{"id":16993,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/redescobrir-a-cidadania-contributos-para-a-mudanca-3\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"redescobrir-a-cidadania-contributos-para-a-mudanca-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/redescobrir-a-cidadania-contributos-para-a-mudanca-3\/","title":{"rendered":"Redescobrir a Cidadania \u2013 contributos para a mudan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>Texto Final das IX Jornadas de Universit\u00e1rios Cat\u00f3licos <!--more--> Junt\u00e1mo-nos nas IX Jornadas de Universit\u00e1rios Cat\u00f3licos sob o tema Redescobrir a Cidadania \u2013 contributos para a mudan\u00e7a. Este texto sintetiza algumas das ideias chave destes dias, sem pretender ser um relato das v\u00e1rias confer\u00eancias e pain\u00e9is. Quando falamos de cidadania, referimo-nos \u00e0 participa\u00e7\u00e3o de todos na sociedade, \u00e0 preocupa\u00e7\u00e3o que temos uns para com os outros. Falar de cidadania \u00e9 perguntar como queremos viver em conjunto. \u00c9 procurar um sentido para a nossa vida colectiva, assumir o desafio exigente de vivermos a nossa liberdade em comunidade. S\u00e3o muitas as mudan\u00e7as a acontecer nos nossos dias, trazendo novas problem\u00e1ticas, novos desafios que exigem respostas novas. A vastid\u00e3o e complexidade dos problemas n\u00e3o permitem respostas f\u00e1ceis nem an\u00e1lises simplistas. Podem at\u00e9 parecer-nos esmagadoras e fazer-nos baixar os bra\u00e7os. Uma coisa, por\u00e9m, \u00e9 para n\u00f3s evidente: s\u00f3 em conjunto conseguiremos dar resposta aos problemas que nos afectam a todos. N\u00e3o cabe neste texto uma an\u00e1lise exaustiva \u00e0s mudan\u00e7as sociais em curso. Deixamos apenas algumas ideias das leituras e desafios que nos foram surgindo ao longo desta jornada de reflex\u00e3o. Num mundo complexo e em mudan\u00e7a o primeiro desafio com que nos deparamos \u00e9 educar o nosso olhar. Cultivar a leitura cr\u00edtica da realidade, aprender a analisar as causas que lhe est\u00e3o subjacentes, procurar ler os acontecimentos, \u00e9 o primeiro passo para a participa\u00e7\u00e3o. Essa leitura \u00e9 sempre uma leitura situada, esse olhar \u00e9 sempre um olhar de uma determinada perspectiva. Por isso dizemos que \u00e9 importante educar o nosso olhar, procurar ir mais fundo nas an\u00e1lises que fazemos. Para os crist\u00e3os, os crit\u00e9rios essenciais desse olhar t\u00eam como fonte primeira o mandamento do amor a Deus e ao pr\u00f3ximo. Ao longo dos anos, a reflex\u00e3o da comunidade crente foi sendo articulada num conjunto de documentos de pensamento social, a chamada Doutrina Social da Igreja. Um dos princ\u00edpios a\u00ed enunciados \u2013 a no\u00e7\u00e3o de bem comum \u2013 surge-nos, hoje, como fundamental. Viver a cidadania \u00e9 trazer a preocupa\u00e7\u00e3o com o bem de todos para o centro das nossas aten\u00e7\u00f5es. Igualmente a dignidade humana, a justi\u00e7a e a paz, o destino universal dos bens, a op\u00e7\u00e3o pelos pobres, a solidariedade e a subsidiariedade s\u00e3o princ\u00edpios orientadores que importa redescobrir, sobretudo na comunidade crente. Dizemos redescobrir, porque talvez esses princ\u00edpios n\u00e3o estejam suficientemente entendidos e assumidos na radicalidade que transportam. Estes crit\u00e9rios s\u00e3o partilhados por muita gente, com a qual a Igreja e as Religi\u00f5es, h\u00e1 muito, v\u00e3o fazendo pontes. Em sociedades cada vez mais plurais e multiculturais, a viv\u00eancia da cidadania implica di\u00e1logo com outros, com culturas diferentes ou simplesmente com perspectivas e mundivid\u00eancias diferentes. O di\u00e1logo \u00e9 uma express\u00e3o de encontro com o outro. Importa construir a cidadania nas nossas comunidades, atendendo ao mosaico cultural em que, cada vez mais vivemos, procurando ir ao encontro das pessoas concretas, sem utilizar r\u00f3tulos f\u00e1ceis e enganadores. A cidadania exprime igualmente a vontade de que todos tenham lugar na nossa sociedade. A sua pr\u00e1tica assenta em capacidades e compet\u00eancias que pressup\u00f5em integra\u00e7\u00e3o social. N\u00e3o se trata apenas de um direito, mas de um direito que exige condi\u00e7\u00f5es e possibilidades reais de participar. Na nossa sociedade h\u00e1 demasiadas pessoas para quem falar de cidadania n\u00e3o faz sequer sentido, porque as condi\u00e7\u00f5es anteriores que possibilitariam o seu exerc\u00edcio n\u00e3o est\u00e3o satisfeitas. \u00c0 escala mundial, este problema de exclus\u00e3o da cidadania \u00e9 ainda mais gritante. Na express\u00e3o de Jo\u00e3o Paulo II, se pensarmos numa \u201ccidadania mundial\u201d, todos temos responsabilidades para com as situa\u00e7\u00f5es de mis\u00e9ria, opress\u00e3o e pobreza que afectam mesmo os nossos irm\u00e3os mais distantes. Assim, a cidadania exprime o nosso compromisso uns para com os outros. Importa afirmar a necessidade de uma \u00e9tica do compromisso \u2013 compromisso uns para com os outros, compromisso nos espa\u00e7os onde estamos envolvidos, nas estruturas sociais onde participamos.  Enquanto estudantes do Ensino Superior, alguns desafios mais directamente ligados com o nosso estudo e com o meio estudantil n\u00e3o podem deixar de ser referidos: \u00b7\tO percurso de forma\u00e7\u00e3o superior deve ser uma oportunidade de crescimento em v\u00e1rias dimens\u00f5es. Por isso, \u00e9 importante que cada um saiba definir a sua agenda, as suas prioridades, aquilo que quer valorizar no seu percurso. A principal ferramenta do estudante \u00e9 precisamente o seu estudo, que pode ser orientado de forma solid\u00e1ria. \u00b7\tPercebendo as novas possibilidades da nossa participa\u00e7\u00e3o nos programas de mobilidade e interc\u00e2mbio a n\u00edvel nacional e internacional, desejar\u00edamos que mais estudantes pudessem ter a oportunidade de participar nessas experi\u00eancias. \u00b7\tQueremos continuar acompanhar a forma como o Processo de Bolonha est\u00e1 a ser implementado no nosso pa\u00eds, procurando que no Ensino Superior o aluno possa estar cada vez mais no centro da aprendizagem. \u00c9 essa a altera\u00e7\u00e3o central e a oportunidade deste processo: alterar um paradigma centrado no que o professor exp\u00f5e para outro onde o aluno constr\u00f3i a sua aprendizagem. \u00b7\tA forma\u00e7\u00e3o ao longo da vida \u00e9 uma realidade cada vez mais presente. Num mercado de trabalho cada vez mais din\u00e2mico e numa sociedade de mudan\u00e7a e de risco, precisamos de disponibilidade para aprender e inovar continuamente. Igualmente importa afirmar a necessidade de exist\u00eancia de mecanismos de seguran\u00e7a que permitam \u00e0s pessoas reinserirem-se no mercado de trabalho, que garantam a coes\u00e3o e inclus\u00e3o. \u00b7\tA nossa participa\u00e7\u00e3o activa enquanto membros da comunidade estudantil passa pelo nosso contributo em associa\u00e7\u00f5es e outros organismos. Esse trabalho associativo traz-nos uma responsabilidade acrescida em fazer desses espa\u00e7os lugares de aprendizagem e coopera\u00e7\u00e3o entre os diversos actores no Ensino Superior. Tamb\u00e9m na nossa Igreja devemos falar de cidadania. Essa viv\u00eancia da cidadania na Igreja parte do pressuposto da autonomia. A viv\u00eancia da F\u00e9, esclarecida e respons\u00e1vel s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel atrav\u00e9s de uma postura comprometida. Fazemos todos parte desta Igreja que a nossa f\u00e9 em Jesus Cristo nos chama a construir e sentimos a necessidade de refor\u00e7ar o papel e a interven\u00e7\u00e3o que nela temos contribuindo para os seguintes desafios: \u00b7\tNum tempo como o nosso, de incerteza quanto ao futuro, mais urgente se torna o an\u00fancio de uma mensagem de esperan\u00e7a que ajude as pessoas a empenharem-se na constru\u00e7\u00e3o da nossa sociedade. Precisamos saber ler e anunciar os sinais positivos do nosso tempo, desconstruindo falsos fatalismos. \u00b7\tA actividade caritativa da Igreja \u00e9 uma dimens\u00e3o fundamental do testemunho crist\u00e3o, destacada pelo Papa Bento XVI na sua primeira Carta Enc\u00edclica. Al\u00e9m da sua fun\u00e7\u00e3o de aux\u00edlio e encontro com os mais necessitados, outra vertente da viv\u00eancia da caridade \u00e9 o combate \u00e0s causas estruturais de exclus\u00e3o. Neste sentido, construir uma sociedade mais inclusiva e solid\u00e1ria implica tamb\u00e9m o envolvimento pol\u00edtico, porventura pouco valorizado entre n\u00f3s. \u00b7\tA comunidade crente deve ser um espa\u00e7o de di\u00e1logo aberto e sincero. Um espa\u00e7o onde a discord\u00e2ncia n\u00e3o deve ser temida. A \u201chierarquia de verdades\u201d introduzida pelo Conc\u00edlio Vaticano II ensina-nos que muitos dos temas julgados indiscut\u00edveis o n\u00e3o s\u00e3o verdadeiramente. Mais ainda: alguns princ\u00edpios da doutrina da Igreja, se n\u00e3o olhados numa escala de import\u00e2ncia relativa, pervertem a pr\u00f3pria doutrina. \u00b7\tNuma comunidade que pretende \u201cfazer novas todas as coisas\u201d, sentimos a urg\u00eancia da criatividade, de encontrar formas novas e mais consent\u00e2neas de anunciar o Evangelho. Formas que assumam a nossa responsabilidade para com a sociedade e que consigam expressar a beleza da mensagem evang\u00e9lica.  Para todas estas quest\u00f5es, urge descobrir novos espa\u00e7os de cidadania que possam responder aos problemas dos nossos dias. Isso passa pela leitura da realidade e pela reflex\u00e3o cr\u00edtica mas tamb\u00e9m pela ac\u00e7\u00e3o, pelo desenvolvimento de experi\u00eancias concretas. A redescoberta da cidadania n\u00e3o se far\u00e1 apenas de teorias e an\u00e1lises, mas sobretudo de ac\u00e7\u00f5es e experi\u00eancias novas, que possam dar corpo \u00e0s ambi\u00e7\u00f5es e necessidades das pessoas de hoje, sobretudo dos que ainda n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es para participar. Redescobrir a cidadania nos dias de hoje \u00e9, primeiramente, dedicar espa\u00e7o e tempo a estas quest\u00f5es. \u00c9 preocuparmo-nos com aprender a viver uns com os outros, preocuparmo-nos em cuidar a nossa presen\u00e7a no mundo.  Leiria, 19 de Mar\u00e7o de 2006<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto Final das IX Jornadas de Universit\u00e1rios Cat\u00f3licos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[120,144,237,314],"class_list":["post-16993","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-bento-xvi","tag-concilio-vaticano-ii","tag-joao-paulo-ii","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16993","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16993"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16993\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16993"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16993"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16993"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}