{"id":170357,"date":"2020-04-11T23:57:17","date_gmt":"2020-04-11T22:57:17","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=170357"},"modified":"2020-04-11T23:57:17","modified_gmt":"2020-04-11T22:57:17","slug":"homilia-do-arcebispo-de-braga-na-vigilia-pascal-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-arcebispo-de-braga-na-vigilia-pascal-3\/","title":{"rendered":"Homilia do arcebispo de Braga na Vig\u00edlia Pascal"},"content":{"rendered":"<p><!--more-->Car\u00edssimos irm\u00e3os e irm\u00e3s!<\/p>\n<p>As numerosas leituras b\u00edblicas, agora proclamadas, evocam uma s\u00e9rie de passagens que marcam a hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o: a cria\u00e7\u00e3o do mundo como o passar do nada ao ser, do caos ao cosmos e \u00e0 vida (Gen 1); o povo de Israel liberto pelo Mar Vermelho, da escravid\u00e3o para a liberdade (Ex 14); a Humanidade pecadora regenerada em virtude da Palavra de Deus como a terra fecundada pela chuva (Is 55); os errantes reunidos pela sabedoria (Bar 3); o dom de um cora\u00e7\u00e3o novo no lugar de um cora\u00e7\u00e3o de pedra (Ez 36); a ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo da morte \u00e0 vida e a regenera\u00e7\u00e3o dos baptizados nele incorporados (Rm 6); o primeiro an\u00fancio pascal por parte daquele jovem de branco: \u201cN\u00e3o est\u00e1 aqui! Ressuscitou\u201d.<\/p>\n<p>Digamo-lo hoje e sempre, e com toda a alma, porque \u201ccorremos o risco de tomar Jesus Cristo, apenas como um bom exemplo do passado, como uma recorda\u00e7\u00e3o, como Algu\u00e9m que nos salvou h\u00e1 dois mil anos. E isto de nada nos aproveitaria: deixar-nos-ia como antes, n\u00e3o nos libertaria. Aquele que nos enche com a sua gra\u00e7a, Aquele que nos liberta, Aquele que nos transforma, Aquele que nos cura e consola \u00e9 Algu\u00e9m que vive. \u00c9 Cristo ressuscitado, cheio de vitalidade sobrenatural, revestido de luz infinita. Por isso dizia S\u00e3o Paulo: \u00abSe Cristo n\u00e3o ressuscitou \u00e9 v\u00e3 a vossa f\u00e9\u00bb (1 Cor 15,17)\u201d (CV 124). Ora, a not\u00edcia da P\u00e1scoa do Senhor \u00e9 outra: Ele n\u00e3o \u00e9 um morto desaparecido. Ele est\u00e1 vivo e vive para sempre! Por isso, \u201calegra-te com o teu Amigo que triunfou\u201d (CV 126). \u201cCristo vive e quer-te vivo\u201d (CV1).<\/p>\n<p>Estas palavras do Santo Padre \u201cCristo vive e quer-te vivo\u201d devem acompanhar-nos no caminho desta P\u00e1scoa especial. Parecem n\u00e3o ter sentido e contr\u00e1rias a tudo o que celebramos. Mas, a ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo \u00e9 uma exig\u00eancia para que, como Ele, vivamos. N\u00e3o se trata, somente, de ir passando os dias mais ou menos atentos aos desafios que nos s\u00e3o colocados. Importa viver a vida. Nem sempre \u00e9 f\u00e1cil manter Cristo vivo. A liturgia da Vig\u00edlia Pascal, no rito bracarense, est\u00e1 marcada por uma pequena cerim\u00f3nia. Depois da renova\u00e7\u00e3o das promessas baptismais, o c\u00edrio pascal \u00e9 apagado e o Presidente canta o\u00a0<em>accendite<\/em>, acendei. F\u00e1-lo por tr\u00eas vezes. \u00c9 muito evidente o significado deste gesto. Devemos manter viva a chama da f\u00e9. Nem sempre \u00e9 poss\u00edvel. Fundamental \u00e9 recome\u00e7ar e voltar a viver, fazendo da vida \u201cluz no meio do mundo\u201d.<\/p>\n<p>Viver implica ter um sentido, um rumo, motiva\u00e7\u00f5es e raz\u00f5es, ou seja, ter um ideal capaz de nortear as op\u00e7\u00f5es como crist\u00e3os e como cidad\u00e3os. Para que vivamos a vida, tornando-a luz teremos, entre outras coisas, de viver com uma grande paix\u00e3o pela Igreja. Sabemos que ela \u00e9 Corpo M\u00edstico de Cristo e, como consequ\u00eancia, teremos de levar o esp\u00edrito da ressurrei\u00e7\u00e3o para dentro da Igreja e mostrar que tamb\u00e9m ela vai eliminando o que \u00e9 caduco e ef\u00e9mero para testemunhar valores de eternidade.<\/p>\n<p>A Igreja deve ser uma imagem eloquente de Cristo e qu\u00e3o longe nos encontramos desta verdade. N\u00e3o \u00e9 por acaso que muitos dizem que aceitam Cristo mas n\u00e3o a Igreja.<\/p>\n<p>H\u00e1 aqui um caminho longo a percorrer com diferentes atitudes que n\u00e3o podem ser negligenciadas. Em primeiro lugar, quero partilhar a grande preocupa\u00e7\u00e3o do Papa desde o dia em que foi eleito. Ele quer uma Igreja em sa\u00edda e isto tem dois movimentos. Sair para estar fora, no mundo, e sair para n\u00e3o se fechar nas suas actividades intimistas e reservadas a poucos.<\/p>\n<p>O Esp\u00edrito pede que sejamos capazes de percorrer os caminhos da Humanidade, com todos os seus problemas e desafios, nunca numa atitude de superioridade ou de sermos donos da verdade, mas sempre na l\u00f3gica do fermento ou da semente que se perdeu para gerar vida. Os problemas da Humanidade s\u00e3o nossos e n\u00e3o podemos viver tranquilos enquanto eles persistem. Falamos da dignidade de todas as pessoas mas o mundo continua muito desigual. S\u00e3o in\u00fameras as situa\u00e7\u00f5es que permitem que os bens se concentrem nas m\u00e3os de poucos. Persiste a corrup\u00e7\u00e3o e os jogos mais ou menos escuros que validam acumula\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas indevidas. Basta ver tantos sinais, humanamente inexplic\u00e1veis, de riqueza ao lado de multid\u00f5es com o sal\u00e1rio m\u00ednimo ou situa\u00e7\u00f5es de trabalho prec\u00e1rio. H\u00e1 um modelo econ\u00f3mico que mata e gera situa\u00e7\u00f5es incr\u00edveis de aus\u00eancia do essencial.<\/p>\n<p>A Igreja do futuro n\u00e3o deve ter medo de estar presente em todos os are\u00f3pagos onde se constr\u00f3i a vida. S\u00e3o caminhos novos, nunca percorridos. Houve um tempo dos descobrimentos que permitiu que a Igreja encarasse o desconhecido com uma arte nova de evangeliza\u00e7\u00e3o. Hoje teremos de ultrapassar os espa\u00e7os dos templos e dos adros para mergulhar no desconhecido. Em todos os cen\u00e1rios da vida moderna, a Igreja dever marcar presen\u00e7a, sem medo nem complexos. Quando o Papa referia que Cristo quer-nos vivos, n\u00e3o abordava somente a realidade f\u00edsica. \u00c9 este esp\u00edrito e dinamismo que hoje importa activar. Ressuscitar \u00e9 a responsabilidade de colocar Cristo onde Ele n\u00e3o se encontra.<\/p>\n<p>O futuro da Igreja passar\u00e1 por aqui. S\u00f3 que esta aventura n\u00e3o vai poder se realizada isoladamente. Importa ir criando c\u00e9lulas de ambiente, constitu\u00eddas por duas ou mais pessoas, para que experimentem a presen\u00e7a do Ressuscitado e ganhem alento para provocar a ressurrei\u00e7\u00e3o nesses plurifacetados ambientes da vida moderna, com tantos contextos onde Cristo n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o ressuscitou mas onde nunca esteve presente. Esta responsabilidade pode ser a grande novidade que a P\u00e1scoa, em tempo de pandemia, nos traz. Temos de estar fechados em isolamento social mas n\u00e3o podemos permitir que Cristo continue dentro do sepulcro das realidades eclesiais. Ele, qual fermento invis\u00edvel, tem de ir cristianizando as realidades humanas. Maria Madalena e a outra Maria foram ao sepulcro com a inten\u00e7\u00e3o de l\u00e1 se deterem e de expressarem, com l\u00e1grimas e sentimentos, a amizade profunda que tinham com Cristo. O Ressuscitado desinstalou-as e colocou-as a correr apressadamente para comunicarem a experi\u00eancia. Com elas, tamb\u00e9m a Igreja do futuro, vivida e interpretada por n\u00f3s hoje, tem de partir e caminhar por caminhos novos e desconhecidos. A P\u00e1scoa est\u00e1 aqui. Cristo ressuscitou e quer-nos vivos na vida pessoal e na consci\u00eancia de perten\u00e7a \u00e0 Igreja.<\/p>\n<p>\u2020 Jorge Ortiga,\u00a0<em>Arcebispo Primaz<\/em><\/p>\n<p>(Homilia no Pa\u00e7o Arquiepiscopal)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":3,"featured_media":116939,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[172],"class_list":["post-170357","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-braga"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/170357","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=170357"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/170357\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/116939"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=170357"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=170357"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=170357"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}