{"id":172604,"date":"2020-04-27T10:49:16","date_gmt":"2020-04-27T09:49:16","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=172604"},"modified":"2020-04-27T10:49:16","modified_gmt":"2020-04-27T09:49:16","slug":"saber-aprender-tempos-de-mizpah","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/saber-aprender-tempos-de-mizpah\/","title":{"rendered":"SABER APRENDER &#8211; Tempos de Mizpah"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Pode ser uma vis\u00e3o ainda dif\u00edcil de entender, mas esta crise mundial pode aproximar-nos mais do que poder\u00edamos imaginar. A realidade parece fragmentar-se diante de n\u00f3s. Alteraram-se os ritmos. Ali\u00e1s, quais ritmos? As escolas esfor\u00e7am-se por chegar a uma nova \u201cnormalidade\u201d na aprendizagem, mas n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa. Depois, quando sa\u00edmos \u00e0 rua sentimos um misto entre o al\u00edvio do ar fresco fora de casa e o receio de estarmos a respirar uma got\u00edcula perdida que nos infecta. O que fazer? O que pensar? Haver\u00e1 alguma luz que nos ajude a integrar esta fragmenta\u00e7\u00e3o social? Talvez o pr\u00f3prio desastre.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/mizpah.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-172606 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/mizpah.jpg\" alt=\"\" width=\"337\" height=\"194\" \/><\/a>No seu livro <em>\u201dUm Para\u00edso Constru\u00eddo no Inferno\u201d<\/em> (A Paradise Built in Hell, Penguin Books, 2010), a escritora americana Rebecca Solnit mostra como a unidade da humanidade emerge diante dos desastres (naturais ou provocados) e das crises. Perante os cen\u00e1rios de divis\u00e3o gerados em momentos de crise, como esta pandemia, as pessoas encontram nas dificuldades vividas por todos um motivo para se unirem e ajudar-se.<\/p>\n<p>A ideia de Para\u00edso emerge da esperan\u00e7a de que um dia a situa\u00e7\u00e3o ir\u00e1 resolver-se e, at\u00e9 l\u00e1, sentimos cada vez mais a necessidade de sermos irm\u00e3os uns dos outros e vivermos uma aut\u00eantica fraternidade universal. Seguramente que um dia iremos olhar para estes tempos e pensar como no sofrimento universal a humanidade viu nesse uma oportunidade de amadurecer. A partir das dificuldades que ningu\u00e9m desejaria surgem as possibilidades de se abrir uma estrada para o futuro. Assim, como afirma Solnit, <em>\u00abos desastres provideciam uma janela extraordin\u00e1ria para o desejo social e a possibilidade\u00bb.<\/em><\/p>\n<p>Na manh\u00e3 de 18 de Abril de 1906, um terramoto sem precedentes que durou um minuto foi o suficiente para destruir grande parte da cidade americana de S\u00e3o Francisco. A experi\u00eancia daquele desastre natural foi expressa numa frase colocada num estabelecimento que dizia &#8211; <em>\u00abUm Toque da Natureza Torna Todo o Mundo Fam\u00edlia\u00bb<\/em>.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/90.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-172605\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/90.jpg\" alt=\"\" width=\"840\" height=\"449\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/90.jpg 840w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/90-400x214.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/90-768x411.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/90-480x257.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 840px) 100vw, 840px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O estabelecimento havia sido rebaptizado de <em>Mizpah Caf\u00e9<\/em>, em que a palavra <em>Mizpah<\/em>, de origem hebraica, significa uma liga\u00e7\u00e3o emocional entre aqueles que est\u00e3o separados. Este \u00e9 um tempo favor\u00e1vel a esta experi\u00eancia. E pela capacidade de nos conectarmos online para nos ajudarmos, nem que seja com uma simples presen\u00e7a, faz deste tempo, um tempo de <em>Mizpah Digital.<\/em> Mas \u00e9, tamb\u00e9m, um tempo de redescoberta da nossa natureza.<\/p>\n<p>A natureza humana mostra-se com maior clareza diante das adversidades, e no caso de crises globais pand\u00e9micas, reconhecemos a nossa capacidade para a resili\u00eancia, a imagina\u00e7\u00e3o, a generosidade, a empatia e a coragem. Basta pensar<\/p>\n<ul>\n<li>na quantidade de dias a que tantos se sujeitaram para bem de todos (distanciamento social);<\/li>\n<li>ou a cria\u00e7\u00e3o r\u00e1pida de equipamentos para suprir as necessidades de sa\u00fade mais imediatas (por exemplo, as m\u00e1scaras costuradas e as viseiras impressas a 3D);<\/li>\n<li>ou o apoio dos hot\u00e9is com quartos em que as pessoas possam estar em isolamento para proteger os seus;<\/li>\n<li>ou naqueles que d\u00e3o sangue &#8211; como os pol\u00edcias &#8211; pela incapacidade das pessoas que usualmente o fazem se deslocarem \u00e0s respectivas unidade de colecc\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>ou ainda pelo esfor\u00e7o e zelo de tantos m\u00e9dicos, enfermeiros, pessoal hospitalar, bombeiros, carteiros para cuidar dos mais fr\u00e1geis ou trazer alguma normalidade \u00e0 nossa vida.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Podemos ser tentados a pensar que a luta pela sobreviv\u00eancia depende de se revela mais forte, mas at\u00e9 essa ideia que temos da evolu\u00e7\u00e3o natural \u00e9 desafiada. Peter Kropotkin no seu tratado de 1902 sobre a <em>\u00abM\u00fatua Ajuda: Um Factor da Evolu\u00e7\u00e3o\u00bb<\/em>, contradiz a perspectiva competitiva da evolu\u00e7\u00e3o Darwiniana, observando que, mesmo na natureza,<\/p>\n<blockquote><p>\u00aba comunica\u00e7\u00e3o transformou a ajuda m\u00fatua num termo de signific\u00e2ncia mundial.\u00bb<\/p><\/blockquote>\n<p>O mundo hoje pode comunicar durante o distanciamento social como nunca antes, e o espa\u00e7o para o altru\u00edsmo que leva artistas a fazer concertos gratuitos online, entre outros exemplos, mostra como esta crise constr\u00f3i o tecido social de um manto que cobre o mundo de compaix\u00e3o (sofrer com) e generosidade. Quem n\u00e3o deseja fazer parte de um <em>mizpah<\/em> global que abra um horizonte de esperan\u00e7a?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":166774,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-172604","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/172604","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=172604"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/172604\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/166774"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=172604"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=172604"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=172604"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}