{"id":170293,"date":"2020-04-11T20:43:16","date_gmt":"2020-04-11T19:43:16","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=170293"},"modified":"2020-04-11T22:57:32","modified_gmt":"2020-04-11T21:57:32","slug":"homilia-do-papa-francisco-na-vigilia-pascal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-papa-francisco-na-vigilia-pascal\/","title":{"rendered":"Homilia do Papa Francisco na Vig\u00edlia Pascal"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Fotos-Vaticano_g-7.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-170305 size-large\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Fotos-Vaticano_g-7-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Fotos-Vaticano_g-7-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Fotos-Vaticano_g-7-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Fotos-Vaticano_g-7-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Fotos-Vaticano_g-7-1080x721.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Fotos-Vaticano_g-7-980x654.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Fotos-Vaticano_g-7-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Fotos-Vaticano_g-7.jpg 1187w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u00abTerminado o s\u00e1bado\u00bb (Mt\u00a028, 1), as mulheres foram ao sepulcro. O Evangelho desta santa Vig\u00edlia come\u00e7a assim: com o s\u00e1bado. Este \u00e9 o dia do Tr\u00edduo Pascal que mais descuramos, ansiosos de passar da cruz de sexta-feira \u00e0\u00a0aleluia\u00a0de domingo. Este ano, por\u00e9m, damo-nos conta, mais do que nunca, do s\u00e1bado santo, o dia do grande sil\u00eancio; podemos rever-nos nos sentimentos que tinham as mulheres naquele dia. Como n\u00f3s, tinham nos olhos o drama do sofrimento, duma trag\u00e9dia inesperada, que se verificou demasiado rapidamente. Viram a morte e tinham a morte no cora\u00e7\u00e3o. \u00c0 amargura, juntou-se o medo: acabariam, tamb\u00e9m elas, como o Mestre? E depois os receios pelo futuro, carecido todo ele de ser reconstru\u00eddo. A mem\u00f3ria ferida, a esperan\u00e7a sufocada. Para elas, era a hora mais escura, como o \u00e9 hoje para n\u00f3s.<\/p>\n<p>Contudo, nesta situa\u00e7\u00e3o, as mulheres n\u00e3o se deixam paralisar. N\u00e3o cedem \u00e0s for\u00e7as obscuras da lamenta\u00e7\u00e3o e da lam\u00faria, n\u00e3o se fecham no pessimismo, nem fogem da realidade. Realizam algo simples e extraordin\u00e1rio: nas suas casas, preparam os perfumes para o corpo de Jesus. N\u00e3o renunciam ao amor: na escurid\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o, acendem a miseric\u00f3rdia. Nossa Senhora, no s\u00e1bado \u2013 dia que Lhe ser\u00e1 dedicado \u2013, reza e espera. No desafio da tristeza, confia no Senhor. Sem o saber, estas mulheres preparavam na escurid\u00e3o daquele s\u00e1bado \u00abo romper do primeiro dia da semana\u00bb (Mt\u00a028, 1), o dia que havia de mudar a hist\u00f3ria. Jesus, como semente na terra, estava para fazer germinar no mundo uma vida nova; e as mulheres, com a ora\u00e7\u00e3o e o amor, ajudavam a esperan\u00e7a a desabrochar. Quantas pessoas, nos dias tristes que vivemos, fizeram e fazem como aquelas mulheres, semeando brotos de esperan\u00e7a com pequenos gestos de solicitude, de carinho, de ora\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>Ao amanhecer, as mulheres v\u00e3o ao sepulcro. L\u00e1 diz-lhes o anjo: \u00abN\u00e3o tenhais medo. N\u00e3o est\u00e1 aqui; ressuscitou\u00bb (cf.\u00a0Mt\u00a028, 5-6). Diante dum t\u00famulo, ouvem palavras de vida&#8230; E depois encontram Jesus, o autor da esperan\u00e7a, que confirma o an\u00fancio dizendo-lhes: \u00abN\u00e3o temais\u00bb (28, 10).\u00a0N\u00e3o tenhais medo, n\u00e3o temais: eis\u00a0o an\u00fancio de esperan\u00e7a\u00a0para n\u00f3s, hoje. Tais s\u00e3o as palavras que Deus nos repete na noite que estamos a atravessar.<\/p>\n<p>Nesta noite, conquistamos um direito fundamental, que n\u00e3o nos ser\u00e1 tirado:\u00a0o direito \u00e0 esperan\u00e7a. \u00c9 uma esperan\u00e7a nova, viva, que vem de Deus. N\u00e3o \u00e9 mero otimismo, n\u00e3o \u00e9 uma palmada nas costas nem um encorajamento de circunst\u00e2ncia. \u00c9 um dom do C\u00e9u, que n\u00e3o pod\u00edamos obter por n\u00f3s mesmos.\u00a0Tudo correr\u00e1 bem: repetimos com tenacidade nestas semanas, agarrando-nos \u00e0 beleza da nossa humanidade e fazendo subir do cora\u00e7\u00e3o palavras de encorajamento. Mas, \u00e0 medida que os dias passam e os medos crescem, at\u00e9 a esperan\u00e7a mais audaz pode desvanecer. A esperan\u00e7a de Jesus \u00e9 diferente. Coloca no cora\u00e7\u00e3o a certeza de que Deus sabe transformar tudo em bem, pois at\u00e9 do t\u00famulo faz sair a vida.<\/p>\n<p>O t\u00famulo \u00e9 o lugar donde, quem entra, n\u00e3o sai. Mas Jesus saiu para n\u00f3s, ressuscitou para n\u00f3s, para trazer vida onde havia morte, para come\u00e7ar uma hist\u00f3ria nova no ponto onde fora colocada uma pedra em cima. Ele, que derrubou a pedra da entrada do t\u00famulo, pode remover as rochas que fecham o cora\u00e7\u00e3o. Por isso, n\u00e3o cedamos \u00e0 resigna\u00e7\u00e3o, n\u00e3o coloquemos uma pedra sobre a esperan\u00e7a. Podemos e devemos esperar, porque Deus \u00e9 fiel. N\u00e3o nos deixou sozinhos, visitou-nos: veio a cada uma das nossas situa\u00e7\u00f5es, no sofrimento, na ang\u00fastia, na morte. A sua luz iluminou a obscuridade do sepulcro: hoje quer alcan\u00e7ar os cantos mais escuros da vida. Minha irm\u00e3, meu irm\u00e3o, ainda que no cora\u00e7\u00e3o tenhas sepultado a esperan\u00e7a, n\u00e3o desistas! Deus \u00e9 maior. A escurid\u00e3o e a morte n\u00e3o t\u00eam a \u00faltima palavra. Coragem! Com Deus, nada est\u00e1 perdido.<\/p>\n<p>Coragem: \u00e9 uma palavra que, nos Evangelhos, sai sempre da boca de Jesus. S\u00f3 uma vez \u00e9 pronunciada por outros, quando dizem a um mendigo: \u00abCoragem, levanta-te que [Jesus] chama-te\u00bb (Mc\u00a010, 49). \u00c9 Ele, o Ressuscitado, que nos levanta a n\u00f3s, mendigos. Se te sentes fraco e fr\u00e1gil no caminho, se cais, n\u00e3o tenhas medo; Deus estende-te a m\u00e3o dizendo: \u00abCoragem!\u00bb Entretanto poderias exclamar como padre Abbondio: \u00abA coragem, n\u00e3o no-la podemos dar\u00bb (I promessi sposi, XXV). N\u00e3o a podes dar a ti mesmo, mas podes receb\u00ea-la, como um presente. Basta abrir o cora\u00e7\u00e3o na ora\u00e7\u00e3o, basta levantar um pouco aquela pedra colocada \u00e0 boca do cora\u00e7\u00e3o, para deixar entrar a luz de Jesus. Basta convid\u00e1-Lo: \u00abVinde, Jesus, aos meus medos e dizei tamb\u00e9m a mim:\u00a0coragem!\u00bb Convosco, Senhor, seremos provados; mas n\u00e3o turvados. E, seja qual for a tristeza que habite em n\u00f3s, sentiremos o dever de esperar, porque convosco a cruz desagua na ressurrei\u00e7\u00e3o, porque V\u00f3s estais connosco na escurid\u00e3o das nossas noites: sois certeza nas nossas incertezas, Palavra nos nossos sil\u00eancios e nada poder\u00e1 jamais roubar-nos o amor que nutris por n\u00f3s.<\/p>\n<p>Eis o an\u00fancio pascal, an\u00fancio de esperan\u00e7a. Este cont\u00e9m uma segunda parte,\u00a0o envio. \u00abIde anunciar aos meus irm\u00e3os que partam para a Galileia\u00bb (Mt\u00a028,10): diz Jesus. Ele \u00abvai \u00e0 vossa frente para a Galileia\u00bb (28, 7): diz o anjo. O Senhor precede-nos. \u00c9 bom saber que caminha diante de n\u00f3s, que visitou a nossa vida e a nossa morte para nos preceder na Galileia, isto \u00e9, no lugar que, para Ele e para os seus disc\u00edpulos, lembrava a vida di\u00e1ria, a fam\u00edlia, o trabalho. Jesus deseja que levemos a esperan\u00e7a l\u00e1, \u00e0 vida de cada dia. Mas, para os disc\u00edpulos, a Galileia era tamb\u00e9m o lugar das recorda\u00e7\u00f5es, sobretudo da primeira chamada. Voltar \u00e0 Galileia \u00e9 lembrar-se de ter sido amado e chamado por Deus. Precisamos de retomar o caminho, lembrando-nos de que nascemos e renascemos a partir duma chamada gratuita de amor. Este \u00e9 o ponto donde recome\u00e7ar sempre, sobretudo nas crises, nos tempos de prova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mais ainda. A Galileia era a regi\u00e3o mais distante de Jerusal\u00e9m, onde estavam. E n\u00e3o s\u00f3 geograficamente: a Galileia era o lugar mais distante do car\u00e1ter sacro da Cidade Santa. Era uma regi\u00e3o habitada por povos diferentes, que praticavam v\u00e1rios cultos: era a \u00abGalileia dos gentios\u00bb (Mt\u00a04, 15). Jesus envia para l\u00e1, pede para recome\u00e7ar de l\u00e1. Que nos diz isto? Que o an\u00fancio da esperan\u00e7a n\u00e3o deve ficar confinado nos nossos recintos sagrados, mas ser levado a todos. Porque todos t\u00eam necessidade de ser encorajados e, se n\u00e3o o fizermos n\u00f3s que tocamos com a m\u00e3o \u00abo Verbo da vida\u00bb (1 Jo\u00a01, 1), quem o far\u00e1? Como \u00e9 belo ser crist\u00e3os que consolam, que carregam os fardos dos outros, que encorajam: anunciadores de vida em tempo de morte! A cada Galileia, a cada regi\u00e3o desta humanidade a que pertencemos e que nos pertence, porque todos somos irm\u00e3os e irm\u00e3s, levemos o c\u00e2ntico da vida! Fa\u00e7amos calar os gritos de morte: de guerras, basta! Pare a produ\u00e7\u00e3o e o com\u00e9rcio das armas, porque \u00e9 de p\u00e3o que precisamos, n\u00e3o de metralhadoras. Cessem os abortos, que matam a vida inocente. Abram-se os cora\u00e7\u00f5es daqueles que t\u00eam, para encher as m\u00e3os vazias de quem n\u00e3o disp\u00f5e do necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>No fim, as mulheres \u00abestreitaram os p\u00e9s\u00bb de Jesus (Mt\u00a028, 9), aqueles p\u00e9s que, para nos encontrar, haviam percorrido um longo caminho at\u00e9 entrar e sair do t\u00famulo. Abra\u00e7aram os p\u00e9s que espezinharam a morte e abriram o caminho da esperan\u00e7a. Hoje n\u00f3s, peregrinos em busca de esperan\u00e7a, estreitamo-nos a V\u00f3s, Jesus ressuscitado. Voltamos as costas \u00e0 morte e abrimos os cora\u00e7\u00f5es para V\u00f3s, que sois a Vida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":3,"featured_media":170305,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[274],"class_list":["post-170293","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-papa-francisco"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/170293","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=170293"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/170293\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/170305"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=170293"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=170293"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=170293"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}