{"id":170202,"date":"2020-04-11T11:19:31","date_gmt":"2020-04-11T10:19:31","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=170202"},"modified":"2020-04-11T11:19:31","modified_gmt":"2020-04-11T10:19:31","slug":"o-dia-do-senhor-e-o-senhor-dos-dias-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-dia-do-senhor-e-o-senhor-dos-dias-2\/","title":{"rendered":"O dia do Senhor \u00e9 o Senhor dos dias"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Pablo Lima, biblista, Diocese de Viana do Castelo<\/em><!--more--><\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"hbujcpKYOM\"><p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-dia-do-senhor-e-o-senhor-dos-dias\/\">O dia do Senhor \u00e9 o Senhor dos dias<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;O dia do Senhor \u00e9 o Senhor dos dias&#8221; &#8212; Ag\u00eancia ECCLESIA\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-dia-do-senhor-e-o-senhor-dos-dias\/embed\/#?secret=lVRy8GMvVu#?secret=hbujcpKYOM\" data-secret=\"hbujcpKYOM\" width=\"500\" height=\"282\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<p>(Segunda parte)<\/p>\n<p><strong>2. Liturgia e catequese familiar<\/strong><\/p>\n<p>No juda\u00edsmo rab\u00ednico (o \u00fanico que sobreviveu dos muitos juda\u00edsmos do tempo de Jesus \u00e0 data da destrui\u00e7\u00e3o do Templo de Jerusal\u00e9m no ano 70 d.C.), a P\u00e1scoa \u00e9 uma celebra\u00e7\u00e3o familiar, \u00e9 uma liturgia dom\u00e9stica. O principal rito (ou <em>sacramento<\/em>, se esta palavra nos chamar ainda mais a aten\u00e7\u00e3o) do juda\u00edsmo n\u00e3o \u00e9 celebrado na sinagoga, mas em casa. E a Igreja, que nasceu sob persegui\u00e7\u00e3o e sem edif\u00edcios de culto, reuniu-se durante s\u00e9culos (os primeiros e mais frutuosos s\u00e9culos da hist\u00f3ria do cristianismo) em casas particulares, as <em>domus ecclesiae<\/em>, onde o <em>pater familias<\/em> ou o <em>presb\u00edtero<\/em> ou <em>anci\u00e3o<\/em> presidia \u00e0 liturgia. Obviamente este cen\u00e1rio encontra-se hoje transformado e os presb\u00edteros do rito latino n\u00e3o s\u00e3o <em>pater familias<\/em>. Mas as fam\u00edlias, mesmo sem presb\u00edteros, s\u00e3o <em>domus ecclesiae<\/em>, igreja dom\u00e9stica. Podem e devem, pois, celebrar a P\u00e1scoa em casa. Re\u00fanam-se na noite da Vig\u00edlia, acendam as velas do Baptismo, rezem o Prec\u00f3nio, escolham e leiam as leituras da Vig\u00edlia, fa\u00e7am as preces, beijem a Cruz, abracem-se como se n\u00e3o houvesse amanh\u00e3 e partilhem uma bela refei\u00e7\u00e3o; bela pelo ambiente, n\u00e3o necessariamente por aquilo que est\u00e1 sobre a mesa.<\/p>\n<p>Afinal depois de tantos anos a lutar por estabelecer a catequese familiar (que se tornou obrigat\u00f3ria nalgumas par\u00f3quias atrav\u00e9s da dissolu\u00e7\u00e3o for\u00e7ada da catequese dita \u201ctradicional\u201d), ela foi imposta pela conjuntura de sa\u00fade p\u00fablica. Mas funciona mesmo? Sim e N\u00e3o. A catequese deve ser sempre familiar, mesmo que seja tradicional. J\u00e1 os antigos catecismos, os de 1992, traziam um caderninho com folhas destac\u00e1veis para os pais usarem em casa. Talvez teria sido prefer\u00edvel renovar esse material sem fazer altern\u00e2ncia entre a sess\u00e3o \u201cparoquial\u201d e a sess\u00e3o \u201cfamiliar\u201d da catequese, visto que, em muitos casos, redundou numa participa\u00e7\u00e3o apenas quinzenal na Eucaristia e numa sess\u00e3o quinzenal de catequese. Por outras palavras, para muitos, a catequese familiar resultou em ter apenas metade da catequese e da participa\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria que tinham. E a \u201cescola paroquial de pais\u201d ou reuni\u00f5es de pais para preparar a \u201csua\u201d sess\u00e3o de catequese dom\u00e9stica, n\u00e3o se fizeram ou depressa acabaram, na maioria dos casos. A estrada era e \u00e9 promover a sess\u00e3o familiar semanal em paralelo com a catequese paroquial semanal. Porque as crian\u00e7as n\u00e3o v\u00e3o \u00e0 escola semana sim, semana n\u00e3o. Perd\u00e3o, agora n\u00e3o v\u00e3o mesmo.<\/p>\n<p>Felizmente, nalgumas fam\u00edlias recuperou-se o lugar do antigo \u201corat\u00f3rio\u201d. Pela primeira vez na vida, rezaram juntos em casa. O Crucifixo, a B\u00edblia, a Senhora de F\u00e1tima e uma vela juntaram-se numa mesa e recordam-nos que h\u00e1 uma outra vida que n\u00e3o se v\u00ea, mas se sente.<\/p>\n<p><strong>3. Renova\u00e7\u00e3o pastoral do Tr\u00edduo e da Visita Pascal.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Alguns profetas e videntes j\u00e1 clamam que esta crise vai aprofundar as ra\u00edzes espirituais das pessoas, das fam\u00edlias e das par\u00f3quias. Pessoalmente, acho que n\u00e3o. Passado o choque das semanas ou meses de reclus\u00e3o, as Igrejas v\u00e3o encher-se durante alguns Domingos, para dar gra\u00e7as a Deus por aqui andarmos, os que por aqui ainda estivermos ou estiverem. Mas, depois, os dias de sol continuar\u00e3o a convidar-nos a ir para a praia ao Domingo, ou a ficar na cama nos dias de chuva. E o fim da Quaresma e in\u00edcio da Semana <strong><em>Santa<\/em><\/strong> voltar\u00e1 a ser a melhor altura do ano para os estudantes irem ter todo o tipo de experi\u00eancias a Benidorm e lugares afins. Esta nova sede de espiritualidade n\u00e3o vai durar, em termos colectivos. Algumas pessoas e fam\u00edlias est\u00e3o mesmo a reflectir sobre os valores da vida e ir\u00e3o introduzir mudan\u00e7as s\u00e9rias e permanentes. Pelos piores motivos, alguns nunca esquecer\u00e3o esta pandemia. Mas, como sempre, para alguns <strong><em>carpe diem<\/em><\/strong> significar\u00e1 <em>aproveita o tempo<\/em>e, para outros, <em>goza o dia<\/em>.<\/p>\n<p>O que \u00e9 certo e ineg\u00e1vel \u00e9 que este ano n\u00e3o haver\u00e1 Visita Pascal. Nem no Alto Minho! Quem diria! Porque \u00e9 uma tradi\u00e7\u00e3o secular \u2013 dizem alguns. T\u00e3o secular que\u2026, come\u00e7ou talvez em fins do s\u00e9culo XIX e n\u00e3o se consolidou em muitas par\u00f3quias at\u00e9 depois da Segunda Guerra. A Visita Pascal \u00e9, obviamente, um gesto pr\u00f3prio de uma sociedade abastada. E, nesse sentido, tem virtudes e defeitos. Nalgumas par\u00f3quias, a Missa de P\u00e1scoa \u00e9 mais triste que um funeral, porque n\u00e3o h\u00e1 grupo coral dispon\u00edvel\u2026, n\u00e3o h\u00e1 leitores nem ac\u00f3litos e, sobretudo, h\u00e1 a pressa de sair com o compasso. N\u00e3o s\u00e3o poucos aqueles crist\u00e3os que trocam a sexta-feira santa pela segunda de P\u00e1scoa, para poderem estar na visita pascal. Tendo nascido na Venezuela, sempre me impressionou que, em Portugal, n\u00e3o se nota a diferen\u00e7a na sexta-feira santa: os com\u00e9rcios est\u00e3o abertos, a maior parte dos que frequentam a Eucaristia aos Domingos n\u00e3o participam na celebra\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o e h\u00e1 um alvoro\u00e7o desmedido nas ruas e nas casas, como se n\u00e3o fiz\u00e9ssemos mem\u00f3ria da morte do Senhor Jesus.<\/p>\n<p>Talvez este ano, passados Abril e Maio, algures pelo ver\u00e3o, possa ser poss\u00edvel ensaiar uma forma de visita pascal <em>\u00e0 italiana<\/em>. Na It\u00e1lia, o p\u00e1roco visita as fam\u00edlias em data mais ou menos combinada; nas cidades, colocam um aviso na porta dos pr\u00e9dios a dizer que vir\u00e1 no dia tal\u2026 E essa visita demora algum tempo: reza com a fam\u00edlia, l\u00ea a B\u00edblia, aben\u00e7oa cada um e cada uma individualmente. E \u00e9 na Quaresma! Talvez algumas par\u00f3quias se decidam a transformar a Visita Pascal numa pequena liturgia familiar, durante todos os Domingos do Tempo Pascal, e assim o p\u00e1roco visitar\u00e1 mesmo cada casa, evitando-se o odioso de parecer que envia um mensageiro a recolher os envelopes do folar, quando h\u00e1 v\u00e1rios compassos em simult\u00e2neo.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o que vivemos n\u00e3o \u00e9 feliz. Mas \u00e9 um sinal dos tempos que temos de ler e fazer frutificar. \u00c9 triste e doloroso o <em>jejum eucar\u00edstico <\/em>ao qual fomos for\u00e7ados. O Cardeal Ratzinger, no seu livro <em>Deus pr\u00f3ximo de n\u00f3s<\/em>, recorda como alguns santos e ascetas praticavam um jejum eucar\u00edstico volunt\u00e1rio. Este pode ser ocasi\u00e3o para valorizarmos mais e melhor a <em>Quinta-feira santa<\/em>, o <em>Corpo de Deus<\/em> e a adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica semanal. O que ficar, depois deste drama, em termos pastorais e espirituais, ficar\u00e1 por um esfor\u00e7o acrescido. Acomodamo-nos depressa.<\/p>\n<p><strong>O dia do Senhor \u00e9 o Senhor dos dias<\/strong><\/p>\n<p>A express\u00e3o \u00e9 de um an\u00f3nimo do s\u00e9culo IV (Pseudo-Eus\u00e9bio de Alexandria,\u00a0<em>Serm\u00e3o<\/em>\u00a016:\u00a0<em>PG<\/em>\u00a086, 416): \u201co dia do Senhor \u00e9 o Senhor dos Dias\u201d, quer estejamos em casa ou na igreja. O rabino Avraham Heschel, comentando a desgra\u00e7a da destrui\u00e7\u00e3o do Templo de Jerusal\u00e9m, afirma que o \u201cs\u00e1bado \u00e9 o templo do espa\u00e7o\u201d. Para n\u00f3s, o Domingo \u00e9 o Templo do Espa\u00e7o: \u201cDia do Senhor, Dia de Cristo, Dia da Igreja, Dia do Ser humano\/fam\u00edlia, Dia dos Dias\u201d, como lhe chamou Jo\u00e3o Paulo na sua Carta apost\u00f3lica <em>Dies Domini<\/em>.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o percamos tempo a lamentar a impossibilidade de celebrar o Domingo e a P\u00e1scoa. Estes tempos questionam a nossa f\u00e9 e a nossa verdadeira viv\u00eancia de que \u201cos adoradores que o Pai deseja devem ador\u00e1-l\u2019O em esp\u00edrito e verdade\u201d (Jo 4,23). At\u00e9 porque \u201co Filho do Homem at\u00e9 do s\u00e1bado \u00e9 senhor\u201d (Mc 2,28).<\/p>\n<p>Errata: Na primeira parte do artigo, por lapso, indiquei que as igrejas orientais e ortodoxas neo-calendaristas usam o calend\u00e1rio gregoriano na P\u00e1scoa, mas, nesta celebra\u00e7\u00e3o, seguem tamb\u00e9m o calend\u00e1rio juliano. Este ano, por exemplo, celebrar\u00e3o o Domingo de P\u00e1scoa no dia 19 de Abril, uma semana depois da Igreja Cat\u00f3lica e igrejas protestantes<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Pablo Lima, biblista, Diocese de Viana do Castelo<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":131853,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[182,308],"class_list":["post-170202","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao","tag-diocese-de-viana-do-castelo","tag-semana-santa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/170202","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=170202"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/170202\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/131853"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=170202"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=170202"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=170202"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}