{"id":17238,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/nao-mataras-religiao-e-cultura-na-promocao-da-vida\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"nao-mataras-religiao-e-cultura-na-promocao-da-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/nao-mataras-religiao-e-cultura-na-promocao-da-vida\/","title":{"rendered":"<i>N\u00e3o matar\u00e1s. Religi\u00e3o e Cultura na promo\u00e7\u00e3o da vida<\/i>"},"content":{"rendered":"<p>Catequese do Cardeal-Patriarca no 5\u00ba Domingo da Quaresma <!--more--> 1. \u201cN\u00e3o matar\u00e1s\u201d (Ex. 20,13), \u00e9 um mandamento primordial, gravado no cora\u00e7\u00e3o do homem e enunciado no c\u00f3digo da Alian\u00e7a, na Lei mosaica que codifica valores \u00e9ticos fundamentais, presentes na consci\u00eancia da humanidade desde o in\u00edcio. O homic\u00eddio \u00e9 severamente verberado na Lei de Mois\u00e9s (cf. Ex. 21,12-17). A narra\u00e7\u00e3o do assassinato de Abel por seu irm\u00e3o Caim, no Livro do G\u00e9nesis, mostra como esta exig\u00eancia moral de respeitar a vida dos outros, faz parte integrante das mais antigas tradi\u00e7\u00f5es culturais da humanidade; mas diz-nos tamb\u00e9m que, desde o in\u00edcio, este drama existe. A hist\u00f3ria da humanidade \u00e9 atravessada por essa dial\u00e9ctica dram\u00e1tica, em que a conviv\u00eancia entre os seres humanos tanto se pode exprimir na alegria da inter-ajuda e da fraternidade, como cair na viol\u00eancia em que um homem mata o seu semelhante. O texto do G\u00e9nesis, em que Deus pede contas a Caim pela vida de Abel, abre para o fundamento moral do respeito pela vida dos outros: cada homem \u00e9 respons\u00e1vel pela vida do seu semelhante, perspectiva que Caim rejeita, porque matou: \u201cAcaso sou o guarda do meu irm\u00e3o?\u201d (Gen. 4,9). Esta \u00e9 a perspectiva que mais tarde desabrochar\u00e1 na Alian\u00e7a e no mandamento do amor. O ser humano descobre a vida, convivendo e ajudando os outros a viver. Para Deus, Caim era respons\u00e1vel pela vida do seu irm\u00e3o. Cada um de n\u00f3s pode ajudar os outros a viver; todos precisamos que nos ajudem a viver. Esta \u00e9 uma vis\u00e3o da vida que s\u00f3 pode encontrar a sua plena realiza\u00e7\u00e3o no amor. Matar \u00e9 a mais radical express\u00e3o da nega\u00e7\u00e3o do amor. S\u00e3o Jo\u00e3o di-lo-\u00e1 claramente: \u201cTodo aquele que odeia o seu irm\u00e3o, \u00e9 um homicida\u201d (1Jo. 3,15). Pode-se matar por \u00f3dio, mas tamb\u00e9m por ego\u00edsmo. Tamb\u00e9m aqui se contrap\u00f5em duas vis\u00f5es opostas do ser humano: a da inter-rela\u00e7\u00e3o pessoal, segundo a qual a vida \u00e9 para ser vivida de m\u00e3os dadas, na alegria da fraternidade, ou a da perspectiva individual da vida, em que os outros podem ser esquecidos, prejudicados ou anulados, quando n\u00e3o servem os interesses dos indiv\u00edduos. A maneira de conceber a pr\u00f3pria vida e a vida dos outros \u00e9 fortemente influenciada pela cultura. H\u00e1 culturas de vida e culturas de morte. O cristianismo, no seu di\u00e1logo com a cultura, s\u00f3 pode propor uma cultura da vida, que leve ao respeito pela dignidade de cada ser humano e desabroche numa civiliza\u00e7\u00e3o do amor.  2. A compreens\u00e3o, o respeito e o servi\u00e7o da vida, s\u00e3o um problema perene na constitui\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o das culturas, onde houve, ao longo dos s\u00e9culos, progressos e retrocessos. As culturas deparam-se, antes de mais, com a dimens\u00e3o misteriosa da vida. Esta intui-se, deseja-se, descobre-se vivendo, sobretudo vivendo com os outros, mas n\u00e3o se domina. As religi\u00f5es, elemento importante no caldear das culturas, exprimiram essa dimens\u00e3o misteriosa da vida, afirmando Deus como fonte e destino da vida. Antes de ser projecto dos homens, toda a vida \u00e9 um projecto de Deus. A sabedoria \u00e9 compreens\u00e3o dessa natureza misteriosa da vida (cf. Sap. 10,3). Aceite como dom, a vida revela-se como projecto, que \u00e9 desafio de liberdade. A realiza\u00e7\u00e3o desse projecto s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel numa inter-ac\u00e7\u00e3o correspons\u00e1vel entre pessoas individuais e a sociedade-comunidade. Cada um \u00e9 respons\u00e1vel pela sua pr\u00f3pria vida, mas precisa que a sociedade o ajude, proteja e defenda. Os enquadramento religioso e social da promo\u00e7\u00e3o da vida interpenetram-se e completam-se, ambos contribuindo para uma cultura da vida. S\u00f3 esta veicula as exig\u00eancias \u00e9ticas e inspira o quadro legal de promo\u00e7\u00e3o e protec\u00e7\u00e3o da vida. Nesta cultura da vida h\u00e1 dois aspectos complementares, mas distingu\u00edveis: a defesa e protec\u00e7\u00e3o f\u00edsica da vida, e a promo\u00e7\u00e3o de todas as express\u00f5es que permitam ao ser humano desenvolver a sua vida, como projecto pessoal e inconfund\u00edvel, como s\u00e3o a educa\u00e7\u00e3o, a promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade e o enquadramento da criatividade de cada ser livre.  Temos de reconhecer que, embora com avan\u00e7os e retrocessos, ao longo da hist\u00f3ria da humanidade se tem progredido positivamente no aprofundamento desta cultura da vida, o que fundamenta um optimismo realista acerca da humanidade, que pode marcar positivamente todas as lutas pela vida. No que \u00e0 defesa f\u00edsica da vida diz respeito, a consci\u00eancia colectiva dos povos tem evolu\u00eddo na linha de considerar a vida um bem primordial e fundamental, pelo que nenhum ser humano tem o direito de atentar contra a vida f\u00edsica de outro ser humano. J\u00e1 vimos, na hist\u00f3ria de Caim e Abel, que a humanidade se confronta, desde o in\u00edcio, com o drama da viol\u00eancia assassina. Esta \u00e9 um drama que a humanidade ainda n\u00e3o venceu completamente, embora a sociedade tenha evolu\u00eddo na linha da consci\u00eancia da sua ilegitimidade criminosa. Ultrapassou-se legalmente o lab\u00e9u da escravatura, verberou-se a depura\u00e7\u00e3o \u00e9tnica, protegeram-se os mais d\u00e9beis, regulamentou-se a guerra justa. H\u00e1, no entanto, pontos de grande perplexidade nesta cultura da vida: t\u00eam os Estados, em alguma circunst\u00e2ncia, direitos sobre a vida de outrem? A guerra preventiva poder\u00e1, alguma vez, ter justifica\u00e7\u00e3o legal e moral? Poder-se-\u00e1 aceitar ligeiramente o sacrif\u00edcio de v\u00edtimas inocentes em opera\u00e7\u00f5es militares usadas como caminho para resolver problemas pol\u00edticos? \u00c9, sobretudo, o in\u00edcio e o fim da vida humana que geram, hoje, as principais perplexidades culturais e legais. Em que momento se inicia a vida humana e o ser humano come\u00e7a a ser sujeito de direitos, entre os quais o de ser protegido pela sociedade e pelo Estado? Pode o Estado legalizar o suic\u00eddio volunt\u00e1rio nos momentos terminais? Quais s\u00e3o os limites que a \u00e9tica imp\u00f5e \u00e0 ci\u00eancia na sua capacidade de intervir no c\u00f3digo gen\u00e9tico, ou de gerar a vida humana em laborat\u00f3rio? No campo positivo da promo\u00e7\u00e3o da vida t\u00eam-se feito progressos enormes: basta pensar nas ci\u00eancias e pr\u00e1ticas educativas, na promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade, na protec\u00e7\u00e3o \u00e0s crian\u00e7as desprotegidas, aos anci\u00e3os, aos toxicodependentes, aos sem abrigo. Perspectiva cultural ainda prec\u00e1ria nos resultados conseguidos, mas positiva no horizonte de valoriza\u00e7\u00e3o da vida que promove. A Igreja, cuja vis\u00e3o da vida \u00e9 inspirada pela f\u00e9 e se baseia na revela\u00e7\u00e3o, constitui uma interpela\u00e7\u00e3o cont\u00ednua ao aprofundamento desta cultura da vida.  <b>O Deus Vivo \u00e9 a fonte da Vida<\/b> 3. O Deus de Israel \u00e9 um \u201cDeus Vivo\u201d. \u00c9 esta certeza que anima os israelitas a entrarem na terra prometida: \u201cnisto reconheceis que um Deus Vivo est\u00e1 no meio de v\u00f3s\u201d, diz-lhes Josu\u00e9 antes de atravessarem o Jord\u00e3o (Jos. 3,10). E a Mois\u00e9s Deus diz: \u201cEu perdoo-lhes, como tu disseste. Mas Eu sou vivo e a gl\u00f3ria de Yahw\u00e9 enche toda a terra\u201d (Num. 14,20-21). Esta consci\u00eancia de que plenamente Vivo s\u00f3 Deus o \u00e9, leva os israelitas a considerarem a vida humana como uma participa\u00e7\u00e3o na vida de Deus. O homem vive porque recebeu de Deus um sopro de vida (cf. Gen. 2,7); \u00e9 a pr\u00f3pria imagem de Deus (cf. Gen. 1,27). O homem, desde o primeiro momento em que recebeu esse sopro divino, que o fez viver, depende dele durante todo o percurso da sua vida. O salmista exclama: \u201cSe escondes o Teu rosto, eles assustam-se; se retiras o Teu sopro, expiram e voltam ao p\u00f3 da terra\u201d (Ps. 104,29). A f\u00e9 de Israel no \u201cDeus Vivo\u201d torna-se, progressivamente, a chave da compreens\u00e3o da vida. Deus afirma-se como a fonte \u201cde \u00e1gua viva\u201d (Jer. 2,13) ou, simplesmente, a \u201cfonte da vida\u201d: \u201cEm Ti est\u00e1 a fonte da vida, pela Tua luz n\u00f3s vemos a luz\u201d (Ps. 36,10). Por isso procurar a vida \u00e9 sin\u00f3nimo de procurar Yahw\u00e9: \u201cAssim fala Yahw\u00e9 \u00e0 Casa de Israel. Procurai-Me e vivereis\u201d (Am. 5,4). Esta compreens\u00e3o da vida humana como participa\u00e7\u00e3o da vida divina radicaliza-se no cristianismo e na uni\u00e3o dos crist\u00e3os a Cristo ressuscitado, o verdadeiramente Vivo e plenitude da vida. A vida plena, que s\u00f3 existia em Deus, exprime-se agora na plenitude de um Homem, o Verbo de Deus encarnado. Viver \u00e9 receber a vida de Jesus Cristo, que afirma ser Ele pr\u00f3prio a Vida (cf. Jo. 14,5), que pode e quer distribuir: \u201cEu vim para que as ovelhas tenham vida e a tenham em abund\u00e2ncia\u201d (Jo. 10,10). Os primeiros crist\u00e3os chamam-Lhe o \u201cPr\u00edncipe da Vida\u201d (Act. 3,15) e anunciar essa vida \u00e9 o objectivo da miss\u00e3o da Igreja (cf. Act. 5,20). A Eucaristia, onde se nos d\u00e1 no Seu Corpo morto e ressuscitado, \u00e9 chamada o \u201cp\u00e3o da vida\u201d. Como Ele vive no Pai, assim Ele d\u00e1 aos que comem o Seu Corpo e bebem o Seu Sangue, a possibilidade de viverem n\u2019Ele (cf. Jo. 6,27-28). Aquele sopro divino de vida, que fez viver o primeiro homem, \u00e9 agora o Esp\u00edrito Santo, \u201cEsp\u00edrito de vida\u201d, infundido por Cristo nos nossos cora\u00e7\u00f5es, que nos faz viver em Cristo, \u00fanica verdadeira garantia da vida em plenitude, como ensina Paulo aos Romanos: \u201cE se o Esp\u00edrito d\u2019Aquele que ressuscitou Jesus de entre os mortos habita em v\u00f3s, Aquele que ressuscitou Jesus de entre os mortos dar\u00e1 tamb\u00e9m a vida aos vossos corpos mortais pelo Seu Esp\u00edrito que habita em v\u00f3s\u201d (Rom. 8,11).  <b>A vida \u00e9 um mist\u00e9rio<\/b> 4. Esta vis\u00e3o b\u00edblica da vida, base da nossa cultura, afirma a vida como um mist\u00e9rio, que o pr\u00f3prio homem vivo n\u00e3o domina, nem compreende completamente, que deve fruir e cultivar, mas respeitar com rever\u00eancia. Estar vivo \u00e9 a primeira express\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o do homem com Deus e da semente do divino que existe em toda a vida humana. J\u00e1 na primeira narra\u00e7\u00e3o da Cria\u00e7\u00e3o, diz-se que Deus colocou o homem rec\u00e9m-criado num jardim, que simbolizava a harmonia de todo o Universo criado, orientado para que o homem viva. O homem podia exercer o seu dom\u00ednio sobre todas as coisas, excepto sobre a \u201c\u00e1rvore da vida\u201d, a \u201c\u00e1rvore do conhecimento do bem e do mal\u201d (Gen. 1,16-17). Essa \u00e1rvore encerrava o mist\u00e9rio da vida, a \u00fanica sobre a qual o homem n\u00e3o podia exercer o seu dom\u00ednio. S\u00f3 Deus guardava o segredo da vida. Quando o homem ousou exercer o dom\u00ednio do seu poder e da sua liberdade sobre a \u201c\u00e1rvore da vida\u201d, pecou, sendo esse o verdadeiro pecado do homem: querer exercer o seu poder sobre o mist\u00e9rio da vida. E as consequ\u00eancias foram dram\u00e1ticas: Caim matou Abel e continuaram a s\u00ea-lo, ao longo dos s\u00e9culos, at\u00e9 aos nossos dias. Sempre que o homem atenta contra a vida de outro ser humano, compromete-se a harmonia da humanidade, a viol\u00eancia toma o lugar do respeito e do amor, n\u00e3o percebendo que quem mata compromete a sua pr\u00f3pria vida. O \u00fanico poder que a liberdade do homem tem sobre a vida, a sua e a dos outros, \u00e9 acolh\u00ea-la, cultiv\u00e1-la e desenvolv\u00ea-la, desvendar-lhe os segredos para lhe captar o mist\u00e9rio. Realidade multifacetada, corpo e esp\u00edrito, viver e fazer viver \u00e9, desde o in\u00edcio, um desafio \u00e0 generosidade e \u00e0 coragem. A luta em favor da vida foi, desde sempre, um combate moral, o verdadeiro confronto entre o bem e o mal. E desde o in\u00edcio, neste combate pela vida, houve momentos altos em que sobressai a grandeza do amor, dos que d\u00e3o a sua vida para que os outros vivam, e momentos dram\u00e1ticos em que os homens se matam uns aos outros. E o combate n\u00e3o terminou. Os crist\u00e3os s\u00e3o chamados, como protagonistas da hist\u00f3ria, a corporizarem esses momentos altos do respeito pela vida, na generosidade e na coragem, continuando a afirmar a verdadeira grandeza do mist\u00e9rio da vida e a n\u00e3o desanimarem porque, a seu lado, h\u00e1 quem continue a matar o seu irm\u00e3o. Em todas as lutas pela vida reactualiza-se o drama da hist\u00f3ria humana, cujo sentido \u00faltimo continua ligado ao respeito ou desrespeito que se tiver perante a vida, a pr\u00f3pria e a dos outros.  <b>O amor \u00e9 a \u00fanica resposta v\u00e1lida \u00e0s exig\u00eancias da vida<\/b> 5. Perante as exig\u00eancias da vida percebe-se o sentido da afirma\u00e7\u00e3o do Ap\u00f3stolo Paulo: \u201cA Caridade \u00e9 a plenitude da Lei\u201d. Ser fiel \u00e0 vida, na plenitude das suas express\u00f5es, \u00e9 procurar a verdade e a justi\u00e7a, \u00e9 reconhecer-se e conhecer os outros, \u00e9 perceber que a vida \u00e9 uma inc\u00f3gnita e uma surpresa, que as suas express\u00f5es espirituais, da ordem da rela\u00e7\u00e3o e do amor \u00e9 que d\u00e3o sentido \u00e0 sua dimens\u00e3o f\u00edsica, \u00e9 aceitar ajudar e lutar por uma vida que valha a pena, \u00e9 n\u00e3o causar \u201cqualquer dano, a si mesmo ou ao pr\u00f3ximo\u201d.  A Lei de Deus acerca da vida n\u00e3o se reduz ao n\u00e3o matar\u00e1s o corpo. \u00c9 uma exig\u00eancia de respeito por todas as capacidades de vida. Quantas vezes, mesmo sem tirar a vida do corpo, se agridem e se matam, em n\u00f3s e nos outros, outras express\u00f5es de vida. O pr\u00f3prio conceito de morte n\u00e3o se reduz \u00e0 morte f\u00edsica. O ego\u00edsmo \u00e9, tantas vezes, a principal express\u00e3o de morte, a toldar a exig\u00eancia e a beleza da vida. O facto de a vida ser recebida, faz com que a sua principal express\u00e3o seja o dom, para que os outros vivam. Viver s\u00f3 pode ser um percurso de generosidade. O pr\u00f3prio Jesus ensina aos disc\u00edpulos que quem quiser ganhar a vida, tem de aceitar perd\u00ea-la (cf. Mt. 16,25), e que n\u00e3o h\u00e1 maior prova de amor do que dar a vida por aqueles que se amam (cf. Jo. 15,13). \u00c9 certo que o \u201cn\u00e3o matar\u00e1s\u201d \u00e9, ainda hoje, uma batalha a travar, contra a viol\u00eancia mort\u00edfera, para impedir uma falsa toler\u00e2ncia perante as agress\u00f5es \u00e0 vida f\u00edsica, para evitar leis que regulam as condi\u00e7\u00f5es em que se pode matar. E n\u00f3s os crist\u00e3os, para quem a vida \u00e9 um mist\u00e9rio recebido de Deus, temos de estar na primeira linha desses combates. Mas empenhar-se neles \u00e9 sempre um compromisso com a vida, a decis\u00e3o de nos empenharmos em defender e promover a vida, em todas as suas express\u00f5es. \u00c9 preciso que o nosso testemunho seja claro: somos sempre e em tudo a favor da vida. Mesmo quando somos contra, \u00e9 porque somos a favor. Quase sempre h\u00e1 muito sofrimento a envolver as circunst\u00e2ncias que levam a atentar contra a vida. Estejamos presentes no sofrimento dos irm\u00e3os e n\u00e3o apenas na condena\u00e7\u00e3o da morte. A vida \u00e9 a primeira concretiza\u00e7\u00e3o do mandamento da caridade: amar a Deus sobre todas as coisas e ao pr\u00f3ximo como a n\u00f3s mesmos.   S\u00e9 Patriarcal, 2 de Abril de 2006 <i>\u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Catequese do Cardeal-Patriarca no 5\u00ba Domingo da Quaresma<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[127,154,168,193,91],"class_list":["post-17238","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-catequese","tag-crianca","tag-diocese-da-guarda","tag-educacao","tag-quaresma"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17238","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17238"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17238\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17238"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17238"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17238"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}