{"id":17281,"date":"2006-04-04T13:22:34","date_gmt":"2006-04-04T13:22:34","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/04\/viagem-ao-berco-do-cristianismo\/"},"modified":"2006-04-04T13:22:34","modified_gmt":"2006-04-04T13:22:34","slug":"viagem-ao-berco-do-cristianismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/viagem-ao-berco-do-cristianismo\/","title":{"rendered":"Viagem ao ber\u00e7o do Cristianismo"},"content":{"rendered":"<p>Um roteiro da Terra Santa <!--more--> Uma peregrina\u00e7\u00e3o \u00e0 Terra Santa \u00e9 sempre uma viagem hist\u00f3rica, para percorrer locais que est\u00e3o associados aos fundamentos do Catolicismo.  <b>Jerusal\u00e9m<\/b> 4000 mil anos de hist\u00f3ria em poucas p\u00e1ginas n\u00e3o \u00e9 tarefa f\u00e1cil. Sobretudo, porque o passado de Jerusal\u00e9m \u00e9 caracterizado por numerosos, mut\u00e1veis e complicados acontecimentos hist\u00f3ricos. Esta cidade, situada no topo dos montes da Judeia, est\u00e1 relacionada com a sacralidade da humanidade. Para os Mu\u00e7ulmanos ela \u00e9 Santa, El Kuds. Os Hebreus consideram-na a capital desde o tempo do Rei David, \u00e9 a cidade da Paz. Os crist\u00e3os associam-na \u00e0 Paix\u00e3o e Crucifica\u00e7\u00e3o de Jesus.  A regi\u00e3o de Jerusal\u00e9m, segundo o primeiro livro da B\u00edblia, G\u00e9nesis, tinha, no momento do encontro de Abra\u00e3o e de Melquisedec, o nome de Shalem, que quer dizer &#8220;paz&#8221; (Gn 14, 18). Parece uma contradi\u00e7\u00e3o, mas se olharmos para a hist\u00f3ria esta cidade teve poucos per\u00edodos de paz: foi invadida e saqueada por eg\u00edpcios, babil\u00f3nios, gregos, romanos, persas e turcos. Apesar destas dificuldades sobreviveu e continua a ser o ber\u00e7o dos Crist\u00e3os, Judeus e Mu\u00e7ulmanos.  Nos tempos b\u00edblicos, os Judeus cumpriam o preceito de fazerem oferendas no Templo em tr\u00eas dias festivos, tendo sido a Peregrina\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa que levou Jesus at\u00e9 \u00e0 cidade. Segundo a tradi\u00e7\u00e3o, a viagem nocturna de Maom\u00e9 at\u00e9 ao c\u00e9u, onde foi receber o Cor\u00e3o, come\u00e7ou no Monte do Templo. Assim, as tr\u00eas religi\u00f5es monote\u00edstas entrela\u00e7am-se no pr\u00f3prio tecido de Jerusal\u00e9m, adorando e fazendo cada uma peregrina\u00e7\u00f5es aos seus lugares santos: os Judeus ao Muro das Lamenta\u00e7\u00f5es do Monte do Templo e aos antiqu\u00edssimos tesouros do Bairro Judeu; os Mu\u00e7ulmanos \u00e0s soberbas mesquitas no pico do Monte Moriah e os crist\u00e3os de todos os quadrantes \u00e0s in\u00fameras igrejas constru\u00eddas sobre o ch\u00e3o pisado por Jesus.  Esta cidade foi conquistada por David aos Jebuseus. Mas foi o seu filho, Salom\u00e3o, que teve a honra de ser o realizador do projecto digno da sua realeza: o primeiro templo. Mais tarde foi destru\u00eddo por Nabucodonosor e reconstru\u00eddo por Esdras e Neemias. Herodes reconstruiu o Templo, de novo destru\u00eddo pelos Romanos, no ano 70 A. C., por Tito. O Minist\u00e9rio de Jesus, em Jerusal\u00e9m, caracteriza-se pelos milagres de Betesda e Bet\u00e2nia; o antagonismo e os discursos contra os fariseus; a entrada triunfal em Jerusal\u00e9m, no Domingo antes da P\u00e1scoa; a \u00daltima Ceia, a condena\u00e7\u00e3o \u00e0 morte, o caminho para o Calv\u00e1rio, o enterro e Ressurrei\u00e7\u00e3o.  Reconstru\u00edda pelos romanos com o nome de Aelia Capitolina depois da revolta de Bar Koib\u00e1, foi conquistada pelos mu\u00e7ulmanos em 632, os quais ergueram uma mesquita no lugar do Templo (Mesquita de Omar &#8211; C\u00fapula da Rocha). Foi conquistada pelos cruzados em 1099 e reconquistada por Saladino em 1187.  A energia de Jerusal\u00e9m vem da interac\u00e7\u00e3o do antigo com o moderno, do sagrado com o profano, do material com o espiritual, na qual a emo\u00e7\u00e3o do presente tem sabor a muitos s\u00e9culos de hist\u00f3ria. Os diferentes n\u00edveis e aspectos da lend\u00e1ria cidade satisfazem todas as esperan\u00e7as e promessas para quem procura a Jerusal\u00e9m do Esp\u00edrito.  Este local tornou-se o cruzamento de toda a hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o e consequentemente o alvo de todos os conflitos. Dezassete vezes destru\u00edda, mas dezoito vezes constru\u00edda, n\u00e3o ser\u00e1 Jerusal\u00e9m a figura do amor que permanece e que nada pode aniquilar?   <b>Caminho de dor<\/b> Na cidade da paz existe um caminho doloroso. O termo Via Dolorosa (ou via Crucis) nasceu no s\u00e9culo XVI, pela piedade popular, que definiu o caminho que Jesus percorreu sob a carga da cruz da Fortaleza Ant\u00f3nia at\u00e9 ao Calv\u00e1rio. Da Fortaleza Ant\u00f3nia, situada na esquina noroeste do Templo e resid\u00eancia de Herodes, o Grande, existem somente alguns vest\u00edgios da pavimenta\u00e7\u00e3o. Neste local, Jesus apresentou-se a Pilatos. Foi julgado e condenado. Aqui come\u00e7ou o extremo supl\u00edcio em direc\u00e7\u00e3o ao G\u00f3lgota, que naquela altura devia ficar al\u00e9m muralhas da cidade.  Primeira esta\u00e7\u00e3o: \u00c9 o convento da Flagela\u00e7\u00e3o: aqui, segundo a tradi\u00e7\u00e3o, Pilatos interrogou Jesus. Este local pertence aos Frades Franciscanos, que, \u00e0s sextas-feiras, iniciam daqui a sua Via-Sacra. No seu interior tr\u00eas vidrarias modernas que representam Jesus flagelado ao centro; \u00e0 esquerda Pilatos, que lava as m\u00e3os &#8220;do sangue deste justo&#8221; e \u00e0 direita Barrab\u00e1s.  Segunda Esta\u00e7\u00e3o: No s\u00e9culo XVI, os peregrinos come\u00e7aram a chamar a este arco: &#8220;Ecce Homo&#8221;. As palavras que Pilatos pronunciou quando apresentou Jesus ao Povo. Na realidade trata-se duma parte do arco triunfal que Adriano mandou construir, em 135 A.C., em mem\u00f3ria da conquista de Jerusal\u00e9m.  Terceira Esta\u00e7\u00e3o: Uma pequena capela, que pertence ao Patriarcado Arm\u00e9nio Cat\u00f3lico, mandada construir pelos soldados cat\u00f3licos polacos. A\u00ed se recorda a primeira queda de Jesus.  Quarta Esta\u00e7\u00e3o: Um pequeno orat\u00f3rio, com um baixo relevo dum escultor polaco, indica o lugar onde Jesus encontrou sua M\u00e3e.  Quinta Esta\u00e7\u00e3o: Os Sin\u00f3pticos afirmam que &#8220;\u00c0 sa\u00edda encontraram um homem de Cirene, chamado Sim\u00e3o, e obrigaram-no a levar a cruz de Jesus&#8221; (Mc. 27, 32). Neste local existe uma inscri\u00e7\u00e3o, por cima da porta que afirma &#8220;Simoni Cyrenato Crux Imponitur&#8221; .  Sexta Esta\u00e7\u00e3o: Nesta Igreja arm\u00e9nia-ortodoxa foi fixado o lugar do encontro de Jesus e Ver\u00f3nica.  S\u00e9tima Esta\u00e7\u00e3o: Aqui, onde a Via Crucis cruza a barulhenta rua do Bazar, uma coluna indica o lugar onde Jesus caiu pela segunda vez.  Oitava Esta\u00e7\u00e3o: Uma pequena cruz encravada na parede do convento dos Joanitos faz-nos recordar o epis\u00f3dio do encontro entre Jesus e as mulheres piedosas.  Nona Esta\u00e7\u00e3o: No interior do convento abiss\u00ednio existe uma coluna, logo \u00e0 entrada, que indica o local onde o &#8220;Filho de Deus feito Homem&#8221; teve a terceira queda.  \u00daltimas Esta\u00e7\u00f5es: Est\u00e3o no interior do Santo Sepulcro.   <b>Santo sepulcro<\/b> Na liturgia judaica, a P\u00e1scoa era essencialmente um memorial. O recordar da liberta\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o do Egipto (Ex. 12, 14). Tem como data o novil\u00fanio da Primavera, ou seja o 14 de Nisan, e prolonga-se por toda a semana. Talvez originada de duas festas antiqu\u00edssimas: uma de origem rural, com a oferta dos primeiros frutos da terra (o p\u00e3o \u00e1zimo); outra de origem n\u00f3mada, em que se sacrificava o cordeiro, como prim\u00edcias dos rebanhos. Na P\u00e1scoa, o povo Judeu celebrava, de modo exultante, a liberta\u00e7\u00e3o do Egipto, fazendo do \u00caxodo uma nova cria\u00e7\u00e3o de Deus, e por isso conferindo \u00e0 festa um car\u00e1cter messi\u00e2nico. Recordando o \u00caxodo numa perspectiva messi\u00e2nica, a P\u00e1scoa como que interpela o povo para a liberta\u00e7\u00e3o escatol\u00f3gica, a qual acontecer\u00e1 no reino de Deus.  Podemos dizer que toda a simbologia da liturgia pascal que se celebrava no Templo encontrar\u00e1 a sua plena realiza\u00e7\u00e3o na nova P\u00e1scoa, a P\u00e1scoa de Jesus Cristo, tal como no-la apresenta a carta aos Hebreus e muitos dos padres da Igreja. A pr\u00f3pria vida de Jesus, especialmente a sua paix\u00e3o e morte, pode ser interpretada \u00e0 luz duma grelha de leitura que tem, como n\u00facleo constituinte, a liturgia pascal judaica.   <b>Este \u00e9 Jesus, Rei dos Judeus<\/b> Quando chegaram a um lugar chamado G\u00f3lgota, isto \u00e9, lugar de caveira, deram-lhe a beber vinho misturado com fel. Jesus ao provar o l\u00edquido n\u00e3o o quis beber. Depois de o terem crucificado, repartiram entre si as suas vestes. Por cima da sua cabe\u00e7a colocaram um escrito, que indicava a causa da sua condena\u00e7\u00e3o: &#8220;Este \u00e9 Jesus, Rei dos Judeus&#8221;.  Os que passavam por ali injuriavam-nO: &#8220;Tu que destru\u00edas o templo e em tr\u00eas dias o reedificavas, salva-Te a Ti mesmo; se \u00e9s Filho de Deus, desce da cruz&#8221;. Foram momentos de sofrimento, tanto em palavras como em actos, que o Filho de Deus passou no Golgot\u00e1.  Mas hoje, passados quase 2000 anos, o Santo Sepulcro \u00e9 o lugar mais sagrado de Jerusal\u00e9m, aquele que concentra as emo\u00e7\u00f5es mais secretas do peregrino. Na \u00e9poca de Jesus, este local deveria estar al\u00e9m muralhas da cidade, e num s\u00edtio mais alto, porque todos deveriam ver os condenados a penas capitais. Chamava-se G\u00f3lgota, deriva do aramaico gulgoleth, que significa lugar do cr\u00e2nio, um pouco pela forma arredondada que \u00e9 semelhante a um cr\u00e2nio e um pouco pela lenda que afirma: &#8220;Ad\u00e3o foi ali sepultado&#8221;.  A 15 de Julho de 1099, os cruzados conquistaram a cidade de Jerusal\u00e9m e acharam a igreja, que tinha sido reconstru\u00edda pelo imperador Constantino Monge, bela, mas n\u00e3o suficientemente grandiosa para este acontecimento central do cristianismo. Os cruzados empenharam-se e realizaram obras de melhoramento e embelezamento e a nova igreja foi sagrada em 1149. Durante s\u00e9culos a igreja sofreu poucas modifica\u00e7\u00f5es at\u00e9 ao c\u00e9lebre inc\u00eandio de 1808. Nesta triste ocasi\u00e3o, o mundo ocidental estava mais preocupado com as batalhas napole\u00f3nicas e n\u00e3o prestou aten\u00e7\u00e3o aos pedidos de ajuda para a sua reconstru\u00e7\u00e3o.  Os monges gregos, rivais antigos dos latinos, aproveitaram-se da ocasi\u00e3o e obtiveram autoriza\u00e7\u00e3o para restaurar a igreja, ficando como \u00e1rbitros da situa\u00e7\u00e3o. Infelizmente n\u00e3o se tratou de um restauro, mas um apagar de tudo o que fizesse lembrar o mundo latino. Actualmente o Santo Sepulcro \u00e9 subdividido entre seis comunidades religiosas: cat\u00f3lica, grego-ortodoxa, arm\u00e9nia, copta, s\u00edria e abissina.   <b>G\u00f3lgota<\/b> No topo do G\u00f3lgota, ao qual se pode subir por meio duma escada, existem hoje duas capelas: uma cat\u00f3lica e outra grego-ortodoxa. Na cat\u00f3lica situam-se duas esta\u00e7\u00f5es da Via-Sacra: &#8220;Jesus desnudado e Jesus crucificado&#8221;. Na capela grego-ortodoxa est\u00e1 a esta\u00e7\u00e3o: &#8220;Jesus morto na cruz&#8221;. Na parte inferior do altar emerge o cume duma rocha: um sinal de prata indica o lugar onde, provavelmente, foi pregada a cruz. Entre as duas capelas encontramos o Stabat Mater em lembran\u00e7a da agonia de Maria pela morte do seu filho.  <i>Pedra da un\u00e7\u00e3o<\/i> Uma pedra de calc\u00e1rio, com tons rosados, representa para os latinos, o lugar onde, sobre o corpo de Jesus, depois de retirado da cruz, foi espalhada &#8220;uma composi\u00e7\u00e3o de mirra e alo\u00e9s&#8221;.   <b>Sepulcro de Jesus<\/b> Uma constru\u00e7\u00e3o no centro do An\u00e1stasis. Atrav\u00e9s do coro latino, chega-se \u00e0 ed\u00edcula, formada por dois ambientes: a capela do anjo e a c\u00e2mara mortu\u00e1ria, uma pequen\u00edssima c\u00e2mara &#8220;ad arcololium&#8221;, que \u00e9 tamb\u00e9m a \u00faltima esta\u00e7\u00e3o da via dolorosa. Uma laje de m\u00e1rmore branco com quase dois metros de comprimento fecha a rocha origin\u00e1ria daquele t\u00famulo. Sobre este est\u00e3o penduradas 43 l\u00e2mpadas de prata: os gregos, latinos e arm\u00e9nios possuem treze cada e os coptas t\u00eam quatro.   <b>Katholikon<\/b> \u00c9 a parte principal da bas\u00edlica, caracterizada pela pesada icon\u00f3stase que a divide em duas partes. A grande ab\u00f3bada do omphalos que fica sobre o transepto e indica o ponto que muitos crist\u00e3os consideram &#8220;o umbigo do mundo&#8221;.   <b>Pris\u00e3o de Jesus<\/b> Este espa\u00e7o \u00e9 uma antiga cadeia anexa ao Foro da Aelia Capitolina. A tradi\u00e7\u00e3o identificou este c\u00e1rcere com o lugar onde Jesus passou a noite da pris\u00e3o em Gets\u00e9mani.   <b>Capela de Santa Helena<\/b> Esta cripta, perten\u00e7a da comunidade arm\u00e9nia, foi dedicada \u00e0 m\u00e3e de Constantino a qual, atrav\u00e9s da for\u00e7a da f\u00e9, descobriu aqui o t\u00famulo e a cruz de Cristo.   <b>T\u00famulo de Jos\u00e9 de Arimateia<\/b> O \u00fanico lugar do santo Sepulcro que pertence \u00e0 comunidade abiss\u00ednia.   <b>Convento dos jacobitas<\/b> A igreja de S. Marcos, que faz parte do convento dos jacobitas, \u00e9 da confiss\u00e3o s\u00edrio-ortodoxa.   <b>Igreja de S. Tiago o Maior<\/b> A constru\u00e7\u00e3o actual \u00e9 uma altera\u00e7\u00e3o do edif\u00edcio do s\u00e9culo XI e \u00e9 perten\u00e7a da Igreja arm\u00e9nia-ortodoxa. O interior, ricamente adornado, conserva pedras relacionadas com os lugares b\u00edblicos: Sinai, Tabor e Jord\u00e3o.   <b>A \u00faltima ceia<\/b> A sudoeste da cidade velha, o Monte Sion concentra um dos monumentos mais importantes da f\u00e9 crist\u00e3: desde os tempos mais antigos, dizem que aqui se realizou a \u00daltima Ceia, durante a qual foi institu\u00edda a Eucaristia.  Foi neste mesmo lugar que, passadas sete semanas, o Esp\u00edrito Santo se manifestou a Maria e aos Ap\u00f3stolos durante o Pentecostes. No s\u00e9culo XV, os maometanos conquistaram o Monte Sion e alteraram a Igreja, tornando-a uma mesquita. Durante muitos anos foi proibida a entrada neste lugar aos crist\u00e3os e aos hebreus.  Segundo diz a tradi\u00e7\u00e3o b\u00edblica, nesta sala, situada perto da Igreja da Dormi\u00e7\u00e3o, durante a Ceia Pascal, Jesus Cristo, instituiu a Eucaristia na presen\u00e7a dos ap\u00f3stolos quando tomou o p\u00e3o e, depois de pronunciar a b\u00ean\u00e7\u00e3o, partiu-o e deu-o aos Seus disc\u00edpulos, dizendo: &#8220;Tomai e comei: Isto \u00e9 o meu corpo. Tomou, em seguida, um c\u00e1lice, deu gra\u00e7as e entregou-lho dizendo: Bebei dele todos. Porque este \u00e9 o meu sangue, sangue da nova alian\u00e7a, que vai ser derramado por muitos para remiss\u00e3o dos pecados&#8221; (Mt. 26, 28; Mc. 14, 22-24). No entanto, simultaneamente, Jesus Cristo instituiu tamb\u00e9m o Sacerd\u00f3cio, pelo que o Evangelista S. Lucas, no passo paralelo referente \u00e0 Eucaristia, ainda acrescentou: &#8220;Fazei isto em minha mem\u00f3ria&#8221; (Lc. 22, 19).  Pouco tempo depois, &#8220;quando chegou o dia de Pentecostes, encontravam-se todos reunidos no mesmo lugar. Subitamente ressoou, vindo do c\u00e9u, um som compar\u00e1vel ao de forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam. Viram, ent\u00e3o, aparecer umas l\u00ednguas \u00e0 maneira de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios de Esp\u00edrito Santo&#8221; (Act. 2, 1-4).  Devido a todos estes acontecimentos o local passou a ser venerado e julga-se que no segundo s\u00e9culo da era crist\u00e3, existia ali uma capela que foi depois substitu\u00edda por um novo templo, desaparecido mais tarde com a invas\u00e3o dos persas em 614.  Actualmente, na parte inferior do edif\u00edcio venera-se o t\u00famulo do Rei David e na parte superior, primeiro andar, est\u00e1 a Sala do Cen\u00e1culo.   <b>Nazar\u00e9<\/b> Quando se viaja ao longo das montanhas da Galileia sente-se a paz pastoral das vilas e aldeias da regi\u00e3o. O vale de Izreel, vasta por\u00e7\u00e3o da Baixa Galileia, assistiu a muitas batalhas desde os tempos antigos. Devido ao seu valor estrat\u00e9gico, Egipto, Mesopot\u00e2mia, Ass\u00edria e Roma lutaram pelo seu controle. Nos nossos tempos, a Galileia \u00e9 um ponto inspirador para come\u00e7ar uma peregrina\u00e7\u00e3o aos lugares santos. Nazar\u00e9, a cidade crist\u00e3 das igrejas, localizada no topo do monte, \u00e9 o lugar tradicional da Anuncia\u00e7\u00e3o, do po\u00e7o de Maria e da Oficina de Jos\u00e9. Esta cidade, que em \u00e1rabe significa &#8220;a guardia&#8221;, deve a sua denomina\u00e7\u00e3o \u00e0 posi\u00e7\u00e3o que ocupava nos tempos antigos: uma colina da qual se divisavam todas as plan\u00edcies verdejantes \u00e0 sua volta.  Habitada pelo homem desde tempos muito remotos &#8211; como o demonstram os achados arqueol\u00f3gicos &#8211; esta localidade, que actualmente tem cerca de 60 mil habitantes e acolheu a inf\u00e2ncia de Jesus, nunca teve uma import\u00e2ncia significativa a n\u00edvel do desenvolvimento. Somente com a chegada dos cruzados, em 1099, Nazar\u00e9 torna-se sede episcopal e centro administrativo da Galileia. Do s\u00e9culo XIII ao XVII foi votada ao abandono, devido \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o dos turcos. Com o regresso dos Franciscanos a zona teve um novo repovoamento e alguns n\u00facleos de popula\u00e7\u00e3o crist\u00e3 voltaram a este ber\u00e7o do cristianismo.  Embora n\u00e3o seja mencionada no Antigo Testamento, os Evangelhos, designadamente os Sin\u00f3pticos, referem-se-lhe diversas vezes: Mt. 4, 13; Mc. 1, 9; Lc. 1, 26. &#8220;De Nazar\u00e9 pode sair coisa boa?&#8221; &#8211; exclama Natanael quando o seu amigo Filipe lhe declara ter encontrado o Messias anunciado pelos profetas na pessoa de Jesus de Nazar\u00e9. Para um contempor\u00e2neo de Jesus, \u00e9 claro que nada de bom poderia sair daquela aldeola sem qualquer import\u00e2ncia, sem hist\u00f3ria e sem futuro. Naquela altura, Nazar\u00e9 n\u00e3o tinha mais de vinte casas, os seus habitantes eram camponeses humildes que viviam do cultivo da vinha, do trigo e oliveiras e que, semanalmente, iam ao mercado de Seforis vender os seus produtos. A aldeia estava afastada das grandes rotas comerciais. Os visitantes eram diminutos e tudo parecia indicar que Nazar\u00e9 n\u00e3o teria qualquer papel relevante na Hist\u00f3ria dos homens e da Revela\u00e7\u00e3o.  Perante estes dados, compreende-se melhor a reac\u00e7\u00e3o de Natanael, Escribas, Fariseus e dos meios religiosos de Jerusal\u00e9m acerca de Jesus de Nazar\u00e9 que &#8220;pretende&#8221; ser o Messias. Contudo o que \u00e9 relevante neste caso \u00e9 o facto de, com o an\u00fancio do Anjo S. Gabriel, o curso da hist\u00f3ria dos homens ter sofrido altera\u00e7\u00f5es: Deus ofereceu lhes o Seu Filho.  Actualmente a maior igreja da cidade \u00e9 a Bas\u00edlica da Anuncia\u00e7\u00e3o, constru\u00edda sobre a gruta legend\u00e1ria onde Maria recebeu a novidade que mudou o rumo da hist\u00f3ria. Trata-se do quinto edif\u00edcio constru\u00eddo neste lugar sagrado. O primeiro, que segundo a tradi\u00e7\u00e3o foi mandado construir por Helena, m\u00e3e de Constantino, data de 356. Sucessivamente outras igrejas foram constru\u00eddas pelos Bizantinos, Cruzados e Franciscanos, cujo santu\u00e1rio foi destru\u00eddo em 1955 para deixar lugar \u00e0 actual Bas\u00edlica terminada em 1969.  No centro da nave principal abre-se a entrada \u00e0 cripta onde fica a &#8220;Gruta de Nossa Senhora&#8221;, no interior da qual uma coluna com a inscri\u00e7\u00e3o &#8220;Av\u00e9 Maria&#8221; indica o lugar onde apareceu o Anjo S. Gabriel.   <b>Serm\u00e3o da Montanha<\/b> Aos p\u00e9s do Mar da Galileia, o maior reservat\u00f3rio de \u00e1gua doce de toda a Terra Santa, encontramos o Monte das Bem-Aventuran\u00e7as. Neste local encontra-se a Igreja das Bem-Aventuran\u00e7as, constru\u00edda de forma poli\u00e9drica e com v\u00e1rios p\u00f3rticos exteriores cobertos, onde podemos apreciar a calma e serenidade do Lago de Tiber\u00edades.  Aqui, afirma a tradi\u00e7\u00e3o, o filho de Deus pronunciou o c\u00e9lebre Serm\u00e3o da Montanha que S. Mateus largamente explana nos cap\u00edtulos 5, 6 e 7 do Evangelho que tem o seu nome. Neste local Jesus deu aos homens o programa moral do homem novo (Mt. 5-7) e assume o papel do novo legislador, cuja tarefa n\u00e3o \u00e9 a de ab-rogar a lei mosaica, mas de aperfei\u00e7o\u00e1-la, de iluminar a plenitude do seu significado (Mt 7, 17-18). As Bem-Aventuran\u00e7as descrevem, em termos exemplificativos, a orienta\u00e7\u00e3o nova que a vida do crente deve assumir no horizonte do an\u00fancio do reino.   <b>Bel\u00e9m, Cidade do P\u00e3o<\/b> Na Judeia, a 10 quil\u00f3metros a sudeste de Jerusal\u00e9m, fica situada a cidade de Bel\u00e9m. O seu nome aparece, desde muito cedo, nos relatos b\u00edblicos, e a primeira cita\u00e7\u00e3o refere-se \u00e0 morte de Raquel, esposa de Jacob, na altura do parto de seu filho Benjamim. (Gen. 35, 19-20). Da\u00ed em diante, para os descendentes de Jacob, Raquel ser\u00e1 a m\u00e3e por excel\u00eancia, a que deu a sua vida para dar a vida. &#8220;M\u00e3e de Israel&#8221;, tornou-se a que intercede pelos seus filhos, aquela a quem se interpela nos momentos graves. Assim grita Jeremias na altura da destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m no ano 587 A. C.: &#8220;Ouvem-se gemidos &#8211; \u00e9 Raquel que chora inconsol\u00e1vel os seus filhos porque eles j\u00e1 n\u00e3o existem&#8221; (Jr. 31, 15). J\u00e1 no Novo Testamento, Mateus retoma estas palavras a respeito do massacre dos inocentes de Bel\u00e9m (Mt 2, 18).  Bel\u00e9m, cujo nome significa &#8220;Casa do P\u00e3o&#8221;, foi tamb\u00e9m a cidade de David. Foi a\u00ed que ele nasceu e passou toda a sua inf\u00e2ncia, guardando os rebanhos do pai nas colinas circundantes. \u00c9 tamb\u00e9m em Bel\u00e9m que ele recebe a un\u00e7\u00e3o real das m\u00e3os do profeta Samuel. (1 Sam 16, 13). Tornando-se mais tarde rei de todo o Israel, David instalar\u00e1 a sua capital em Jerusal\u00e9m, muito perto da sua aldeia natal.  Cerca de mil anos depois, a Humanidade viu nascer o Messias em Bel\u00e9m.  Antes do Nascimento de Jesus saiu um decreto de C\u00e9sar Augusto que obrigava as pessoas a recensearem-se. Para tal, Jos\u00e9, que era natural de Bel\u00e9m, foi, juntamente com Maria, sua esposa, \u00e0 sua terra natal. Este acontecimento no Imp\u00e9rio Romano far\u00e1 com Jesus nas\u00e7a n\u00e3o em Nazar\u00e9, mas em Bel\u00e9m, conforme profetizado. O Evangelho de Lucas diz-nos que Maria e Jos\u00e9 n\u00e3o tiveram lugar na hospedaria e se viram obrigados a procurar ref\u00fagio numa gruta transformada em est\u00e1bulo. Foi neste local que Maria deu \u00e0 luz a verdadeira Luz.  No s\u00e9culo IV, Helena, m\u00e3e do Imperador Constantino, mandou construir naquele local uma enorme bas\u00edlica. Hoje, passados muitos s\u00e9culos, deste templo resta apenas a estrutura essencial, isto \u00e9: as cinco naves divididas em quatro filas de onze colunas e uma pequena parte do antigo ch\u00e3o em mosaico, vis\u00edvel sob algumas t\u00e1buas de madeira.   <b>Porta da humildade<\/b> Esta bas\u00edlica tem uma particularidade: para impedir que os nossos antepassados turcos entrassem na Igreja a cavalo, as comunidades crist\u00e3s concordaram em reduzir a porta de entrada do templo. Apenas 1 metro e 20 cent\u00edmetros de altura \u00e9 denominada &#8220;Porta da Humildade&#8221;. Depois de nos inclinarmos para entrar no ber\u00e7o do cristianismo, podemos observar a eleg\u00e2ncia das colunas em calc\u00e1rio vermelho que seguram capiteis Cor\u00edntios, cujo topo tem frescos de santos com os nomes gravados em latim ou grego.  Na nave central encontramos vest\u00edgios de mosaicos com fundo em ouro que datam de 1169 e que representam os antepassados de Jesus e os primeiros sete Conc\u00edlios Ecum\u00e9nicos. Destes \u00faltimos, fica inteiro somente o primeiro de Constantinopla e fragmentos dos mosaicos de Niceia, \u00c9feso e Calced\u00f3nia.  Nunca o lugar do nascimento de uma crian\u00e7a conheceu tal destino: venerado por muitos, respeitado por todos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um roteiro da Terra Santa<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[154,168,213,246,267,275,317],"class_list":["post-17281","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-crianca","tag-diocese-da-guarda","tag-franciscanos","tag-liturgia","tag-natal","tag-pascoa","tag-terra-santa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17281","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17281"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17281\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17281"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17281"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17281"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}