{"id":171083,"date":"2020-04-15T19:46:43","date_gmt":"2020-04-15T18:46:43","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=171083"},"modified":"2020-04-15T19:46:43","modified_gmt":"2020-04-15T18:46:43","slug":"tomai-e-comei","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/tomai-e-comei\/","title":{"rendered":"Tomai e Comei"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Pedro Quintela, Diocese de Set\u00fabal<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_171084\" aria-describedby=\"caption-attachment-171084\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Padre-Pedro-Quintela_Familia-Crista.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-171084\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Padre-Pedro-Quintela_Familia-Crista-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Padre-Pedro-Quintela_Familia-Crista-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Padre-Pedro-Quintela_Familia-Crista-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Padre-Pedro-Quintela_Familia-Crista-768x513.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Padre-Pedro-Quintela_Familia-Crista-1080x721.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Padre-Pedro-Quintela_Familia-Crista-1280x854.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Padre-Pedro-Quintela_Familia-Crista-980x654.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Padre-Pedro-Quintela_Familia-Crista-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Padre-Pedro-Quintela_Familia-Crista.jpg 1497w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-171084\" class=\"wp-caption-text\">Foto Fam\u00edlia Crist\u00e3<\/figcaption><\/figure>\n<p>Nome estranho:\u00a0\u201cS. Cristov\u00e3o de Rio Mau\u201d. Bom,\u00a0\u201cCristov\u00e3o\u201d\u00a0quer dizer portador de Cristo. Por isso, e de algum modo, todos os crist\u00e3os deveriam ser\u00a0\u201ccristov\u00e3os\u201d. H\u00e1 ainda o nome\u00a0\u201crio mau\u201d. N\u00e3o poder\u00e3o estar a\u00ed representados todos os temporais e afli\u00e7\u00f5es desta vida? Como, por exemplo, os deste tempo de pandemia? Enfim, o que interessa \u00e9 que no\u00a0\u201crio mau\u201d\u00a0h\u00e1 um\u00a0\u201ccristov\u00e3o\u201d\u00a0amigo.<\/p>\n<p>Quinta-feira santa! Dia em que Jesus instituiu a Eucaristia e os Sacerdotes para a fazerem em mem\u00f3ria d\u2019Ele!\u00a0\u201cCristov\u00e3o\u201d, portadores da vida de Cristo, s\u00e3o sobremodo aqueles a quem o Senhor deu serem seus sacerdotes. Creio que visitar o maravilhoso capitel da pequena igreja rom\u00e2nica que est\u00e1 na aldeia minhota que tem este nome, poder\u00e1 ajudar-nos a perceb\u00ea-lo!<\/p>\n<p>\u00c9 um lugar que cheira a casa, nossa, da nossa gente e do nosso povo! \u00c9 em granito, resistente, portanto. E a lembrar o que diz a Escritura:\u00a0\u201c<i>resisti firmes na f\u00e9<\/i>!\u201d\u00a0(1Pe 5.9). Pois atravessar os dias (e as epidemias&#8230;),\u00a0<i>resistindo na f\u00e9\u00a0<\/i>\u00e9 receber a gra\u00e7a de viver a fidelidade de n\u00e3o ser diminu\u00eddo e infectado com a diminui\u00e7\u00e3o da caridade e da esperan\u00e7a no correr dos tempos. Ali\u00e1s, muito dif\u00edceis, estes!<\/p>\n<p>E, no entanto, parece que esta escultura, t\u00e3o antiga, \u00e9 espantosamente contempor\u00e2nea! Essencial, sem ocos floreados, parece muito\u00a0<i>expressionista<\/i>. Ou seja, com uma tremenda capacidade de manifestar materialmente a veem\u00eancia interior do artista que a fez.<\/p>\n<p>Uma barca esculpida como se fora o s\u00edmbolo por demais evidente da pr\u00f3pria Igreja.<\/p>\n<p>Jesus viu Tiago e Jo\u00e3o no seu barco e chamou-os para a ir com Ele (Mt 4.21). Agora a experi\u00eancia de ir junto d\u2019Ele \u00e9 a Sua barca: ir com Ele. \u00c9 nela que Ele ensina (Mc4.1). Mas tamb\u00e9m nela dorme, at\u00e9 mesmo quando as coisas se complicam quando um temporal se levanta deixando os seus na afli\u00e7\u00e3o de sentirem abandonados (Mc 4.38). Doutra vez, ainda, obriga os disc\u00edpulos a nela embarcar (Mt 14.22 sg). E \u00e9 junto a ela, nessa longa travessia nocturna, que se apresenta em epifania da Sua santidade invoc\u00e1vel pelos seus:\u00a0\u201c<i>Confian\u00e7a! sou Eu<\/i>! N\u00e3o vos deixeis dominar pelos vossas emo\u00e7\u00f5es e medos\u201d. E ser\u00e1, ali\u00e1s, dentro dessa mesma barca que eles se prostraram para O adorar.<\/p>\n<p>E certa vez ser\u00e1, tamb\u00e9m, numa barca que Jesus se retirar\u00e1 para um lugar de sil\u00eancio (Mt 14.13).<\/p>\n<p>Barca esta, por\u00e9m, que est\u00e1 na hist\u00f3ria para se arriscar a navegar.<\/p>\n<p>\u00c9 nela que Jesus chega \u00e0 Sua cidade, Cafarnaum (Mt 9.1; Lc 6.17). E a todas as outras cidades, j\u00e1 que \u00e9 sempre na barca da Igreja que Jesus nos visita.<\/p>\n<p>E \u00e9 atrav\u00e9s dessa barca que Ele se arrisca, portanto, a estar presente nas tempestades e tormentas da hist\u00f3ria. Tamb\u00e9m nas suas acalmias e nos dias maravilhosos de luz e paz. Avan\u00e7o: parece-me, ainda, que \u00e9 evocada na barca do capitel de S. Cristov\u00e3o, a\u00a0<i>lua\u00a0<\/i>na pronunciada\u00a0<i>meia-lua\u00a0<\/i>que como que abra\u00e7a quem l\u00e1 vem dentro. A\u00a0<i>lua,\u00a0<\/i>que vive da luz do\u00a0<i>Sol<\/i>, \u00e9 para os crist\u00e3os s\u00edmbolo da rela\u00e7\u00e3o que existe entre a santidade de Maria, recebida em aten\u00e7\u00e3o aos m\u00e9ritos da luz plena que habita o Verbo!<\/p>\n<p>Parece, portanto, que a barca se torna o colo da Virgem! Eles, os tr\u00eas que ali v\u00eam embarcados, parecem ser sinal de todos os que haveriam de nesta barca conviver,\u00a0\u201c<i>perseverando em ora\u00e7\u00e3o com Maria<\/i>\u201d\u00a0(Act 1.14).<\/p>\n<p>Os seus tr\u00eas rostos, de olhos bem abertos ser\u00e3o como que uma alus\u00e3o \u00e0s tr\u00eas virtudes teologias?<\/p>\n<p>L\u00e1 est\u00e1: ter\u00a0<i>f\u00e9\u00a0<\/i>\u00e9 muito mais do que sentir o quer que seja, ou mesmo n\u00e3o sentir nada ou ir contra o que se sente, como amanh\u00e3 contemplaremos em Jesus no horto das Oliveiras.<\/p>\n<p>Ter f\u00e9 \u00e9\u00a0<i>ver<\/i>: primeiro\u00a0<i>viu<\/i>-nos Ele, aos que O seguiam tacteando imprecis\u00f5es e ang\u00fastias, mas, humildemente, desejando-O (Jo 1.38). Mas depois permanece para sempre na hist\u00f3ria o testemunho daqueles que O\u00a0<i>viram\u00a0<\/i>e continuam a ver a Sua gl\u00f3ria (Jo 1.14)!<\/p>\n<p>Note-se, ainda, que o rosto do meio \u00e9 maior e, seguramente, mais proeminente que os outros dois. S. Paulo disse certa vez:\u00a0\u201c<i>destas tr\u00eas faces a maior \u00e9 a caridade<\/i>\u201d. (1Cor13.13) A firme\u00a0<i>caridade\u00a0<\/i>de quem n\u00e3o cessa de se oferecer para ir na frente, em nome de f\u00e9, animada dessa certeza que n\u00e3o mente \u2014 a\u00a0<i>esperan\u00e7a.<\/i><\/p>\n<p>H\u00e1 ainda aquela m\u00e3o bem agarrada, valente,\u00a0<i>segura\u00a0<\/i>porque segura na companhia de Jesus, na Sua barca.<\/p>\n<p>Que m\u00e3o aquela! M\u00e3o de pobre que precisa de se apoiar mais do que na sua pr\u00f3pria for\u00e7a. Mas m\u00e3o de marinheiro que atravessa como qualquer o mar bem certo e confiante em Quem o leva na sua barca.<\/p>\n<p>M\u00e3o como as nossas m\u00e3os que s\u00e3o mais livres porque agarradas e obedientes \u00e0 barca do que o triste Judas\u00a0\u201c<i>e-man-cipando-se<\/i>\u201d\u00a0no desenlace individualista de quem saltou fora, em nome de uma qualquer vers\u00e3o do ego\u00edsmo&#8230;.<\/p>\n<p>De qualquer modo, os tr\u00eas que se aventuram nesta travessia dentro deste barco, assim t\u00e3o chegados e guardados junto uns dos outros, lembram-me, ainda, que os que vivem a Igreja foram convidados a ter parte no mist\u00e9rio da Trindade Sant\u00edssima. Isto \u00e9, a viverem a sua exist\u00eancia na rela\u00e7\u00e3o e comunh\u00e3o \u00edntima com Deus Nosso Senhor: vivendo por perto o bem, afastando-se do isolamento e do individualismo. E do medo inspirador de tantas renuncias \u00e0 verdade, gerando fr\u00e1geis confortos, portanto. E estes s\u00e3o os pobres: os marginais, ou os que nunca o foram, mas que aceitam viver a\u00a0<i>fraternidade\u00a0<\/i>que o Evangelho oferece aos que acolhem seguir, face a face, de olhos postos a perscrutar a presen\u00e7a do Senhor.<\/p>\n<p>Talvez seja por isso, e finalmente, que se v\u00ea aflorar no rosto do meio um sorriso que parece ser franco e feliz, como quem vive a caridade na Igreja.<\/p>\n<p>Os\u00a0\u201cpadres\u201d\u00a0(nome onde incluo os tr\u00eas graus do Sacramento da Ordem)! Eis que os lembramos com particular cuidado, eles que foram dados pelo Senhor aos homens para os convidar e oferecer a embarcar nesta barca onde cabe a hist\u00f3ria de cada um. Barca esta que leva ao leme a\u00a0<i>miseric\u00f3rdia<\/i>. Barca, ainda, que foi nos dada pelo Senhor face ao mar das ang\u00fastias e das crises do mundo, para que o mundo tenha a certeza de que Jesus est\u00e1 na barca. Ele que manda aos seus padres oferecerem-n\u2019O oferecendo-se e dizendo nas fomes e fragilidades de todos:\u00a0<i>Tomai e Comei<\/i>!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Pedro Quintela, Diocese de Set\u00fabal<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":171084,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-171083","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/171083","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=171083"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/171083\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/171084"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=171083"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=171083"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=171083"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}