{"id":17161,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/a-geracao-mp3\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"a-geracao-mp3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-geracao-mp3\/","title":{"rendered":"A gera\u00e7\u00e3o MP3"},"content":{"rendered":"<p>Bill Gates j\u00e1 tinha profetizado, h\u00e1 algum tempo, que o DVD &#8211; suced\u00e2neo das cassetes de imagem &#8211; estava em vias de extin\u00e7\u00e3o porque a magia do computador aliada \u00e0 televis\u00e3o interactiva alcan\u00e7aria uma solu\u00e7\u00e3o mais perfeita (e certamente mais rent\u00e1vel). Agora voltou atr\u00e1s subscrevendo um dos modelos de disco com maior capacidade e qualidade, a chegar ao mercado.  Tudo isto n\u00e3o passaria de mais um evento t\u00e9cnico e comercial se se n\u00e3o inscrevesse na pan\u00f3plia de pe\u00e7as que se escondem na mochila e na cabe\u00e7a da juventude de hoje, que algu\u00e9m j\u00e1 classificou de \u201cchipada\u201d. Parece, \u00e0 primeira vista, que durante muitos s\u00e9culos, havia um gr\u00e1fico homog\u00e9neo que definia as diversas gera\u00e7\u00f5es. Certamente durante mil\u00e9nios os adultos pensaram o mesmo dos jovens. E os jovens ter\u00e3o dito o mesmo dos mais velhos. Pelo menos dentro dos padr\u00f5es culturais mais pr\u00f3ximos e a que fomos tendo acesso mais pelas hist\u00f3rias do que pela Hist\u00f3ria.  N\u00e3o \u00e9 muito f\u00e1cil definir \u201cnovas tecnologias\u201d na \u00e1rea dos consum\u00edveis. Trata-se de instrumentos com uma curt\u00edssima esperan\u00e7a de vida. Envolvidos no mercado, nascem com estonteante pressa de morrer, para dar lugar a uma nova gera\u00e7\u00e3o ou topo de gama que deve ter os dias contados, para se tornarem rent\u00e1veis e competitivos. E assim sucessivamente. Que usam hoje os adolescentes e jovens? Um emaranhado infind\u00e1vel de siglas num\u00e9ricas que significam som, imagem, comunica\u00e7\u00e3o, grafia, resposta, pressa, instinto, sensibilidade, prazer, interac\u00e7\u00e3o. Um comp\u00eandio de filosofia e moral em m\u00f3dulos e chips. A maior parte acedida pela Net, ou televis\u00e3o, ou grupo, ou por um amigo. E propaga-se alegremente em pirataria, esp\u00e9cie de truque dos pobres e mercado clandestino que afecta os criadores e os vendedores. Este pacote de lev\u00edssima pondera\u00e7\u00e3o tornou-se companhia e centro de procuras, trocas, prendas e neg\u00f3cios, consoante as idades.  Que benef\u00edcios e estragos gera toda essa tralha nos neur\u00f3nios e afectos dos utentes? Possivelmente molda uma juventude como Presley marcou a de cinquenta e Dylan a gera\u00e7\u00e3o seguinte. E correm, entretanto, d\u00e9cadas marcadas pelo rap, pelos dinossauros, pela mec\u00e2nica, pela tatuagem, pelas cores, pelos jogos electr\u00f3nicos, pelos grafiti, pelos c\u00f3digos, pelo imediato, pela transgress\u00e3o como forma de originalidade. E por muito mais, que n\u00e3o \u00e9 nem soma nem subtrac\u00e7\u00e3o de an\u00e1lises sempre imperfeitas. Estamos perante uma sequ\u00eancia aparentemente incontrol\u00e1vel de evolu\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas que parecem fazer estremecer os valores patrimoniais lentamente cotejados pelas evolu\u00e7\u00f5es dos mil\u00e9nios que nos precederam. A an\u00e1lise mais simplista reconduz sempre \u00e0 lam\u00faria cl\u00e1ssica de no meu tempo n\u00e3o era assim ou os jovens de hoje n\u00e3o cultivam valores. \u00c9 preciso ir paciente e inteligentemente mais longe para compreender que as gera\u00e7\u00f5es e culturas n\u00e3o se edificam nem tombam com duas palavras de ordem. A humanidade \u00e9 um cont\u00ednuo vaiv\u00e9m mesmo no meio de convuls\u00f5es que parecem radicais. O desafio crist\u00e3o implica a pesquisa de padr\u00f5es mais s\u00f3lidos que a compara\u00e7\u00e3o moralista com as gera\u00e7\u00f5es mais recentes. Tentando sobretudo compreender o que pretendem exprimir em tantos gestos e palavras que surgem simplesmente como absurdos \u00e0 an\u00e1lise de superf\u00edcie. E aprendendo com eles os valores que, desarrumadamente, nos transmitem. \u00c9 um erro prim\u00e1rio dizer que os jovens de hoje n\u00e3o cultivam valores. \u00c9 preciso descobri-los no meio dos decib\u00e9is do MP3 e das senhas que, continuamente, trocam entre si e com os que com eles procuram dialogar. Sem diabolizar nem beatificar pelas primeiras impress\u00f5es.  <i>Ant\u00f3nio Rego<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bill Gates j\u00e1 tinha profetizado, h\u00e1 algum tempo, que o DVD &#8211; suced\u00e2neo das cassetes de imagem &#8211; estava em vias de extin\u00e7\u00e3o porque a magia do computador aliada \u00e0 televis\u00e3o interactiva alcan\u00e7aria uma solu\u00e7\u00e3o mais perfeita (e certamente mais rent\u00e1vel). 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