{"id":171749,"date":"2020-04-20T12:49:19","date_gmt":"2020-04-20T11:49:19","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=171749"},"modified":"2020-04-20T12:49:19","modified_gmt":"2020-04-20T11:49:19","slug":"saber-aprender-cheio-de-tedio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/saber-aprender-cheio-de-tedio\/","title":{"rendered":"SABER APRENDER &#8211; Cheio de t\u00e9dio = ?"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>O confinamento \u00e0 nossa casa e a exig\u00eancia de distanciamento social restringem as nossas escolhas e convidam a um exame de consci\u00eancia sobre os nossos estilos de vida. Muitos parecem atingir os limites da paci\u00eancia e sentem-se <em>cheios de t\u00e9dio<\/em>. Que sinais dos tempos apontam um sentimento de t\u00e9dio?<\/p>\n<figure id=\"attachment_171751\" aria-describedby=\"caption-attachment-171751\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/nick-fewings-zF_pTLx_Dkg-unsplash.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-171751\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/nick-fewings-zF_pTLx_Dkg-unsplash.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/nick-fewings-zF_pTLx_Dkg-unsplash.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/nick-fewings-zF_pTLx_Dkg-unsplash-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/nick-fewings-zF_pTLx_Dkg-unsplash-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/nick-fewings-zF_pTLx_Dkg-unsplash-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/nick-fewings-zF_pTLx_Dkg-unsplash-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/nick-fewings-zF_pTLx_Dkg-unsplash-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/nick-fewings-zF_pTLx_Dkg-unsplash-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-171751\" class=\"wp-caption-text\">Foto de Nick Fewings em Unsplash<\/figcaption><\/figure>\n<p>O aborrecimento surge da insaciedade que o momento presente oferece e a falta de perspectiva de que o momento seguinte seja melhor. O facto de vivermos num mundo em que o entretenimento \u00e9 oferecido 24\/24 horas, das mais diversas formas e \u201cgratuitamente\u201d, o espa\u00e7o e tempo de pausas reservado \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o diminui e a mente passa de criadora a consumidora. Da\u00ed que me tenha surgido a ideia para a seguinte equa\u00e7\u00e3o de uma nova onda s\u00f3cio-econ\u00f3mica:<\/p>\n<blockquote><p>Cheio de T\u00e9dio = IVA<\/p><\/blockquote>\n<h3>\u2026 I de Imaginar<\/h3>\n<p>Quando nos sentimos aborrecidos, a mente est\u00e1 a emitir um sinal de alerta de prontid\u00e3o para criar atrav\u00e9s da imagina\u00e7\u00e3o. Assim, o sentimento de t\u00e9dio \u00e9 um convite da mente a abrir-se \u00e0 Era da Imagina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A Era da Imagina\u00e7\u00e3o \u00e9 um fen\u00f3meno colectivo que nos estimula a experimentar por n\u00f3s pr\u00f3prios o futuro que queremos ver realizado no mundo. \u00c9 a oportunidade de nos re-inventarmos.<\/p>\n<p>Isaac Newton, durante a praga de Londres no s\u00e9culo XVII, como hoje, era um estudante convidado a ir para casa para mitigar a propaga\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a. Foi durante esse per\u00edodo que teve ideias que estabeleceram a base de muitas das suas inova\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, incluindo &#8211; sim &#8211; a gravidade que proveio da ma\u00e7\u00e3.<\/p>\n<h2>\u2026 V de Valorizar<\/h2>\n<p>Muitas vezes movemo-nos ao sabor das tarefas que temos para cumprir. Mas ao experimentarmos um sentimento de t\u00e9dio, o modo como reagimos permite-nos perceber aquilo a que damos valor. Por exemplo, se a primeira atitude \u00e9 navegar pelas redes sociais, na pr\u00e1tica, procuramos um pequeno surto de dopamina (neurotransmissor natural que nos d\u00e1 o sentido de realiza\u00e7\u00e3o) para superar o sentimento de t\u00e9dio. Mas qual o valor que tem, realmente, uma rede social?<\/p>\n<p>(Re)Descobrir os nossos valores significa est\u00e1 consciente daquilo que transforma a nossa vida, dando-lhe sentido e significado. Se para combater o t\u00e9dio algu\u00e9m p\u00f5e-se a tocar um instrumento, valoriza a arte musical. Se p\u00f5e-se a esculpir ou costurar, valoriza o artesanato. Se desenha ou experimenta dar vida a uma tela, valoriza a arte de pintar. Se pega num livro e dedica-lhe tempo, valoriza a arte de ler que agu\u00e7a a mente. Se faz exerc\u00edcio, valoriza a sa\u00fade do seu corpo.<\/p>\n<p>Mas quando algu\u00e9m passa tempos sem fim a consumir o que o Facebook, Twitter ou Instagram pensa que iremos gostar, toma mais contacto com o pensamento dos outros do que com o pensamento pr\u00f3prio. Logo, o sentimento de t\u00e9dio talvez seja uma oportunidade de (re)pensar os valores.<\/p>\n<h3>\u2026 A de Aprender<\/h3>\n<p>O per\u00edodo pand\u00e9mico actual pela Covid-19 \u00e9 um desafio ao nosso bem estar f\u00edsico, mental, social e espiritual. Os momentos que vivemos desafio, tamb\u00e9m, a nossa capacidade para a resili\u00eancia e de lidar com inevitabilidades da vida. Quando sentimos t\u00e9dio, o corpo est\u00e1 a emitir um sinal da import\u00e2ncia de accionar o modo-de-aprender novas capacidades, algumas, inclusiv\u00e9, com efeito terap\u00eautico.<\/p>\n<p>Betsan Corkhill \u00e9 uma fisioterapeuta americana que descobriu no croch\u00e9 um modo de melhorar o nosso bem estar, seja onde for. Fazer croch\u00e9 \u00e9 muito mais do que desenvolver uma capacidade, mas, nas palavras o neurocientista Lorimer Moseley, \u00e9 um modo de abra\u00e7ar a complexidade do \u201ccomo\u201d e \u201cporqu\u00ea\u201d do nosso c\u00e9rebro produzir experi\u00eancias. Algo t\u00e3o simples como fazer croch\u00e9 pode ser terap\u00eautico na medida em que fazendo algo com as m\u00e3os, libertamos a mente das preocupa\u00e7\u00f5es que nos ocupam, dando lugar ao vaguear dos pensamentos t\u00edpicos de quem usa o t\u00e9dio como fonte criativa. Como por exemplo acontecia com as mulheres em Londres durante os momentos de bombardeamento em plena Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n<figure id=\"attachment_171750\" aria-describedby=\"caption-attachment-171750\" style=\"width: 672px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/313df3b6f.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-171750 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/313df3b6f.jpg\" alt=\"\" width=\"672\" height=\"431\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/313df3b6f.jpg 672w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/313df3b6f-400x257.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/313df3b6f-480x308.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 672px) 100vw, 672px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-171750\" class=\"wp-caption-text\">Mulheres a fazer croch\u00e9 e a conversar em 1940 enquanto esperavam o cessar de um bombardeamento a Londres.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Um sentimento de t\u00e9dio \u00e9 um sinal universal dos tempos de que h\u00e1 muitas capacidades que podemos desenvolver porque o ser humano evolui sempre que aprende.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o 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