{"id":17071,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/bispos-apontam-para-a-auto-sustentabilidade-da-igreja-em-angola-e-sao-tome\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"bispos-apontam-para-a-auto-sustentabilidade-da-igreja-em-angola-e-sao-tome","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/bispos-apontam-para-a-auto-sustentabilidade-da-igreja-em-angola-e-sao-tome\/","title":{"rendered":"Bispos apontam para a auto-sustentabilidade da Igreja em Angola e S\u00e3o Tom\u00e9"},"content":{"rendered":"<p>Car\u00edssimos diocesanos, irm\u00e3os e irm\u00e3s: A paz esteja convosco!  \u201cHonra o Senhor com os teus haveres e com as prim\u00edcias das tuas colheitas; desse modo os teus celeiros ficar\u00e3o cheios de trigo e os teus lagares transbordar\u00e3o de vinho novo (Prov 3,9-10)\u201d.  1. Quisemos come\u00e7ar a nossa Mensagem Pastoral sobre a Auto-sustentabilidade da Igreja em Angola e S\u00e3o Tom\u00e9 com uma passagem b\u00edblica que cont\u00e9m ao mesmo tempo um preceito e uma promessa de Deus. O preceito de honrar a Deus oferecendo-Lhe as prim\u00edcias das colheitas e a correspondente promessa duma abundante recompensa divina. Fazemos isto porque \u00e9 \u00e0 luz da Palavra de Deus que entendemos propor \u00e0 vossa considera\u00e7\u00e3o o tema, ou melhor dito, o problema da nossa auto-sustentabilidade. Se, de facto, todos n\u00f3s somos a Igreja, todos somos respons\u00e1veis, embora em graus diferentes, da sua vitalidade espiritual e material. Por isso, este mesmo tema foi objecto de reflex\u00e3o dos Bispos das Confer\u00eancias Episcopais da \u00c1frica Austral durante a VII Assembleia Plen\u00e1ria da IMBISA, em Outubro 2004, e foi tomado o seguinte compromisso: Como Bispos da regi\u00e3o da IMBISA, comprometemo-nos a promover urgentemente comunidades auto-sustent\u00e1veis nas nossas Igrejas (Mensagem Final de 14.10.2004)   2. Uma Igreja modelo. L\u00ea-se nos Actos dos Ap\u00f3stolos que os primeiros crist\u00e3os eram ass\u00edduos ao ensino dos Ap\u00f3stolos, \u00e0 uni\u00e3o fraterna, \u00e0 frac\u00e7\u00e3o do p\u00e3o e \u00e0s ora\u00e7\u00f5es E todos os que acreditavam viviam unidos e tinham tudo em comum. Mais adiante: A multid\u00e3o dos que tinham acreditado tinham um s\u00f3 cora\u00e7\u00e3o e uma s\u00f3 alma entre eles tudo era em comum e n\u00e3o havia nenhum necessitado (Act 2,42-44; 4,32-34). Irm\u00e3os, se no in\u00edcio, isto \u00e9, logo depois de Pentecostes, a Igreja que o Esp\u00edrito Santo tinha congregado aparece naquela imagem que nos deixou o evangelista S\u00e3o Lucas, testemunha ocular e de absoluta confian\u00e7a, quer dizer que a essa imagem se deve conformar a Igreja de todos os tempos e cada comunidade crist\u00e3.  Daquela imagem de Igreja, podemos real\u00e7ar alguns aspectos fundamentais. \u00c9 uma comunidade nascida da f\u00e9 em Cristo, regida e ensinada pelos Ap\u00f3stolos. Nela todos s\u00e3o ass\u00edduos \u00e0 ora\u00e7\u00e3o comum e \u00e0 Eucaristia, que \u00e9 o centro unificador da Comunidade. Por isso, nela reina a uni\u00e3o fraterna, vivem todos unidos e repartem entre si todos os seus bens. A descri\u00e7\u00e3o da vida comunit\u00e1ria da Igreja primitiva \u00e9 admir\u00e1vel e muito nos impressiona. Pode-se, pois, perguntar a que era devida semelhante realidade, em que todos os crentes viviam unidos e tinham tudo em comum. N\u00e3o era certamente o fruto de uma organiza\u00e7\u00e3o mais ou menos imposta de cima e pensada com o fim de cimentar a coes\u00e3o dos fi\u00e9is rec\u00e9m convertidos; era, pelo contr\u00e1rio, a express\u00e3o de algo mais profundo, do ter um s\u00f3 cora\u00e7\u00e3o e uma s\u00f3 alma. Aqueles crist\u00e3os acreditando em Cristo e no Evangelho inspiravam-se no mandamento novo do amor e, por isso, viviam unidos e tinham tudo em comum. O ter tudo em comum era, portanto, o fruto mais evidente do ter um s\u00f3 cora\u00e7\u00e3o, manifestando-se concretamente no repartir dos bens de modo que n\u00e3o havia entre eles nenhum necessitado. Como \u00e9 sabido, os bens deste mundo foram e s\u00e3o destinados por vontade de Deus \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades de todos os homens sem excep\u00e7\u00e3o nem exclus\u00e3o. Da\u00ed, a obriga\u00e7\u00e3o da lei moral natural da sua justa e equitativa distribui\u00e7\u00e3o e da sua partilha para que ningu\u00e9m seja exclu\u00eddo desta mesa comum. Essa obriga\u00e7\u00e3o moral, dizem os Actos, era posta em pr\u00e1tica pelos crist\u00e3os da Comunidade de Jerusal\u00e9m de modo livre e espont\u00e2neo, mas sendo animada pelo esp\u00edrito do Evangelho recebido do ensino dos Ap\u00f3stolos. O repartir dos bens era, por conseguinte, atitude crist\u00e3 inspirada na Palavra do Senhor, no mandamento novo do m\u00fatuo amor fraterno. Jesus tinha dito que a felicidade est\u00e1 mais em dar do que em receber (Act 20,35) e os primeiros crist\u00e3os acharam que o modo melhor para o cumprir era repartir os bens (cfr Paulo VI, Mensagem da Quaresma 1978). Irm\u00e3os, se foi evocada a vida da Igreja primitiva no seu come\u00e7o, significa que temos a\u00ed um modelo, um exemplo que se deve imitar, n\u00e3o \u00e0 letra  porque a letra mata (cfr 2Cor 3,6)  mas no seu significado espiritual que \u00e9 permanente. De facto, trata-se tamb\u00e9m para n\u00f3s de acolher o apelo que nos vem da Palavra de Deus, a fim de edificarmos a nossa Igreja como comunidade de f\u00e9 e de amor, unida, fraterna e solid\u00e1ria. Afinal, uma Igreja como FAM\u00cdLIA DE DEUS, segundo a feliz express\u00e3o do S\u00ednodo para \u00c1frica. Express\u00e3o essa que acentua a aten\u00e7\u00e3o pelo outro, a solidariedade e a partilha de recursos entre as comunidades (cfr EIA 63). \u00c9 neste esp\u00edrito crist\u00e3o de solidariedade e partilha, que se inscreve o contributo dos fi\u00e9is para a manuten\u00e7\u00e3o das obras e obreiros da Igreja, como est\u00e1 ordenado no seu quinto mandamento.   3. A Igreja precisa de bens materiais Na mesma Exorta\u00e7\u00e3o P\u00f3s-sinodal \u00e9 retomado o assunto quando se fala das Estruturas da Evangeliza\u00e7\u00e3o de que precisa a Igreja, Fam\u00edlia de Deus, nas Dioceses. Estas estruturas s\u00e3o bem conhecidas, tais como: par\u00f3quias, semin\u00e1rios, escolas, centros de catequese, de pastoral juvenil, sa\u00fade, assist\u00eancia social, etc. As referidas estruturas,faz notar o Papa  requerem, al\u00e9m de pessoal qualificado, meios materiais e financeiros not\u00e1veis e, n\u00e3o raro, as Dioceses est\u00e3o bem longe de poder dispor deles em medida suficiente. \u00c9, portanto, urgente que as Igrejas particulares de \u00c1frica se proponham o objectivo de chegar a prover elas mesmas \u00e0s suas necessidades, assegurando desse modo a sua auto-sufici\u00eancia (EIA 104). Se nos fosse perguntado por que motivo trazemos, nesta nossa Mensagem Pastoral, o tema da auto-sustentabilidade da igreja, responder\u00edamos: \u00e9 preciso fazer o que est\u00e1 ao nosso alcance para que a auto-sufici\u00eancia da Igreja de Angola e S\u00e3o Tom\u00e9 se torne uma realidade. De facto, tamb\u00e9m n\u00f3s, nas nossas Dioceses e par\u00f3quias, n\u00e3o dispomos de meios financeiros suficientes para poder manter as obras e o pessoal que nelas trabalha. E se tais obras at\u00e9 hoje foram mantidas, foi devido a ajudas vindas do exterior. Tais ajudas, por\u00e9m, n\u00e3o v\u00e3o continuar indefinidamente porque, ali\u00e1s, os pr\u00f3prios doadores nos pedem que trabalhemos para tornar auto-suficientes as nossas Dioceses e comunidades. Por isso, at\u00e9 o Santo Padre nos disse que \u00e9 urgente alcan\u00e7ar esse objectivo e que nele nos devemos empenhar (cfr EIA 104).   4. O empenhamento para a auto-sustentabilidade O modelo da Igreja, quer dos Actos dos Ap\u00f3stolos quer da Igreja-Fam\u00edlia do S\u00ednodo para \u00c1frica, real\u00e7a com muita clareza que, na Igreja, todos os seus membros devem assumir o seu papel activo e participativo nos diversos sectores da vida da Comunidade. Um sector vital  como vimos  \u00e9 o da participa\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is a fim de assegurar o auto-sustento da igreja. Falamos de participa\u00e7\u00e3o porque o dever de edificar uma Igreja que seja auto-sustent\u00e1vel pede a contribui\u00e7\u00e3o de todos os crist\u00e3os conscientes da sua responsabilidade. Numa Igreja-Fam\u00edlia, cada um recebe e d\u00e1, numa partilha de bens espirituais e materiais: \u201cA Igreja enquanto Fam\u00edlia de Deus deve ser, hoje como ontem, um espa\u00e7o de ajuda rec\u00edproca\u201d (Bento XVI, Deus \u00e9 Amor, 32). No entanto, para os fieis se lembrarem de cumprir o seu dever, temos o Quinto Preceito da Igreja que reza assim: Contribuir para as despesas do culto e para a sustenta\u00e7\u00e3o do clero, segundo os leg\u00edtimos usos e costumes e as determina\u00e7\u00f5es da Igreja. O preceito aponta aos fi\u00e9is a obriga\u00e7\u00e3o de, conforme as suas possibilidades, prover \u00e0s necessidades da Igreja de forma que ela possa dispor do necess\u00e1rio para o culto divino, para as obras apost\u00f3licas e de caridade e para a honesta sustenta\u00e7\u00e3o dos seus ministros (Catecismo da I. Cat\u00f3lica 2043). Para que haja conformidade na observ\u00e2ncia do preceito em todas as nossas dioceses e par\u00f3quias, a CEAST exarou as seguintes normas: Em cumprimento do c\u00e2non 1262, estabelece-se que o aux\u00edlio dos fi\u00e9is para as necessidades da Igreja seja especialmente feito com as colectas dos domingos e festas de preceito, e com os emolumentos determinados (Direct\u00f3rio Pastoral 529,1). Todos os crist\u00e3os e catec\u00famenos t\u00eam obriga\u00e7\u00e3o de prestar a sua contribui\u00e7\u00e3o para a evangeliza\u00e7\u00e3o, o que ser\u00e1 individual e a come\u00e7ar para cada um aos 14 anos (ib 530). Trata-se da chamada C\u00d4NGRUA ou contributo da f\u00e9.  Os crist\u00e3os e catec\u00famenos pagar\u00e3o uma contribui\u00e7\u00e3o anual correspondente a um dia de trabalho para os adultos e, para os restantes, consoante \u00e0s suas possibilidades. Tal contribui\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser entregue em dinheiro ou em g\u00e9neros, segundo o pre\u00e7o corrente na regi\u00e3o (ib 531). Deixa-se \u00e0s Dioceses a regulamenta\u00e7\u00e3o desta contribui\u00e7\u00e3o. Pela fiel observ\u00e2ncia destas normas da parte dos nossos crist\u00e3os sem excep\u00e7\u00e3o, teremos dado um passo \u00e0 frente no caminho do auto-sustento da nossa Igreja. No entanto, al\u00e9m dessa contribui\u00e7\u00e3o que nunca dever\u00e1 faltar, \u00e9 oportuno que haja iniciativas particulares nas dioceses como nas par\u00f3quias, envolvendo nelas, al\u00e9m do pessoal mission\u00e1rio, os leigos empenhados na vida das comunidades, sobretudo se preparados em assuntos que dizem respeito a finan\u00e7as e economia. Procure-se que haja recursos materiais como fazendas, terrenos, im\u00f3veis, fundos banc\u00e1rios, etc. que, se forem bem geridos, poder\u00e3o tornar-se fontes de receitas para a manuten\u00e7\u00e3o das obras diocesanas e paroquiais. No entanto, ser\u00e1 preciso que pessoal do Clero como do Laicado assuma e administre com dilig\u00eancia e a devida compet\u00eancia esses recursos e elaborem planos concretos que visem a melhoria da situa\u00e7\u00e3o financeira das comunidades. Irm\u00e3os, segundo a passagem b\u00edblica citada no come\u00e7o desta Mensagem \u00e9 a Deus que honramos quando cumprimos o dever de partilha dos nossos bens a favor da Comunidade. Para o Ap\u00f3stolo Paulo \u00e9 um verdadeiro servi\u00e7o de f\u00e9, de caridade e como que um acto de culto de louvor e de ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as a Deus. Por isso, assim exorta os seus fi\u00e9is e a n\u00f3s tamb\u00e9m: \u00abCada um d\u00ea como disp\u00f4s em seu cora\u00e7\u00e3o, sem tristeza nem constrangimento, pois DEUS AMA A QUEM D\u00c1 COM ALEGRIA. E Deus tem poder para vos cumular de toda a esp\u00e9cie de gra\u00e7a para que, tendo sempre e em tudo quanto vos \u00e9 necess\u00e1rio, ainda vos sobre para as boas obras de todo o g\u00e9nero\u00bb (2Cor 9,7-9).   Enfim, queridos irm\u00e3os, enquanto vos encorajamos a um empenhamento ainda maior no nosso projecto comum de alcan\u00e7armos a auto-sufici\u00eancia da Igreja, imploramos sobre todos v\u00f3s a b\u00ean\u00e7\u00e3o de Maria Sant\u00edssima, Nossa Padroeira.   Deus aben\u00e7oe Angola e S\u00e3o Tom\u00e9 e nos conserve a paz!   <i>Os Bispos Cat\u00f3licos de Angola e S\u00e3o Tom\u00e9: Secretariado de Pastoral da CEAST<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Car\u00edssimos diocesanos, irm\u00e3os e irm\u00e3s: A paz esteja convosco! \u201cHonra o Senhor com os teus haveres e com as prim\u00edcias das tuas colheitas; desse modo os teus celeiros ficar\u00e3o cheios de trigo e os teus lagares transbordar\u00e3o de vinho novo (Prov 3,9-10)\u201d. 1. 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