{"id":17149,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/passos-seculares-em-alenquer\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"passos-seculares-em-alenquer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/passos-seculares-em-alenquer\/","title":{"rendered":"<i>Passos<\/i> seculares em Alenquer"},"content":{"rendered":"<p>Durante o m\u00eas de Mar\u00e7o, Alenquer foi palco de v\u00e1rias iniciativas de \u00e2mbito religioso e cultural que assinalam os 350 anos da Irmandade de Santa Cruz e Passos de Alenquer.  A Prociss\u00e3o do Senhor dos Passos \u00e9 pela sua hist\u00f3ria e sobretudo pelo seu vincado cunho espiritual um dos acontecimentos mais importantes do panorama religioso, mas tamb\u00e9m cultural do Concelho. Celebrando-se ininterruptamente desde h\u00e1 v\u00e1rios s\u00e9culos, \u00e9 a mais antiga tradi\u00e7\u00e3o religiosa da Vila de Alenquer que ainda se mant\u00e9m viva, actualizando no tempo presente os grandes Mist\u00e9rios da F\u00e9 Crist\u00e3. Perde-se nos tempos a origem das celebra\u00e7\u00f5es penitenciais da Quaresma, per\u00edodo de quarenta dias que antecedem a P\u00e1scoa. \u00c0s grandes celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas oficiais deste per\u00edodo, contrap\u00f4s-se o dramatismo e a teatralidade das celebra\u00e7\u00f5es extra-lit\u00fargicas, sobretudo das prociss\u00f5es quaresmais, ligadas historicamente ao aparecimento das ordens mendicantes no s\u00e9culo XIII, em particular aos Franciscanos. De forma pedag\u00f3gica, tentavam aproximar o povo dos grandes mist\u00e9rios da F\u00e9, com a encena\u00e7\u00e3o do Pres\u00e9pio, da Via-Sacra e de autos sacros. Mais tarde, nos s\u00e9culos XIV e XV, multiplicaram-se tamb\u00e9m os cortejos de penitentes que praticavam a auto-flagela\u00e7\u00e3o. \u00c9 nestes antigos ritos que radicam as prociss\u00f5es quaresmais portuguesas.  \u00c9 no contexto pol\u00edtico religioso do Portugal de finais do s\u00e9culo XVI que devemos situar a origem da Prociss\u00e3o dos Passos de Alenquer, embora com ra\u00edzes nas antiqu\u00edssimas devo\u00e7\u00f5es a Cristo Crucificado institu\u00eddas no convento de S\u00e3o Francisco desta Vila, o primeiro da ordem franciscana em Portugal. A not\u00edcia mais antiga sobre a Prociss\u00e3o dos Passos de Alenquer e sobre uma irmandade a ela ligada data de 1656, quando a Irmandade do Santo Crucifixo do Convento de S\u00e3o Francisco, de Alenquer faz uma peti\u00e7\u00e3o \u00e0 C\u00e2mara para que passasse a caber \u00e0 Irmandade a organiza\u00e7\u00e3o da Prociss\u00e3o dos Passos, j\u00e1 ent\u00e3o plenamente enraizada na piedade alenquerense. O per\u00edodo de crescente instabilidade pol\u00edtica e social verificado ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o liberal de 1822 e sobretudo a extin\u00e7\u00e3o das ordens religiosas, em 1834, e consequente dissolu\u00e7\u00e3o da comunidade franciscana de Alenquer, ter\u00e1 afectado seriamente a Irmandade e as celebra\u00e7\u00f5es anuais dos Passos do Senhor. A implanta\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica em 1910 vai desferir um rude golpe na centen\u00e1ria tradi\u00e7\u00e3o dos Passos de Alenquer, ficando proibidas todas as manifesta\u00e7\u00f5es de culto externo. A Irmandade passa ent\u00e3o a celebrar os Passos do Senhor no interior da igreja de S\u00e3o Francisco, embora sempre com grande aparato.  O desanuviamento do clima anti-clerical a partir de 1921, permite que a Prociss\u00e3o regresse \u00e0 rua, mas apenas confinada ao adro da igreja de S\u00e3o Francisco e, em 1924, at\u00e9 ao largo da C\u00e2mara. Com a mudan\u00e7a pol\u00edtica ocorrida em Maio de 1926, a Prociss\u00e3o da Quaresma de 1927 \u00e9 organizada por um conjunto de fi\u00e9is, que estavam ainda ligados \u00e0 antiga Irmandade dos Passos. No ano seguinte, h\u00e1 um abaixo-assinado para que a prociss\u00e3o retome o seu percurso original e des\u00e7a \u00e0 Vila Baixa, reduto tradicional dos meios republicanos. Mas, talvez com receio de conflitos, que a mem\u00f3ria e a tradi\u00e7\u00e3o oral registaram, a Prociss\u00e3o continuar\u00e1 confinada \u00e0s ruas da Vila Alta, at\u00e9 1936. Novos tempos viriam: para n\u00e3o deixar morrer a celebra\u00e7\u00e3o anual dos Passos do Senhor e dando continuidade a uma longa tradi\u00e7\u00e3o, a fam\u00edlia Carmo assegurar\u00e1 a realiza\u00e7\u00e3o da Prociss\u00e3o. Isto permitiu que ao longo das d\u00e9cadas de quarenta e cinquenta do s\u00e9culo passado a Prociss\u00e3o dos Passos de Alenquer ganhasse novo vigor. No in\u00edcio da d\u00e9cada de sessenta, com a situa\u00e7\u00e3o estabilizada, o ent\u00e3o Prior de Alenquer, Pe. Lu\u00eds Maur\u00edcio, entendeu que deveria caber \u00e0 Par\u00f3quia a organiza\u00e7\u00e3o da Prociss\u00e3o. Hoje, 350 anos volvidos, a organiza\u00e7\u00e3o da Prociss\u00e3o \u00e9 assumida pela Irmandade de Santa Cruz e Passos de Nosso Senhor Jesus Cristo de Alenquer. As Prociss\u00f5es dos Passos t\u00eam no Concelho de Alenquer uma import\u00e2ncia excepcional. Estas surgiram &#8220;\u00e0 sombra&#8221; dos velhos conventos franciscanos &#8211; S\u00e3o Francisco, em Alenquer, Santo Ant\u00f3nio de Charnais, na Merceana, e Nossa Senhora da Visita\u00e7\u00e3o, em Vila Verde dos Francos. A Prociss\u00e3o de Aldeia Galega, come\u00e7ou somente cerca de 1930.  A devo\u00e7\u00e3o ao Senhor dos Passos passou necessariamente, para a intimidade e recolhimento das casas alenquerenses, em registos e gravuras com o verdadeiro retrato do Senhor dos Passos, em esculturas devocionais de sabor popular, ou em imponentes orat\u00f3rios.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante o m\u00eas de Mar\u00e7o, Alenquer foi palco de v\u00e1rias iniciativas de \u00e2mbito religioso e cultural que assinalam os 350 anos da Irmandade de Santa Cruz e Passos de Alenquer. 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