{"id":171250,"date":"2020-04-17T07:00:28","date_gmt":"2020-04-17T06:00:28","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=171250"},"modified":"2020-04-16T17:34:15","modified_gmt":"2020-04-16T16:34:15","slug":"covid-19-este-nao-e-o-momento-de-nos-dividir-mas-de-nos-juntarmos-bispo-do-porto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/covid-19-este-nao-e-o-momento-de-nos-dividir-mas-de-nos-juntarmos-bispo-do-porto\/","title":{"rendered":"Covid-19: \u00abEste n\u00e3o \u00e9 o momento de nos dividir, mas de nos juntarmos\u00bb \u2013 Bispo do Porto"},"content":{"rendered":"<p><!--more-->D. Manuel Linda chegou h\u00e1 dois anos \u00e0 Diocese do Porto, que hoje vive, juntamente com todo o pa\u00eds, um momento de crise e expectativa, por causa da pandemia de Covid19. Na entrevista semanal conjunta Renascen\u00e7a\/Ecclesia, projeta o futuro pr\u00f3ximo e a necessidade de uma resposta coordenada, com as comunidades locais, levando a s\u00e9rio a situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia.<\/p>\n<p><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a)<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_171253\" aria-describedby=\"caption-attachment-171253\" style=\"width: 1277px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/49769974067_ab869d21e5_o.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-171253 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/49769974067_ab869d21e5_o.jpg\" alt=\"\" width=\"1277\" height=\"1920\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/49769974067_ab869d21e5_o.jpg 1277w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/49769974067_ab869d21e5_o-173x260.jpg 173w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/49769974067_ab869d21e5_o-681x1024.jpg 681w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/49769974067_ab869d21e5_o-768x1155.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/49769974067_ab869d21e5_o-1022x1536.jpg 1022w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/49769974067_ab869d21e5_o-1080x1624.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/49769974067_ab869d21e5_o-980x1473.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/49769974067_ab869d21e5_o-480x722.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1277px) 100vw, 1277px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-171253\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Diocese do Porto\/Jo\u00e3o Lopes Cardoso<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>H\u00e1 um antes e um depois da Pandemia. Numa regi\u00e3o em que ainda prevalece a agricultura, em que sectores como o t\u00eaxtil e cal\u00e7ado, e em particular o do turismo est\u00e3o na linha da frente dos mais afectados pela crise, \u00e9 de recear o pior?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o sei fazer perspetiva macroecon\u00f3micas, mas de qualquer maneira, \u00e9 verdade que se at\u00e9 finais de junho n\u00e3o recuperar e n\u00e3o tivermos tranquilidade social para poder vir j\u00e1 o turismo de ver\u00e3o e depois aquele turismo mais de gente que passa apenas um fim-de-semana ou dois ou tr\u00eas dias, mas que \u00e9 indispens\u00e1vel para relan\u00e7ar a economia no grande Porto, se de facto n\u00e3o terminar o coronav\u00edrus e a sua amea\u00e7a a\u00ed, em finais de junho, estamos mal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Muitas empresas da regi\u00e3o tiveram de recorrer ao lay-off, h\u00e1 muitos trabalhadores em dificuldade. J\u00e1 lhe chegaram relatos de priva\u00e7\u00e3o ou dificuldade?<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1. Basta dar um dado de um dos nossos centros paroquias que estava a servir cerca de 100 refei\u00e7\u00f5es est\u00e1 neste momento 350. \u00c9 dentro da cidade do Porto. De qualquer maneira, \u00e9 prov\u00e1vel que agora pessoas que foram despedidas, \u00e0s vezes de forma muito fria, do pequeno com\u00e9rcio, da restaura\u00e7\u00e3o\u2026<\/p>\n<p>Pensemos nos brasileiros: uma parte significativa da comunidade brasileira entre n\u00f3s est\u00e1 na restaura\u00e7\u00e3o. \u00c9 f\u00e1cil descart\u00e1-los. Eles n\u00e3o v\u00e3o reivindicar os seus direitos, at\u00e9 porque alguns n\u00e3o ter\u00e3o permiss\u00e3o de resid\u00eancia ou ainda estar\u00e3o a tratar junto do Servi\u00e7os de Estrangeiros e Fronteiras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Vamos juntar um aumento do desemprego que vai ser terr\u00edvel, caso a revitaliza\u00e7\u00e3o da economia n\u00e3o seja efetiva.<\/strong><\/p>\n<p>Eu estou convencido de que as grandes empresas que s\u00e3o solidificadas, bem presentes no mercado de trabalho, s\u00e3o capazes de conseguir aguentar esta crise e recuperar outra vez o seu dinamismo, e, porventura, aument\u00e1-lo. Incluindo as f\u00e1bricas dos t\u00eaxteis, as empresas que formam o nosso tecido empresarial.<\/p>\n<p>O pequeno com\u00e9rcio, a pequena restaura\u00e7\u00e3o, os caf\u00e9s, restaurantes que vivem fundamentalmente do turismo, eu compreendo que tenham dificuldades incr\u00edveis e, porventura, n\u00e3o \u00e9 de excluir, que uma ou outra tenha aproveitado estas dificuldades para se libertar em empregados.<\/p>\n<p>Mas s\u00e3o realidades que um m\u00eas n\u00e3o \u00e9 tempo suficiente para julgar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Outro motivo de preocupa\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o \u00e9 o do n\u00famero de infectados pela Covid-19, com percentagem superior a Norte. E que, senhor bispo, se pode explicar pelas caracter\u00edsticas da economia da regi\u00e3o e da sua disposi\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica?<\/strong><\/p>\n<p>Estou convencido que a \u00fanica raz\u00e3o \u00e9 a demografia e a estrutura das nossas cidades. O grande Porto concentrado, uma parte significativa da popula\u00e7\u00e3o do Norte. Nos concelhos do Porto, Matosinhos, Maia, Valongo, Gondomar e Vila Nova de Gaia est\u00e3o concentrados, uma parte significativa, mesmo muito grande, da popula\u00e7\u00e3o aqui do Norte.<\/p>\n<p>\u00c9 f\u00e1cil que nestes contactos sociais, no mundo do trabalho, as pessoas se contagiem. Aquela reportagem, deve ter na sua mente, t\u00edpica de quem n\u00e3o sabe o que diz, dizer que \u00e9 as caracter\u00edsticas da pobreza e tal\u2026 a pobreza est\u00e1 presente em todo o pa\u00eds e muito mais noutras regi\u00f5es do pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Entre os infetados &#8211; os idosos e em particular aqueles que vivem em lares &#8211; merecem uma reflex\u00e3o muito particular. A avaliar pelas not\u00edcias nem tudo tem corrido muito bem na gest\u00e3o deste problema. <\/strong><\/p>\n<p>Depende a quem se refere. Se se refere as estruturas centrais, n\u00e3o as noto no terreno. Se se refere \u00e0 dedica\u00e7\u00e3o absolutamente extraordin\u00e1ria das dire\u00e7\u00f5es e dos funcion\u00e1rios, daquelas que pertencem \u00e0 Igreja ou das que est\u00e3o fora, se se refere \u00e0 presen\u00e7a das c\u00e2maras municipais, poder de proximidade, a\u00ed digo-lhe excecional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Vamos distinguir o trigo do joio. O senhor bispo classificou de imoral a devolu\u00e7\u00e3o de idosos infetados aos lares. <\/strong><\/p>\n<p>S\u00e3o os protocolos com os hospitais, do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Precisamente.<\/strong><\/p>\n<p>Eu n\u00e3o sei se, de facto, as estruturas nacionais, a n\u00edvel da sa\u00fade, est\u00e3o a dar-se conta do que \u00e9 o problema dos nossos lares. Porque dizendo assim: cheguem l\u00e1 e confinem-nos, no quarto isolado, devem ter um conjunto de trabalhadores para substituir. Mas quem est\u00e1 a dizer? Algum lar tem dois ou tr\u00eas grupos, um para o trabalho efetivo e outro de supl\u00eancia? Quando uma parte significativa dos nossos trabalhadores uma parte est\u00e1 infetada?<\/p>\n<p>Fazer esquemas no papel \u00e9 a mesma coisa que agredir o bom senso. \u00c9 preciso descer \u00e0 realidade como ela \u00e9. Quem est\u00e1 nessa realidade, presente, s\u00e3o as estruturas diretivas e C\u00e2maras Municipais que t\u00eam sido impec\u00e1veis, inacredit\u00e1veis nessa presen\u00e7a. S\u00e3o as C\u00e2maras Municipais que est\u00e3o a fazer os testes que o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade n\u00e3o fez, at\u00e9 ao momento, aos velhinhos.<\/p>\n<p>Este n\u00e3o \u00e9 o momento de nos dividir, mas de nos juntarmos; n\u00e3o obstante nem tudo est\u00e1 a funcionar bem a n\u00edvel nacional.<\/p>\n<p>Eu ponho mais confian\u00e7a nas estruturas locais, concretamente nas C\u00e2maras Municipais, que t\u00eam dado exemplo de extrema dedica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A n\u00edvel europeu entramos no bom caminho, ou falta ainda muito para podermos falar de verdadeiro sentido solid\u00e1rio?<\/strong><\/p>\n<p>Neste momento a Europa ainda n\u00e3o \u00e9 uma Europa unida. \u00c9 uma Europa em vias de\u2026<\/p>\n<p>Falharam muitos pa\u00edses da ajuda que a It\u00e1lia e Espanha precisava. E notamos que cada pa\u00eds tenta resolver com as suas estruturas este problema que \u00e9 global.<\/p>\n<p>Insisto. Entretanto, isto n\u00e3o nos leva ao des\u00e2nimo. A Europa \u00e9 um projeto, n\u00e3o uma realiza\u00e7\u00e3o j\u00e1 obtida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>E a n\u00edvel mundial, merecem reparos comportamentos como os dos presidentes Trump e Bolsonaro?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 evidente que o populismo \u00e9 sempre balofo. O populismo nunca tem por detr\u00e1s uma estrutura mental ou cient\u00edfica, nada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Fa\u00e7amos uma avalia\u00e7\u00e3o destes dois anos como bispo do Porto, feitos esta quarta-feira. A falta de sacerdotes &#8211; transversal a todo o pa\u00eds &#8211; f\u00ea-lo pensar em algum momento em altera\u00e7\u00f5es na organiza\u00e7\u00e3o das par\u00f3quias? E ante, que avalia\u00e7\u00e3o podemos ter da parte do senhor Bispo destes dois anos?<\/strong><\/p>\n<p>Preferia que fossem os outros a fazer a avalia\u00e7\u00e3o. De qualquer maneira a n\u00edvel da avalia\u00e7\u00e3o da diocese \u00e9 o que a minha perspetiva desde o in\u00edcio: uma diocese extraordin\u00e1ria, bem estruturada, com imensas possibilidades.<\/p>\n<p>O clero que nos falta \u00e9 se pensarmos na velha estrutura, de cada par\u00f3quia, \u00e0s vezes bem pequenas, ter um p\u00e1roco. Julgo que neste momento n\u00e3o faz falta dotar uma par\u00f3quia com 200 ou 250 habitantes &#8211; e temos uma ou outra nessa linha, embora a grande maior parte n\u00e3o o seja -, n\u00e3o vivo desesperado com a falta de clero.<\/p>\n<p>Se tivesse mais 20, 30 ou 50, tinha trabalho para eles? \u00d3bvio que tinha. Mas enfim, o clero que \u00e9 extraordin\u00e1rio aqui no Porto vai chegando e vai-se dedicando, ningu\u00e9m fica sem evangeliza\u00e7\u00e3o por falta de clero ou sem sacramentos, porque um sacerdote n\u00e3o pode.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o as grandes preocupa\u00e7\u00f5es? As que teve quando chegou \u00e0 diocese?<\/strong><\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre de uma unidade que temos de construir em conjunto, como esp\u00edrito de equipa, como presbit\u00e9rio e diocese \u00fanica. Tenho um clero excepcional, um conjunto de di\u00e1conos merit\u00f3rio, s\u00e3o 99, tr\u00eas semin\u00e1rios a funcionar em pleno. Temos um laicado absolutamente espantoso, grande parte dos nossos servi\u00e7os diocesanos est\u00e3o confiados a leigos: na fam\u00edlia, nas migra\u00e7\u00f5es e turismo, na catequese, enfim\u2026 tantos setores confiados a leigos e que desempenham com a mesma categoria aquilo que noutros setores \u00e9 desempenhado por sacerdotes e di\u00e1conos.<\/p>\n<p>Temos as estruturas a funcionar, n\u00e3o precisamos de nos preocupar neste momento com a economia, embora, logicamente, n\u00e3o possamos voltar a um cero anarquismo e este tempo que vivemos n\u00e3o \u00e9 propicio a abrandar exig\u00eancia. Enfim, temos as possibilidades de caminhar e temos vontade para o fazer. \u00c9 isso o mais importante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sabemos que a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica da diocese \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o de D. Manuel. H\u00e1 boas not\u00edcias nestes dois anos?<\/strong><\/p>\n<p>As melhores not\u00edcias: todas as d\u00edvidas foram saldadas e gra\u00e7as a Deus temos saldo positivo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Que consequ\u00eancias s\u00e3o esperada do isolamento social nas institui\u00e7\u00f5es da diocese, paroquias ou servi\u00e7os centrais? Est\u00e1 na linha do horizonte o recurso ao lay-off? Como salvaguardar os postos de trabalho?<\/strong><\/p>\n<p>Isso depende de cada uma das institui\u00e7\u00f5es, que ter\u00e1 de analisar: paroquias, centros sociais, ou outras estruturas, casas mais vocacionadas para servi\u00e7os, enfim\u2026 Cada uma \u00e9 que ter\u00e1 de analisar isso. N\u00e3o vai ser o bispo a dar orienta\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica.<\/p>\n<p>J\u00e1 foram transmitidas informa\u00e7\u00f5es a todas essas institui\u00e7\u00f5es para, de acordo com a lei e os princ\u00edpios, analisarem.<\/p>\n<p>N\u00f3s, a n\u00edvel de diocese, pensemos por exemplo nos ofert\u00f3rios. O mais significativo costumava ser a chamada ren\u00fancia quaresmal. Os crist\u00e3os da diocese eram convidados a deixar de lado alguma coisa que poupavam e partilhavam com quem mais necessitava. Por exemplo, neste ano tinha decidido que seria para arranjarmos camas de emerg\u00eancia para as pessoas em situa\u00e7\u00e3o de sem-abrigo na zona do Porto. Obviamente que n\u00e3o tendo havido uma celebra\u00e7\u00e3o normal da Quaresma, n\u00e3o tendo havido dep\u00f3sito das ofertas, este ofert\u00f3rio estou a imaginar, que vai ser praticamente nulo.<\/p>\n<p>Aquilo que era o nosso objetivo de arranjar 10, 15, 20 camas porventura, para as pessoas em situa\u00e7\u00e3o de sem abrigo, camas de emerg\u00eancia, este ano n\u00e3o conseguiremos.<\/p>\n<p>Quem diz isto, fala noutros aspetos. Haver\u00e1 par\u00f3quias com dificuldade em pagar aos seus funcion\u00e1rios. Vamos ver caso a caso como podemos intervir. Tudo depende do tempo em que esta situa\u00e7\u00e3o e a possibilidade de fazermos o culto coletivo, esse tempo demorar. Se terminar rapidamente essa impossibilidade, recuperaremos facilmente, sen\u00e3o temos de ver como agir,<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A Covid-19 tem sido um desafio do ponto de vista da a\u00e7\u00e3o pastoral. Como avalia a situa\u00e7\u00e3o na Diocese? Como est\u00e1 a ser vivida esta P\u00e1scoa perante este grande desafio?<\/strong><\/p>\n<p>Embora de formas diversificadas, algumas mais bem pensadas outras mais ing\u00e9nuas, foi not\u00f3rio que os sacerdotes e estruturas par\u00f3quias quiseram assinalar a ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo de maneira original, j\u00e1 que as tradicionais visitas pascais n\u00e3o foram poss\u00edveis.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as a Deus isso aconteceu, os p\u00e1rocos est\u00e3o muito presentes com os seus paroquianos, em contactos telef\u00f3nicos, e atrav\u00e9s das modernas formas de comunica\u00e7\u00e3o, os nossos padres n\u00e3o est\u00e3o a dormir. A P\u00e1scoa no Porto foi assinalada. De qualquer maneira estamos sempre em contactos, os sacerdotes comigo e eu com eles, para tentarmos em qualquer circunst\u00e2ncia descobrir o melhor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A relev\u00e2ncia do setor da comunica\u00e7\u00e3o na pastoral diocesana, os tempos de isolamento social mostram a import\u00e2ncia de ter redes de comunica\u00e7\u00e3o bem constitu\u00eddas, n\u00e3o s\u00f3 para ouvir a palavra do bispo mas tamb\u00e9m para ouvir os diocesanos. A estrutura de comunica\u00e7\u00e3o na diocese est\u00e1 pensada ou tem de ser pensada nesses formatos?<\/strong><\/p>\n<p>Estamos a pens\u00e1-la. Vimos do cl\u00e1ssico, do jornal, bastante lido, uma p\u00e1gina de Internet e comunica\u00e7\u00f5es via email ou relativamente semelhantes quando necess\u00e1rias. Tudo isto tem de ser repensado porque a estruturas e os tempos de hoje exigem mais.<\/p>\n<p>N\u00e3o temos nada na maga neste momento, mas a Diocese do Porto est\u00e1 a faz\u00ea-lo e a igreja em Portugal est\u00e1 a ver as possibilidades de uniformizar crit\u00e9rios e constituir alguma maneira uma grande central de comunica\u00e7\u00e3o. N\u00e3o ser\u00e1 uma televis\u00e3o ou um jornal nacional, embora isso n\u00e3o seja de excluir. Est\u00e1 tudo a ser pensado e esta situa\u00e7\u00e3o atual obrigou a esta urg\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>E \u00e9 uma inspira\u00e7\u00e3o o ensinamento que o Vaticano e o Papa Francisco, em particular nos d\u00e3o ao garantir proximidade di\u00e1ria com todo o mundo atrav\u00e9s de um servi\u00e7o de comunica\u00e7\u00e3o que, por estes dias, \u00e9 o principal servi\u00e7o da Santa S\u00e9.<\/strong><\/p>\n<p>Exatamente, a Santa S\u00e9, com estruturas e pensamento que n\u00e3o vemos s\u00f3 de agora do Papa Francisco, embora os seus gestos tivessem levado exatamente a que as pessoas dessem um relevo e um cr\u00e9dito e uma aten\u00e7\u00e3o especial\u00edssima ao que vem da Santa S\u00e9. Isso mostra que \u00e9 um exemplo para n\u00f3s diocese, e at\u00e9 para o todo nacional, para qualquer outro pa\u00eds. Tentaremos n\u00e3o ignorar a mensagem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Perante a renova\u00e7\u00e3o do estado de emerg\u00eancia, que mensagem gostaria de deixar?<\/strong><\/p>\n<p>Levemos a s\u00e9rio. N\u00e3o obstante a economia sofrer, estou convencido que \u00e9 agora melhor curar-nos e depois, quando estivermos com sa\u00fade, trabalharmos e trabalharmos no m\u00e1ximo, porque de facto h\u00e1 que renovar as estruturas de produ\u00e7\u00e3o e h\u00e1 que ser consequente. Sabemos, muito bem, que com dois meses sem trabalhar, o produto interno bruto abranda de forma assustadora.<\/p>\n<p>Sou de opini\u00e3o de que levemos agora o confinamento muito a s\u00e9rio. Uma destas not\u00edcias, que circulam, diz que o confinamento que baixou de 76 para 57%, se a mem\u00f3ria n\u00e3o me falha, em dois dias. Se isto \u00e9 verdade \u00e9 grav\u00edssimo. Vamos ver, dentro de oito dias se os casos de cont\u00e1gio disparam ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>Por exemplo, suspender o culto p\u00fablico, n\u00e3o se esque\u00e7a que a Diocese do Porto foi a primeira a faz\u00ea-lo e muito antes de receber informa\u00e7\u00e3o do poder central. Chegamos \u00e0 conclus\u00e3o de que as assembleias podiam ser foco de cont\u00e1gio e decidimos aquilo que no primeiro ou segundo dia, porventura, n\u00e3o foi bem encarado por parte de uma ou outra pessoa.<\/p>\n<p>Portanto, estamos aqui para levar este tema muito a s\u00e9rio, quer a n\u00edvel de evitar cont\u00e1gios, como a n\u00edvel de ajudar a sociedade que precisa da nossa ajuda.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":171252,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[698,187],"class_list":["post-171250","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-covid-19","tag-diocese-do-porto"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/171250","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=171250"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/171250\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/171252"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=171250"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=171250"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=171250"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}