{"id":170295,"date":"2020-04-11T20:29:20","date_gmt":"2020-04-11T19:29:20","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=170295"},"modified":"2020-04-11T23:13:02","modified_gmt":"2020-04-11T22:13:02","slug":"homilia-do-bispo-do-funchal-na-vigilia-pascal-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-do-funchal-na-vigilia-pascal-2\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo do Funchal na Vig\u00edlia Pascal"},"content":{"rendered":"<p><!--more-->Domingo da Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor<br \/>\nVig\u00edlia Pascal, 12 de abril 2020<\/p>\n<p>A tranquilidade desta noite santa \u2014 sobretudo desta noite de P\u00e1scoa de 2020, que ficar\u00e1 para a hist\u00f3ria da Igreja como a \u201cP\u00e1scoa da grande fome da Eucaristia\u201d, com os sacerdotes a celebrarem quase toda a Quaresma e, agora, esta solene Vig\u00edlia com as igrejas vazias e os fi\u00e9is distantes, em suas casas \u2014 a tranquilidade e o sil\u00eancio desta noite, dizia, contrasta claramente com a urg\u00eancia e a correria presentes na narra\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica do encontro do t\u00famulo vazio, que acab\u00e1mos de escutar.<\/p>\n<p>O an\u00fancio da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus com que o Anjo surpreendeu aquelas mulheres temerosas; a quantidade de sinais na natureza que acompanharam esse an\u00fancio; a certeza da vit\u00f3ria sobre a morte \u2014 e da vit\u00f3ria sobre o pecado que a causa \u2014, longe de serem paralizadoras daquelas duas mulheres, fizeram antes surgir uma urg\u00eancia (quase dir\u00edamos: uma emerg\u00eancia) que nada nem ningu\u00e9m poder\u00e1 deter. \u00c9 uma urg\u00eancia que teve in\u00edcio naquele momento, mas que atravessou estes dois mil anos, e chegou aos nossos dias.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, esta urg\u00eancia estava j\u00e1 contida na pr\u00f3pria miss\u00e3o: \u201cIde depressa dizer aos disc\u00edpulos: Ele ressuscitou dos mortos\u201d, diz o Anjo \u00e0s mulheres. E o evangelista continua, referindo como estas corresponderam \u00e0 miss\u00e3o: \u201cafastaram-se rapidamente [\u2026] e correram a levar a not\u00edcia aos disc\u00edpulos\u201d.<\/p>\n<p>A urg\u00eancia marca pois, desde o in\u00edcio, a miss\u00e3o crist\u00e3. \u00c9 fruto da vontade de Deus. \u00c9 a urgente necessidade de anunciar e viver a ressurrei\u00e7\u00e3o! A vit\u00f3ria de Jesus sobre a morte (que \u00e9 tamb\u00e9m a nossa vit\u00f3ria, a vit\u00f3ria da humanidade) \u00e9 uma novidade que urge comunicar a todos. A morte foi derrotada no seu terreno. Um homem que \u00e9 Deus abriu uma brecha no seu dom\u00ednio e a\u00a0 derrotou, e deu-nos a todos a esperan\u00e7a de passar com Ele do tempo para a eternidade!<\/p>\n<p>Em primeiro lugar era, naquele momento, urgente comunicar a Boa Nova aos disc\u00edpulos porque eles, que partilharam a vida de Jesus, que presenciaram os milagres, e que escutaram a sua palavra, haviam tamb\u00e9m de ser as primeiras testemunhas do mundo novo que naquele momento surgiu. Haviam de ser eles a garantir que este Jesus ressuscitado era o mesmo que com eles caminhou pelas estradas da Galileia. Que n\u00e3o era um fantasma, uma ideia, uma proje\u00e7\u00e3o, mas o mesmo que todos viram morto no madeiro da cruz e que agora se apresentava, cheio da vida divina, a comer e a beber com os seus.<\/p>\n<p>Mas a ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m um acontecimento cuja not\u00edcia urge comunicar ao mundo inteiro. \u201cIde por todo o mundo\u201d, mandar\u00e1 o Senhor ressuscitado aos Ap\u00f3stolos. E eles foram. Tom\u00e9 chegou \u00e0 \u00cdndia; Tiago \u00e0 Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica. Chegaram a \u00c1frica e ao Leste europeu. E os seus sucessores peregrinaram por todo o mundo conhecido. E quando novas terras foram descobertas (como aconteceu com a nossa Madeira e com tantas outras paragens que os portugueses deram a conhecer ao mundo), sempre os navios levavam consigo a Cruz de Cristo, o Evangelho da ressurrei\u00e7\u00e3o, a vida da f\u00e9. \u00c9 que o Evangelho n\u00e3o pode esperar seguran\u00e7as, n\u00e3o pode aguardar certezas humanas. Requer ousadia, coragem, comunica\u00e7\u00e3o alegre e simples da certeza da ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A n\u00f3s, aos nossos cora\u00e7\u00f5es, \u00e9 tamb\u00e9m urgente que o Evangelho continue a ressoar. Tamb\u00e9m n\u00f3s, crentes, baptizados destas Ilhas do Sant\u00edssimo Sacramento e da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, como est\u00e1 gravado em pedra na porta desta nossa Catedral, necessitamos de voltar a escutar aquele primeiro an\u00fancio, sempre cheio de frescura e alegria: \u201cO Senhor ressuscitou verdadeiramente e apareceu a Sim\u00e3o!\u201d. Porque necessitamos constantemente de tomar consci\u00eancia da nossa raiz, da realidade primeira onde assenta e da pedra segura que sustenta a nossa exist\u00eancia de homens e de crist\u00e3os.<\/p>\n<p>Mas a mensagem da ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor \u00e9 sobretudo urgente comunic\u00e1-la a quem ainda n\u00e3o O conhece, a quem ainda n\u00e3o \u00e9 capaz de viver a alegria da vida nova. Tantos ainda n\u00e3o O conhecem. Claro que j\u00e1 ouviram falar de Jesus, mas n\u00e3o escutaram a Sua palavra. Presos no seu racionalismo, n\u00e3o foram capazes de abrir o cora\u00e7\u00e3o; presos no seu ego\u00edsmo, n\u00e3o foram capazes de entender a sua vida a partir de Deus; presos nos preconceitos causados tantas vezes pelos pecados dos crist\u00e3os, n\u00e3o se deixaram alimentar pela Verdade do Ressuscitado. Necessitam que algu\u00e9m os ajude a romper os muros de uma humanidade fechada e sem horizontes, e lhes anuncie a Boa Nova da ressurrei\u00e7\u00e3o, o caminho da vida com Deus.<\/p>\n<p>Como podemos comunicar a vida nova? Parece contradit\u00f3rio a afirma\u00e7\u00e3o desta urg\u00eancia evangelizadora com a situa\u00e7\u00e3o em que nos encontramos, confinados \u00e0s nossas casas, famintos do encontro com os irm\u00e3os.<\/p>\n<p>Mas esta P\u00e1scoa feita de jejum e de confinamento continua a ser feita tamb\u00e9m de ressurrei\u00e7\u00e3o e de esperan\u00e7a. A todos quero dizer: \u201cO Senhor ressuscitou verdadeiramente\u201d. N\u00e3o \u00e9 um v\u00edrus que o poder\u00e1 derrotar. E Ele espera de n\u00f3s, j\u00e1 agora, e mesmo na situa\u00e7\u00e3o em que nos encontramos, esta disponibilidade apost\u00f3lica para O testemunhar.<\/p>\n<p>Paulo, o Ap\u00f3stolo que o Senhor ressuscitado encontrou no caminho de Damasco, viveu tamb\u00e9m ele esta urg\u00eancia de que a not\u00edcia da ressurrei\u00e7\u00e3o chegasse a todos. Paulo, o Ap\u00f3stolo dos Gentios, caminhante incans\u00e1vel pelo mundo romano de ent\u00e3o; Paulo que a prop\u00f3sito e fora de prop\u00f3sito anunciou o Evangelho, sofreu tamb\u00e9m ele a pris\u00e3o. Ficou, tamb\u00e9m ele, confinado tantas vezes a quatro paredes. Mas nem por isso impedido de proclamar a Boa Nova. Prova dessa realidade s\u00e3o as chamadas \u201ccartas do cativeiro\u201d, escritas da pris\u00e3o, onde o Ap\u00f3stolo continuou o seu trabalho evangelizador, cuidando das comunidades que tinha fundado, acompanhando a sua vida e os seus problemas. E poder\u00edamos continuar com tantos outros exemplos.<\/p>\n<p>Deixemos, irm\u00e3os, que neste tempo de quarentena, a urg\u00eancia do an\u00fancio do Evangelho fermente no nosso cora\u00e7\u00e3o. Que ela se fa\u00e7a vida, disponibilidade e ousadia em toda a nossa exist\u00eancia.<\/p>\n<p>E alegremo-nos com esta certeza serena mas entusiasmante, \u00fanica capaz de verdadeiramente romper a escurid\u00e3o: Cristo venceu a morte. Aleluia!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[186],"class_list":["post-170295","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-do-funchal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/170295","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=170295"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/170295\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=170295"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=170295"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=170295"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}