{"id":170422,"date":"2020-04-12T12:27:51","date_gmt":"2020-04-12T11:27:51","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=170422"},"modified":"2020-04-12T09:30:13","modified_gmt":"2020-04-12T08:30:13","slug":"homilia-de-pascoa-do-bispo-das-forcas-armadas-e-forcas-de-seguranca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-pascoa-do-bispo-das-forcas-armadas-e-forcas-de-seguranca\/","title":{"rendered":"Homilia de P\u00e1scoa do Bispo das For\u00e7as Armadas e For\u00e7as de Seguran\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<p>Irm\u00e3s e irm\u00e3os em Cristo,<\/p>\n<ol>\n<li>A circunst\u00e2ncia de este ano estarmos a celebrar a P\u00e1scoa de Jesus em situa\u00e7\u00e3o de quarentena orienta a nossa sensibilidade solid\u00e1ria para refer\u00eancias que a narra\u00e7\u00e3o desse acontecimento nos sugere.<\/li>\n<\/ol>\n<p>O evangelho come\u00e7a por apresentar Maria Madalena que vai, de manh\u00e3zinha, ainda escuro, ao sepulcro\u2026 Consternada ainda pelos epis\u00f3dios tr\u00e1gicos da deten\u00e7\u00e3o, condena\u00e7\u00e3o e dram\u00e1tica paix\u00e3o e morte de Jesus, Maria Madalena ainda est\u00e1 sintonizada com o clima de morte e ainda respira o ambiente derrotista dos \u00faltimos dias. Por isso, caminha para o sepulcro que \u00e9 o lugar da nega\u00e7\u00e3o da vida, o espa\u00e7o da morte e do fim, onde todas as esperan\u00e7as foram vencidas.<\/p>\n<p>Hoje, n\u00f3s e o mundo temos muitas semelhan\u00e7as com Maria Madalena. A pandemia, o coronav\u00edrus, as not\u00edcias do crescente n\u00famero de infetados e de mortos; os receios do agravamento dos problemas sociais, como o desemprego, as desigualdades, a fome, a carestia\u2026 tudo contribui para que tamb\u00e9m n\u00f3s acabemos por respirar um ar de pessimismo e deixemos que o nosso esp\u00edrito esmore\u00e7a. Afinal, a presente situa\u00e7\u00e3o acaba at\u00e9 por ser contranatura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li>Maria Madalena ia \u00e0 procura de um sepulcro, ou seja, de algo encerrado em si mesmo e, para ser inviol\u00e1vel, selado. Por\u00e9m, o que ela encontra \u00e9, nada mais, nada menos, que uma <strong>porta aberta<\/strong> \u2014 \u201cviu a pedra retirada do sepulcro\u201d. Esta \u00e9 a boa nova neste dia de P\u00e1scoa: Cristo Ressuscitou; Ele abriu o que estava fechado nos subterr\u00e2neos da morte e do desespero. Com a ressurrei\u00e7\u00e3o, escancarou a pedra da morte que encerrava a vida.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li>Por isso, numa hora como esta em que vivemos, na qual poderemos ser tentados a ver apenas o que est\u00e1 fechado \u2014 desde as escolas, \u00e0s ind\u00fastrias \u2014 ou , como n\u00f3s pr\u00f3prios, confinados a casa pelas medidas de quarentena, o an\u00fancio da Ressurrei\u00e7\u00e3o, dirigido a cada um de n\u00f3s, impele-nos a abrir-nos \u00e0 esperan\u00e7a, \u00e0 nova vida divina que, na gra\u00e7a de Deus, nos inflama a alma, o esp\u00edrito e o corpo.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Essa nova vida, alicerce de uma nova identidade para a humanidade, faz de cada mulher e de cada homem que pelo batismo a recebe novas criaturas, construtores do Reino de Deus no presente da hist\u00f3ria. Um reino de justi\u00e7a e de paz. E habilita-nos a olhar para a vida, para a atual circunst\u00e2ncia e vislumbrar que, atrav\u00e9s do amor, da solidariedade, do servi\u00e7o, n\u00f3s, com a gra\u00e7a de Deus, teremos for\u00e7a para remover do mundo encerrado em si mesmo a pedra do pesadelo, a pedra da amea\u00e7a, do perigo e do medo e abrir a porta da esperan\u00e7a e da confian\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li>Sim, Cristo Ressuscitou. A sua Ressurrei\u00e7\u00e3o estabelece uma nova voca\u00e7\u00e3o para a humanidade. Somos feitos para a vida e n\u00e3o para a morte, nem para os cemit\u00e9rios; somos chamados para a alegria e para a luz e n\u00e3o para a ang\u00fastia ou para as trevas. A for\u00e7a que o Acontecimento que hoje celebramos introduziu e implantou na hist\u00f3ria \u00e9 superior a qualquer energia c\u00f3smica ou a qualquer amea\u00e7a. Por isso, fa\u00e7amos nosso o eco da Escritura, coloquemos na vida a palavra que ressoou na manh\u00e3 de P\u00e1scoa: \u00abN\u00e3o tenhais medo. Sou Eu, venci a morte.\u00bb Cristo Ressuscitado j\u00e1 n\u00e3o repousa naquele sepulcro visitado por Maria Madalena! N\u00e3o, Cristo j\u00e1 n\u00e3o habita as regi\u00f5es da morte, mas ressuscitou para as nossas vidas. Ele est\u00e1 vivo e participa da nossa hist\u00f3ria, dos nossos desafios, dos nossos dramas, das nossas esperan\u00e7as\u2026 Por isso, convido-vos a encontr\u00e1-l\u2019O dentro da vossa vida, porque \u00e9 a\u00ed que Ele partilha hoje as vicissitudes da vossa exist\u00eancia e toma parte no que padeceis, no que realizais ou projetais.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"5\">\n<li>Hoje, irm\u00e3s e irm\u00e3os, quero ainda evocar duas brisas que ao longo dos tempos inspiraram muitas mulheres e homens de boa vontade.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Antes de mais, recordo como foi constru\u00edda a primeira teologia da ressurrei\u00e7\u00e3o pela Igreja nascente. Os irm\u00e3os recordavam o an\u00fancio de Jesus, segundo o qual \u00abSubiremos a Jerusal\u00e9m e o Filho do Homem vai ser entregue aos sumos sacerdotes e aos doutores da Lei, e eles v\u00e3o conden\u00e1-lo \u00e0 morte e entreg\u00e1-lo aos gentios.\u00a0E h\u00e3o de escarnec\u00ea-lo, cuspir sobre Ele, a\u00e7oit\u00e1-lo e mat\u00e1-lo. Mas, tr\u00eas dias depois, ressuscitar\u00e1\u00bb (Mc 10, 33-34). Ou seja, Jesus tinha vaticinado que haveriam de subir a Jerusal\u00e9m e que o Filho do Homem haveria de ser entregue aos sumos sacerdotes e aos doutores da Lei. E, de facto, assim aconteceu. Que eles haveriam de o condenar \u00e0 morte. E, de facto, foi condenado. Que haveriam de o entregar aos gentios. E a eles foi entregue. Que o haveriam de escarnecer, que haveriam de cuspir sobre Ele, que haveriam de o a\u00e7oitar e matar. E, de facto, foi escarnecido, a\u00e7oitado e morto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ora, se tudo isto que foi anunciado se cumpriu \u2014 assim pensavam os primeiros crist\u00e3os \u2014, ent\u00e3o, n\u00e3o temos nenhum motivo para n\u00e3o acreditar que tamb\u00e9m o an\u00fancio de que tr\u00eas dias depois haveria de ressuscitar se realizou igualmente. Se foi verdade que foi condenado, escarnecido, a\u00e7oitado e morto, tamb\u00e9m \u00e9 verdade que ressuscitou. Assim pensavam os irm\u00e3os da primeira hora do cristianismo. Hoje, somos desafiados a vislumbrar, nas dificuldades do presente, a verdade da esperan\u00e7a que o acontecimento da ressurrei\u00e7\u00e3o descerra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"6\">\n<li>Em segundo lugar, quero hoje e aqui evocar o grande poeta portugu\u00eas Luiz de Cam\u00f5es que identifica na Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo, precisamente, o alicerce da gloriosa hist\u00f3ria de Portugal, \u00abna\u00e7\u00e3o imortal\u00bb, feita d\u00b4 \u00abaqueles que por obras valerosas \/ Se v\u00e3o da lei da Morte libertando\u00bb.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Crente na ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, acreditou tamb\u00e9m na ressurrei\u00e7\u00e3o de toda a humanidade, como se pode depreender do famoso Ct X, 115:<\/p>\n<p>\u00abO corpo morto manda ser trazido,<\/p>\n<p>Que\u00a0ressuscite (\u2026)<\/p>\n<p>Por testemunho, o seu, mais aprovado<\/p>\n<p>Viram todos o mo\u00e7o vivo, erguido,<\/p>\n<p>Em nome de Jesus crucificado.\u00bb<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Votos de Santa P\u00e1scoa. A luz da esperan\u00e7a nos ilumine. Amen!<\/p>\n<p><em>D. Rui Val\u00e9rio<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":157984,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[271,275],"class_list":["post-170422","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-ordinariato-castrense","tag-pascoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/170422","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=170422"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/170422\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/157984"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=170422"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=170422"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=170422"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}