00bb (EV 92 e tamb\u00e9m nn. 6, 88, 94). O sacramento \u00e9, portanto, celebrado e vivido no cora\u00e7\u00e3o da Nova Alian\u00e7a, isto \u00e9, no mist\u00e9rio pascal. \u00c9 Cristo, Esposo no meio dos seus (cf. Gratissimam Sane, 18; Mt 9, 15), que \u00e9 fonte de todas as energias. Os casais e as fam\u00edlias crist\u00e3s, por isso, n\u00e3o est\u00e3o isolados nem abandonados.  Para os crist\u00e3os o matrim\u00f3nio, que tem a sua origem em Deus criador, implica al\u00e9m disso uma verdadeira voca\u00e7\u00e3o e um particular estado e vida de gra\u00e7a. Tal voca\u00e7\u00e3o, para ser amadurecida, requer uma prepara\u00e7\u00e3o adequada e especial, e \u00e9 um caminho espec\u00edfico de f\u00e9 e de amor, tanto mais que esta voca\u00e7\u00e3o \u00e9 dada ao casal para o bem da Igreja e da sociedade. E isto com todo o significado e for\u00e7a de um empenho p\u00fablico, assumido diante de Deus e da sociedade, que vai al\u00e9m dos limites individuais.  10. O matrim\u00f3nio, como comunidade de vida e de amor, quer como institui\u00e7\u00e3o divina natural, quer como sacramento, n\u00e3o obstante as dificuldades presentes, conserva sempre em si uma fonte de energias formid\u00e1veis (cf. FC 43), que, com o testemunho dos esposos, se pode tornar uma Boa Not\u00edcia, e contribuir fortemente para a nova evangeliza\u00e7\u00e3o e assegurar o futuro da sociedade. Tais energias precisam todavia de ser descobertas, apreciadas e valorizadas, pelos pr\u00f3prios esposos e pela comunidade eclesial na fase que precede a celebra\u00e7\u00e3o do matrim\u00f3nio e que constitui a prepara\u00e7\u00e3o para ele.  H\u00e1 numeros\u00edssimas dioceses no mundo, empenhadas em descobrir formas de fazer uma cada vez mais conveniente prepara\u00e7\u00e3o para o matrim\u00f3nio. S\u00e3o muitas as experi\u00eancias positivas que foram transmitidas ao Conselho Pontif\u00edcio para a Fam\u00edlia e que, sem d\u00favida, se v\u00e3o consolidando cada vez mais e trar\u00e3o um aux\u00edlio v\u00e1lido, se conhecidas e valorizadas pelas Confer\u00eancias Episcopais e por cada Bispo na pastoral das Igrejas locais.  O que aqui se chama Prepara\u00e7\u00e3o compreende um amplo e exigente processo de educa\u00e7\u00e3o para a vida conjugal, a qual deve ser considerada no conjunto dos seus valores. Por isso, a prepara\u00e7\u00e3o para o matrim\u00f3nio, se se considerar o momento psicol\u00f3gico e cultural actual, representa uma necessidade urgente. De facto, \u00e9 educar para o respeito e a protec\u00e7\u00e3o da vida, que no Santu\u00e1rio das fam\u00edlias se deve tornar uma verdadeira e pr\u00f3pria cultura da vida humana em todas as suas manifesta\u00e7\u00f5es e estados para aqueles que fazem parte do povo da vida e para a vida (cf. EV 6, 78, 105). A pr\u00f3pria realidade do matrim\u00f3nio \u00e9 t\u00e3o rica que requer primeiramente um processo de sensibiliza\u00e7\u00e3o a fim de que os noivos sintam a necessidade de se preparar. A pastoral familiar oriente, por isso, os seus melhores esfor\u00e7os para que tal prepara\u00e7\u00e3o seja de qualidade, recorrendo tamb\u00e9m a subs\u00eddios de pedagogia e psicologia de s\u00e3 orienta\u00e7\u00e3o.  Em outro documento, recentemente publicado (8 de Dezembro de 1995) pelo Conselho Pontif\u00edcio para a Fam\u00edlia e intitulado Sexualidade humana: verdade e significado. Orienta\u00e7\u00f5es educativas em fam\u00edlia, o mesmo Conselho vai ao encontro das fam\u00edlias na sua tarefa de forma\u00e7\u00e3o dos filhos sobre a sexualidade.  11. Finalmente, tornou-se mais imperativa a solicitude da Igreja em ordem a esta quest\u00e3o, pelas circunst\u00e2ncias actuais &#8211; a que nos referimos acima &#8211; nas quais se constatam, por um lado, a recupera\u00e7\u00e3o de valores e de aspectos importantes do matrim\u00f3nio e da fam\u00edlia e se reconhece o florescimento de testemunhos felizes de in\u00fameros c\u00f4njuges e fam\u00edlias crist\u00e3s. Por outro lado, aumenta o n\u00famero daqueles que ignoram ou recusam as riquezas do matrim\u00f3nio com um tipo de desconfian\u00e7a que chega a duvidar ou repelir os seus bens e valores (cf. GS 48). Hoje observamos, alarmados, a difus\u00e3o de uma \u00abcultura\u00bb ou de uma mentalidade desconfiada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia como valor necess\u00e1rio para os esposos, para os filhos e para a sociedade. H\u00e1 atitudes e medidas, contempladas nas legisla\u00e7\u00f5es, que n\u00e3o ajudam a fam\u00edlia fundada sobre o matrim\u00f3nio e negam at\u00e9 mesmo os seus direitos. De facto, uma atmosfera de seculariza\u00e7\u00e3o tem-se difundido em diversas partes do mundo e arrasta especialmente os jovens submetendo-os \u00e0 press\u00e3o de um ambiente de secularismo no qual se acaba por perder o sentido de Deus e, por consequ\u00eancia, perde-se tamb\u00e9m o sentido profundo do amor esponsal e da fam\u00edlia. N\u00e3o ser\u00e1 negar a verdade de Deus, fechar a pr\u00f3pria fonte e manancial deste \u00edntimo mist\u00e9rio? (cf. GS 22). A nega\u00e7\u00e3o de Deus, nas suas diversas formas, implica muitas vezes a recusa das institui\u00e7\u00f5es e das estruturas que pertencem ao des\u00edgnio de Deus, come\u00e7ado a concretizar-se desde a Cria\u00e7\u00e3o (cf. Mt 19, 3ss). Desta maneira, tudo \u00e9 concebido como fruto da vontade humana e ou de consentimentos que podem mudar.  12. Nos pa\u00edses em que o processo de descristianiza\u00e7\u00e3o est\u00e1 mais difundido, \u00e9 evidente a preocupante crise dos valores morais e, em particular, a perda da identidade do matrim\u00f3nio e da fam\u00edlia crist\u00e3 e, portanto, do pr\u00f3prio sentido do noivado. Ao lado destas perdas est\u00e1 a crise de valores no interior da fam\u00edlia, para a qual contribui um clima de permissividade difusa, mesmo legal. Isto \u00e9 incentivado n\u00e3o pouco pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o social que exibem modelos contr\u00e1rios como se fossem verdadeiros valores. Forma-se assim um contexto aparentemente cultural que se oferece \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es como alternativa \u00e0 concep\u00e7\u00e3o da vida conjugal e do matrim\u00f3nio, ao seu valor sacramental e \u00e0 sua liga\u00e7\u00e3o com a Igreja.  Fen\u00f3menos que confirmam esta realidade e que refor\u00e7am a dita cultura est\u00e3o ligados a novos estilos de vida que desvalorizam as dimens\u00f5es humanas dos contraentes, com desastrosas consequ\u00eancias para a fam\u00edlia. Entre estes, recorda-se aqui a permissividade sexual, a diminui\u00e7\u00e3o do n\u00famero de matrim\u00f3nios ou o adi\u00e1-los continuamente, o aumento dos div\u00f3rcios, a mentalidade contraceptiva, o difundir-se do aborto volunt\u00e1rio, o vazio espiritual e a insatisfa\u00e7\u00e3o profunda que contribuem para a difus\u00e3o da droga, do alcoolismo, da viol\u00eancia e do suic\u00eddio entre os pr\u00f3prios jovens e os adolescentes.  Em outra \u00e1reas do mundo, as situa\u00e7\u00f5es de subdesenvolvimento, at\u00e9 \u00e0 extrema pobreza, \u00e0 mis\u00e9ria, assim como a presen\u00e7a de elementos culturais adversos ou alheios \u00e0 vis\u00e3o crist\u00e3, tornam dif\u00edcil e prec\u00e1ria a pr\u00f3pria estabilidade da fam\u00edlia e o constituir-se de uma profunda educa\u00e7\u00e3o para o amor crist\u00e3o.  13. A agravar a situa\u00e7\u00e3o contribuem as leis permissivas, com toda a for\u00e7a para forjar uma mentalidade que fere a fam\u00edlia (cf. EV 59), em mat\u00e9ria de div\u00f3rcio, aborto, liberdade sexual. Muitos meios de comunica\u00e7\u00e3o difundem, e colaboram para estabelecer um clima de permissividade e criam um contexto que impede aos jovens o crescimento normal na f\u00e9 crist\u00e3, a liga\u00e7\u00e3o com a Igreja e a descoberta do valor sacramental do matrim\u00f3nio e das exig\u00eancias que derivam da sua celebra\u00e7\u00e3o. \u00c9 verdade que uma educa\u00e7\u00e3o para o matrim\u00f3nio foi sempre necess\u00e1ria, mas a cultura crist\u00e3 permitia uma mais f\u00e1cil coloca\u00e7\u00e3o e assimila\u00e7\u00e3o dela. Hoje, isto \u00e9, \u00e0s vezes, mais trabalhoso e mais urgente.  14. Por todas estas raz\u00f5es, Sua Santidade Jo\u00e3o Paulo II, na Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Familiaris Consortio &#8211; que recolhe os frutos do S\u00ednodo sobre a Fam\u00edlia, de 1980 indica que \u00aba prepara\u00e7\u00e3o dos jovens para o matrim\u00f3nio e para a vida familiar \u00e9 necess\u00e1ria hoje mais do que nunca\u00bb (FC 66) e urge \u00abpromover melhores e mais intensos programas de prepara\u00e7\u00e3o para o matrim\u00f3nio, a fim de eliminar, o mais poss\u00edvel, as dificuldades com que se debatem tantos casais, e sobretudo para favorecer positivamente o aparecimento e o amadurecimento de matrim\u00f3nios com \u00eaxito\u00bb (ibid.).  Na mesma linha, e a fim de responder de modo org\u00e2nico \u00e0s amea\u00e7as e exig\u00eancias do momento presente, \u00e9 oportuno que as Confer\u00eancias Episcopais se apressem a publicar \u00abum Direct\u00f3rio para a pastoral da fam\u00edlia\u00bb (ibid.). Nele sejam procurados e delineados os elementos considerados necess\u00e1rios para uma pastoral mais incisiva que tenda a recuperar a identidade crist\u00e3 do matrim\u00f3nio e da fam\u00edlia, a fim de que a pr\u00f3pria fam\u00edlia chegue a ser uma comunidade de pessoas ao servi\u00e7o da vida humana e da f\u00e9, c\u00e9lula primeira e vital da sociedade, comunidade crente e evangelizadora, verdadeira \u00abIgreja dom\u00e9stica, centro de comunh\u00e3o e de servi\u00e7o eclesial\u00bb (ibid.) \u00abchamada a anunciar, celebrar e servir o Evangelho da vida\u00bb (EV 92, e tamb\u00e9m nn. 28, 78, 79, 105).  15. Dada a import\u00e2ncia do tema, o Conselho Pontif\u00edcio para a Fam\u00edlia, tomando conhecimento das diversas iniciativas que surgiram nesta linha da parte de n\u00e3o poucas Confer\u00eancias Episcopais e de muitos Bispos diocesanos, convida a prosseguir com renovado empenho neste servi\u00e7o pastoral. Eles prepararam um material \u00fatil para dar um contributo \u00e0 prepara\u00e7\u00e3o do matrim\u00f3nio e para o acompanhamento da vida familiar. Em continuidade com as directivas da S\u00e9 Apost\u00f3lica, o Conselho Pontif\u00edcio prop\u00f5e estes pontos de reflex\u00e3o referidos exclusivamente a uma parte do citado Direct\u00f3rio: aquela que se refere \u00e0 prepara\u00e7\u00e3o para o sacramento do Matrim\u00f3nio. Pode assim servir para melhor delinear e desenvolver os aspectos necess\u00e1rios \u00e0 prepara\u00e7\u00e3o adequada para o matrim\u00f3nio e para a vida da fam\u00edlia crist\u00e3.  16. A Palavra de Deus, viva na tradi\u00e7\u00e3o da Igreja e aprofundada pelo Magist\u00e9rio, sublinha que o matrim\u00f3nio implica para os esposos crist\u00e3os a resposta a uma voca\u00e7\u00e3o de Deus e a aceita\u00e7\u00e3o da miss\u00e3o de serem sinal do amor de Deus para todos os membros da fam\u00edlia humana, sendo participa\u00e7\u00e3o da alian\u00e7a definitiva de Cristo com a Igreja. Assim, os esposos tornam-se cooperadores do Criador e Salvador no dom do amor e da vida. Por isso a prepara\u00e7\u00e3o para o matrim\u00f3nio crist\u00e3o pode-se classificar como um itiner\u00e1rio de f\u00e9, que n\u00e3o termina com a celebra\u00e7\u00e3o do matrim\u00f3nio mas que continua em toda a vida familiar, e assim a nossa prospectiva n\u00e3o se encerra no matrim\u00f3nio como acto, no momento da celebra\u00e7\u00e3o, mas como estado permanente. \u00c9 tamb\u00e9m por isso que a prepara\u00e7\u00e3o \u00e9 uma \u00abocasi\u00e3o privilegiada para que os noivos descubram e aprofundem a f\u00e9 recebida no baptismo e alimentada com a educa\u00e7\u00e3o crist\u00e3. Desta forma reconhecem e acolhem livremente a voca\u00e7\u00e3o de seguir o caminho de Cristo e de se p\u00f4r ao servi\u00e7o do Reino de Deus no estado matrimonial\u00bb (FC 51).  Os Bispos t\u00eam consci\u00eancia da necessidade urgente e indispens\u00e1vel de propor e articular itiner\u00e1rios de forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, no quadro de um processo de forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 que seja gradual e cont\u00ednuo (cf. OCM 15). N\u00e3o ser\u00e1 in\u00fatil, de facto, recordar que uma verdadeira prepara\u00e7\u00e3o \u00e9 orientada para uma consciente e livre celebra\u00e7\u00e3o do Matrim\u00f3nio. Mas esta celebra\u00e7\u00e3o \u00e9 fonte e express\u00e3o de implica\u00e7\u00f5es mais empenhativas e permanentes.  17. Resulta da experi\u00eancia de muitos pastores e educadores que o per\u00edodo do noivado possa ser tempo de descoberta rec\u00edproca, mas tamb\u00e9m de aprofundamento da f\u00e9 e, por isso, tempo de especiais dons sobrenaturais para uma espiritualidade pessoal e interpessoal; infelizmente, para alguns este per\u00edodo, destinado \u00e0 matura\u00e7\u00e3o humana e crist\u00e3, pode ser perturbado por um uso irrespons\u00e1vel da sexualidade que n\u00e3o chega \u00e0 matura\u00e7\u00e3o do amor esponsal. E, assim, alguns chegam a uma esp\u00e9cie de apologia das rela\u00e7\u00f5es pr\u00e9-matrimoniais.  Um feliz resultado do aprofundamento na f\u00e9 dos noivos \u00e9 tamb\u00e9m condicionado pela sua forma\u00e7\u00e3o precedente. Por outro lado, o modo como \u00e9 vivido este per\u00edodo ter\u00e1 certamente uma influ\u00eancia sobre a vida futura dos c\u00f4njuges e da fam\u00edlia. Daqui a import\u00e2ncia decisiva do aux\u00edlio que \u00e9 oferecido aos noivos pelas respectivas fam\u00edlias e por toda a comunidade eclesial. Isto \u00e9 tamb\u00e9m motivo de ora\u00e7\u00e3o; significativa a este prop\u00f3sito \u00e9 a b\u00ean\u00e7\u00e3o dos noivos prevista no De benedictionibus (nn. 195-214), onde se lembram os sinais deste empenho inicial: o anel, a troca rec\u00edproca de presentes, ou outros costumes (nn. 209-210). \u00c9 preciso no entanto reconhecer a densidade humana do noivado, evitando encar\u00e1-lo de maneira banal.  Por isso, seja a riqueza do matrim\u00f3nio como a do sacramento do Matrim\u00f3nio, seja o relevo decisivo que assume o per\u00edodo do noivado, hoje muitas vezes prolongado por v\u00e1rios anos (com as dificuldades de diversos tipos que tal situa\u00e7\u00e3o implica), s\u00e3o raz\u00f5es para requererem uma solidez particular desta forma\u00e7\u00e3o.  18. Segue-se que a programa\u00e7\u00e3o diocesana e paroquial &#8211; com planos pastorais que privilegiam a pastoral familiar, a qual enriquece o conjunto da vida eclesial &#8211; sup\u00f5e que a tarefa formativa encontre o seu espa\u00e7o adequado e o seu desenvolvimento e que, entre as dioceses e no \u00e2mbito das Confer\u00eancias Episcopais, as melhores experi\u00eancias possam ser verificadas e comunicadas numa troca de experi\u00eancias pastorais. Resulta portanto tamb\u00e9m importante conhecer as formas de catequese e de educa\u00e7\u00e3o que s\u00e3o dadas aos adolescentes, sobre os v\u00e1rios tipos de voca\u00e7\u00f5es e sobre o amor crist\u00e3o, os itiner\u00e1rios que s\u00e3o elaborados pelos noivos, as modalidades com que s\u00e3o inseridos nesta forma\u00e7\u00e3o os casais de esposos mais amadurecidos na f\u00e9 e as melhores experi\u00eancias, a fim de criar um clima espiritual e cultural id\u00f3neo para os jovens que se preparam para o matrim\u00f3nio.  19. No processo de forma\u00e7\u00e3o, conforme \u00e9 recordado tamb\u00e9m na Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Familiaris Consortio, \u00e9 necess\u00e1rio distinguir tr\u00eas etapas ou momentos principais na prepara\u00e7\u00e3o para o matrim\u00f3nio: remota, pr\u00f3xima e imediata.  As metas particulares pr\u00f3prias de cada etapa ser\u00e3o atingidas se os noivos al\u00e9m das qualidades humanas fundamentais e as verdades de f\u00e9 basilares &#8211; conhecerem tamb\u00e9m os principais conte\u00fados teol\u00f3gico-lit\u00fargicos que percorrem as diferentes fases da prepara\u00e7\u00e3o. Por consequ\u00eancia os noivos, num esfor\u00e7o de conformar a sua vida com esses valores, conseguir\u00e3o aquela forma\u00e7\u00e3o que os disp\u00f5e para a vida de c\u00f4njuges.  20. A prepara\u00e7\u00e3o para o matrim\u00f3nio deve inscrever-se na urg\u00eancia de evangelizar a cultura &#8211; permeando-a nas ra\u00edzes (cf. Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Evangelii Nuntiandi, 19) &#8211; em tudo aquilo que se refere \u00e0 institui\u00e7\u00e3o do matrim\u00f3nio: fazer penetrar o esp\u00edrito crist\u00e3o nas mentes e nos comportamentos, nas leis e nas estruturas da comunidade onde vivem os crist\u00e3os (cf. Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, n. 2105). Esta prepara\u00e7\u00e3o, quer impl\u00edcita quer expl\u00edcita, constitui um aspecto da evangeliza\u00e7\u00e3o, e assim se pode aprofundar a for\u00e7a da afirma\u00e7\u00e3o do Santo Padre: \u00abA fam\u00edlia \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o da Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o\u00bb (&#8230;). A pr\u00f3pria prepara\u00e7\u00e3o \u00abcompete primariamente aos c\u00f4njuges, chamados a serem transmissores da vida, apoiados numa consci\u00eancia sempre renovada do sentido da gera\u00e7\u00e3o, enquanto acontecimento onde, de modo privilegiado, se manifesta que a vida humana \u00e9 um dom recebido a fim de, por sua vez, ser dado\u00bb (EV 92).  Para al\u00e9m dos valores religiosos, o matrim\u00f3nio, como fundamento da fam\u00edlia, difunde sobre a sociedade abundantes bens e valores que refor\u00e7am a solidariedade, o respeito, a justi\u00e7a e o perd\u00e3o nos relacionamentos pessoais e colectivos. Por sua vez a fam\u00edlia, fundada sobre o matrim\u00f3nio, espera da sociedade \u00abser reconhecida na sua identidade e aceite na sua subjectividade social\u00bb (Gratissimam Sane, 17), e tornar-se assim \u00abcora\u00e7\u00e3o da civiliza\u00e7\u00e3o do amor\u00bb (ibid. 13).  Toda a diocese se deve empenhar nesta tarefa e dar-lhe o devido apoio. O ideal seria criar uma Comiss\u00e3o diocesana para a prepara\u00e7\u00e3o para o matrim\u00f3nio, integrando um grupo para a pastoral familiar composto de casais de esposos com experi\u00eancia paroquial, de movimentos, de peritos.  Tal Comiss\u00e3o diocesana teria a tarefa da forma\u00e7\u00e3o, do acompanhamento e da coordena\u00e7\u00e3o, em colabora\u00e7\u00e3o com centros, a v\u00e1rios n\u00edveis, empenhados neste servi\u00e7o. A Comiss\u00e3o, por sua vez, deveria ser formada por redes de equipas de leigos escolhidos colaborando para a prepara\u00e7\u00e3o em sentido amplo, e n\u00e3o s\u00f3 nos cursos. Deveria servir-se da ajuda de um coordenador, normalmente presb\u00edtero, em nome do Bispo. No caso de coordena\u00e7\u00e3o ser confiada a um leigo ou a um casal, seria oportuna a assist\u00eancia de um presb\u00edtero.  Tudo isto deve entrar no \u00e2mbito organizativo da diocese, com as suas estruturas correspondentes, como poss\u00edveis zonas a que \u00e9 anteposto um Vig\u00e1rio Episcopal e vig\u00e1rios for\u00e2neos.  II AS ETAPAS OU MOMENTOS DA PREPARA\u00c7\u00c3O  21. As etapas ou momentos a que nos referiremos n\u00e3o s\u00e3o rigidamente definidos. De facto, n\u00e3o se podem fixar nem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 idade dos destinat\u00e1rios, nem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 dura\u00e7\u00e3o. Todavia, \u00e9 \u00fatil conhec\u00ea-los como itiner\u00e1rios e instrumentos de trabalho, sobretudo por causa dos conte\u00fados a transmitir. S\u00e3o articulados em: prepara\u00e7\u00e3o remota, pr\u00f3xima e imediata.  A. Prepara\u00e7\u00e3o remota  22. A prepara\u00e7\u00e3o remota abra\u00e7a a inf\u00e2ncia, a pr\u00e9-adolesc\u00eancia e a adolesc\u00eancia, e desenrola-se sobretudo na fam\u00edlia, e tamb\u00e9m na escola e nos grupos de forma\u00e7\u00e3o, como aux\u00edlios v\u00e1lidos. \u00c9 um per\u00edodo em que \u00e9 transmitida e como que instilada a estima por todo o aut\u00eantico valor humano, seja nos relacionamentos interpessoais, seja nos sociais, com tudo o que isto significa para a forma\u00e7\u00e3o do car\u00e1cter, o dom\u00ednio e a estima de si, o recto uso das pr\u00f3prias inclina\u00e7\u00f5es, o respeito tamb\u00e9m para com as pessoas do outro sexo. Requer-se, al\u00e9m disso, especialmente para os crist\u00e3os, uma s\u00f3lida forma\u00e7\u00e3o espiritual e catequ\u00e9tica (cf. FC 66).  23. Na Carta \u00e0s Fam\u00edlias Gratissimam Sane, Jo\u00e3o Paulo II recorda duas verdades fundamentais na tarefa da educa\u00e7\u00e3o: \u00aba primeira \u00e9 que o homem \u00e9 chamado a viver na verdade e no amor; a segunda \u00e9 que cada homem se realiza atrav\u00e9s do dom sincero de si\u00bb (n.16). A educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as come\u00e7a, por isso, antes do nascimento, no ambiente em que a vida nova do nascituro \u00e9 esperada e acolhida, especialmente com o di\u00e1logo de amor entre a m\u00e3e e a sua criatura (cf. ibid. 16), e continua na inf\u00e2ncia, dado que a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 \u00absobretudo uma &#8220;oferta&#8221; de humanidade por parte de ambos os pais: estes comunicam juntos a sua humanidade madura ao rec\u00e9m-nascido\u00bb (ibid.). \u00abNa gera\u00e7\u00e3o de uma nova vida, eles tomam consci\u00eancia de que o filho &#8220;se \u00e9 fruta da rec\u00edproca doa\u00e7\u00e3o de amor dos pais, \u00e9, por sua vez, um dom para ambos: um dom que promana do dom&#8221;\u00bb (EV 92).  A educa\u00e7\u00e3o crist\u00e3 no seu sentido integral, que implica a transmiss\u00e3o e a consolida\u00e7\u00e3o dos valores humanos e crist\u00e3os como afirma o Conc\u00edlio Vaticano II \u00abn\u00e3o visa apenas \u00e0 maturidade da pessoa humana acima descrita, mas objectiva em primeiro lugar que os baptizados sejam gradativamente introduzidos no conhecimento do mist\u00e9rio da salva\u00e7\u00e3o e se tornem de dia para dia mais conscientes do dom recebido da f\u00e9&#8230; sejam treinados a orientar a pr\u00f3pria vida segundo o homem novo na justi\u00e7a e na santidade da verdade\u00bb (Gravissimum Educationis, 2).  24. N\u00e3o pode faltar, neste per\u00edodo, tamb\u00e9m uma leal e corajosa educa\u00e7\u00e3o para a castidade, para o amor como dom de si. A castidade n\u00e3o \u00e9 mortifica\u00e7\u00e3o do amor, mas condi\u00e7\u00e3o de aut\u00eantico amor. De facto, se a voca\u00e7\u00e3o ao amor conjugal \u00e9 voca\u00e7\u00e3o ao dom de si no matrim\u00f3nio, \u00e9 necess\u00e1rio chegar a possuir-se verdadeiramente a si mesmo para se poder doar.  A este respeito, \u00e9 importante a educa\u00e7\u00e3o sexual recebida dos pais nos primeiros anos da inf\u00e2ncia e da adolesc\u00eancia, como foi indicado pelo documento deste Conselho Pontif\u00edcio para a Fam\u00edlia, j\u00e1 recordado acima, no n. 10.  25. Nesta etapa ou momento da prepara\u00e7\u00e3o remota s\u00e3o atingidos objectivos espec\u00edficos. Sem ter a pretens\u00e3o de se fazer uma lista exaustiva deles, de modo indicativo recorda-se que tal prepara\u00e7\u00e3o dever\u00e1, antes de mais, conseguir a meta pela qual cada fiel, chamado ao matrim\u00f3nio, compreenda a fundo que o amor humano, \u00e0 luz do amor de Deus, assume um papel central na \u00e9tica crist\u00e3. De facto, a vida humana, como voca\u00e7\u00e3o-miss\u00e3o, \u00e9 chamamento ao amor que tem a sua nascente e o seu fim em Deus, \u00absem excluir a possibilidade do dom total de si a Deus na voca\u00e7\u00e3o \u00e0 vida sacerdotal ou religiosa\u00bb (FC 66). Neste sentido \u00e9 preciso recordar que a prepara\u00e7\u00e3o remota, mesmo quando se det\u00e9m sobre conte\u00fados doutrinais de car\u00e1cter antropol\u00f3gico, se coloca na perspectiva do matrim\u00f3nio no qual o amor humano se torna participa\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de sinal, do amor que acontece entre Cristo e a Igreja. Assim, o amor conjugal torna presente entre os homens o pr\u00f3prio amor divino tornado vis\u00edvel na reden\u00e7\u00e3o. A passagem ou convers\u00e3o de um n\u00edvel de f\u00e9 mais exterior e vago, pr\u00f3prio de muitos jovens, a uma descoberta do \u00abmist\u00e9rio crist\u00e3o\u00bb \u00e9 uma passagem essencial e decisiva: uma f\u00e9 que implica a comunh\u00e3o de Gra\u00e7a e de amor com o Cristo Ressuscitado.  26. A prepara\u00e7\u00e3o remota ter\u00e1 atingido os seus principais objectivos no momento em que tenha consentido assimilar os fundamentos para adquirir, cada vez mais, os par\u00e2metros de um recto ju\u00edzo acerca da hierarquia de valores necess\u00e1ria para escolher o que de melhor oferece a sociedade, segundo o conselho de S. Paulo: \u00abExaminai todas as coisas, conservai o que \u00e9 bom\u00bb (1 Tess. 5,19). Nem se pode esquecer que, mediante a gra\u00e7a de Deus, o amor \u00e9 curado, fortalecido e intensificado mesmo atrav\u00e9s dos necess\u00e1rios valores ligados \u00e0 doa\u00e7\u00e3o, ao sacrif\u00edcio, \u00e0 ren\u00fancia e abnega\u00e7\u00e3o. J\u00e1 nesta fase de forma\u00e7\u00e3o, a ajuda pastoral dever\u00e1 ser orientada a procurar que o comportamento moral seja regido pela f\u00e9. Um tal estilo de vida crist\u00e3 encontra o seu est\u00edmulo, apoio e consist\u00eancia no exemplo dos pais que se torna para os nubentes um verdadeiro testemunho.  27. Esta prepara\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve perder de vista um facto muito importante que consiste em ajudar os jovens a adquirir, em confronto com o ambiente, uma capacidade cr\u00edtica e a terem tamb\u00e9m a coragem crist\u00e3 de quem sabe estar no mundo sem ser do mundo. Nesse sentido leiamos a Carta a Diogneto, documento vener\u00e1vel desde a primeir\u00edssima \u00e9poca crist\u00e3 e de reconhecida autenticidade: \u00abOs crist\u00e3os n\u00e3o se diferenciam do resto dos homens nem pelo territ\u00f3rio, nem pela l\u00edngua, nem pelos costumes de vida&#8230; (contudo) prop\u00f5em-se uma forma de vida maravilhosa e, todos admitem, incr\u00edvel&#8230; Como todos os outros, casam-se e t\u00eam filhos, mas n\u00e3o matam as suas crian\u00e7as. T\u00eam em comum a mesa, mas n\u00e3o o t\u00e1lamo. Vivem na carne, mas n\u00e3o segundo a carne\u00bb (V, 1, 4, 6, 7). A forma\u00e7\u00e3o dever\u00e1 conseguir uma mentalidade e uma personalidade capazes de n\u00e3o se deixar arrastar pelas concep\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias \u00e0 unidade e \u00e0 estabilidade do matrim\u00f3nio, para assim poder reagir contra as estruturas do assim chamado pecado social que \u00abse repercute, com maior ou menor veem\u00eancia, com maior ou menor dano, sobre toda a estrutura social e sobre a inteira fam\u00edlia humana\u00bb (Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Reconciliatio et Paenitentia, 16). \u00c9 diante destes influxos de pecado e de tantas press\u00f5es sociais que deve ser revigorada uma consci\u00eancia cr\u00edtica.  28. O estilo crist\u00e3o de vida, testemunhado pelos lares crist\u00e3os, \u00e9 j\u00e1 uma evangeliza\u00e7\u00e3o, \u00e9 o pr\u00f3prio fundamento da prepara\u00e7\u00e3o remota. De facto, outra meta \u00e9 constitu\u00edda pela apresenta\u00e7\u00e3o da miss\u00e3o educativa dos pr\u00f3prios pais. \u00c9 na fam\u00edlia, igreja dom\u00e9stica, que os pais crist\u00e3os s\u00e3o as primeiras testemunhas e os formadores dos filhos seja no crescimento da \u00abf\u00e9-esperan\u00e7a-caridade\u00bb, seja na configura\u00e7\u00e3o da voca\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria de cada um deles. \u00abOs pais s\u00e3o os primeiros e principais educadores dos seus filhos e t\u00eam tamb\u00e9m neste campo uma compet\u00eancia fundamental: s\u00e3o educadores porque pais\u00bb (Gratissimam Sane, 16). Para isto os pais t\u00eam necessidade de oportunos e adequados aux\u00edlios.  29. Entre eles, deve-se incluir, antes de mais, a par\u00f3quia como lugar de forma\u00e7\u00e3o eclesial crist\u00e3; \u00e9 nela que se aprende um estilo de conviv\u00eancia comunit\u00e1ria (cf. Sacrosantum Concilium, 42). N\u00e3o devemos esquecer, al\u00e9m disso, a escola, as outras institui\u00e7\u00f5es educativas, os movimentos, os grupos, as associa\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas e, obviamente, as das pr\u00f3prias fam\u00edlias crist\u00e3s.  Possuem particular relevo, nos processos educativos dos jovens, os meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa, que deveriam ajudar positivamente a miss\u00e3o da fam\u00edlia na sociedade e n\u00e3o, pelo contr\u00e1rio, causar-lhe dificuldades.  30. Este processo educativo deve ser tamb\u00e9m assumido pelos catequistas, pelos animadores da pastoral juvenil e vocacional e sobretudo pelos pastores que aproveitar\u00e3o o momento das homilias durante as celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas, e de outras formas de evangeliza\u00e7\u00e3o, de encontros pessoais, de itiner\u00e1rios de compromisso crist\u00e3o, para sublinhar e evidenciar os pontos que contribuem para uma prepara\u00e7\u00e3o orientada a um poss\u00edvel matrim\u00f3nio (cf. OCM 14).  31. \u00c9 necess\u00e1rio, por isso, \u00abinventar\u00bb modalidades de forma\u00e7\u00e3o permanente para os adolescentes no per\u00edodo que precede o noivado e que se segue \u00e0s etapas da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3; e \u00e9 sumamente \u00fatil a troca das experi\u00eancias que mais respondem a este prop\u00f3sito. As fam\u00edlias, unidas nas par\u00f3quias, nas institui\u00e7\u00f5es, em diversas formas de associa\u00e7\u00f5es, ajudem a criar um clima social em que o amor respons\u00e1vel seja s\u00e3o e, nos casos em que ele \u00e9 inquinado, por exemplo, pela pornografia, possam reagir apoiadas no direito da fam\u00edlia. Tudo isto faz parte de uma \u00abecologia humana\u00bb (cf. Centesimus Annus, 38).  B. Prepara\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima  32. A prepara\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima desenrola-se durante o per\u00edodo do noivado. Articula-se em cursos espec\u00edficos e \u00e9 distinta da imediata, que geralmente se concentra nos \u00faltimos encontros entre os noivos e os agentes de pastoral, antes da celebra\u00e7\u00e3o do matrim\u00f3nio. Parece oportuno que, durante a prepara\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima, seja dada a possibilidade de verificar a maturidade dos valores humanos pr\u00f3prios da rela\u00e7\u00e3o de amizade e de di\u00e1logo que caracterizam o noivado. Em vista do novo estado de vida que ser\u00e1 vivida como casal, d\u00ea-se oportunidade para aprofundar a vida de f\u00e9 e, sobretudo, aquilo que se refere ao conhecimento da sacramentalidade da Igreja. \u00c9 esta uma etapa muito importante de evangeliza\u00e7\u00e3o, em que a f\u00e9 deve incluir a dimens\u00e3o pessoal e comunit\u00e1ria tanto dos noivos quanto de suas fam\u00edlias. Nesse aprofundamento ser\u00e1 tamb\u00e9m poss\u00edvel perceber as suas eventuais dificuldades em viver uma aut\u00eantica vida crist\u00e3.  33. O per\u00edodo desta prepara\u00e7\u00e3o vem a coincidir em geral com a \u00e9poca da juventude; pressup\u00f5e-se portanto tudo o que \u00e9 pr\u00f3prio da pastoral juvenil propriamente dita, que se ocupa do crescimento integral da f\u00e9. A pastoral juvenil n\u00e3o se pode separar do \u00e2mbito da fam\u00edlia, como se os jovens formassem uma esp\u00e9cie de \u00abclasse social\u00bb separada e independente. Ela deve refor\u00e7ar o sentido social dos jovens, em primeiro lugar com os membros da sua fam\u00edlia, orientando os seus valores para a futura fam\u00edlia que formar\u00e3o. Os jovens ter\u00e3o j\u00e1 sido coadjuvados no discernimento da sua voca\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do empenho pessoal, e com a ajuda da comunidade, principalmente dos pastores. Isto deve iniciar-se ainda antes do compromisso do noivado. Quando a voca\u00e7\u00e3o se concretiza em direc\u00e7\u00e3o ao matrim\u00f3nio, ser\u00e1 apoiada, em primeiro lugar, pela gra\u00e7a e depois por uma prepara\u00e7\u00e3o adequada. A dita pastoral juvenil ter\u00e1 contudo presente que, por dificuldades de v\u00e1rios g\u00e9neros, como o facto duma \u00abadolesc\u00eancia prolongada\u00bb e, portanto, duma mais longa perman\u00eancia na fam\u00edlia &#8211; fen\u00f3meno novo e preocupante -, o compromisso matrimonial dos jovens de hoje, \u00e9, n\u00e3o poucas vezes, excessivamente adiado.  34. Tal prepara\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima dever\u00e1 basear-se, antes de mais, numa catequese alimentada pela escuta da Palavra de Deus, interpretada com a orienta\u00e7\u00e3o do Magist\u00e9rio da Igreja, em vista de uma compreens\u00e3o cada vez mais plena da f\u00e9, e de um testemunho na vida concreta. O ensinamento dever\u00e1 ser proposto no contexto de uma comunidade de f\u00e9 entre fam\u00edlias, especialmente no \u00e2mbito da par\u00f3quia, que &#8211; para tal fim &#8211; participam e colaboram segundo os pr\u00f3prios carismas e as pr\u00f3prias fun\u00e7\u00f5es, para a forma\u00e7\u00e3o dos jovens, alargando a sua influ\u00eancia a outros grupos sociais.  35. Os noivos dever\u00e3o ser instru\u00eddos sobre as exig\u00eancias naturais ligadas ao relacionamento interpessoal homem-mulher no plano de Deus sobre o matrim\u00f3nio e sobre a fam\u00edlia: o conhecimento em ordem \u00e0 liberdade de consentimento como fundamento da sua uni\u00e3o, a unidade e indissolubilidade matrimonial, a recta concep\u00e7\u00e3o de paternidade-maternidade respons\u00e1vel, os aspectos humanos da sexualidade conjugal, o acto conjugal com as suas exig\u00eancias e finalidades, a recta educa\u00e7\u00e3o dos filhos. Tudo isto orientado para o conhecimento da verdade moral e para a forma\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia pessoal.  A prepara\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima dever\u00e1 certamente prever que os noivos possuam os elementos basilares de car\u00e1cter psicol\u00f3gico, pedag\u00f3gico, legal e m\u00e9dico, concernentes ao matrim\u00f3nio e \u00e0 fam\u00edlia. Todavia, especialmente no que se refere \u00e0 doa\u00e7\u00e3o total e \u00e0 procria\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel, a forma\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica e moral dever\u00e1 ter um aprofundamento particular. De facto, o amor conjugal \u00e9 amor total, exclusivo, fiel e fecundo (cf. Humanae Vitae, 9).  Hoje est\u00e1 firmemente reconhecida a base cient\u00edfica dos m\u00e9todos naturais de regula\u00e7\u00e3o da fertilidade. \u00c9 \u00fatil o seu conhecimento; o seu emprego, quando existam causas justas, n\u00e3o deve permanecer mera t\u00e9cnica de comportamento, mas deve ser inserido na pedagogia e no processo de crescimento do amor (cf. EV 97). \u00c9 ent\u00e3o que a virtude da castidade entre os c\u00f4njuges leva a viver a contin\u00eancia peri\u00f3dica (cf. Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, nn. 2366-2371).  Esta prepara\u00e7\u00e3o dever\u00e1 contudo garantir que os noivos crist\u00e3os tenham ideias exactas, e um sincero \u00absentire cum ecclesia\u00bb, sobre o pr\u00f3prio matrim\u00f3nio, sobre os pap\u00e9is m\u00fatuos da mulher e do homem no casal, na fam\u00edlia e na sociedade, sobre a sexualidade e a abertura aos outros.  36. \u00c9 tamb\u00e9m \u00f3bvio que se dever\u00e3o ajudar os jovens a tomar consci\u00eancia de eventuais car\u00eancias psicol\u00f3gicas e ou afectivas, especialmente da incapacidade de abrir-se aos outros e de formas de ego\u00edsmo que possam tornar v\u00e3o o empenho total da sua doa\u00e7\u00e3o. Tal ajuda levar\u00e1 contudo a descobrir as potencialidades e exig\u00eancias de crescimento humano e crist\u00e3o da sua exist\u00eancia. Por isso, os respons\u00e1veis preocupar-se-\u00e3o tamb\u00e9m de formar solidamente a consci\u00eancia moral dos noivos para que estejam preparados para a livre e definitiva escolha do matrim\u00f3nio que se exprimir\u00e1 no consentimento mutuamente dado diante da Igreja, por meio do pacto conjugal.  37. Durante este momento do itiner\u00e1rio ser\u00e3o necess\u00e1rios encontros frequentes, num clima de di\u00e1logo, de amizade, de ora\u00e7\u00e3o, com a participa\u00e7\u00e3o de pastores e de catequistas. Estes dever\u00e3o sublinhar que \u00aba fam\u00edlia celebra o Evangelho da vida com a ora\u00e7\u00e3o di\u00e1ria, individual e familiar: nela, agradece e louva o Senhor pelo dom da vida e invoca luz e for\u00e7a para enfrentar os momentos de dificuldade e sofrimento, sem nunca perder a esperan\u00e7a\u00bb. (EV 93). E, al\u00e9m disso, os casais de esposos crist\u00e3os apostolicamente empenhados, numa visual de s\u00e3o optimismo crist\u00e3o, podem contribuir para iluminar cada vez melhor a vida crist\u00e3 no contexto da voca\u00e7\u00e3o ao matrim\u00f3nio e na complementaridade de todas as voca\u00e7\u00f5es. Este per\u00edodo, portanto, n\u00e3o ser\u00e1 somente de aprofundamento te\u00f3rico, mas antes um caminho de forma\u00e7\u00e3o, no qual os noivos, com o aux\u00edlio da gra\u00e7a e fugindo a qualquer forma de pecado, se preparam para se doar a si mesmos, como casal, a Cristo que sust\u00e9m, purifica, nobilita o noivado e a vida conjugal. Adquire assim sentido pleno a castidade pr\u00e9-matrimonial, e outras express\u00f5es como o mariage coutumier no processo de crescimento do amor.  38. Segundo os s\u00e3os princ\u00edpios pedag\u00f3gicos da gradualidade e globalidade do crescimento da pessoa, a prepara\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima n\u00e3o deve desatender a forma\u00e7\u00e3o para as tarefas sociais e eclesiais pr\u00f3prias daqueles que dever\u00e3o, com o seu matrim\u00f3nio, dar in\u00edcio \u00e0s novas fam\u00edlias. A intimidade familiar n\u00e3o seja concebida como intimismo fechado em si mesmo, mas antes como capacidade de interiorizar as riquezas humanas e crist\u00e3s, ing\u00e9nitas na vida matrimonial em vista de uma cada vez maior doa\u00e7\u00e3o aos outros. Por isso, a vida conjugal e familiar, numa concep\u00e7\u00e3o aberta da fam\u00edlia, exige dos c\u00f4njuges que se reconhe\u00e7am sujeitos que t\u00eam direitos mas tamb\u00e9m deveres para com a sociedade e a Igreja. A este respeito, ser\u00e1 muito \u00fatil convidar a ler, e a reflectir, os seguintes documentos da Igreja que s\u00e3o uma densa e encorajante fonte de sabedoria humana e crist\u00e3: a Familiaris Consortio, a Carta \u00e0s Fam\u00edlias Gratissimam Sana, a Carta dos Direitos da Fam\u00edlia, a Evangelium Vitae e outros.  39. Assim, a prepara\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima dos jovens far\u00e1 compreender que o empenho que v\u00e3o assumir dando o seu consentimento \u00abdiante da Igreja\u00bb, exige j\u00e1 no per\u00edodo do noivado que se inicie &#8211; abandonando, se tal for o caso, pr\u00e1ticas contr\u00e1rias &#8211; um caminho de fidelidade rec\u00edproca. Este empenho humano ser\u00e1 valorizado pelos dons espec\u00edficos que o Esp\u00edrito Santo concede aos noivos que o invocam.  40. Visto que o amor crist\u00e3o \u00e9 purificado, aperfei\u00e7oado e elevado pelo amor de Cristo para com a Igreja (cf. GS 49), os noivos imitem este modelo progredindo na consci\u00eancia da doa\u00e7\u00e3o, sempre ligada ao respeito m\u00fatuo e \u00e0 ren\u00fancia de si que ajudam a crescer nele. Portanto, a doa\u00e7\u00e3o rec\u00edproca envolve cada vez mais o interc\u00e2mbio de dons espirituais e apoio moral, para um crescimento no amor e na responsabilidade. \u00abO dom da pessoa exige ser duradouro e irrevog\u00e1vel. A indissolubilidade do matrim\u00f3nio deriva primariamente da ess\u00eancia de tal dom: dom da pessoa \u00e0 pessoa. Nesta doa\u00e7\u00e3o rec\u00edproca, manifesta-se o car\u00e1cter esponsal do amor\u00bb (Grat\u00edssimam Sane, 11).  41. A espiritualidade esponsal, envolvendo a experi\u00eancia humana, nunca separada da vida moral, tem as suas ra\u00edzes no Baptismo e na Confirma\u00e7\u00e3o. O itiner\u00e1rio de prepara\u00e7\u00e3o dos noivos dever\u00e1, portanto, incluir uma recupera\u00e7\u00e3o dos dinamismos sacramentais com um papel particular dos sacramentos da Reconcilia\u00e7\u00e3o e da Eucaristia. O sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o glorifica a miseric\u00f3rdia divina para com a mis\u00e9ria humana, faz crescer a vitalidade baptismal e os dinamismos pr\u00f3prios da Confirma\u00e7\u00e3o. Daqui o poder da pedagogia do amor redimido que faz descobrir com assombro a grandeza da miseric\u00f3rdia de Deus diante do drama do ser humano, criado por Deus e mais maravilhosamente remido. A Eucaristia, celebrando a mem\u00f3ria da doa\u00e7\u00e3o de Cristo \u00e0 Igreja, desenvolve o amor afectivo pr\u00f3prio do matrim\u00f3nio na doa\u00e7\u00e3o quotidiana ao c\u00f4njuge e aos filhos, sem esquecer e deixar de atender a que \u00aba celebra\u00e7\u00e3o que d\u00e1 significado a qualquer forma de ora\u00e7\u00e3o e de culto \u00e9 a que se exprime na exist\u00eancia quotidiana da fam\u00edlia, quando esta \u00e9 uma exist\u00eancia feita de amor e doa\u00e7\u00e3o\u00bb (EV 93).  42. Para esta m\u00faltipla e harm\u00f3nica prepara\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso encontrar e formar adequadamente encarregados \u00abad hoc\u00bb. Ser\u00e1 oportuno, portanto, criar um grupo, a diversos n\u00edveis, de agentes que saibam ser enviados pela Igreja, constitu\u00eddo especialmente por casais de esposos crist\u00e3os, entre os quais n\u00e3o faltem, possivelmente peritos em medicina, em leis, em psicologia, com um presb\u00edtero, para que sejam preparados para as fun\u00e7\u00f5es a desempenhar.  43. Por isso, os colaboradores e respons\u00e1veis sejam pessoas de doutrina segura e fidelidade indiscut\u00edvel ao Magist\u00e9rio da Igreja, de modo que possam transmitir, com um conhecimento suficiente e aprofundado e com o testemunho de vida, as verdades de f\u00e9 e as responsabilidades ligadas ao matrim\u00f3nio. \u00c9 mais do que \u00f3bvio que estes agentes pastorais, enquanto educadores, dever\u00e3o estar tamb\u00e9m providos de capacidade de acolhimento aos noivos, qualquer que seja o seu estrato socio-cultural, a sua forma\u00e7\u00e3o intelectual e capacidades concretas. Al\u00e9m disso, o seu testemunho de vida fiel e de alegre doa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel para desempenharem o seu cargo. Estas experi\u00eancias de vida e os seus problemas humanos poder\u00e3o ser ponto de partida para iluminar os nubentes com sabedoria crist\u00e3.  44. Isto implica um adequado programa de forma\u00e7\u00e3o dos agentes. Tal prepara\u00e7\u00e3o destinada aos formadores torn\u00e1-los-\u00e1 id\u00f3neos para expor, com ades\u00e3o clara ao Magist\u00e9rio da Igreja, com metodologia id\u00f3nea e com sensibilidade pastoral, as linhas fundamentais da prepara\u00e7\u00e3o para o matrim\u00f3nio, de que fal\u00e1mos, e levar tamb\u00e9m o contributo espec\u00edfico, segundo a sua compet\u00eancia, \u00e0 prepara\u00e7\u00e3o imediata, conforme os nn. 50-59. Os agentes dever\u00e3o receber a sua forma\u00e7\u00e3o em Institutos Pastorais expressamente para esse fim, e dever\u00e3o ser cuidadosamente escolhidos pelo Bispo.  45. Assim, o resultado final deste per\u00edodo de prepara\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima ser\u00e1 constitu\u00eddo por um claro conhecimento das notas essenciais do matrim\u00f3nio crist\u00e3o: unidade, fidelidade, indissolubilidade, fecundidade; a consci\u00eancia de f\u00e9 sobre a prioridade da Gra\u00e7a sacramental, que associa os esposos, sujeitos e ministros do sacramento, ao Amor de Cristo Esposo da Igreja; a disponibilidade em viver a miss\u00e3o pr\u00f3pria das fam\u00edlias no campo educativo social e eclesial.  46. Como recorda a Familiaris Consortio, o itiner\u00e1rio formativo dos jovens noivos dever\u00e1, por isso, prever: o aprofundamento da f\u00e9 pessoal e a redescoberta dos valores dos sacramentos e experi\u00eancia de ora\u00e7\u00e3o; a prepara\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para a vida a dois \u00abque, apresentando o matrim\u00f3nio como uma rela\u00e7\u00e3o interpessoal do homem e da mulher em cont\u00ednuo desenvolvimento, estimule a aprofundar os problemas da sexualidade conjugal e da paternidade respons\u00e1vel, com os conhecimentos m\u00e9dico-biol\u00f3gicos essenciais que lhe est\u00e3o anexos, e os leve \u00e0 familiaridade com m\u00e9todos adequados de educa\u00e7\u00e3o dos filhos, favorecendo a aquisi\u00e7\u00e3o dos elementos de base para uma condu\u00e7\u00e3o ordenada da fam\u00edlia\u00bb (FC 66); a \u00abprepara\u00e7\u00e3o para o apostolado familiar, para a fraternidade e colabora\u00e7\u00e3o com as outras fam\u00edlias, para a inser\u00e7\u00e3o activa nos grupos, associa\u00e7\u00f5es, movimentos e iniciativas que t\u00eam por finalidade o bem humano e crist\u00e3o da fam\u00edlia\u00bb (ibid.).  Al\u00e9m disso, os nubentes sejam ajudados preventivamente, de modo a poderem depois manter e cultivar o amor conjugal; a comunica\u00e7\u00e3o interpessoal-conjugal; as virtudes e dificuldades da vida conjugal; e como superar as inevit\u00e1veis \u00abcrises\u00bb conjugais.  47. Todavia, o centro de tal prepara\u00e7\u00e3o dever\u00e1 ser constitu\u00eddo pela reflex\u00e3o na f\u00e9, atrav\u00e9s da Palavra de Deus e da orienta\u00e7\u00e3o do Magist\u00e9rio, sobre o sacramento do Matrim\u00f3nio. Dar-se-\u00e3o portanto aos nubentes a consci\u00eancia de que o tornar-se \u00abuma s\u00f3 carne\u00bb (Mt 19, 6) em Cristo, na for\u00e7a do Esp\u00edrito, com o matrim\u00f3nio crist\u00e3o, significa imprimir \u00e0 pr\u00f3pria exist\u00eancia uma nova conforma\u00e7\u00e3o da vida baptismal. O seu amor tornar-se-\u00e1, com o sacramento, express\u00e3o concreta do amor de Cristo pela sua Igreja (cf. LG 11). \u00c0 luz da sacramentalidade, os pr\u00f3prios actos conjugais, a procria\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel, a ac\u00e7\u00e3o educativa, a comunh\u00e3o de vida, a apostolicidade e a missionaridade ligadas \u00e0 vida dos c\u00f4njuges crist\u00e3os, s\u00e3o considerados momentos v\u00e1lidos de experi\u00eancia crist\u00e3. Cristo, embora de modo n\u00e3o ainda sacramental, sustenta e acompanha o itiner\u00e1rio de gra\u00e7a e de crescimento dos noivos para a participa\u00e7\u00e3o no seu mist\u00e9rio de uni\u00e3o com a Igreja.  48. A prop\u00f3sito de um eventual direct\u00f3rio, que recolha as melhores experi\u00eancias em ordem \u00e0 prepara\u00e7\u00e3o para o matrim\u00f3nio, parece oportuno recordar o que o Santo Padre Jo\u00e3o Paulo II disse no discurso de conclus\u00e3o da Assembleia Plen\u00e1ria do Conselho Pontif\u00edcio para a Fam\u00edlia, realizada de 30 de Setembro a 5 de Outubro do ano de 1991: \u00ab\u00c9 indispens\u00e1vel que \u00e0 prepara\u00e7\u00e3o doutrinal sejam dados o tempo e os cuidados necess\u00e1rios. A seguran\u00e7a do conte\u00fado deve ser o centro e o objectivo essencial dos cursos, numa perspectiva que torne mais consciente a celebra\u00e7\u00e3o do Matrim\u00f3nio e tudo o que dele brota em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 responsabilidade da fam\u00edlia. As quest\u00f5es relativas \u00e0 unidade e \u00e0 indissolubilidade do matrim\u00f3nio, e aquilo que se refere ao significado da uni\u00e3o e da procria\u00e7\u00e3o da vida conjugal e do seu acto espec\u00edfico, devem ser tratadas com fidelidade e dilig\u00eancia, segundo o ensinamento claro da Enc\u00edclica Humanae Vitae (cf. 11-12). Igualmente, tudo o que se refere ao dom da vida, que os pais devem acolher de maneira respons\u00e1vel, com alegria, como colaboradores do Senhor. \u00c9 bom que nos cursos seja privilegiado n\u00e3o s\u00f3 o que se refere a uma liberdade madura e vigilante daqueles que desejam contrair matrim\u00f3nio, mas tamb\u00e9m \u00e0 miss\u00e3o pr\u00f3pria dos pais, primeiros educadores dos filhos e primeiros evangelizadores\u00bb.  Este Conselho Pontif\u00edcio constata, com profunda satisfa\u00e7\u00e3o, que cresce a corrente que leva a um maior empenho e consci\u00eancia da import\u00e2ncia e dignidade do noivado. De forma semelhante exorta que a dura\u00e7\u00e3o dos cursos espec\u00edficos n\u00e3o seja de tal modo breve que se reduzam a uma simples formalidade. Dever\u00e1, pelo contr\u00e1rio, dar-se o tempo suficiente para uma boa e clara apresenta\u00e7\u00e3o dos assuntos fundamentais acima indicados.  O curso pode ser realizado nas par\u00f3quias se o n\u00famero de noivos for suficiente e se houver colaboradores preparados, ou nas Vigararias episcopais ou Vigararias for\u00e2neas, formas ou estruturas de coordena\u00e7\u00e3o paroquial. \u00c0s vezes podem ser realizados por encarregados dos Movimentos familiares, Associa\u00e7\u00f5es ou grupos apost\u00f3licos orientados por um sacerdote competente. \u00c9 um campo que deveria ser coordenado pelo organismo diocesano, que opere em nome do Bispo. Os conte\u00fados, sem esquecer aspectos v\u00e1rios da psicologia, da medicina e de outras ci\u00eancias humanas, devem ser centrados sobre a doutrina natural e crist\u00e3 do matrim\u00f3nio.  49. Nesta prepara\u00e7\u00e3o, especialmente hoje, \u00e9 necess\u00e1rio formar e fortalecer os nubentes nos valores que se referem \u00e0 defesa da vida. De modo peculiar pelo facto de se tornarem igreja dom\u00e9stica e \u00abSantu\u00e1rio da vida\u00bb (EV 92-94) far\u00e3o parte a novo t\u00edtulo do \u00abpovo da vida e pela vida\u00bb (EV 6, 101). A mentalidade contraceptiva, que hoje impera em tantos lugares, e as legisla\u00e7\u00f5es permissivas espalhadas, com tudo o que comportam de desprezo pela vida desde o momento da concep\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e0 morte, constituem um conjunto de ataques m\u00faltiplos a que a fam\u00edlia est\u00e1 exposta, ferindo-a no mais \u00edntimo da sua miss\u00e3o e impedindo o seu desenvolvimento segundo as exig\u00eancias de um aut\u00eantico crescimento humano (cf. Centesimus Annus, 39). Portanto, hoje mais do que nunca, \u00e9 necess\u00e1ria uma forma\u00e7\u00e3o da mente e do cora\u00e7\u00e3o dos componentes e novos lares dom\u00e9sticos para n\u00e3o se conformarem com as mentalidades dominantes. Poder\u00e3o assim contribuir um dia, com a sua vida de novas fam\u00edlias, para criar e desenvolver a cultura da vida, respeitando e acolhendo, no \u00edntimo do seu amor, as novas vidas como testemunho e express\u00e3o do an\u00fancio, celebra\u00e7\u00e3o e servi\u00e7o para com cada vida (cf. EV 83-84, 86, 93).  C. Prepara\u00e7\u00e3o imediata  50. Onde tenha sido percorrido e assimilado um itiner\u00e1rio conveniente ou cursos espec\u00edficos durante o per\u00edodo da prepara\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima (cf. n. 32 ss.), as finalidades da prepara\u00e7\u00e3o imediata poder\u00e3o consistir nas seguintes:  a) sintetizar o percurso do itiner\u00e1rio precedente, especialmente nos conte\u00fados doutrinais, morais e espirituais, preenchendo assim as eventuais car\u00eancias da forma\u00e7\u00e3o b\u00e1sica;  b) realizar experi\u00eancias de ora\u00e7\u00e3o (retiros espirituais, exerc\u00edcios para nubentes) em que o encontro com o Senhor possa fazer descobrir a profundidade e a beleza da vida sobrenatural;  c) realizar uma conveniente prepara\u00e7\u00e3o lit\u00fargica que preveja mesmo a participa\u00e7\u00e3o activa dos nubentes, com cuidado especial no sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o;  d) valorizar, por um conhecimento mais aprofundado de cada um, os col\u00f3quios canonicamente previstos com o p\u00e1roco.  Estas finalidades ser\u00e3o conseguidas atrav\u00e9s de encontros especiais, de modo intensivo.  51. A utilidade pastoral e a experi\u00eancia positiva dos cursos de prepara\u00e7\u00e3o para o matrim\u00f3nio leva a dispensar deles apenas por causas proporcionalmente graves. Por isso, onde, por tais causas se apresentem casais com a imin\u00eancia urgente da celebra\u00e7\u00e3o do matrim\u00f3nio, sem a prepara\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima, o p\u00e1roco e seus colaboradores ter\u00e3o o cuidado de lhes proporcionar algumas ocasi\u00f5es para recuperar o conhecimento conveniente dos aspectos doutrinais, morais e sacramentais que foram expostos como pr\u00f3prios da prepara\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima e, por fim, inseri-los-\u00e3o na fase de prepara\u00e7\u00e3o imediata.  Requer-se isto pela necessidade de personalizar em concreto os itiner\u00e1rios formativos, para aproveitar todas as ocasi\u00f5es para aprofundar o sentido daquilo que se realiza no sacramento, sem afastar, por motivo da aus\u00eancia de algumas etapas de prepara\u00e7\u00e3o, aqueles que revelam uma adequada disposi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 f\u00e9 e ao sacramento.  52. A prepara\u00e7\u00e3o imediata para o sacramento do Matrim\u00f3nio deve encontrar ocasi\u00f5es convenientes para iniciar os noivos no rito matrimonial. Nesta prepara\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de se aprofundar a doutrina crist\u00e3 sobre o matrim\u00f3nio e a fam\u00edlia, com particular refer\u00eancia aos deveres morais, os nubentes devem ser ajudados a tomar parte consciente e activa na celebra\u00e7\u00e3o nupcial, entendendo tamb\u00e9m o significado dos gestos e dos textos lit\u00fargicos.  53. Esta prepara\u00e7\u00e3o para o sacramento do Matrim\u00f3nio deveria ser o remate de uma catequese que ajude os noivos crist\u00e3os a percorrer de novo, conscientemente, o seu itiner\u00e1rio sacramental. \u00c9 importante que eles saibam que se unem no matrim\u00f3nio enquanto baptizados em Cristo, que na sua vida familiar se devem comportar em sintonia com o Esp\u00edrito Santo. Conv\u00e9m, portanto, que os futuros esposos se disponham para a celebra\u00e7\u00e3o do matrim\u00f3nio para que ela seja v\u00e1lida, digna e frutuosa, recebendo o sacramento da Penit\u00eancia (cf. Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, n. 1622). A prepara\u00e7\u00e3o lit\u00fargica do sacramento do Matrim\u00f3nio deve valorizar os elementos rituais actualmente dispon\u00edveis. Para que se veja uma rela\u00e7\u00e3o clara entre o sacramento nupcial e o mist\u00e9rio pascal, a celebra\u00e7\u00e3o do matrim\u00f3nio \u00e9 normalmente inserida na celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica.  54. Como a Igreja se torna vis\u00edvel na diocese e esta se articula nas par\u00f3quias, compreende-se como toda a prepara\u00e7\u00e3o can\u00f3nico-pastoral para o matrim\u00f3nio seja do \u00e2mbito paroquial e diocesano. \u00c9, por isso, mais conforme com o significado eclesial do sacramento que o matrim\u00f3nio seja celebrado, como norma (CIC can. 1115) na igreja da comunidade paroquial a que pertencem os noivos.  \u00c9 bom que toda a comunidade paroquial tome parte nesta celebra\u00e7\u00e3o, \u00e0 volta das fam\u00edlias e dos amigos dos nubentes. Nas v\u00e1rias dioceses tomem-se disposi\u00e7\u00f5es sobre a mat\u00e9ria, tendo em conta as situa\u00e7\u00f5es locais, mas tamb\u00e9m favorecendo decisivamente uma ac\u00e7\u00e3o pastoral verdadeiramente eclesial.  55. Convidem-se aqueles que tomar\u00e3o parte activa na ac\u00e7\u00e3o lit\u00fargica a dispor-se oportunamente tamb\u00e9m para o sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o e da Eucaristia. Explique-se \u00e0s testemunhas que elas s\u00e3o garantes n\u00e3o s\u00f3 de um acto jur\u00eddico, mas tamb\u00e9m representantes da comunidade crist\u00e3, que participa por meio delas num acto sacramental que lhe diz respeito, visto que uma nova fam\u00edlia \u00e9 uma c\u00e9lula da Igreja. Pelo seu car\u00e1cter essencialmente social, o matrim\u00f3nio requer uma participa\u00e7\u00e3o plena da sociedade e isto \u00e9 expresso pela presen\u00e7a das testemunhas.  56. A fam\u00edlia \u00e9 o lugar mais apropriado em que os pais, em virtude do sacerd\u00f3cio comum, podem realizar gestos sagrados e administrar alguns sacramentais, a ju\u00edzo do Ordin\u00e1rio do lugar, como por exemplo, nas circunst\u00e2ncias da Inicia\u00e7\u00e3o Crist\u00e3, nos acontecimentos alegres ou dolorosos da vida quotidiana, na B\u00ean\u00e7\u00e3o da mesa. Um lugar peculiar \u00e9 dado \u00e0 ora\u00e7\u00e3o em fam\u00edlia. Ela deve criar um clima de f\u00e9 no interior do lar e ser\u00e1 um meio para viver, em rela\u00e7\u00e3o aos filhos, uma paternidade-maternidade mais plena, educando-os na ora\u00e7\u00e3o e introduzindo-os na descoberta progressiva do mist\u00e9rio de Deus e no col\u00f3quio pessoal com Ele. Lembrem-se os pais que, atrav\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o dos filhos, assumem a sua miss\u00e3o de anunciar o Evangelho da vida (cf. EV 92).  57. A prepara\u00e7\u00e3o imediata \u00e9 uma ocasi\u00e3o prop\u00edcia para se iniciar uma pastoral matrimonial e familiar ininterrupta. Deste ponto de vista, \u00e9 preciso procurar que os esposos conhe\u00e7am a sua miss\u00e3o na Igreja. Nisto podem ser ajudados pela riqueza que oferecem os diversos movimentos familiares, a cultivar a espiritualidade conjugal e familiar e o modo de realizar a sua tarefa na fam\u00edlia, na Igreja e na sociedade.  58. A prepara\u00e7\u00e3o dos noivos seja acompanhada de sincera e profunda devo\u00e7\u00e3o a Maria, M\u00e3e da Igreja, Rainha das fam\u00edlias; os pr\u00f3prios noivos sejam preparados para saber compreender que a presen\u00e7a de Maria \u00e9 t\u00e3o activa na Grande Igreja como na fam\u00edlia, Igreja Dom\u00e9stica; sejam tamb\u00e9m levados a imitar Maria nas suas virtudes. Assim, a Sagrada Fam\u00edlia, isto \u00e9, o lar de Maria, Jos\u00e9 e Jesus, far\u00e1 descobrir aos noivos \u00ab como \u00e9 doce e insubstitu\u00edvel a educa\u00e7\u00e3o em fam\u00edlia \u00bb (Paulo VI, Discurso em Nazar\u00e9, 5, I, 1964).   59. A indica\u00e7\u00e3o do que \u00e9 proposto criativamente pelas v\u00e1rias comunidades para tornar mais profundas e adequadas tamb\u00e9m estas fases da prepara\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima e imediata, ser\u00e1 um dom e um enriquecimento para toda a Igreja.  III A CELEBRA\u00c7\u00c3O DO MATRIM\u00d3NIO  60. A prepara\u00e7\u00e3o para o matrim\u00f3nio introduz na vida conjugal, atrav\u00e9s da celebra\u00e7\u00e3o do sacramento. Ela \u00e9 o cume do caminho de prepara\u00e7\u00e3o percorrido pelos noivos e \u00e9 fonte e origem da vida conjugal. Para isso, a celebra\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser reduzida a uma cerim\u00f3nia, fruto da cultura e dos condicionamentos sociol\u00f3gicos. Todavia, louv\u00e1veis costumes pr\u00f3prios dos diversos povos ou etnias podem ser assumidos na celebra\u00e7\u00e3o (cf. Sacrosanctum Concilium, 77; FC 67), com a condi\u00e7\u00e3o de que eles exprimam, antes de mais, o reunir-se da assembleia eclesial como sinal da f\u00e9 da Igreja, que reconhece no sacramento a presen\u00e7a do Senhor Ressuscitado que une os esposos ao Amor Trinit\u00e1rio.  61. Compete aos Bispos, atrav\u00e9s das Comiss\u00f5es lit\u00fargicas diocesanas, dar disposi\u00e7\u00f5es precisas e vigiar sobre a actua\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica, para que na celebra\u00e7\u00e3o do matrim\u00f3nio se cumpra a indica\u00e7\u00e3o dada no artigo 32 da Constitui\u00e7\u00e3o sobre a Liturgia, de modo que apare\u00e7a, mesmo externamente, a igualdade dos fi\u00e9is e tamb\u00e9m seja evitada toda a apar\u00eancia de luxo. Favore\u00e7a-se em tudo os modos de participa\u00e7\u00e3o activa das pessoas presentes na celebra\u00e7\u00e3o nupcial. D\u00eaem-se subs\u00eddios id\u00f3neos para captar e saborear a riqueza do rito.  62. Lembrando-se de que onde dois ou tr\u00eas est\u00e3o reunidos em nome de Cristo (cf. Mt 18, 20), Ele est\u00e1 a\u00ed presente, a celebra\u00e7\u00e3o em estilo s\u00f3brio (estilo que deve continuar tamb\u00e9m nos festejos) n\u00e3o s\u00f3 deve ser express\u00e3o da comunidade de f\u00e9, mas deve ser motivo de louvor ao Senhor. Celebrar o casamento no Senhor e diante da Igreja significa professar que o dom de gra\u00e7a dado aos c\u00f4njuges, da presen\u00e7a e do amor de Cristo e do Seu Esp\u00edrito, exige uma resposta activa, com uma vida de culto em esp\u00edrito e verdade, na fam\u00edlia crist\u00e3, \u00abIgreja dom\u00e9stica\u00bb. At\u00e9 para que a celebra\u00e7\u00e3o seja compreendida n\u00e3o s\u00f3 como acto legal, mas tamb\u00e9m como momento de hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o nos c\u00f4njuges, e atrav\u00e9s do seu sacerd\u00f3cio comum, para o bem da Igreja e da sociedade, ser\u00e1 oportuno que todos os presentes sejam ajudados a participar activamente na pr\u00f3pria celebra\u00e7\u00e3o.  63. Ser\u00e1, por isso, preocupa\u00e7\u00e3o de quem preside recorrer \u00e0s possibilidades que o pr\u00f3prio ritual oferece, especialmente na sua segunda edi\u00e7\u00e3o t\u00edpica promulgada em 1991 pela Congrega\u00e7\u00e3o para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, para p\u00f4r em evid\u00eancia o papel dos ministros do sacramento do Matrim\u00f3nio que, para os crist\u00e3os de Rito latino, s\u00e3o os pr\u00f3prios esposos, e o valor sacramental da celebra\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria. Os esposos, com a f\u00f3rmula da troca de consentimento, poder\u00e3o sempre recordar o aspecto pessoal, eclesial e social que dela derivam para toda a sua vida, como dom de um ao outro at\u00e9 \u00e0 morte.4  O Rito oriental reserva para o sacerdote assistente o papel de ministro do matrim\u00f3nio. Em qualquer caso, a presen\u00e7a do sacerdote ou do ministro para isso delegado \u00e9 necess\u00e1ria, segundo a lei da Igreja, para a validade da uni\u00e3o matrimonial, e manifesta claramente o sentido p\u00fablico e social da alian\u00e7a esponsal tanto para a Igreja como para toda a sociedade.  64. Visto que o matrim\u00f3nio, ordinariamente, se celebra durante a Missa (cf. Sacrosancto Concilium, 78; FC 57), quando se trate de um matrim\u00f3nio entre parte cat\u00f3lica e parte baptizada n\u00e3o cat\u00f3lica, a celebra\u00e7\u00e3o desenvolver-se-\u00e1 segundo as especiais disposi\u00e7\u00f5es lit\u00fargico-can\u00f3nicas (cf. OCM 79-117).  65. A celebra\u00e7\u00e3o resultar\u00e1 mais activamente participada se se fizer uso de moni\u00e7\u00f5es particulares que introduzem no sentido dos textos lit\u00fargicos e no conte\u00fado das ora<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Documento do Conselho Pontif\u00edcio para a Fam\u00edlia de 13 de maio de 1996<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[93,127,144,154,168,188,193,199,206,237,246,261,268,280,294,314],"class_list":["post-17293","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-aborto","tag-catequese","tag-concilio-vaticano-ii","tag-crianca","tag-diocese-da-guarda","tag-direito-canonico","tag-educacao","tag-espiritualidade","tag-familia","tag-joao-paulo-ii","tag-liturgia","tag-missoes","tag-nova-evangelizacao","tag-pastoral-juvenil","tag-sacramentos","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17293","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17293"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17293\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17293"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17293"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17293"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}