{"id":17084,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/fechar-escolas-conduz-a-desertificacao-dos-centros-mais-pequenos\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"fechar-escolas-conduz-a-desertificacao-dos-centros-mais-pequenos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/fechar-escolas-conduz-a-desertificacao-dos-centros-mais-pequenos\/","title":{"rendered":"Fechar escolas conduz \u00e0 desertifica\u00e7\u00e3o dos centros mais pequenos"},"content":{"rendered":"<p>Catequese Quaresmal de D. Manuel Fel\u00edcio <!--more--> Entramos hoje no cora\u00e7\u00e3o da Quaresma. Nestes tr\u00eas domingos centrais somos convidados a contemplar o mist\u00e9rio da cruz de Cristo e, a partir dele, fazer a revis\u00e3o da nossa identidade de crist\u00e3os baptizados. A Palavra de Deus hoje proclamada conduz-nos \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o do Mist\u00e9rio de Cristo, que, no Evangelho de S. Jo\u00e3o, se apresenta como sendo o novo, o verdadeiro Templo de Deus no meio do mundo. A revela\u00e7\u00e3o desta grande novidade foi preparada com o gesto prof\u00e9tico da purifica\u00e7\u00e3o do Templo. De facto, o que surpreendeu os judeus n\u00e3o foi que algu\u00e9m exigisse autenticidade no servi\u00e7o cultual do templo de Jerusal\u00e9m. Surpreendeu-os, isso sim, que este gesto prof\u00e9tico viesse de algu\u00e9m sem credenciais para o fazer. Por\u00e9m Jesus n\u00e3o s\u00f3 estava autorizado para realizar este gesto prof\u00e9tico, porque recebeu mandato de Deus, mas principalmente, porque Ele era o novo Templo de Deus, no meio do mundo. N\u00f3s queremos, pela F\u00e9 e com a ajuda da Gra\u00e7a divina, redescobrir e aprofundar, nesta Quaresma, a identidade de Jesus, Filho \u00danico de Deus e por Ele enviado para salvar o mundo, que O n\u00e3o reconheceu e, por isso, O rejeitou, da\u00ed resultando o drama da paix\u00e3o e morte na Cruz. De facto, a sabedoria humana por mais aperfei\u00e7oada que seja, ter\u00e1 sempre muita dificuldade em reconhecer a pessoa de Jesus e a sua obra de salva\u00e7\u00e3o. E S. Paulo diz porqu\u00ea, na sua I Carta aos Cor\u00edntios: Cristo crucificado, que pregamos, \u00e9 esc\u00e2ndalo para os judeus e loucura para os gentios. Para n\u00f3s, por\u00e9m, \u00e9 poder e sabedoria. Tal como n\u00e3o entende a pessoa de Jesus Cristo e os seus comportamentos desconcertantes, a sabedoria humana tamb\u00e9m n\u00e3o entende a identidade do crist\u00e3o no meio do mundo. Enquanto prolongamento de Cristo, na hist\u00f3ria, os crist\u00e3os ser\u00e3o sempre, em alguma medida, sinal de contradi\u00e7\u00e3o. Viver o Evangelho e a nossa identidade crist\u00e3 at\u00e9 \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias tem de suscitar alguma surpresa e at\u00e9 oposi\u00e7\u00e3o. A pauta aferidora da nossa identidade s\u00e3o os mandamentos lembrados hoje, no Livro do \u00caxodo. Mas mais do que eles, \u00e9 a pessoa de Jesus Cristo, ao qual, por imperativo da nossa voca\u00e7\u00e3o, queremos seguir de perto. Ele \u00e9 a Lei, a nova Lei, como tamb\u00e9m o Legislador, o novo Mois\u00e9s. E a Lei que Jesus \u00e9 resume-se no mandamento do amor, porque Deus \u00e9 amor. Para n\u00f3s amar a Deus e em Deus amar o pr\u00f3ximo \u00e9 a \u00fanica regra a que estamos obrigados. E uma regra que nada nem ningu\u00e9m nos imp\u00f5e de fora, como qualquer colete de for\u00e7as ou ordem arbitr\u00e1ria; mas uma regra imposta pela nossa identidade de pessoas a viver em comunidade. Celebr\u00e1mos o dia nacional da Caritas, uma institui\u00e7\u00e3o da Igreja a lembrar-nos o essencial da nossa vida crist\u00e3, a saber, Deus \u00e9 amor, e o programa da nossa vida pessoal e comunit\u00e1ria \u00e9 interpretar o amor de Deus. Esta \u00e9 tamb\u00e9m a mensagem da carta enc\u00edclica do Papa Bento XVI \u201cDeus caritas est\u201d. De facto, o ponto de partida do amor entendido como lei fundamental do relacionamento entre os seres humanos \u00e9 o mist\u00e9rio de Deus, que, em Si mesmo, \u00e9 pura rela\u00e7\u00e3o de amor. Porque somos criados \u00e0 sua imagem e semelhan\u00e7a, s\u00f3 a pr\u00e1tica do amor nos pode deixar realizados. E, por sua vez, a voca\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria Igreja considerada como prolongamento de Cristo e sacramento de Deus na hist\u00f3ria, \u00e9 viver a lei fundamental do amor. A pr\u00e1tica do amor n\u00e3o pode nem deve substituir os deveres de justi\u00e7a que os cidad\u00e3os, enquanto tais, t\u00eam uns para com os outros e a sociedade tem para com eles ou eles para com a sociedade. A caridade nunca pode substituir a justi\u00e7a, que, enquanto tal, consiste no conjunto de direitos e deveres que regulam a rela\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos entre si e a sociedade. Assim, \u00e9 de justi\u00e7a que cada um dos cidad\u00e3os tenha parte no conjunto dos bens materiais que foram criados para todos. Por sua vez, a caridade, longe de pretender apenas resolver situa\u00e7\u00f5es pontuais de necessidades, deseja promover cada pessoa, o mais poss\u00edvel, tornando-a capaz de assumir as suas responsabilidades individuais e sociais. Viver a caridade nas nossas comunidades crist\u00e3s e humanas \u00e9 descobrir, com todos, os caminhos que nos podem dar futuro enquanto comunidades humanas marcadas por caracter\u00edsticas muito diferentes de outras comunidades que vivem noutros ambientes. Damos um exemplo concreto. O caminho mais curto e a solu\u00e7\u00e3o mais f\u00e1cil para resolver o problema da falta de alunos nas nossas escolas prim\u00e1rias, agora chamadas do primeiro ciclo, \u00e9 fechar escolas e concentrar os alunos nos grandes centros. A consequ\u00eancia imediata \u00e9 o acentuar da desertifica\u00e7\u00e3o nos centros mais pequenos. Mas h\u00e1 outros caminhos mais de acordo com o bem comum nacional. Esses caminhos s\u00e3o resistir \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de fechar escolas e criar medidas que incentivem a fixa\u00e7\u00e3o de fam\u00edlias tamb\u00e9m nos centros considerados menos desenvolvidos. O que se diz das escolas diz-se tamb\u00e9m do fecho das maternidades ou mesmo dos Centros de Sa\u00fade que atendem as pessoas das zonas menos povoadas. N\u00f3s ainda esperamos que os respons\u00e1veis pelas grandes op\u00e7\u00f5es a fazer, no nosso pa\u00eds, sobre estas e outras mat\u00e9rias, saibam olhar ao largo e n\u00e3o cedam \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de quem tem vistas curtas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Catequese Quaresmal de D. 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