{"id":170419,"date":"2020-04-12T12:00:28","date_gmt":"2020-04-12T11:00:28","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=170419"},"modified":"2020-04-12T11:05:25","modified_gmt":"2020-04-12T10:05:25","slug":"homilia-do-bispo-do-porto-no-domingo-de-pascoa-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-do-porto-no-domingo-de-pascoa-4\/","title":{"rendered":"Homilia do Bispo do Porto no Domingo de P\u00e1scoa"},"content":{"rendered":"<p><strong>A intui\u00e7\u00e3o do amor<\/strong><!--more--><\/p>\n<p>Nesta passagem do Evangelho com que se nos anuncia a P\u00e1scoa, aparecem tr\u00eas personagens: Maria Madalena, ainda preocupada com as honras devidas ao corpo morto de Jesus; Jo\u00e3o, o jovem atleta a quem o cora\u00e7\u00e3o empresta um suplemento de for\u00e7a para correr apressadamente e, assim, ver o que tinha acontecido ao seu grande Amigo; e Pedro, estupefacto com o requinte da arruma\u00e7\u00e3o dos panos com que haviam sepultado o Senhor. Curiosamente, a julgar por este relato, o primeiro a dar o salto das realidades vis\u00edveis para aquilo que \u00e9 inapreens\u00edvel ao olhar, foi S. Jo\u00e3o. \u00c9 s\u00f3 dele que se escreve: \u201c<em>Viu e acreditou<\/em>\u201d (Jo 20, 9). Sabemos bem que, gradualmente, quer Maria, quer Pedro, haveriam de dar o mesmo \u00absalto na f\u00e9\u00bb. Mas o primeiro a compreender e a acreditar foi S. Jo\u00e3o.<\/p>\n<p>Aquele que habitualmente conhecemos como o \u201cDisc\u00edpulo amado\u201d, correu s\u00e9rios riscos durante o percurso doloroso da Paix\u00e3o do seu Mestre. Mas nunca O abandou. O amor verdadeiro, de facto, n\u00e3o deixa que as pessoas se desapeguem. E, fundamentalmente, s\u00f3 o cora\u00e7\u00e3o faz ver o que os olhos do corpo n\u00e3o atingem. Se estivesse em causa a mensagem e o pensamento de um fil\u00f3sofo, a mem\u00f3ria recordaria os seus conte\u00fados e a intelig\u00eancia ajuizaria da sua oportunidade. Mas aqui, na manh\u00e3 da P\u00e1scoa, o que est\u00e1 em jogo n\u00e3o \u00e9 uma doutrina, mas uma Pessoa. Por isso, sem desprezar nenhuma das outras faculdades, \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o que faz transitar das coisas vis\u00edveis para as invis\u00edveis. Tal como, poucos dias mais tarde, voltar\u00e1 a acontecer ao mesmo S. Jo\u00e3o, no contexto da pesca milagrosa, quando volta a ser o primeiro a reconhecer o Amigo e exclamar: \u201c<em>\u00c9 o Senhor<\/em>\u201d (Jo 21, 7).<\/p>\n<p>O amor a Jesus \u00e9, de facto, como aqueles raios de sol e eleva\u00e7\u00e3o da temperatura que, nos in\u00edcios da primavera, fazem com que, de uma \u00e1rvore que parece seca, brotem rebentos novos, plenos de vida. Sem esse amor, n\u00e3o conseguimos entrar nesse mist\u00e9rio da ressurrei\u00e7\u00e3o, pois n\u00e3o \u00e9 assunto para ser digerido pela mera intelig\u00eancia racional. Assim o mostra S. Pedro, na primeira leitura. Em casa do Centuri\u00e3o Corn\u00e9lio, porventura j\u00e1 simpatizante do dado crist\u00e3o e a quem teriam chegado rumores da ressurrei\u00e7\u00e3o, Pedro confirma essa certeza com a experi\u00eancia afetiva: \u201c<em>Deus ressuscitou-O ao terceiro dia e permitiu-Lhe manifestar-Se, n\u00e3o a todo o povo, mas \u00e0s testemunhas de antem\u00e3o designadas por Deus, a n\u00f3s que comemos e bebemos com Ele<\/em>\u201d (At 10, 41-42).<\/p>\n<p>Iniciamos a quaresma escutando o brado, enquanto se impunham as cinzas: \u201cArrependei-vos e acreditai no Evangelho\u201d. Hoje, poder\u00edamos sintetizar a mensagem desta P\u00e1scoa no mesmo preg\u00e3o. O centro do Evangelho \u00e9 a ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo. Acreditai nela! Mas para acreditar, \u00e9 preciso amar o mesmo Cristo: para crer, antes, \u00e9 preciso querer. Disponde os vossos cora\u00e7\u00f5es ao amor, pois s\u00f3 a\u00ed pode germinar a f\u00e9. E onde nos conduz esta f\u00e9? Fundamentalmente, a tr\u00eas n\u00facleos, que muito nos interessam.<\/p>\n<ol>\n<li>A P\u00e1scoa \u00e9 o triunfo da vida. Os inimigos de Cristo mandaram-n\u2019O matar e quiseram-n\u2019O morto para sempre. Pensaram que, com o peso de uma pedra e umas sentinelas no t\u00famulo, isso se resolvia. Enganaram-se redondamente. Ontem como hoje, ningu\u00e9m pode calar a for\u00e7a da ressurrei\u00e7\u00e3o. Mesmo que se assassinem barbaramente os crist\u00e3os, como acontece um pouco por toda a terra, ou que, no dito \u00abprimeiro mundo\u00bb, a intelig\u00eancia \u00abbem-pensante\u00bb teime em ridicularizar o dado da f\u00e9, numa chacota arrogante. Sim, as for\u00e7as da morte nada podem perante a ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>P\u00e1scoa \u00e9 a tomada de consci\u00eancia de uma presen\u00e7a. Presen\u00e7a misteriosa e muda, sem d\u00favida. Mas real, pois, como garante S. Paulo, na segunda leitura, \u201c<em>a vossa vida est\u00e1 escondida com Cristo em Deus<\/em>\u201d (Cl 3, 3). Deus est\u00e1 em n\u00f3s e n\u00f3s estamos em Deus. N\u00e3o \u00e9 apenas uma presen\u00e7a que caminha ao nosso lado, mas fora de n\u00f3s. N\u00e3o: interliga-se com o nosso pr\u00f3prio ser. Para a pessoa religiosa, \u00e9 o m\u00e1ximo a que se pode aspirar.<\/li>\n<li>P\u00e1scoa \u00e9 o penhor da esperan\u00e7a. \u00c9 a afirma\u00e7\u00e3o solene que nada nem ningu\u00e9m pode destruir a vida que nos \u00e9 garantida pelo Eterno. Os cansa\u00e7os, os sofrimentos, a dor e o medo da morte biol\u00f3gica n\u00e3o passam de epis\u00f3dios fugazes, sombras passageiras que ser\u00e3o desfeitas na plena luz de Cristo. O mundo n\u00e3o caminha \u00e0 deriva, j\u00e1 que, pela claridade da ressurrei\u00e7\u00e3o, a sua meta \u00e9 o \u201creino de verdade e de vida, reino de santidade e de gra\u00e7a, reino de justi\u00e7a, de amor e de paz\u201d.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Caros fi\u00e9is em Cristo que habitualmente viveis as dores de uma exist\u00eancia fechada, agora tornadas mais agudas por esta pandemia que atingiu o nosso mundo, coragem! O ressuscitado est\u00e1 convosco como garante de uma esperan\u00e7a que n\u00e3o engana, certeza de perene consola\u00e7\u00e3o e penhor de vida. Animai-vos n\u2019Ele. E v\u00f3s cireneus da atualidade, pessoal de sa\u00fade, for\u00e7as de socorro e seguran\u00e7a, trabalhadores e respons\u00e1veis das institui\u00e7\u00f5es de assist\u00eancia, autarcas e outros dirigentes sociais, v\u00f3s que ajudais a levar a cruz de tantos, tende a certeza de que tamb\u00e9m participais da alegria emocionante desta P\u00e1scoa florida.<\/p>\n<p>Santa P\u00e1scoa!<\/p>\n<p><em>D. Manuel Linda<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A intui\u00e7\u00e3o do amor<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":149610,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[187,275],"class_list":["post-170419","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-do-porto","tag-pascoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/170419","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=170419"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/170419\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/149610"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=170419"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=170419"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=170419"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}