{"id":17035,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/vivencia-quaresmal-em-idanha\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"vivencia-quaresmal-em-idanha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/vivencia-quaresmal-em-idanha\/","title":{"rendered":"Viv\u00eancia Quaresmal em Idanha"},"content":{"rendered":"<p>\u201cChorai, olhos; Chorai, olhos; O chorar n\u00e3o \u00e9 desprezo; A virgem tamb\u00e9m chorou Quando viu seu Filho preso\u201d  Usado na zona de Idanha-a-Nova, este ditado popular simboliza a viv\u00eancia daquele povo no per\u00edodo quaresmal. A Santa Casa da Miseric\u00f3rdia de Alcafozes (freguesia de Idanha) agarrou esta caminhada em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 P\u00e1scoa e promoveu os \u00abOs Passos\u00bb e as \u00abProciss\u00f5es de Quinta e Sexta-Feira Santas\u00bb &#8211; sublinha o livro \u201cEste Peda\u00e7o de Vida que vos dei&#8230;\u201d, do Pe. Adelino Am\u00e9rico Louren\u00e7o. Em declara\u00e7\u00f5es \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA Joaquim Caetano, Comiss\u00e1rio da Exposi\u00e7\u00e3o \u201cFormas da F\u00e9\u201d &#8211; patente ao p\u00fablico no Centro Cultural Raiano, em Idanha-a-Nova \u2013 integrada nas comemora\u00e7\u00f5es dos 800 anos da doa\u00e7\u00e3o da carta de foral a Idanha-a-Nova por D. Sancho I a D. Fernando Dias, Mestre da Ordem dos Templ\u00e1rios, datada de 23 de Janeiro de 1206 que eleva Idanha-a-Nova a vila, real\u00e7a que \u201cas miseric\u00f3rdias utilizavam com frequ\u00eancia \u2013 no per\u00edodo que come\u00e7ava na Quinta-Feira das Endoen\u00e7as \u2013 uma decora\u00e7\u00e3o ef\u00e9mera com panos pintados que eram pendurados nas Igrejas\u201d. Pela documenta\u00e7\u00e3o existente \u2013 real\u00e7a  Joaquim Caetano \u2013 \u201ctodas as miseric\u00f3rdias mandavam pintar panos para colocarem nas portas das Igrejas com os passos da Paix\u00e3o\u201d. Os dados sobre estas tradi\u00e7\u00f5es \u201cdesapareceram em quase todos os s\u00edtios mas no concelho de Idanha existem dois documentos que relatam isto. O isolamento contribui para a preserva\u00e7\u00e3o de alguns elementos\u201d \u2013 disse.  Esta regi\u00e3o raiana est\u00e1 um \u201cpouco esquecida do ponto de vista da Hist\u00f3ria da Arte\u201d mas \u00e9 um \u201ccampo f\u00e9rtil de estudos na \u00e1rea da etnologia\u201d \u2013 avan\u00e7ou Joaquim Caetano. E exemplifica: \u201cas miseric\u00f3rdias desta regi\u00e3o faziam com frequ\u00eancia os chamados bodos\u201d.  Ao n\u00edvel da arquitectura, escultura e pintura a regi\u00e3o de Idanha \u201ctem muito interesse\u201d. Numa era globalizante, Idanha ainda \u201cconserva\u201d as suas ra\u00edzes populares. Actualmente, a Festividade da Senhora do Almort\u00e3o \u00e9 cultuada na 3\u00aa semana ap\u00f3s a P\u00e1scoa mas \u201ctradicionalmente a grande romaria era em Setembro (antes das sementeiras). \u00c9 um culto agr\u00edcola e rural. Era conhecida como a Senhora de Setembro em contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0s Senhoras de Agosto\u201d. E acrescenta: \u201cesta romaria estava relacionada com a distribui\u00e7\u00e3o e o sorteio dos baldios para as sementeiras\u201d. Nestas romarias as adufeiras (mulheres que tocam adufe) s\u00e3o presen\u00e7a \u00abobrigat\u00f3ria\u00bb tal como acontece na Vig\u00edlia Pascal onde estas cantam \u00abalv\u00edssaras\u00bb (cantares tradicionais festivos ou regionais, por vezes com quadras improvisadas, neste caso alusivas \u00e0 Ressurrei\u00e7\u00e3o). Os livros de actas existentes, desde 1895, no arquivo da Confraria, constatam a realiza\u00e7\u00e3o anual de duas festas marianas, com cariz popular. Igualmente, se menciona que o capel\u00e3o celebrava Missa em cada primeiro s\u00e1bado do m\u00eas e que, no dia 25 de Mar\u00e7o, era distribu\u00edda esmola estatut\u00e1ria aos pobres. Para mostrar aos interessados a import\u00e2ncia deste patrim\u00f3nio cultural e art\u00edstico fez-se a exposi\u00e7\u00e3o \u00abFormas da f\u00e9\u00bb. Idanha \u00e9 uma regi\u00e3o com tradi\u00e7\u00f5es de f\u00e9 \u201cmuito vivas, nomeadamente na P\u00e1scoa, \u2013 movimentam a popula\u00e7\u00e3o praticamente toda \u2013 e a festa da Senhora do Almort\u00e3o\u201d \u2013 disse Joaquim Caetano. A exposi\u00e7\u00e3o mostra cerca de quatro dezenas de pe\u00e7as de todo o concelho. \u201cA mais antiga \u00e9 um Calv\u00e1rio completo (3 pe\u00e7as), do s\u00e9culo XIII, de Proen\u00e7a-a-Velha. Um calv\u00e1rio g\u00f3tico \u2013 talvez seja de origem francesa &#8211; de import\u00e2ncia internacional\u201d \u2013 disse Joaquim Caetano. Esta pe\u00e7a rar\u00edssima s\u00f3 por si \u201cmerece a visita \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o\u201d. E continua: \u201cdeve ter sido uma doa\u00e7\u00e3o templ\u00e1ria ligada \u00e0 funda\u00e7\u00e3o de Proen\u00e7a\u201d. Os visitantes \u2013 \u201ct\u00eam sido muitos\u201d \u2013 podem tamb\u00e9m visualizar uma imagem da Virgem do Leite, de Penha Garcia, esculpida em calc\u00e1rio de An\u00e7\u00e3 e datada de 1469. Uma obra do mestre Jo\u00e3o Afonso &#8211; de Coimbra -, o escultor mais importante daquela cidade nos meados do s\u00e9culo XV. Em termos art\u00edsticos, ele faz \u201ca liga\u00e7\u00e3o entre o grupo de escultores da Batalha (fundamental da nossa escultura dos finais do s\u00e9culo XIV e in\u00edcios do s\u00e9culo XV) e as grandes oficinas coimbr\u00e3s (do s\u00e9culo XVI)\u201d \u2013 avan\u00e7ou Joaquim Caetano. Para concretizar esta mostra \u201ctivemos de fazer uma selec\u00e7\u00e3o\u201d porque \u201co or\u00e7amento n\u00e3o chegada para intervir nas pe\u00e7as todas\u201d. \u201cS\u00f3 foram feitos restauros de algumas obras de um pintor manuelino, provavelmente era daquelas terras, que era desconhecido da historiografia portuguesa\u201d. Depois da descoberta \u201ccoloc\u00e1mo-lhe o nome de mestre do Rosmaninhal\u201d. Este pintor tem um tr\u00edptico na Igreja do Rosmaninhal, tr\u00eas pinturas no Museu de Castelo Branco e uma pintura na Igreja Matriz de Proen\u00e7a-a-Velha. \u201cUm grupo de sete pe\u00e7as que nos permite definir a personalidade art\u00edstica\u201d \u2013 apurou o comiss\u00e1rio da exposi\u00e7\u00e3o. O roteiro art\u00edstico come\u00e7a no s\u00e9culo XIII e termina no s\u00e9culo XIX. \u201cTemos tamb\u00e9m duas pe\u00e7as do s\u00e9culo XIX: Uma adora\u00e7\u00e3o do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus (escultura tardo-barroca) e com um manto rico da Senhora do Almort\u00e3o\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cChorai, olhos; Chorai, olhos; O chorar n\u00e3o \u00e9 desprezo; A virgem tamb\u00e9m chorou Quando viu seu Filho preso\u201d Usado na zona de Idanha-a-Nova, este ditado popular simboliza a viv\u00eancia daquele povo no per\u00edodo quaresmal. 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