{"id":170445,"date":"2020-04-12T10:51:01","date_gmt":"2020-04-12T09:51:01","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=170445"},"modified":"2020-04-12T10:53:03","modified_gmt":"2020-04-12T09:53:03","slug":"homilia-do-bispo-da-guarda-na-vigilia-pascal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-da-guarda-na-vigilia-pascal\/","title":{"rendered":"Homilia do Bispo da Guarda na Vig\u00edlia Pascal"},"content":{"rendered":"<p><!--more-->O Senhor ressuscitou vitorioso do Sepulcro, Aleluia.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o grande an\u00fancio que, de novo, jubilosamente cantamos e oferecemos ao mundo.<\/p>\n<p>Fazemo-lo, este ano, com muitos constrangimentos, mas n\u00e3o queremos deixar de colocar, neste renovado an\u00fancio, todo o entusiasmo que dele nos vem para ajudar a revigorar a esperan\u00e7a dos que, neste momento, mais est\u00e3o a sofrer.<\/p>\n<p>Celebramos a Vig\u00edlia Pascal, M\u00e3e de todas as vig\u00edlias e que constitui, ao mesmo tempo, ponto de chegada e ponto de partida do conjunto do movimento de prepara\u00e7\u00e3o, celebra\u00e7\u00e3o e viv\u00eancia do Mist\u00e9rio Pascal.<\/p>\n<p>Durante quarenta dias prepar\u00e1mo-nos para este momento da jubilosa celebra\u00e7\u00e3o da Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo. Durante os pr\u00f3ximos cinquenta dias, at\u00e9 ao Pentecostes, vamos deixar que a novidade de Cristo Ressuscitado e vivo no meio de n\u00f3s transforme as nossas vidas, incluindo a suas rela\u00e7\u00f5es em sociedade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E, olhando para o Evangelho de hoje, vamos come\u00e7ar por partilhar a surpresa de Maria Madalena e da outra Maria que, de manh\u00e3 muito cedo, foram ao sepulcro par ultimar os procedimentos habituais nestes casos. Foram realmente surpreendidas pelo Anjo, que lhes apareceu de repente, removeu a pedra do sepulcro e sentou-se sobre ela. Os guardas ficaram a tremer de medo e ca\u00edram como mortos. E ent\u00e3o vem a grande novidade que as surpreende, sa\u00edda das palavras do Anjo, que lhes diz: \u201cProcurais Jesus, o crucificado. N\u00e3o est\u00e1 aqui. Ressuscitou, como tinha dito\u201d. E acrescentou \u2013 \u201cIde depressa e dizei aos disc\u00edpulos \u2013 Ele ressuscitou dos mortos e vai adiante de v\u00f3s para a Galileia. L\u00e1 o vereis\u201d.<\/p>\n<p>De repente, o medo das mulheres transformou-se em amor e grande alegria e correram a levar a not\u00edcia aos disc\u00edpulos.<\/p>\n<p>A not\u00edcia do anjo \u00e9, de seguida, confirmada pelo mesmo Ressuscitado que lhes faz a primeira apari\u00e7\u00e3o e insiste com elas \u2013 \u201cN\u00e3o temais. Ide avisar os meus irm\u00e3os que partam para a Galileia. L\u00e1 me vereis\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E aqui tudo recome\u00e7a, depois do desastre da cruz, do des\u00e2nimo dos disc\u00edpulos, que, abandonarem o Senhor, na noite da agonia e, depois de saberem da sua morte ignominiosa, se dispunham a voltar \u00e0s anteriores ocupa\u00e7\u00f5es. Por\u00e9m, o caminho que Jesus lhes indica, atrav\u00e9s das mulheres, \u00e9 outro: Esse caminho \u00e9 para a Galileia, isto \u00e9 para o mundo onde Jesus os encontrou e recrutou, onde come\u00e7ou o an\u00fancio do Reino e agora haviam de continuar e, a partir de l\u00e1, irradiar para todo o mundo.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio, fica-lhes a garantia de que o Ressuscitado vai \u00e0 frente e sempre os acompanhar\u00e1.<\/p>\n<p>Estava aberto um novo futuro, primeiro para a comunidade dos disc\u00edpulos e depois para toda a Humanidade destinat\u00e1ria da novidade que Cristo Ressuscitado nos traz.<\/p>\n<p>Hoje, n\u00f3s como disc\u00edpulos de Cristo pelo Batismo, nesta Vig\u00edlia Pascal, queremos sentir-nos mais envolvidos na constru\u00e7\u00e3o deste novo futuro aberto pela Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo. Por isso relembramos o nosso Batismo e renovamos as promessas que nele fizemos ou algu\u00e9m fez por n\u00f3s.<\/p>\n<ol>\n<li>Paulo, na carta aos Romanos, d\u00e1-nos hoje a pauta da identidade de todos os Batizados, a saber: sepultados com Cristo na morte, com ele ressuscitamos para a vida nova; uma vida nova que implica a recusa do pecado e a garantia de vit\u00f3ria sobre a morte.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Grande s\u00edmbolo do Batismo \u00e9 a passagem do Mar Vermelho, hoje relatada no Livro do \u00caxodo. Nela o Povo abandona a escravid\u00e3o e caminha na esperan\u00e7a para a novidade da terra prometida. Por sua vez, os profetas e hoje, em particular, o Profeta Isa\u00edas, tentam manter a chama acesa da esperan\u00e7a no mundo novo simbolizado na terra prometida e representado sobretudo no Reino de Deus anunciado por Jesus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Jesus venceu a morte, ressuscitou e abriu-nos as portas da vida em plenitude.<\/p>\n<p>Perguntamo-nos agora que vida em plenitude \u00e9 esta e que nos falta para l\u00e1 chegar.<\/p>\n<p>Estes dias, de muito sofrimento e alguma ang\u00fastia, \u00e0 escala do mundo, por causa da pandemia, est\u00e3o a demonstrar que certos h\u00e1bitos, h\u00e1 muito tempo instalados na vida das pessoas e das sociedades e at\u00e9 respaldados pelas pr\u00f3prias leis, n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o representam essa vida em plenitude, mas claramente n\u00e3o est\u00e3o a responder aos verdadeiros e leg\u00edtimos anseios das pessoas em geral.<\/p>\n<p>O Papa Francisco, numa entrevista que deu, esta Semana Santa e foi publicada em v\u00e1rios jornais, chama a aten\u00e7\u00e3o para v\u00e1rios aspetos da nossa vida em sociedade que precisam de ser revistos para passarmos a ter uma sociedade verdadeiramente amiga das pessoas e da natureza.<\/p>\n<p>As den\u00fancias que faz n\u00e3o s\u00e3o novas, pois j\u00e1 de todas elas tem feito refer\u00eancia nas suas interven\u00e7\u00f5es, mas focaliza um conjunto de comportamentos sociais que t\u00eam de mudar para todos podermos ter futuro digno em sociedade.<\/p>\n<p>Assim, come\u00e7a por referir que a pandemia \u00e9 uma resposta firme da natureza dirigida a toda a Humanidade e uma chamada de aten\u00e7\u00e3o contra a hipocrisia de alguns l\u00edderes pol\u00edticos, que pretendem encobrir a verdade, mesmo cientificamente comprovada, nos aspetos que n\u00e3o lhes conv\u00eam.<\/p>\n<p>Chama, depois a aten\u00e7\u00e3o para a profunda divis\u00e3o que marca a nossa sociedade atual; divis\u00e3o entre ricos e pobres, com a abund\u00e2ncia de alguns a contrastar com a fome de muitos, entre os pa\u00edses e grupos em guerra, por um lado e o neg\u00f3cio das armas, por outro. Perante estes e outros contrassensos, a pandemia lembra-nos que estamos todos no mesmo barco e nele partilhamos a mesma sorte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Face a estes e outros h\u00e1bitos instalados na nossa sociedade, perguntamo-nos em que \u00e9 que o acontecimento da Ressurrei\u00e7\u00e3o e a vida nova que dele surge podem ajudar a reequacionar a nossa vida em sociedade. Lembramos que tamb\u00e9m a pandemia est\u00e1 a mostrar essa mesma necessidade, embora deixando para a n\u00f3s a responsabilidade de definir os novos caminhos.<\/p>\n<p>Em resposta a esta pergunta, olhemos para a celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia.<\/p>\n<p>Cada vez que nela participamos, sobretudo na assembleia do domingo, somos colocados perante os grandes desafios de renova\u00e7\u00e3o que nos v\u00eam da vida nova inaugurada na Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo. E vale a pena revisitar o que realmente nela se passa.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, fazemos mem\u00f3ria e tornamos presente a realidade de um Homem justo e santo a quem a injusti\u00e7a dos outros homens infligiu a morte.<\/p>\n<p>Torna-se igualmente presente a realidade e a for\u00e7a da Ressurrei\u00e7\u00e3o deste mesmo Homem injustamente condenado, mas a quem o pr\u00f3prio Deus fez justi\u00e7a e o constituiu como prim\u00edcia da Nova Humanidade.<\/p>\n<p>E nessa Humanidade Nova somos n\u00f3s tamb\u00e9m convidados a parti-cipar de acordo com o que pedem as circunst\u00e2ncias do momento e a alargar a sua presen\u00e7a e influ\u00eancia nos meios que frequentamos.<\/p>\n<p>Levando a s\u00e9rio a realidade da Ressurrei\u00e7\u00e3o que tornamos presente e celebramos em cada Eucaristia, n\u00f3s contribu\u00edmos para abrir, pelo menos, algumas brechas neste mundo velho e gerador de muito sofrimento, como os factos o est\u00e3o a demonstrar e caminhamos em dire\u00e7\u00e3o ao mundo novo que a mem\u00f3ria de Cristo Ressuscitado representa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esta mem\u00f3ria \u00e9, de facto, libertadora, na medida em que questiona e pressiona as v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es do mundo presente, com suas injusti\u00e7as e comportamentos desumanos persistentes, e lhe aponta um futuro diferente para o qual \u00e9 urgente que todos caminhemos.<\/p>\n<p>O apelo que hoje nos faz Jesus Cristo Ressuscitado \u00e9 que n\u00e3o desistamos de denunciar os erros da sociedade atual, entre os quais est\u00e1 o deus do lucro e do crescimento econ\u00f3mico como tamb\u00e9m o poder dos mercados sem \u00e9tica e com desrespeito por crescente n\u00famero de pessoas, como tamb\u00e9m as agress\u00f5es \u00e0 natureza, de facto, criada para ser mesa posta para todos.<\/p>\n<p>Em contrapartida, lembremos a urg\u00eancia de criar condi\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m sociais, pol\u00edticas e econ\u00f3micas para que as pessoas e as suas rela\u00e7\u00f5es estejam sempre em primeiro lugar; rela\u00e7\u00f5es entre n\u00f3s, a come\u00e7ar pelas rela\u00e7\u00f5es em fam\u00edlia, com a natureza e com Deus.<\/p>\n<p>Que Cristo Ressuscitado e Vivo no meio de n\u00f3s nos ajude a relan\u00e7ar o entusiasmo por lhe ajustar a nossa vida pessoal e em sociedade.<\/p>\n<p><em>D. Manuel R. Fel\u00edcio<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":157004,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[168,275],"class_list":["post-170445","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-da-guarda","tag-pascoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/170445","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=170445"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/170445\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/157004"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=170445"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=170445"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=170445"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}