{"id":170424,"date":"2020-04-12T12:45:59","date_gmt":"2020-04-12T11:45:59","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=170424"},"modified":"2020-04-12T09:33:13","modified_gmt":"2020-04-12T08:33:13","slug":"homilia-do-bispo-do-funchal-no-domingo-de-pascoa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-do-funchal-no-domingo-de-pascoa\/","title":{"rendered":"Homilia do Bispo do Funchal no Domingo de P\u00e1scoa"},"content":{"rendered":"<p><!--more-->\u201cViu e acreditou\u201d (Jo 20,8)<\/p>\n<ol>\n<li>S. Jo\u00e3o, ao narrar a entrada de Pedro e do \u201cdisc\u00edpulo que Jesus amava\u201d no sepulcro vazio, diz-nos que este disc\u00edpulo \u201cViu e acreditou\u201d.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Que viu ele? Viu o sepulcro, sem a pedra que impedia a entrada ou a sa\u00edda de algu\u00e9m; viu, no ch\u00e3o, as ligaduras que tinham envolvido o corpo de Jesus; viu o sud\u00e1rio que tinha estado sobre a cabe\u00e7a do Senhor, enrolado \u00e0 parte. Viu os sinais da morte de Jesus. Viu com os olhos da carne.<\/p>\n<p>Mas tudo quanto ali estava era sem qualquer conte\u00fado: as ligaduras sem corpo; o sud\u00e1rio sem cabe\u00e7a; o t\u00famulo sem sepultado. Os sinais da morte estavam ali, bem presentes. N\u00e3o tinha sido ilus\u00e3o. A cruz fora verdadeira cruz. A morte, verdadeira morte. A sepultura, verdadeira sepultura. E o disc\u00edpulo podia ver esses sinais.<\/p>\n<p>Aqueles sinais falavam, mas n\u00e3o j\u00e1 de si mesmos. Convidavam a uma outra realidade. Indicavam uma vida nova, nascida a partir de Deus, com a for\u00e7a do Esp\u00edrito. Falavam do come\u00e7o de um mundo novo, e com um novo Ad\u00e3o: Jesus de Nazar\u00e9.<\/p>\n<p>\u201cViu e acreditou\u201d. Em quem acreditou o disc\u00edpulo? Acreditou em Jesus ressuscitado. Acreditou na sua ressurrei\u00e7\u00e3o. Acreditou nesse mundo novo que naquele momento estava a iniciar;\u00a0 acreditou que Jesus tinha vencido a morte; e acreditou que, tamb\u00e9m ele \u2014 pobre e fraco disc\u00edpulo, e todos os outros disc\u00edpulos que haviam de acreditar depois dele \u2014 acreditou que, tamb\u00e9m eles, poderiam participar desta vida nova de Cristo ressuscitado. Ele, o disc\u00edpulo amado, ainda vivia no mundo velho. Via com os olhos da carne a presen\u00e7a de um mundo velho, sem conte\u00fado, vazio: o mundo do pecado e da morte. Mas via-os derrotados definitivamente.<\/p>\n<p>Contudo, os olhos da f\u00e9, que o conv\u00edvio com Jesus tinha feito nascer no seu cora\u00e7\u00e3o ao longo daqueles tr\u00eas anos da vida p\u00fablica do Mestre, os olhos da f\u00e9 percebiam mais al\u00e9m: viam um novo horizonte de vida, para l\u00e1 das ligaduras, do sud\u00e1rio, do t\u00famulo.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a P\u00e1scoa dos crist\u00e3os. \u00c9 a passagem que todos os dias somos convidados a fazer \u2014 de um modo particular neste dias do Tr\u00edduo Pascal. Melhor: P\u00e1scoa \u00e9 o acontecimento vivido por aquele que percebe Jesus ressuscitado a passar por si e pela sua vida, na for\u00e7a do Esp\u00edrito.<\/p>\n<p>Vivemos, como o disc\u00edpulo amado, neste mundo cheio de ligaduras, de sud\u00e1rios e de sepulcros \u2014 neste mundo de velhas realidades do pecado e da morte, porventura ainda julgando que t\u00eam algum conte\u00fado e mesmo dom\u00ednio. Vemos, tamb\u00e9m n\u00f3s, o mundo velho, quais ligaduras do sepulcro vazio, com as suas lutas pelo poder; com toda a sua tecnologia; com todos os estratagemas para nos vender a felicidade neste tempo. Vemo-lo, procurando convencer-nos que cada um \u00e9 um pequeno deus, dono da vida e da morte. Vemos estes sinais de morte, vazios, sem conte\u00fado, abandonados no ch\u00e3o, derrotados por um pequeno v\u00edrus. Foi precisamente este mundo velho que, h\u00e1 dias, foi surpreendido por uma paragem repentina. A efervesc\u00eancia econ\u00f3mica, feita de viagens, de trocas, de comunica\u00e7\u00f5es; o orgulho dominador; a ditadura das velharias (n\u00e3o raras vezes repintadas de novidade), de repente, viu-se obrigada a parar. O contador quase que foi colocado a zero.<\/p>\n<p>Vemos este mundo, mas somos capazes de acreditar? Vivemos ainda neste mundo velho, mas seremos capazes de dar cr\u00e9dito aos olhos da f\u00e9 que nos dizem que o mundo novo j\u00e1 surgiu no momento da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, e que j\u00e1 podemos fazer parte dele, ainda que de um modo imperfeito e incompleto?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li>O mundo que vai surgir quando toda esta paragem terminar n\u00e3o ser\u00e1 ainda o mundo novo de Jesus ressuscitado: esse apenas na eternidade nos ser\u00e1 dado viver. Mas sobre n\u00f3s, crist\u00e3os, recai a tarefa de tornar este mundo em que ainda vivemos mais semelhante ao mundo novo do Ressuscitado. Sobre n\u00f3s recai a tarefa de o ajudar a caminhar para o mundo novo.<\/li>\n<\/ol>\n<p>O mundo que ir\u00e1 surgir desta crise ser\u00e1 sempre uma oportunidade oferecida \u00e0 liberdade humana para se converter e se deixar construir e reconstruir por Deus \u00e0 semelhan\u00e7a do Verbo que se fez carne e habitou no meio de n\u00f3s.<\/p>\n<p>Esta ser\u00e1 pois uma oportunidade (mais uma) que \u00e9 dada a todos pela paci\u00eancia de Deus. Como queremos construir (reconstruir) o mundo que a\u00ed vem? Como o iremos moldar? Que disponibilidade temos n\u00f3s, crist\u00e3os, para participar nessa reconstru\u00e7\u00e3o e lhe dar uma fei\u00e7\u00e3o mais humana, onde todos possam ver reconhecida, efectivamente, a sua dignidade?<\/p>\n<p>\u201cViu e acreditou\u201d. Existir\u00e3o sinais da presen\u00e7a de Deus neste nosso mundo contempor\u00e2neo? Existir\u00e3o hoje sinais da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus? Sim, mas s\u00e3o sinais pequenos, de pouca monta, podem dizer. Ou sinais grandes como aqueles que estamos a presenciar em cada minuto destes dias que vivemos\u2026 Que era um len\u00e7ol e umas ligaduras, ou mesmo um sepulcro? E, no entanto, o disc\u00edpulo \u201cviu e acreditou\u201d.<\/p>\n<p>Sejamos, tamb\u00e9m n\u00f3s, capazes de ver com os olhos da carne e acreditar com os olhos da f\u00e9. O nosso cora\u00e7\u00e3o encher-se-\u00e1 de alegria, a nossa vida ganhar\u00e1 um novo sentido.<\/p>\n<p>Porque o Senhor ressuscitou. A morte foi vencida. Alegremo-nos e exultemos!<\/p>\n<p><em>D. Nuno Br\u00e1s<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":128198,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[186,275],"class_list":["post-170424","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-do-funchal","tag-pascoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/170424","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=170424"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/170424\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/128198"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=170424"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=170424"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=170424"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}