{"id":171591,"date":"2020-04-19T03:13:35","date_gmt":"2020-04-19T02:13:35","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=171591"},"modified":"2020-04-19T18:37:14","modified_gmt":"2020-04-19T17:37:14","slug":"procurar-o-modo-verdadeiro-da-experiencia-crente-em-tempos-de-pandemia-entrevista-a-d-manuel-clemente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/procurar-o-modo-verdadeiro-da-experiencia-crente-em-tempos-de-pandemia-entrevista-a-d-manuel-clemente\/","title":{"rendered":"Procurar o modo \u00abverdadeiro\u00bb da experi\u00eancia crente em tempos de pandemia \u2013 Entrevista a D. Manuel Clemente (c\/v\u00eddeo)"},"content":{"rendered":"<p><em>A covid-19 mudou o modo de relacionamento, paralisou setores da sociedade e transformou a experi\u00eancia crente: novas possibilidades e desafios analisados pelo cardeal-patriarca de Lisboa que alerta para as \u00abm\u00e1s vis\u00f5es de Deus\u00bb por causa do coronav\u00edrus<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe  id=\"_ytid_19263\"  width=\"480\" height=\"270\"  data-origwidth=\"480\" data-origheight=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4qW7HXrvdPs?enablejsapi=1&#038;autoplay=0&#038;cc_load_policy=0&#038;cc_lang_pref=pt&#038;iv_load_policy=1&#038;loop=0&#038;rel=0&#038;fs=1&#038;playsinline=1&#038;autohide=2&#038;theme=dark&#038;color=red&#038;controls=1&#038;disablekb=0&#038;\" class=\"__youtube_prefs__  epyt-is-override  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen data-no-lazy=\"1\" data-skipgform_ajax_framebjll=\"\"><\/iframe><\/div>\n<p><em>Ag\u00eancia Ecclesia \u2013 Numa entrevista recente, o Papa Francisco referiu-se \u00e0s causas desta pandemia citando um prov\u00e9rbio que diz \u201cDeus perdoa sempre, os homens \u00e0s vezes, a natureza nunca\u201d. \u00c9 um desencontro entre o homem e a natureza que est\u00e1 em causa?<\/em><\/p>\n<p>D. Manuel Clemente \u2013 Tamb\u00e9m \u00e9, sabendo n\u00f3s que somos natureza, personalizada em cada um, em cada ser humano, mas somos natureza. \u00c0s vezes esquecemo-nos disso, pomo-nos de fora da natureza, mentalmente, embora realmente nunca estejamos porque somos tudo isso: cada um de n\u00f3s \u00e9 aquilo que consome, aquilo que respira. Tudo isto \u00e9 a natureza, personalizada em cada um. Quando esquecemos esta liga\u00e7\u00e3o fundamental, as coisas n\u00e3o andam bem e podem ser muito perigosas. N\u00e3o s\u00f3 nesta pandemia. Como se tem visto ao longo da hist\u00f3ria da Humanidade, h\u00e1 fen\u00f3menos e at\u00e9 cat\u00e1strofes que n\u00e3o s\u00e3o da nossa responsabilidade humana, mas outros s\u00e3o. E tudo o que a crise ecol\u00f3gica manifesta, que o Papa nos tem alertado tanto, \u00e9 sinal de que h\u00e1 muita coisa de errado na nossa rela\u00e7\u00e3o com a restante natureza. Em n\u00f3s, a natureza tem a qualidade de consci\u00eancia e de responsabilidade que n\u00e3o tem em rela\u00e7\u00e3o a outros seres e, por isso, mais nos responsabiliza.<\/p>\n<p>A pandemia \u00e9 uma epidemia generalizada que toca o planeta no seu conjunto. Mas em termos de epidemias, n\u00e3o precisamos de ir l\u00e1 muito para tr\u00e1s, para a gripe espanhola do princ\u00edpio do s\u00e9culo passado, ou outras. Elas t\u00eam existido, mas n\u00f3s, na Europa, \u00e0s vezes, n\u00e3o damos muito conta disso: o que tem acontecido com o \u00e9bola e outras epidemias em \u00c1frica e noutras partes do mundo? Elas existem! Agora tocam-nos de perto e s\u00e3o t\u00e3o generalizadas, porque hoje a mobilidade \u2013 a que existia at\u00e9 come\u00e7arem estas medidas de confinamento \u2013 \u00e9 de tal ordem que tudo circula muito mais rapidamente. Essa \u00e9 que \u00e9 a diferen\u00e7a. Mas epidemias e contrastes com a natureza n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 de agora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 \u00c9 o primeiro teste efetivo \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>MC \u2013 \u00c9 pelo menos uma manifesta\u00e7\u00e3o de que globalizar \u00e9 bom, porque nos torna mais pr\u00f3ximos, mas implica cuidados redobrados. Sabemos que, no que diz respeito \u00e0 seguran\u00e7a, hoje n\u00e3o se entra num avi\u00e3o como se entrava h\u00e1 20 anos. Agora, em rela\u00e7\u00e3o a outros aspetos, concretamente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o da sa\u00fade e da n\u00e3o contamina\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m se ter\u00e1 de redobrar o cuidado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Olhando ainda as causas: falar em castigo de Deus \u00e9 retomar um discurso que j\u00e1 tem 2000 anos?<\/em><\/p>\n<p>MC \u2013 \u00c9 falar num discurso muito velho, muito mais do que 2000 anos. Desde que os nossos antepassados come\u00e7aram a fazer desenhos nas grutas pr\u00e9-hist\u00f3ricas ou riscos nas pedras, j\u00e1 exprimiam um certo receio sobre o que a divindade pudesse fazer ou n\u00e3o fazer e, por isso, era importante estar bem com essa divindade, fosse ela qual fosse. \u00c9 um sentimento natural, espont\u00e2neo, face a qualquer coisa que nos limita e nos atemoriza: procurar apoio e tentar que n\u00e3o haja nenhuma reprimenda forte da parte dessa entidade mais ou menos suposta, imagin\u00e1ria ou real. \u00c9 um sentimento espont\u00e2neo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Mas evocar um castigo divino nesta circunst\u00e2ncia&#8230;<\/em><\/p>\n<p>MC \u2013 N\u00f3s \u00e9 que nos castigamos a n\u00f3s pr\u00f3prios. E essa \u00e9 a revela\u00e7\u00e3o b\u00edblica de uma ponta \u00e0 outra. Toda a B\u00edblia nos diz que Deus cria um mundo bom, mas tudo aquilo que nos implica nem sempre corre da mesma maneira e pode transtornar n\u00e3o s\u00f3 a nossa rela\u00e7\u00e3o com Deus, mas com a cria\u00e7\u00e3o no seu conjunto.<\/p>\n<p>Somos crist\u00e3os e olhamos para Deus como Jesus nos ensinou a olhar: com tudo o mais que ele herdou e que nele se completa. Quando olhamos para Deus com os olhos de Jesus, olhamos como um Pai, que mesmo na cruz do mundo, n\u00e3o deixa de nos acolher e at\u00e9 de nos ressuscitar. Calma a\u00ed com essas m\u00e1s vis\u00f5es de Deus que Jesus Cristo supera absolutamente. N\u00f3s olhamos para o mundo e olhamos para Deus com os olhos de Jesus Cristo: filiais em rela\u00e7\u00e3o a Deus e fraternais em rela\u00e7\u00e3o aos outros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 E que participa\u00e7\u00e3o tem Deus na procura de solu\u00e7\u00f5es, na resolu\u00e7\u00e3o do problema?<\/em><\/p>\n<p>MC \u2013 Na \u00f3tica crist\u00e3, a participa\u00e7\u00e3o de Deus \u00e9 a que em Jesus Cristo se manifesta e que ainda nesta P\u00e1scoa celebramos: n\u00e3o \u00e9 um Deus que est\u00e1 por fora, para premiar ou castigar, \u00e9 um Deus que, em Jesus Cristo, assume o que n\u00f3s somos, a nossa natureza humana e a reconstr\u00f3i por dentro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Isso implica aceitar a cruz, aceitar a morte?<\/em><\/p>\n<p>MC \u2013 Aceitar a vida! De que a cruz e a morte fazem parte&#8230; Aceit\u00e1-las como Jesus as assumiu fazendo de tudo isso mais vida!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Um novo ambiente mon\u00e1stico-digital<\/strong><\/p>\n<p><em>AE \u2013 O que estamos a construir nesta pandemia? Os relacionamentos digitais colocam-nos diante de um novo paradigma de relacionamentos, por causa do isolamento social e pelas possibilidades que se v\u00e3o criando. Aplicando tudo isto ao setor da pastoral, que consequ\u00eancias tem?<\/em><\/p>\n<p>MC \u2013 N\u00f3s estamos a treinar uma pastoral \u201cmon\u00e1stico-intern\u00e9tica\u201d. \u201cMon\u00e1stico\u201d \u00e9 uma atitude que existe desde sempre no cristianismo, e n\u00e3o s\u00f3 no cristianismo, que nos ret\u00e9m a n\u00f3s pr\u00f3prios, no mais fundo de n\u00f3s pr\u00f3prios para encontrar a\u00ed outra profundidade e outro lastro para viver. \u00c9 isso que a palavra mon\u00e1stico significa, em\u00a0 sentido de isolamento do exterior para o aprofundamento do interior. O pr\u00f3prio Jesus tem momentos mon\u00e1sticos, que os Evangelhos n\u00e3o ocultam: quando se retira, para o deserto, 40 dias; nas v\u00e1rias ocasi\u00f5es em que os disc\u00edpulos andam \u00e0 procura dele e o encontram retirado. Jesus resolve as coisas absolutamente por dentro, na sua rela\u00e7\u00e3o com o Pai. E estas circunst\u00e2ncias de confinamento a que estamos todos obrigados e devemos ser cumpridores, a bem dos outros (e que contraria muito aquilo que na vida pastoral nos impulsiona, para encontros, reuni\u00f5es e n\u00e3o s\u00f3 celebra\u00e7\u00f5es), desenvolve essa tal atitude mon\u00e1stica: de aprofundamento das motiva\u00e7\u00f5es, de afervoramento da ora\u00e7\u00e3o, da rela\u00e7\u00e3o com Deus, por n\u00f3s, pelos outros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Ser\u00e1 mon\u00e1stico-digital, ent\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>MC \u2013 Agora digital, utilizando a internet e tudo aquilo que os media hoje nos permitem para estar com as pessoa, tamb\u00e9m dessa maneira. Dando aos media esse sentido de conjuga\u00e7\u00e3o, de contacto de proximidade, que j\u00e1 tem sido tantas vezes referido nas mensagem para os dias mundiais de comunica\u00e7\u00e3o dos sucessivos Papas, pondo tudo isso agora em a\u00e7\u00e3o. E est\u00e3o a desenvolver-se realidades que julgo que ficar\u00e3o! Mesmo quando pudermos voltar \u00e0 nossa pastoral normal, n\u00e3o deixaremos de utilizar muito disto que agora est\u00e1 a vir ao de cima.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Unidade e autonomias da Igreja Cat\u00f3lica em Portugal <\/strong><\/p>\n<p><em>AE \u2013 Essas experi\u00eancias n\u00e3o t\u00eam surgido muito segmentadas?<\/em><\/p>\n<p>MC \u2013 Como tudo surge&#8230; Porque as pessoas onde est\u00e3o, os p\u00e1rocos nas suas par\u00f3quias, n\u00e3o podem estar diretamente com os seus paroquianos, mas t\u00eam preocupa\u00e7\u00e3o por eles: as coisas t\u00eam de continuar a andar, a Palavra de Deus tem de continuar a ser anunciada, os ritos sacramentais continuar a ser celebrados, embora n\u00e3o com o povo, mas pela internet ou com outros meios, o acompanhamento das pessoas em tudo o que \u00e9 sociocaritativo, quer sejam institui\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 Igreja ou institui\u00e7\u00f5es onde os cat\u00f3licos estejam, p\u00fablicas e privadas, nos sistemas de sa\u00fade e tudo o mais. Os p\u00e1rocos t\u00eam esta vontade e necessidade, at\u00e9 por voca\u00e7\u00e3o, de acompanhar tudo isto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Mas se pensarmos na voz interlocutora que a Igreja Cat\u00f3lica tem de ser com a sociedade &#8211; e depois de afirmar durante muitos anos, d\u00e9cadas talvez, a centralidade da comunica\u00e7\u00e3o &#8211; n\u00e3o se exigiria uma resposta mais institucional, mais nacional?<\/em><\/p>\n<p>MC \u2013 Embora a realidade da Igreja n\u00e3o seja nacional&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Mas vamos percebendo que para se relacionar com a sociedade, muitas vozes nem sempre funciona&#8230;<\/em><\/p>\n<p>MC \u2013 A realidade da Igreja Cat\u00f3lica, como a entendemos \u2013 E n\u00e3o digo que seja sempre assim: h\u00e1 realidades nacionais na Igreja. Algumas das nossas irm\u00e3s no mundo protestante formaram Igrejas nacionais: os anglicanos s\u00e3o a Igreja de Inglaterra, isso quer dizer anglicanos, na sua origem \u2013, existe a n\u00edvel universal \u00e0 volta do sucessor de Pedro. E o Papa tem estado constantemente presente nos media, pela for\u00e7a com que se manifesta celebrando sozinho, mas para uma multid\u00e3o, e depois a n\u00edvel diocesano, em cada igreja local. E reparo que todos os meus colegas t\u00eam estado presentes nessas redes, quer nas suas dioceses, quer quando s\u00e3o entrevistados pelos media nacionais e at\u00e9 outros. E eu pr\u00f3prio j\u00e1 tenho celebrado publicamente v\u00e1rias vezes e dado entrevistas.<\/p>\n<p>N\u00e3o gostaria de confinar a presen\u00e7a cat\u00f3lica \u00e0quilo que \u00e9 a presen\u00e7a do Santo Padre ou a presen\u00e7a de cada bispo na sua diocese. Creio que \u00e9 muito importante ressaltar o que \u00e9 a presen\u00e7a constante dos cat\u00f3licos nos v\u00e1rios dom\u00ednios da sociedade, quer pessoalmente, porque est\u00e3o presentes em todo o lado, quer da parte dos ministros ordenados que, em cada comunidade crist\u00e3, os estimulam, os impulsionam e acompanham e levam as coisas por diante. \u00c9 neste conjunto que temos de avaliar a presen\u00e7a da Igreja. Porque sen\u00e3o olharmos assim ficamos sem saber para onde olhar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 A relev\u00e2ncia da comunica\u00e7\u00e3o nessa avalia\u00e7\u00e3o poderia emergir como fator de di\u00e1logo com a sociedade? Quando queremos saber o que est\u00e1 a acontecer \u00e9 dif\u00edcil descobri-lo imediatamente.<\/em><\/p>\n<p>MC \u2013 Porque a maior parte do di\u00e1logo faz-se com quem l\u00e1 est\u00e1: tantas mensagens, tantos contactos, telefonemas que temos com cat\u00f3licos que est\u00e3o nos v\u00e1rios setores sociais. Mas eles, que l\u00e1 est\u00e3o, \u00e9 que efetivamente dialogam. Quem dialoga no mundo de sa\u00fade com outros profissionais de sa\u00fade s\u00e3o os cat\u00f3licos que est\u00e3o no sistema de sa\u00fade, seja nacional seja outro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Nesse aspeto a Igreja est\u00e1 a acontecer.<\/em><\/p>\n<p>MC &#8211; E o que passa no mundo da fam\u00edlia \u00e9 interessant\u00edssimo: elas redescobrem-se no confinamento que t\u00eam. E as not\u00edcias que me chegam e que partilhamos do que acontece nas fam\u00edlias, que a\u00ed mesmo se redescobrem como Igreja dom\u00e9stica, est\u00e1 a dar densidade \u00e0 viv\u00eancia familiar cat\u00f3lica, o que \u00e9 outro dos elementos que certamente permanecer\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Uma nova forma de ser e pertencer \u00e0 Igreja<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>AE \u2013 Temos experi\u00eancias \u00f3timas dessa participa\u00e7\u00e3o, em par\u00f3quias como dioceses, seja em Lisboa, na par\u00f3quia de Benfica, da Areosa ou Senhora da Hora, no Porto; e recordo tamb\u00e9m uma diocese, Set\u00fabal, que emerge na comunica\u00e7\u00e3o com a participa\u00e7\u00e3o de grupos e fam\u00edlias. Mas genericamente, a pandemia veio colocar no centro a figura do bispo ou do sacerdote. O centro estar\u00e1 a\u00ed?<\/em><\/p>\n<p>MC \u2013 Creio que o centro \u00e9 polic\u00eantrico. Com certeza que h\u00e1 estas posi\u00e7\u00f5es centrais e at\u00e9 chave na Igreja para articular, organizar, para que nada se disperse, se conjunge e seja espiritualmente alimentado (e os exemplos s\u00e3o mais do que muitos). E posso garantir que a maior parte dos meus colegas bispos, sacerdotes, di\u00e1conos, est\u00e3o com uma contens\u00e3o enorme do que gostariam de fazer na linha do que t\u00eam feito, no sentido de estar com as pessoas. S\u00f3 n\u00e3o podem fazer, o que \u00e9 um m\u00e9rito muito grande e um bom exemplo na generalidade dos casos, de contens\u00e3o.<\/p>\n<p>O centro da Igreja \u00e9 polic\u00eantrico: est\u00e1 em cada crist\u00e3o, em cada crist\u00e3 onde o Evangelho se pratique. E \u00e9 bom ter isto presente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Como \u00e9 que nos vamos reencontrar depois desta experi\u00eancia a n\u00edvel sacramental? Eucaristia, confiss\u00e3o: teremos formas de perten\u00e7a diferentes?<\/em><\/p>\n<p>MC\u00a0 &#8211; Creio que tudo isso voltar\u00e1 \u00e0 \u201cnormalidade\u201d. J\u00e1 se fala da \u201cnova normalidade\u201d porque algumas medidas de prote\u00e7\u00e3o ter\u00e3o de permanecer.<\/p>\n<p>Tudo isso \u00e9 essencialmente relacional e evang\u00e9lico. N\u00f3s acreditamos na encarna\u00e7\u00e3o: Deus encarna, na pessoa de Jesus, hoje ressuscitada, que est\u00e1 presente no meio de n\u00f3s com muitos sinais e sobretudo com sinais sacramentais. Mas os sinais sacramentais s\u00e3o coisas que se veem e com pessoas que ali est\u00e3o. Portanto, tudo isso voltar\u00e1.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 A forma de perten\u00e7a que est\u00e1 a acontecer, digital, n\u00e3o pode permanecer?<\/em><\/p>\n<p>MC \u2013 Vai complementar, at\u00e9 porque h\u00e1 muita popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o pode sair de casa, que habitualmente j\u00e1 n\u00e3o participa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Mas nessas ocasi\u00f5es, falava-se em assistir \u00e0 Missa na televis\u00e3o, agora fala-se em participar&#8230;<\/em><\/p>\n<p>MC \u2013 O que \u00e9 bom!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 E isso vai continuar?<\/em><\/p>\n<p>MC &#8211;\u00a0 Certamente! S\u00e3o meios que est\u00e3o ao nosso dispor e que vamos utilizar. Como j\u00e1 tivemos desenvolvimentos nesse sentido com as visitas habituais dos ministros extraordin\u00e1rios da comunh\u00e3o \u00e0s casas das pessoas. Tudo isso ter\u00e1 o seu futuro porque desenvolve aquilo que \u00e9 a vida da Igreja: uma profunda conviv\u00eancia, nos seus diversos n\u00edveis e possibilidades.<\/p>\n<p>Tudo isso voltar\u00e1. E devo dizer que vai voltar com muita for\u00e7a. Falava da contens\u00e3o que n\u00f3s, ministros, temos de ter para n\u00e3o ultrapassar as medidas de confinamento que nos s\u00e3o impostas pelas circunst\u00e2ncias. Mas a generalidade dos leigos tem vontade de um regresso em massa!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 A s<\/em><em>uspens\u00e3o da celebra\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria das Missas causou algum debate, discord\u00e2ncia tamb\u00e9m por parte de bispos e te\u00f3logos. Que consequ\u00eancias tem esta medida na Igreja e nomeadamente no pontificado do Papa Francisco?<\/em><\/p>\n<p>MC \u2013 Julgo que tudo isto tem um resultado muito positivo no aprofundamento daquelas dimens\u00f5es mon\u00e1stico-medi\u00e1ticas que falava. Aprofundou o porqu\u00ea da Igreja no seu sentido mais \u00edntimo e encontrou novas maneiras de manter esta conviv\u00eancia que a Igreja tamb\u00e9m \u00e9 e continuar\u00e1 a ser.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Mas aquilo que se admite agora como exce\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser admitido como possibilidade, no futuro?<\/em><\/p>\n<p>MC \u2013 Como complemento. Uma coisa pede a outra. E temos essa experi\u00eancia! Nas rela\u00e7\u00f5es de amizade ou de fam\u00edlia alargada: mantemos correspond\u00eancia, quer a tradicional quer a atual, pelas nossas constantes caixas de mensagens cheias, e isso n\u00e3o elimina a vontade, pelo contr\u00e1rio, de nos encontrarmos mesmo. Porque a rela\u00e7\u00e3o \u00e9 assim: quando \u00e9 verdadeira, quer mais, quer ver. Se \u00e9 verdadeira, n\u00e3o exclui a outra, pelo contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 A boa intencionalidade da pessoa bastar\u00e1 para a reconcilia\u00e7\u00e3o com Deus, para a participa\u00e7\u00e3o na comunh\u00e3o, nestas circunst\u00e2ncias?<\/em><\/p>\n<p>MC \u2013 N\u00f3s temos de ver as coisas do lado de Deus, n\u00e3o apenas do nosso lado. Com certeza que Deus v\u00ea os cora\u00e7\u00f5es e sabe o que h\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o de cada um e h\u00e1 muito mais do que aquilo que se pode manifestar. E sabemos isso, em qualquer tipo de rela\u00e7\u00e3o. Agora, a rela\u00e7\u00e3o que Deus tem connosco, e acreditamos que \u00e9 inteira na figura de Jesus Cristo, \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o como os Evangelhos guardaram: Jesus n\u00e3o perdoava em geral, mas tinha encontros de reconcilia\u00e7\u00e3o. N\u00f3s n\u00e3o podemos refluir, para a subjetividade de cada um, estas coisas que Deus quer connosco como manteve em Jesus Cristo em termos de rela\u00e7\u00e3o verdadeira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Sendo poss\u00edvel&#8230;<\/em><\/p>\n<p>MC \u2013 Quando n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Mas a reconcilia\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre poss\u00edvel?<\/em><\/p>\n<p>MC \u2013 Os crist\u00e3os antigos, quando para aderir ao cristianismo era preciso quase uma rutura com os usos e costumes, faziam aquelas longas prepara\u00e7\u00f5es e os catecumenatos prolongados, muitos deles morriam antes de serem batizados, porque havia uma persegui\u00e7\u00e3o. Em qualquer imprevisto falava-se de \u2018batismo de desejo\u2019, como agora se fala de \u2018comunh\u00e3o espiritual\u2019 quando n\u00e3o pode ser com a rece\u00e7\u00e3o da h\u00f3stia. Mas n\u00e3o deixa de ser menos verdadeiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 \u00c9, de facto, uma nova circunst\u00e2ncia, tamb\u00e9m sacramental&#8230;<\/em><\/p>\n<p>MC \u2013 Mais uma vez, s\u00e3o coisas antigas e coisas novas, com uma conjuga\u00e7\u00e3o no que diz respeito \u00e0 humanidade, e \u00e9 comum.<\/p>\n<p>Neste m\u00eas, em tanta conversa telef\u00f3nica ou medi\u00e1tica com crist\u00e3s e crist\u00e3os e com outras pessoas, eu j\u00e1 tenho lembrado: nestes 2000 anos, cristandades j\u00e1 estiveram privadas da vida sacramental habitual durante s\u00e9culos! O que \u00e9 que se passou no Jap\u00e3o entre meados do s\u00e9culo XVII e meados do s\u00e9culo XIX? Os chamados \u2018crist\u00e3os ocultos\u2019: n\u00e3o podiam aparecer como crist\u00e3os \u00e0 luz do dia, n\u00e3o havia nenhum sacerdote nem podia l\u00e1 estar nenhum, batizavam os filhos, transmitiam a doutrina e sobreviveram 200 anos. Cristandades como aconteceram na Coreia ou Vietname, desde finais do s\u00e9culo XVII at\u00e9 ao s\u00e9culo XIX bem andado, tamb\u00e9m viveram nestas circunst\u00e2ncias. De vez enquanto aparecia l\u00e1 um sacerdote, que ia a partir das Filipinas, fazia alguns contactos, ordenava novos sacerdotes se era bispo, mas tudo aquilo era muito prec\u00e1rio.<\/p>\n<p>Este confinamento a que estamos sujeitos n\u00e3o \u00e9 completamente in\u00e9dito na vida da Igreja. E n\u00e3o foi por causa disso que essas cristandades deixaram de existir. At\u00e9 tinham mais vontade para ter tudo aquilo que n\u00e3o fizeram durante muito tempo porque n\u00e3o podiam fazer.<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o foi assim h\u00e1 tantos anos que me falava um bispo de \u00c1frica, daquelas antigas col\u00f3nias onde houve uma guerra civil prolongada, que me dizia que houve zonas da sua diocese em que nem ele nem nenhum sacerdote podiam ir durante 10 anos. Os catequistas mantiveram as comunidades, batizaram as crian\u00e7as e depois, quando l\u00e1 conseguiu ir o bispo, apresentaram todos os cadernos em dia com os registos dos batismos. E essas comunidades n\u00e3o deixaram de subsistir, porque a comunh\u00e3o com Cristo \u00e9 uma realidade total.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Manter postos de trabalho<\/strong><\/p>\n<p><em>AE \u2013 Falemos das consequ\u00eancias sociais desta pandemia, que est\u00e1 a levar ao desemprego, \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o dos rendimentos familiares. Como perspetiva a sociedade nesse \u00e2mbito?<\/em><\/p>\n<p>MC \u2013 Em primeiro lugar tudo aquilo que pode e deve ser feito, por quem gere o bem comum, quer a n\u00edvel do nosso pa\u00eds quer a n\u00edvel da Europa, tem mesmo de ser feito. N\u00e3o h\u00e1 escapat\u00f3ria nem alternativa: ou fazemos um apoio forte a estas economias que est\u00e3o t\u00e3o abaladas ou n\u00e3o h\u00e1 Europa que chegue nem que sobre.<\/p>\n<p>Depois, na responsabilidade e cidadania. E tem-me sido bom verificar, nos contactos medi\u00e1ticos com o mundo empresarial, concretamente com os empres\u00e1rios cat\u00f3licos, a preocupa\u00e7\u00e3o constante em manter os postos de trabalho, recorrendo ao layoff ou a outras alternativas que se consigam, mantendo a base humana que garanta a empresa e h\u00e1 de garanti-la no futuro, passando esta crise.<\/p>\n<p>Iniciativas deste g\u00e9nero, quer por parte de entidades p\u00fablicas nacionais ou europeias, quer por parte de entidades privadas e tamb\u00e9m do setor social, s\u00e3o fundamentais. E tem sido belo e importante verificar que essa preocupa\u00e7\u00e3o existe.<\/p>\n<p>A subsist\u00eancia das fam\u00edlias \u00e9 um problema grande. E, como tem sido dito, a pandemia \u00e9 sanit\u00e1ria, atinge a sa\u00fade das pessoas e \u00e9 preciso ser resolvida nesse campo, mas tamb\u00e9m \u00e9 mental e \u00e9 econ\u00f3mica. Confinar as pessoas, que n\u00e3o t\u00eam \u201cvoca\u00e7\u00e3o mon\u00e1stica\u201d, a estes \u201cmosteiros\u201d familiares ou \u00e0s vezes sem fam\u00edlia ou nos lares e tanto tempo, obriga a uma\u00a0 adapta\u00e7\u00e3o mental de grande agilidade e supera\u00e7\u00e3o de dificuldades dessa ordem. E depois econ\u00f3mica: o sustento, a vida, o mundo das escolas, das empresas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211;\u00a0 E a\u00ed encontramos muitas organiza\u00e7\u00f5es, empresas que dependem da Igreja Cat\u00f3lica.<\/em><\/p>\n<p>MC \u2013 E atitudes pessoais concretas. N\u00e3o estamos a falar no ar, mas de decis\u00f5es tomadas, com risco e com responsabilidade e apelando \u00e0 responsabilidade de outras pessoas que est\u00e3o nessas comunidades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 No caso do Patriarcado de Lisboa, h\u00e1 indica\u00e7\u00f5es para que os postos de trabalho n\u00e3o sejam extintos, em organiza\u00e7\u00f5es que dependem da Igreja Cat\u00f3lica?<\/em><\/p>\n<p>MC \u2013 Toda a preocupa\u00e7\u00e3o nesse sentido! Da parte institucional cat\u00f3lica, toda a preocupa\u00e7\u00e3o nesse sentido. Isso tamb\u00e9m se liga com a subsist\u00eancia dessas organiza\u00e7\u00f5es: n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 para alguns, \u00e9 para todos, mas tem de haver com qu\u00ea.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Recordo uma express\u00e3o do bispo de Santar\u00e9m e presidente da Comiss\u00e3o Episcopal da Pastoral social: \u201cchegou o momento de ir \u00e0s reservas e partilh\u00e1-las\u201d.<\/em><\/p>\n<p>MC \u2013 Exatamente. E h\u00e1 muita gente a ir \u00e0s reservas.<\/p>\n<p>Lembro-me que, quando esta pandemia come\u00e7ou e come\u00e7\u00e1mos a ver como dev\u00edamos atender, quer em institui\u00e7\u00f5es diretamente ligadas \u00e0 diocese quer noutras, resolvemos concentrar os pedidos e os apoios nas c\u00e1ritas diocesanas, porque nasceram para isso e o que tem acontecido a partir da\u00ed, de apoios, ofertas e de canaliza\u00e7\u00e3o conforme os pedidos (isto tamb\u00e9m acontece noutras dioceses, quer atrav\u00e9s das c\u00e1ritas quer com outras iniciativas e tamb\u00e9m a C\u00e1ritas Portuguesa trabalhar\u00e1 nesse sentido), confirma muito a convic\u00e7\u00e3o que eu tenho de que h\u00e1 uma solidariedade b\u00e1sica que vem ao de cima. Depois precisa \u00e9 de ser devidamente canalizada para chegar \u00e0s necessidades concretas, definidas e com a melhor resposta. E isso consegue-se.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>No fim do mandato como presidente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa<\/strong><\/p>\n<p><em>AE \u2013 Caso n\u00e3o estiv\u00e9ssemos confinados, esta seria uma semana para a Assembleia Plen\u00e1ria da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa (CEP). Ficou planeada para junho&#8230;<\/em><\/p>\n<p>MC \u2013 Para j\u00e1 est\u00e1 marcada para junho. \u00c9 uma assembleia importante, como s\u00e3o todas as assembleias, mas esta tem a particularidade de ser eletiva. Os titulares dos \u00f3rg\u00e3os da Confer\u00eancia Episcopal terminariam os mandatos, agora. N\u00e3o temos possibilidade de nos reunir e portanto marcamos para junho. Para j\u00e1 est\u00e1 assim.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio que estes \u00f3rg\u00e3os da confer\u00eancia, que apoiam a vida das dioceses, estas elei\u00e7\u00f5es sejam feitas para que se garanta o trabalho no futuro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Que avalia\u00e7\u00e3o faz dos seus mandatos como presidente da CEP?<\/em><\/p>\n<p>MC \u2013 Nunca ningu\u00e9m teve um mandato t\u00e3o longo: tive de terminar o anterior e cumpri dois inteiros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 E agora tem mais uns meses, pelo menos at\u00e9 junho&#8230;<\/em><\/p>\n<p>MC \u2013 A minha avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 muito positiva. Antes de mais por aquilo que a Confer\u00eancia Episcopal deve ser: uma possibilidade dos v\u00e1rios bispos diocesanos de um determinado pa\u00eds se encontrarem, aprofundarem tem\u00e1ticas dos diversos campos da pastoral, da rela\u00e7\u00e3o com a sociedade e isso faz-se com encontro! E estas reuni\u00f5es sucessivas, o retiro do episcopado, as jornadas pastorais, v\u00e3o permitindo o estreitamento de la\u00e7os, debates que nos ajudam muito a seguir em cada uma das dioceses. Depois h\u00e1 coisas que temos de tratar conjuntamente: o que diz respeito \u00e0 liturgia, \u00e0 catequese, ao campo social, da cultura, ecumenismo. S\u00e3o grandes linhas que tratamos em comum e depois continuamos, cada um na sua diocese, dentro da base comum de debate, perspetiva\u00e7\u00e3o e fazendo alguns documentos que partilhamos com os crist\u00e3os e a sociedade numa liga\u00e7\u00e3o constante com o centro da Igreja Cat\u00f3lica, os v\u00e1rios servi\u00e7os que a Igreja mant\u00e9m em Roma, em torno do Papa Francisco.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 O Papa Francisco referiu-se j\u00e1 a uma poss\u00edvel maior autonomia das Confer\u00eancias Episcopais, dando-lhes n\u00e3o s\u00f3 a possibilidade de consulta, mas tamb\u00e9m de governo. Ser\u00e1 necess\u00e1rio caminhar por a\u00ed, para que, em cada pa\u00eds,<\/em> <em>exista uma inst\u00e2ncia de di\u00e1logo e que possa pensar no todo?<\/em><\/p>\n<p>MC \u2013 J\u00e1 se vai fazendo. \u00c9 sempre importante manter esta liga\u00e7\u00e3o do que se faz entre as dioceses de um pa\u00eds e o que se faz entre as dioceses de todo o mundo \u00e0 volta do centro romano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE \u2013 Pelo meio n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio criar inst\u00e2ncias interm\u00e9dias, como s\u00e3o as confer\u00eancias episcopais?<\/em><\/p>\n<p>MC \u2013 Eu gosto mais de a ver como inst\u00e2ncia conjunta, do que inst\u00e2ncia interm\u00e9dia. N\u00f3s temos a refer\u00eancia evang\u00e9lica e da tradi\u00e7\u00e3o da Igreja, onde temos o grupo dos ap\u00f3stolos e Pedro, onde vemos a sucess\u00e3o episcopal e do bispo de Roma. N\u00e3o h\u00e1, nestes textos evang\u00e9licos e nestas refer\u00eancias tradicionais, nenhuma inst\u00e2ncia que se sobreponha ao que se passa nas dioceses e no conjunto das dioceses. N\u00e3o \u00e9 piramidal. \u00c9 algo de conc\u00eantrico.<\/p>\n<p>As confer\u00eancias episcopais surgem em meados do s\u00e9culo XX e depois do Vaticano II como \u00f3rg\u00e3os de conviv\u00eancia e coopera\u00e7\u00e3o dos episcopados de determinados pa\u00eds ou de uma regi\u00e3o de um grande pa\u00eds. E creio que essa refer\u00eancia evang\u00e9lica ao que acontecia entre Pedro e demais ap\u00f3stolos \u00e9 suficiente para a vida da Igreja e n\u00e3o obstacula que, quer a n\u00edvel da Igreja universal quer particular, o Evangelho progrida e as coisas se v\u00e3o resolvendo, nesta coopera\u00e7\u00e3o que vamos cimentando e que \u00e9 efetiva e afetiva. E se n\u00e3o for afetiva, tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 efetiva.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A covid-19 mudou o modo de relacionamento, paralisou setores da sociedade e transformou a experi\u00eancia crente: novas possibilidades e desafios analisados pelo cardeal-patriarca de Lisboa que alerta para as \u00abm\u00e1s vis\u00f5es de Deus\u00bb por causa do coronav\u00edrus<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":86384,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[147,698,343],"class_list":["post-171591","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","tag-conferencia-episcopal-portuguesa","tag-covid-19","tag-diocese-de-lisboa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/171591","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=171591"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/171591\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/86384"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=171591"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=171591"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=171591"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}